"Morreste-me" de José Luís Peixoto
domingo, 15 de maio de 2011
"Pai. A tarde dissolve-se sobre a terra, sobre a nossa casa. O céu desfia um sopro quieto nos rostos. Acende-se a lua. Translúcida, adormece um sono cálido nos olhares. Anoitece devagar. Dizia nunca esquecerei, e lembro-me. Anoitecia devagar e, a esta hora, nesta altura do ano, desenrolavas a mangueira com todos os preceitos e, seguindo regras certas, regavas as árvores e as flores do quintal; e tudo isso me ensinavas, tudo isso me explicavas. Anda cá ver, rapaz. E mostravas-me. Pai. Deixaste-te ficar em tudo. Sobrepostos na mágoa indiferente deste mundo que finge continuar, os teus movimentos, o eclipse dos teus gestos. E tudo isto é agora pouco para te conter. Agora, és o rio e as margens e a nascente; és o dia, e a tarde dentro do dia, e o sol dentro da tarde; és o mundo todo por seres a sua pele. Pai. Nunca envelheceste, e eu queria ver-te velho, velhinho aqui no nosso quintal, a regar as árvores, a regar as flores. Sinto tanta falta das tuas palavras. Orienta-te, rapaz. Sim. Eu oriento-me, pai. E fico. Estou. O entardecer, em vagas de luz, espraia-se na terra que te acolheu e conserva. Chora chove brilho alvura sobre mim. E oiço o eco da tua voz, da tua voz que nunca mais poderei ouvir. A tua voz calada para sempre. E, como se adormecesses, vejo-te fechar as pálpebras sobre os olhos que nunca mais abrirás. Os teus olhos fechados para sempre. E, de uma vez, deixas de respirar. Para sempre. Para nunca mais. Pai. Tudo o que te sobreviveu me agride. Pai. Nunca esquecerei."
segunda-feira, 25 de abril de 2011
sábado, 23 de abril de 2011
O Erro
Havia um velho na rua. E eu olhava o velho
Dantes, carregavas num botão e o mecanismo accionava-se automaticamente. Agora, o botão não reage. Cobardemente, nunca revelaste a localização do botão, e eu também nunca a quis saber. Não o queria desligar, mas também não queria ligar. Olhei de relance para o velho, mas ele parecia adormecido a olhar para o nada. Incessantemente, fugia sem sair do mesmo sitio, cambaleava nas sombras da noite - tudo por causa do Erro - que me fazia esconder a face até da sombra da Lua Nova, que me fazia andar sem olhar em frente. E pensei em apagar o Erro. E cheguei a conseguir escondê-lo. Andava de cabeça erguida, mas não sabia quem andava. (E o velho olhava...) Vagueava ao sol, sem sal, nem sabor, nem cor. E o velho na rua, aproxima-se. E eu fujo para apagar, fujo para não encontrar, fujo para não recordar. E apago, e não encontro, e não me lembro. E descubro que não sou ninguém. E olho para o velho. E o Erro faz-me encontrar o botão. E encontro o passado no meu presente. Mas já não encontro o Erro.
Dantes, carregavas num botão e o mecanismo accionava-se automaticamente. Agora, o botão não reage. Cobardemente, nunca revelaste a localização do botão, e eu também nunca a quis saber. Não o queria desligar, mas também não queria ligar. Olhei de relance para o velho, mas ele parecia adormecido a olhar para o nada. Incessantemente, fugia sem sair do mesmo sitio, cambaleava nas sombras da noite - tudo por causa do Erro - que me fazia esconder a face até da sombra da Lua Nova, que me fazia andar sem olhar em frente. E pensei em apagar o Erro. E cheguei a conseguir escondê-lo. Andava de cabeça erguida, mas não sabia quem andava. (E o velho olhava...) Vagueava ao sol, sem sal, nem sabor, nem cor. E o velho na rua, aproxima-se. E eu fujo para apagar, fujo para não encontrar, fujo para não recordar. E apago, e não encontro, e não me lembro. E descubro que não sou ninguém. E olho para o velho. E o Erro faz-me encontrar o botão. E encontro o passado no meu presente. Mas já não encontro o Erro.
(inspirado na conversa com o amigo A.O., criador da Borracha que apaga o passado)
terça-feira, 19 de abril de 2011
Podia ter festejado o visitante numero 2000. Ou o centésimo post. Ou Sétimo comentário. Mas não o fiz. Porque as coisas se fazem uma de cada vez, e quando se pode. E ultimamente as coisas chamadas palavras, não têm conseguido sair. Culpa minha, que não as levo a passear para os dedos, e as exponho aqui. Culpa do tempo, Culpa de ninguém. Ou talves, culpa da vida. Que cansa, canta e encanta, nos leva e tráz, envolve e diz "és capaz". Que se esquece de avisar do futuro dos 5 minutos a seguir, e depois, nos faz desistir. Pensa que se interpreta meias palavras, mas com um "meio pé", é sempre dificil caminhar. Nunca é fácil chegar.
segunda-feira, 4 de abril de 2011
sábado, 26 de março de 2011
Abrimos a página. Carregamos na tecla, avançamos. E apagamos. Retrocedemos, fazemos "delete" e apagamos a reciclagem. Partimos qualquer coisa. Mudamos a música de fundo, e descobrimos um novo detalhe. Em vão, paramos um momento, e tentamos interpretar o que quer que seja. Viajamos para outros mundos. Tentamos despragmatizar, mas não há sentido. Arruína-se a história. Em vão, em vão, apagamos o tempo.
sexta-feira, 25 de março de 2011
"Faço menos planos e cultivo menos recordações. Não guardo muitos papéis, nem adianto muito o serviço. Movimento-me num espaço cujo tamanho me serve, alcanço seus limites com as mãos, é nele que me instalo e vivo com a integridade possível. Canso menos, me divirto mais, e não perco a fé por constatar o óbvio: tudo é provisório, inclusive nós." (Martha Medeiros)
domingo, 20 de março de 2011
Da-te. Respira fundo. Dá-me a mão. Mostra o coração. Explica. Não sejas meia verdade, um terço de alucinação, uma história a duas dimensões - não sejas! - Canta-me ao ouvido. Usa a magia que existe, a magia que construiste..Não a deixes acabar! Faz render as palavras, usa tudo o que tens! Não me deixes ir. Não me deixes simplesmente ficar... É manipulação, sem uso da razão.
Ensinaste-me a por o dedo na lua - a colocar-me a ver o que se tem de sentir - e eu pus-te no meu coração. Cada dia mais um pedaço. Quando percebi, havia mais do que fatias de um todo - havia o todo - para todo sempre.
Ensinaste-me a por o dedo na lua - a colocar-me a ver o que se tem de sentir - e eu pus-te no meu coração. Cada dia mais um pedaço. Quando percebi, havia mais do que fatias de um todo - havia o todo - para todo sempre.
domingo, 13 de março de 2011
Lembro-me que esqueci o nome do cão. E do gato. E do piriquito, se o houve. Esqueci-me por tantas vezes o lembrar. De tantas vezes travar a batalha. Esquecer. Lembrar. Doer. Mas não me esqueço das conversas. Das histórias. Das gargalhadas emotivas. Engraçado o corpo humano... Põe debaixo do iceberg o que nunca deixa de estar a tona de àgua, mais ou menos submerso, nas emoções que constrõem a vida.
O nome do cão. Alguma vez me vais lembrar?
O nome do cão. Alguma vez me vais lembrar?
sábado, 12 de março de 2011
Enrascados
"Geração à rasca": o tema que abala os Noticiarios, que coloca uns a dizer mal dum grupo musical, outros a elogia-lo, e ainda divide este pais, já por si não muito grande; são conservistas que dizem que se os jovens são a geração à rasca, então deviam ter visto a deles (coitadinhos, sempre coitadinhos), são os mais novos que parecem que levaram com o beijo da Bela Adormecida e andam agora todos a dizer que está mal, mesmo sem saber porque.
Apras-me a mim, reles mortal, pré-geração à rasca, dar de minha justiça, (que não é nenhuma, que é uma simples opinião de jovem que não sabe o que diz, nem o que faz, nem o que custa a vida).
Por acaso não vou a manifestação. Terei de ficar em casa, a providenciar o meu futuro enrascamento. Tenho testes, e culpa da geração que nos culpa, parece que hoje em dia, a meu ver, estou enrascada, e nem tudo passa por estágios. Ora vejam:
- Em Portugal, o governo faz com que os professores se preocupem mais com a auto e hetero avaliação( dos professores e dos seus colegas) do que da verdadeira essencial da escola, ensinar. Uma sugestão enrascada: entre os milhares de professores desempregados, a receber subsídios, porque não organiza-los, de forma a ocupa-los, e a pagar-lhe os subsídios devido a um trabalho (e não à falta dele), neste caso, um trabalho que serviria para avaliar professores.
Vantagens:
Mais justiça na avaliação
Melhor ambiente nas escolas
Menor numero de desempregados ( e vocês, governantes, não adoram dizer que o desemprego desceu 0,001%?)
Mais capacidade de concentração dos docentes, mais tempo de preparação de tempos lectivos, maior abertura a projectos extra-curriculares, mais tempo para esclarecimento de duvidas a alunos fora do tempo lectivo (sim, porque embora os vossos filhotes andem em colégios particulares, que ás tantas, oferece explicações, à que esclarecer que nas escolas publicas não é assim. Queres explicações? Pagas.)
Melhor relação sócio-afectiva na comunidade escolar
de momento, não me lembro de nenhuma desvantagem... a não ser... ah, sim dá trabalho. Não iriam copiar nenhum país, não iriam simplesmente cortar ordenados, não seria uma coisa fácil para o primeiro ministro, licenciado, dizer em Espanhol, Inglês, ou em qualquer outra língua.
-Em Portugal, temos as "queridas medias" de mãos dadas, na entrada da faculdade. Mas, eu ainda gostava de descobrir, aonde é que nas médias esta a componente "vocação", ou a componente "comunicação", ou a componente "educação". Tão necessárias em tudo, mas mais necessárias numas áreas que noutras. Onde elas estão?! Bem, eu sei onde elas não foram contempladas: na senhora que atende o telefone de forma mal educada quando se liga para o gabinete do x, no doutor que nos ausculta quando vamos ao hospital, e que nem ouve os nossos sintomas, no técnico que manda comprar logo um aparelho novo. Isto não é generalizar. É o que acontece. A quem nunca aconteceu? Talvez seja exepcção à regra. Mas seria mais fácil evitar as mudanças de cursos a meio dos semestres por estas universidades Portuguesas se existisse mais "selecção e direccionamento" na escolha das profissões de cada um.
É verdade. Somos uma geração "à rasca", gerados por uma geração onde imperam os comudistas, que inspirados no 25 de Abril, acharam que mudaram o Mundo, e que já nada era preciso fazer. Esqueceram-se que a mudança é constante, e que é feita de pequenas coisas. Uma musica. Uma manifestação. Uma medida estúpida que ouvida e interpretada pela pessoa certa, até pode ser muito boa. Parece que alguém se voltou a lembrar das pequenas mudanças. Pequenos actos que paço a paço, mudam alguma coisa. Já se percebeu que já não estamos colados à revolução dos cravos, que também pensamos, que queremos mudanças. No convite que tenho no facebook, estão até agora, 62 887 pessoas a "dizer que vão", 46 694, a ponderar ir. Talvez seja altura de colocar a mão na consciência. Afinal, talvez estes "enrascados" tenham algo para dizer.. E que tal, oh senhores ministros, trocarem os carros BMW por fiat, mesmo que sejam novos na mesma, ou as viagens em jactos privados, por voos comerciais, os jantares em restaurantes estrelas michelan por uma coisita mais simples, as dormidas em Hotéis de 5 estrelas pelos de 2, e contratar alguém, mesmo que seja à custa de cunhas, para analisar e seleccionar os papeis que alguém lhe vai fazer chegar, e que serão recolhidos amanha nas manifestações?! E também, porque não, aparar-se das redes sociais, perceber o que nelas é dito? Só não sejam malandro, e não comecem para ai a censurar toda a gente.. Afinal, o 25 de Abril, já "não cá canta, deste 1974"!
Apras-me a mim, reles mortal, pré-geração à rasca, dar de minha justiça, (que não é nenhuma, que é uma simples opinião de jovem que não sabe o que diz, nem o que faz, nem o que custa a vida).
Por acaso não vou a manifestação. Terei de ficar em casa, a providenciar o meu futuro enrascamento. Tenho testes, e culpa da geração que nos culpa, parece que hoje em dia, a meu ver, estou enrascada, e nem tudo passa por estágios. Ora vejam:
- Em Portugal, o governo faz com que os professores se preocupem mais com a auto e hetero avaliação( dos professores e dos seus colegas) do que da verdadeira essencial da escola, ensinar. Uma sugestão enrascada: entre os milhares de professores desempregados, a receber subsídios, porque não organiza-los, de forma a ocupa-los, e a pagar-lhe os subsídios devido a um trabalho (e não à falta dele), neste caso, um trabalho que serviria para avaliar professores.
Vantagens:
Mais justiça na avaliação
Melhor ambiente nas escolas
Menor numero de desempregados ( e vocês, governantes, não adoram dizer que o desemprego desceu 0,001%?)
Mais capacidade de concentração dos docentes, mais tempo de preparação de tempos lectivos, maior abertura a projectos extra-curriculares, mais tempo para esclarecimento de duvidas a alunos fora do tempo lectivo (sim, porque embora os vossos filhotes andem em colégios particulares, que ás tantas, oferece explicações, à que esclarecer que nas escolas publicas não é assim. Queres explicações? Pagas.)
Melhor relação sócio-afectiva na comunidade escolar
de momento, não me lembro de nenhuma desvantagem... a não ser... ah, sim dá trabalho. Não iriam copiar nenhum país, não iriam simplesmente cortar ordenados, não seria uma coisa fácil para o primeiro ministro, licenciado, dizer em Espanhol, Inglês, ou em qualquer outra língua.
-Em Portugal, temos as "queridas medias" de mãos dadas, na entrada da faculdade. Mas, eu ainda gostava de descobrir, aonde é que nas médias esta a componente "vocação", ou a componente "comunicação", ou a componente "educação". Tão necessárias em tudo, mas mais necessárias numas áreas que noutras. Onde elas estão?! Bem, eu sei onde elas não foram contempladas: na senhora que atende o telefone de forma mal educada quando se liga para o gabinete do x, no doutor que nos ausculta quando vamos ao hospital, e que nem ouve os nossos sintomas, no técnico que manda comprar logo um aparelho novo. Isto não é generalizar. É o que acontece. A quem nunca aconteceu? Talvez seja exepcção à regra. Mas seria mais fácil evitar as mudanças de cursos a meio dos semestres por estas universidades Portuguesas se existisse mais "selecção e direccionamento" na escolha das profissões de cada um.
É verdade. Somos uma geração "à rasca", gerados por uma geração onde imperam os comudistas, que inspirados no 25 de Abril, acharam que mudaram o Mundo, e que já nada era preciso fazer. Esqueceram-se que a mudança é constante, e que é feita de pequenas coisas. Uma musica. Uma manifestação. Uma medida estúpida que ouvida e interpretada pela pessoa certa, até pode ser muito boa. Parece que alguém se voltou a lembrar das pequenas mudanças. Pequenos actos que paço a paço, mudam alguma coisa. Já se percebeu que já não estamos colados à revolução dos cravos, que também pensamos, que queremos mudanças. No convite que tenho no facebook, estão até agora, 62 887 pessoas a "dizer que vão", 46 694, a ponderar ir. Talvez seja altura de colocar a mão na consciência. Afinal, talvez estes "enrascados" tenham algo para dizer.. E que tal, oh senhores ministros, trocarem os carros BMW por fiat, mesmo que sejam novos na mesma, ou as viagens em jactos privados, por voos comerciais, os jantares em restaurantes estrelas michelan por uma coisita mais simples, as dormidas em Hotéis de 5 estrelas pelos de 2, e contratar alguém, mesmo que seja à custa de cunhas, para analisar e seleccionar os papeis que alguém lhe vai fazer chegar, e que serão recolhidos amanha nas manifestações?! E também, porque não, aparar-se das redes sociais, perceber o que nelas é dito? Só não sejam malandro, e não comecem para ai a censurar toda a gente.. Afinal, o 25 de Abril, já "não cá canta, deste 1974"!
domingo, 6 de março de 2011
Cheiro. Vem, e vai, e regressa.
Nunca abandona. Ressuscita, e ergue.
Caminha escondido, aflito. Torna-se presença, que assenta, surindo inventa e recria.
E alguém fugia. Corre depressa, ou corria.
Depois entra a noite fria, que aquece, atencantada por uma cigarra, e embala a presença, e faz fugir alguem.
Nunca abandona. Ressuscita, e ergue.
Caminha escondido, aflito. Torna-se presença, que assenta, surindo inventa e recria.
E alguém fugia. Corre depressa, ou corria.
Depois entra a noite fria, que aquece, atencantada por uma cigarra, e embala a presença, e faz fugir alguem.
domingo, 27 de fevereiro de 2011
Brio, frio, vazio
Os ignorantes, pensam que o tempo não regride. Os teimosos também. Quem ficam com assuntos resolvidos, sabem que não. Quem nunca foi livre para decidir, não sabe o que faz, onde está e o que é poder. Consome uma chama visivél a atmosfera, cessa o burburinho de fundo. E fica só. Com um vazio outrora cheio de muito para dar. Busca forças que já foram consumidas por muitas batalhas.. forças que sem alternativa, deram tréguas à guerra. Iça-se um fogoso tremor. É a brisa de fim de tarde, de um já há muito acontecido. Amarra-se aquilo que já não é de ninguém, e que nunca deixou de ser de alguém. Tenta-se esconder mais fundo a chave daquilo que não queremos desterrar. Assusta cada relance de brio. E vem o frio, outrora reconfortado por um abraço, sussurro sossego, afagado pelo som de uma divertida vibração de cordas. Vem o escuro que arrebata tudo. Que envolve tudo. Mas que não nos envolve. Nunca mais!
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
Sinonímia Financeira
É muito raro que dois mercados caiam no mesmo dia, porque os jornalistas de economia não deixam. Quando um mercado cai, o outro derrapa. E, provavelmente para refrear os ânimos especulativos, quase nunca se verifica a existência de mais do que um mercado a subir. Se um sobe, o outro avança
Os problemas relacionados com a dívida soberana trazem, apesar de tudo, algumas vantagens notáveis. A primeira é o facto de a dívida soberana ser, como o próprio nome indica, soberana. É muito reconfortante saber que ainda há alguma coisa soberana em Portugal, mesmo que seja apenas a dívida. Quando toda a nossa política é definida pela União Europeia, dá gosto saber que a dívida se mantém firme na sua teimosa e patriótica soberania. Neste momento, é um dos símbolos da nacionalidade. A bola amarela que vemos no centro da bandeira nacional tem agora um duplo significado: é a esfera armilar e representa também um dos muitos zeros da nossa dívida soberana.
A segunda vantagem é que mesmo leigos em economia e finanças, como eu, dão por si a prestar atenção à informação sobre os mercados, para ir avaliando o estado do nosso endividamento e da nossa economia em geral. Depois de ter estudado profundamente os serviços de informação económica, estou em condições de apresentar uma conclusão preliminar: nos mercados, além da especulação financeira, há especulação lexical. Quando as bolsas têm um dia mau, ficamos a saber que Nova Iorque perdeu, Paris derrapou, Madrid regrediu, Tóquio tombou, Londres caiu e o PSI 20 deslizou. Se os mercados se animam, somos informados de que Nova Iorque subiu, Paris avançou, Madrid cresceu, Tóquio somou, Londres ganhou e o PSI 20 valorizou. É muito raro que dois mercados caiam no mesmo dia, porque os jornalistas de economia não deixam. Quando um mercado cai, o outro derrapa. E, provavelmente para refrear os ânimos especulativos, quase nunca se verifica a existência de mais do que um mercado a subir. Se um sobe, o outro avança. É curioso que uma atividade tão repetitiva como o comércio financeiro tenha um horror tão evidente à repetição.
No entanto, se indiscutivelmente contribui para a elegância dos noticiários financeiros, evitando repetições que poderiam estragar a beleza daquelas listas de índices e percentagens, o recurso aos sinónimos pode ser perigoso, sobretudo num meio em que o rigor é fundamental. Na verdade, perder não é o mesmo que derrapar. Um mercado que tomba não parece poder levantar-se, ao passo que um mercado que cai dá ao investidor a sensação de que pode voltar a erguer-se mais facilmente. Do mesmo modo, e embora os jornalistas pretendam referir-se à mesma coisa, confio mais num mercado que cresce do que num que ganha, na medida em que o primeiro aparenta estar a fazer um esforço sustentado para se tornar maior e mais forte, enquanto o segundo se limitou a um ter um ganho que pode ter sido pontual e até fruto do acaso. Percebe-se melhor o que quero dizer se pensarmos na distância que separa as expressões "O Sporting cresceu" e "O Sporting ganhou". Creio que a ERC deveria recomendar maior cuidado aos jornalistas que nos dão informações sobre o modo como Nova Iorque negociou, Paris especulou, Madrid agiotou, Tóquio endrominou, Londres usurou e o PSI 20 trapaceou.
Quinta feira, 10 de Fev. de 2011 , Ricardo Araújo Pereira, in Visão
domingo, 13 de fevereiro de 2011
Não posso adiar o amor para outro século
Não posso
Ainda que o grito sufoque na garganta
Ainda que o ódio estale e crepite e arda
Sob montanhas cinzentas
E montanhas cinzentas
Não posso adiar este abraço
Que é uma arma de dois gumes
Amor e ódio
Não posso adiar
Ainda que a noite pese séculos sobre as costas
E a aurora indecisa demore
Não posso adiar para outro século a minha vida
Nem o meu amor
Nem o meu grito de libertação
Não posso adiar o coração
Não posso
Ainda que o grito sufoque na garganta
Ainda que o ódio estale e crepite e arda
Sob montanhas cinzentas
E montanhas cinzentas
Não posso adiar este abraço
Que é uma arma de dois gumes
Amor e ódio
Não posso adiar
Ainda que a noite pese séculos sobre as costas
E a aurora indecisa demore
Não posso adiar para outro século a minha vida
Nem o meu amor
Nem o meu grito de libertação
Não posso adiar o coração
A. Ramos Rosa, A Mão de Água e a Mão de Fogo
sábado, 12 de fevereiro de 2011
Não houve um jantar de despedida. Nem um pré aviso. Mas será que houve isso quando chegaste? Durante muito tempo, achei que sim. Achei que sim, que tinha acontecido um momento de conhecimento. Culpa talvez do vazio que se seguiu. O nada é preenchido de lembranças. Recordações que polvilhadas de imaginação e outros condimentos, têm um resultado mágico, e intenso. Foi ontem. Ou não, talvez já tenha sido à 2 dias. Não sei ao certo. Relembro-me que foi da noite para o dia. Quando pisquei os olhos... era o nada. Nada. Já só havia o rastilho ardido do jantar. Do primeiro tudo. E ao caminhar, e com o vento, até este se desfaz...
sábado, 5 de fevereiro de 2011
Cai repentina a noite. Sinistramente, vagueia sozinha a mente, fora de um hospedeiro hostil. Talvez tenha sido um susto, um acto de rebeldia, ou uma inocente corrente de ar, a causa de tal viagem.
Certo é que alguém, cujo nome ou morada a noite desconhece, que deambula pelas ruas de uma cidade imaginária onde fadas e duendes também vivem.
Vejo a mente solidária...fecho os olhos, e lentamente fica também a minha mente a vaguear. Sozinha. Hostil.
Certo é que alguém, cujo nome ou morada a noite desconhece, que deambula pelas ruas de uma cidade imaginária onde fadas e duendes também vivem.
Vejo a mente solidária...fecho os olhos, e lentamente fica também a minha mente a vaguear. Sozinha. Hostil.
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
Que o o sol influencia o humor, o amor, e faz parte de umas das muitas razões que se tem para sorrir, já eu pensava saber. Mas que o tempo trazia consigo recordações vivas do que aconteceu à anos feitos dias, que entranhado no vento, sem se ver, mas a sentir-se, vem aquele dia, aquela conversa, aquele momento imortal...
A cada passo que ando, vem sorrateira, a recordação. Esconde-se quando olho para traz, evita olhar-me de frente. E sopra o vento, e sopra à memoria... Aflora todas as percepções sensoriais, que passaram a memoria a longo prazo no exacto momento que se captou a emoção.
A cada passo que ando, vem sorrateira, a recordação. Esconde-se quando olho para traz, evita olhar-me de frente. E sopra o vento, e sopra à memoria... Aflora todas as percepções sensoriais, que passaram a memoria a longo prazo no exacto momento que se captou a emoção.
domingo, 23 de janeiro de 2011
A noite fria trás sombrias revelações... Gélidas possibilidades assolam a alma, e acordam fantasmas já combatidos. Lágrima a lágrima, constrói-se um forte de emoções.
Marioneta de desejos, padece sobre um poço, prestes a cair, semblante negro, vultuoso de magia e magnitude.
Apaga-se da alma a ideia de finitude que tudo transporta, culpa da felicidade e realização que cada gesto demonstra.
O cansaço assola a alma dos demais, e assola a minha também.
Marioneta de desejos, padece sobre um poço, prestes a cair, semblante negro, vultuoso de magia e magnitude.
Apaga-se da alma a ideia de finitude que tudo transporta, culpa da felicidade e realização que cada gesto demonstra.
O cansaço assola a alma dos demais, e assola a minha também.
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
Ser bem de longe
Há quem fale que à terceira é de vez... Eu penso que as cabeças duras só entendem à quarta... Uma cabeça dura, ela entendeu à quarta: propositadas e em vão, com ou sem prévia ingenuidade... Na quarta vez, a resposta veio-lhe graças a um ser bem de longe... ( e não, não é Deus..) mas sim o Senhor Berardo, que da Madeira "mandou construir" um mseu no Cuntenente, que em certa altura teve uma Sposiçon, que continha esta obra literária, (daquelas que à primeira pouco têm de literárias, mas que basta ler o titulo para entendermos muitas situações mal explicadas..vá, o grafismo ajuda) com um ainda mais literário titulo, uma sátira no ramo da B.D...
Ah, e isto...é arte comtemporanea , mes snhores!
[ veja ainda uma muito boa notícia, sobre a obra ]
Ah, e isto...é arte comtemporanea , mes snhores!
[ veja ainda uma muito boa notícia, sobre a obra ]
domingo, 16 de janeiro de 2011
16 de Janeiro de 2011
Consulto o calendário do computador para me certificar da data. Respiro fundo, e penso vazio. Tento encher a mente de coisas inteligiveis, mas a tarefa torna-se vã... E respiro fundo de novo. Gero um campo magnético, sem polo norte, sem direcção. Constacto que me salta à mente e a respiração... essa torna-se ofegante. Imagens saltam, arrepios saltam, salta tembém uma certa frívolidade, carapaça de tanto, tal com os escudos de guerra dos nossos antepassados; concentro-me... o meu olhar foca-se num momento fruto da imaginação.
Olho agora o calendário, olho-o concertrada. E percebo o quanto tempo passou...
Olho agora o calendário, olho-o concertrada. E percebo o quanto tempo passou...
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
Não tinha de acontecer, mas ficava bem... Uma prova, um sinal do que se passou. Com o tempo, com vento, existem coisas já não tão claras. Será que aconteceram mesmo? Dizer que não seria esquecer quem sou. Esquecer tempo e uma vida, e muitos que gosto.
Não esquecer tudo, lembrar-me fotográficamente de cada instante passado, imaginado, segredado, faz-me querer que sonhos são realidade.
Não esquecer tudo, lembrar-me fotográficamente de cada instante passado, imaginado, segredado, faz-me querer que sonhos são realidade.
Quase, quase...
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
Last, but not List, 2010
Passaram tantos dias. Tantos. De certa forma, é normal, depois de 364 dias, se iniciar um novo ano. No entanto, ainda ontem fiz anos,fiz exames, andava de manga curta, a conhecer os novos professores. Ainda ontem choramingava o final do 11º, e agora, não tarda, tenho o 12º meio-feito.
Não, este não é um texto nostalgico, aqueles que toda a gente escreve. Farta de ouvir falar de FMI's, de crise, de saldos e de eleições, quero escrever sobre uma coisa que muita vez me tenho lembrado.
Até aqui, muito até aqui, temos sido governados por uma geração que critica a minha. Ou que critica as gerações que muito estão proximas da minha... Criticam a nossa leviandade, a nossa libertinagem, a nossa má educação. Muitas vezes, chego a concordar. Muitas vezes por culpa de uma situação gerenaliza-se, e ai é que está o cerna da questão. Nós não somos maus. Tentamos viver em extremos. Mas somos assim graças, de certa forma à educação que recebemos, à sociedade em que estamos.
Somos governados por pessoas super - bem - educadas- formadas - cadastro limpo - aplicadas - desde o dia em que foram concebidos. E o resultado?? Bem... é ler um jornal,. abrir a televisão no noticiário... A partir de 2011, creio que as gerações que tanto corrompido a sociedade têm, vão começar a invadir os mercados de trabalho, a levantar a sua voz. Talves 2011 seja então, um ponto de viragem. Mesmo que não seja, quero acreditar que sim. 2011 será melhor que 2010. 2011 tem tudo para ser melhor para o País. Penso que ja não pode ser pior. Em 2011, cada um, todos, teremos que ser melhores. Não custa pensar que sim... Não podemos pensar que não!
A todos, um feliz 2011!
Não, este não é um texto nostalgico, aqueles que toda a gente escreve. Farta de ouvir falar de FMI's, de crise, de saldos e de eleições, quero escrever sobre uma coisa que muita vez me tenho lembrado.
Até aqui, muito até aqui, temos sido governados por uma geração que critica a minha. Ou que critica as gerações que muito estão proximas da minha... Criticam a nossa leviandade, a nossa libertinagem, a nossa má educação. Muitas vezes, chego a concordar. Muitas vezes por culpa de uma situação gerenaliza-se, e ai é que está o cerna da questão. Nós não somos maus. Tentamos viver em extremos. Mas somos assim graças, de certa forma à educação que recebemos, à sociedade em que estamos.
Somos governados por pessoas super - bem - educadas- formadas - cadastro limpo - aplicadas - desde o dia em que foram concebidos. E o resultado?? Bem... é ler um jornal,. abrir a televisão no noticiário... A partir de 2011, creio que as gerações que tanto corrompido a sociedade têm, vão começar a invadir os mercados de trabalho, a levantar a sua voz. Talves 2011 seja então, um ponto de viragem. Mesmo que não seja, quero acreditar que sim. 2011 será melhor que 2010. 2011 tem tudo para ser melhor para o País. Penso que ja não pode ser pior. Em 2011, cada um, todos, teremos que ser melhores. Não custa pensar que sim... Não podemos pensar que não!
A todos, um feliz 2011!
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
domingo, 26 de dezembro de 2010
Mudar
sim, mudou. Mudou tanto. Agora, está mais duro... está mais difícil. Tentamos aprender com o que passa, mas a aprendizagem traduz-se numa modificação no futuro, e não num calejamento de situações. É ilusão, mas também é necessário. Cometer erros, pensar neles, reflectir, levantar, e fazer melhor a seguir. Mudou também a prespectiva, o objectivo, a finalidade. Mudou muito. As aprendizagens fazem barreiras intransponiveis de betão, que muitas vezes se transformam numa coisa que nunca mais se transpõe...
Sim, mudou...
Sim, mudou...
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
Tempo que passa, tempo que vem.. Natal!
Embora apenas pareçam ter passado 7 semanas, é de novo Natal. De novo vêm os presentes, os fritos, os chocolates. De novo digo "Feliz Natal", não numa de Natal consumista, mas sim para que todos se lembrem que agora, tanto como em todos os dias, devemos esquecer o umbigo, e olhar mais para o lado. Lembrar o bom, e esquecer o mau, mesmo que só por alguns dias... Pois os problemas não virão solução por pensarmos e falarmos neles!
quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
II - Este Mundo de injustiças
(...)
Que fazer? Da literatura à ecologia, da fuga das galáxias ao efeito de estufa, do tratamento do lixo às congestões do tráfego, tudo se discute neste nosso mundo. Mas o sistema democrático, como se de um dado definitivamente adquirido se tratasse, intocável por natureza até à consumação dos séculos, esse não se discute. Ora, se não estou em erro, se não sou incapaz de somar dois e dois, então, entre tantas outras discussões necessárias ou indispensáveis, é urgente, antes que se nos torne demasiado tarde, promover um debate mundial sobre a democracia e as causas da sua decadência, sobre a intervenção dos cidadãos na vida política e social, sobre as relações entre os Estados e o poder económico e financeiro mundial, sobre aquilo que afirma e aquilo que nega a democracia, sobre o direito à felicidade e a uma existência digna, sobre as misérias e as esperanças da humanidade, ou, falando com menos retórica, dos simples seres humanos que a compõem, um por um e todos juntos. Não há pior engano do que o daquele que a si mesmo se engana. E assim é que estamos vivendo.
Não tenho mais que dizer. Ou sim, apenas uma palavra para pedir um instante de silêncio. O camponês de Florença acaba de subir uma vez mais à torre da igreja, o sino vai tocar. Ouçamo-lo, por favor.
Que fazer? Da literatura à ecologia, da fuga das galáxias ao efeito de estufa, do tratamento do lixo às congestões do tráfego, tudo se discute neste nosso mundo. Mas o sistema democrático, como se de um dado definitivamente adquirido se tratasse, intocável por natureza até à consumação dos séculos, esse não se discute. Ora, se não estou em erro, se não sou incapaz de somar dois e dois, então, entre tantas outras discussões necessárias ou indispensáveis, é urgente, antes que se nos torne demasiado tarde, promover um debate mundial sobre a democracia e as causas da sua decadência, sobre a intervenção dos cidadãos na vida política e social, sobre as relações entre os Estados e o poder económico e financeiro mundial, sobre aquilo que afirma e aquilo que nega a democracia, sobre o direito à felicidade e a uma existência digna, sobre as misérias e as esperanças da humanidade, ou, falando com menos retórica, dos simples seres humanos que a compõem, um por um e todos juntos. Não há pior engano do que o daquele que a si mesmo se engana. E assim é que estamos vivendo.
Não tenho mais que dizer. Ou sim, apenas uma palavra para pedir um instante de silêncio. O camponês de Florença acaba de subir uma vez mais à torre da igreja, o sino vai tocar. Ouçamo-lo, por favor.
(excerto)
José Saramago,
Texto lido na cerimônia de encerramento do Fórum Social Mundial 2002
I - Este mundo de injustiças
(...) E a democracia, esse milenário invento de uns atenienses ingénuos para quem ela significaria, nas circunstâncias sociais e políticas específicas do tempo, e segundo a expressão consagrada, um governo do povo, pelo povo e para o povo? Ouço muitas vezes argumentar a pessoas sinceras, de boa fé comprovada, e a outras que essa aparência de benignidade têm interesse em simular, que, sendo embora uma evidência indesmentível o estado de catástrofe em que se encontra a maior parte do planeta, será precisamente no quadro de um sistema democrático geral que mais probabilidades teremos de chegar à consecução plena ou ao menos satisfatória dos direitos humanos. Nada mais certo, sob condição de que fosse efectivamente democrático o sistema de governo e de gestão da sociedade a que actualmente vimos chamando democracia. E não o é. É verdade que podemos votar, é verdade que podemos, por delegação da partícula de soberania que se nos reconhece como cidadãos eleitores e normalmente por via partidária, escolher os nossos representantes no parlamento, é verdade, enfim, que da relevância numérica de tais representações e das combinações políticas que a necessidade de uma maioria vier a impor sempre resultará um governo. Tudo isto é verdade, mas é igualmente verdade que a possibilidade de acção democrática começa e acaba aí. O eleitor poderá tirar do poder um governo que não lhe agrade e pôr outro no seu lugar, mas o seu voto não teve, não tem, nem nunca terá qualquer efeito visível sobre a única e real força que governa o mundo, e portanto o seu país e a sua pessoa: refiro-me, obviamente, ao poder económico, em particular à parte dele, sempre em aumento, gerida pelas empresas multinacionais de acordo com estratégias de domínio que nada têm que ver com aquele bem comum a que, por definição, a democracia aspira. Todos sabemos que é assim, e contudo, por uma espécie de automatismo verbal e mental que não nos deixa ver a nudez crua dos factos, continuamos a falar de democracia como se se tratasse de algo vivo e actuante, quando dela pouco mais nos resta que um conjunto de formas ritualizadas, os inócuos passes e os gestos de uma espécie de missa laica. E não nos apercebemos, como se para isso não bastasse ter olhos, de que os nossos governos, esses que para o bem ou para o mal
elegemos e de que somos portanto os primeiros responsáveis, se vão tornando cada vez mais em meros "comissários políticos" do poder económico, com a objectiva missão de produzirem as leis que a esse poder convierem, para depois, envolvidas no açúcares da publicidade oficial e particular interessada, serem introduzidas no mercado social sem suscitar demasiados protestos, salvo os certas conhecidas minorias eternamente descontentes..
(...)
elegemos e de que somos portanto os primeiros responsáveis, se vão tornando cada vez mais em meros "comissários políticos" do poder económico, com a objectiva missão de produzirem as leis que a esse poder convierem, para depois, envolvidas no açúcares da publicidade oficial e particular interessada, serem introduzidas no mercado social sem suscitar demasiados protestos, salvo os certas conhecidas minorias eternamente descontentes..
(...)
José Saramago,
Texto lido na cerimônia de encerramento do Fórum Social Mundial 2002
(excerto)
(excerto)
domingo, 12 de dezembro de 2010
Folha branca, que me dizes?
Com uma página em branco, podemos fazer tudo. Desenhar. Pintar. Escrever... Ou ficar simplesmente a olhar, como se de nada se tratasse, ou como se se tratasse de algo tão estrondoso que muito dificilmente se tivesse capacidade ou sensibilidade para tocar.
Uma folha em branco pode ser muita coisa. Tanta coisa. Pode ser um abraço, um assopro, um amasso. Pode ser crescer, construir, viver. Uma folha em branco é o que nós quisermos. É, o que nós fizermos.
Uma folha em branco pode ser muita coisa. Tanta coisa. Pode ser um abraço, um assopro, um amasso. Pode ser crescer, construir, viver. Uma folha em branco é o que nós quisermos. É, o que nós fizermos.
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
"E me dá uma saudade irracional de você. Uma vontade de chegar perto, de só chegar perto, te olhar sem dizer nada, talvez recitar livros, quem sabe só olhar estrelas… Dizer que te considero - pode ser por mais um mês, por mais um ano, ou quem sabe por uma vida - e que hoje, só por hoje ou a partir de hoje (de ontem, de sempre e de nunca), é sincero"
Caio Fernando Abreu
Caio Fernando Abreu
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
Contos
"Se Deus existe, e eu talves acredite que sim, é piamente que peço, não para fazer um final feliz e feérico da minha vida,que não deixe alguns episódios, e se Deus existe, ele sabe quais são, acontecerem com mais ninguém. Porque acredito que sim, agradeço a Deus todos os momentos em que pude exprimentar o quão bom era ser feliz, o quão bom era ser total e plenamente pessoa, com letra grande. Mas os contras desta condição, fazem-me desejar que isto nao aconteça com mais ninguém, porque o depois e o durante não compensam. Ai de mim, se os dias de sol não chegassem para derreter este gelo quase formado que o sol do destino pôs no meu caminho. Ai de mim se vacilar, se não acreditar que não é correcto o que faço cada dia, ao colocar o dedo no despertador vespertino, e me levanto para mais um dia de jornada. Ai de mim, mas ai não só de mim. O tempo, esse, fez o que pôde. Chegou um dia em que o tempo não valia para mais nada. E mais fossos e poços eu não queria. Muitas vezes, para sermos alguém, temos de deixar ser. Deixei de ser. Se Deus existe sabe que sim. Lentamente, entre recuos e no tempo, memórias e conversas voltam a ser. Se Deus existe, ele também sabe que há-de ser para sempre assim. E o tempo, esse, faz ser simultâneamente outro eu. Não como ilusão, mas como ser evolutivo, com plena consciência dos seus direitos e deveres. Com personalidade e com sentido de pessoa. Sozinha, foi a mais adulta criança no meio de uma historia de encantar, que por não se ter passado num conto infantil, não teve um final feliz."
terça-feira, 30 de novembro de 2010
Bodas de Diamamante
75 anos depois, fica um grande site, dado-me a conhecer por grande Pessoa: casa Fernando Pessoa
Um grande Poeta, que para além de ter "todos os sonhos do mundo", continua a fazer sonhar ...todo Mundo!
Um grande Poeta, que para além de ter "todos os sonhos do mundo", continua a fazer sonhar ...todo Mundo!
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
quarta-feira, 24 de novembro de 2010
Quase tanto tempo.Queria conciliar o tempo cronológico com o tempo que penso que passa, mas às vezes, é difícil. À dias ouvi alguém dizer que o Deus cromos, o do tempo, matava os seus próprios filhos. Certa parte, é verdade. O tempo traz-nos as coisas. E depois, sem dó nem piedade, leva-as. Entre um e outro momento ainda faz o favor de permitir que acontecimentos alheios à nossa vontade destruam tudo o que acontece. Bom. E na maioria das vezes, mau.
De certa forma, agora penso que foi uma despedida. Ou o único encontro. Ou nem uma coisa nem outra, e afinal era o mundo supra real que tomava contra de nós, e tudo não passava de um egoísta e mentiroso sonho, que deixou para sempre um pedaço do coração algures, à deriva..
De certa forma, agora penso que foi uma despedida. Ou o único encontro. Ou nem uma coisa nem outra, e afinal era o mundo supra real que tomava contra de nós, e tudo não passava de um egoísta e mentiroso sonho, que deixou para sempre um pedaço do coração algures, à deriva..
Greve
Portugal não evolui porque:
Os Portugueses, não entendem que fazer greve é demonstrar descontentamento, e por o governo a pensar que realmente as pessoas do nosso país, que a toda a hora levam chutos no rabo, são necessárias!!
E quem liga para os programas de televisão a dizer que os que fazem greve "só querem é ficar na cama a dormir", deviam era pagar-lhes metade do dinheiro que ganharam, pois ao não trabalharem, estiveram a demonstrar a falta que faz uma coisa tão simples como...ir ao banco, e encontra-lo aberto.
Fazer greve ou não, depende de cada um. Respeitar isso, é parte dum principio básico de democracia. E se o País não vai bem, ir trabalhar e gritar ao sete ventos: "sim, eu sou uma pessoa super trabalhadora, trabalho nas greves, e ainda mando vir com quem ficou com o rabo na cama" não ajuda. Mas quase que aposto que estes são os que são tão produtivos numa semana de trabalho, como os que fazem greve, num dia. Infelizmente, acredito que isto não é nenhuma regra. Mas talves não seja assim uma excepção tão grande.
Os Portugueses, não entendem que fazer greve é demonstrar descontentamento, e por o governo a pensar que realmente as pessoas do nosso país, que a toda a hora levam chutos no rabo, são necessárias!!
E quem liga para os programas de televisão a dizer que os que fazem greve "só querem é ficar na cama a dormir", deviam era pagar-lhes metade do dinheiro que ganharam, pois ao não trabalharem, estiveram a demonstrar a falta que faz uma coisa tão simples como...ir ao banco, e encontra-lo aberto.
Fazer greve ou não, depende de cada um. Respeitar isso, é parte dum principio básico de democracia. E se o País não vai bem, ir trabalhar e gritar ao sete ventos: "sim, eu sou uma pessoa super trabalhadora, trabalho nas greves, e ainda mando vir com quem ficou com o rabo na cama" não ajuda. Mas quase que aposto que estes são os que são tão produtivos numa semana de trabalho, como os que fazem greve, num dia. Infelizmente, acredito que isto não é nenhuma regra. Mas talves não seja assim uma excepção tão grande.
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
Pablo Picasso.
Deita fora todos os números não essenciais à tua sobrevivência.
Isso inclui idade, peso e altura.
Deixa o médico preocupar-se com eles.
É para isso que ele é pago.
Frequenta, de preferência, amigos alegres.
Os de "baixo astral" põem-te em baixo.
Continua aprendendo...
Aprende mais sobre computador, artesanato, jardinagem, qualquer coisa.
Não deixes o teu cérebro desocupado.
Uma mente sem uso é a oficina do diabo.
E o nome do diabo é Alzheimer.
Aprecia coisas simples.
Ri sempre, muito e alto.
Ri até perder o fôlego.
Lágrimas acontecem.
Aguenta, sofre e segue em frente.
A única pessoa que te acompanha a vida toda és tu mesmo.
Mantém-te vivo, enquanto vives!
Rodeia-te daquilo de que gostas:
Família, animais, lembranças, músicas, plantas, um hobby, o que for.
O teu lar é o teu refúgio.
Aproveita a tua saúde;
Se for boa, preserva-a.
Se está instável, melhora-a.
Se está abaixo desse nível, pede ajuda.
Não faças viagens de remorso.
Viaja para a cidade vizinha, para um país estrangeiro, mas não faças
viagens ao passado.
Diz a quem amas, que realmente os amas, em todas as
oportunidades.
E lembra-te sempre que:
A vida não é medida pelo número de vezes que respiraste, mas pelos momentos
Em que perdeste o fôlego:
De tanto rir...
De surpresa...
De êxtase...
De felicidade...
Pablo Picasso.
Isso inclui idade, peso e altura.
Deixa o médico preocupar-se com eles.
É para isso que ele é pago.
Frequenta, de preferência, amigos alegres.
Os de "baixo astral" põem-te em baixo.
Continua aprendendo...
Aprende mais sobre computador, artesanato, jardinagem, qualquer coisa.
Não deixes o teu cérebro desocupado.
Uma mente sem uso é a oficina do diabo.
E o nome do diabo é Alzheimer.
Aprecia coisas simples.
Ri sempre, muito e alto.
Ri até perder o fôlego.
Lágrimas acontecem.
Aguenta, sofre e segue em frente.
A única pessoa que te acompanha a vida toda és tu mesmo.
Mantém-te vivo, enquanto vives!
Rodeia-te daquilo de que gostas:
Família, animais, lembranças, músicas, plantas, um hobby, o que for.
O teu lar é o teu refúgio.
Aproveita a tua saúde;
Se for boa, preserva-a.
Se está instável, melhora-a.
Se está abaixo desse nível, pede ajuda.
Não faças viagens de remorso.
Viaja para a cidade vizinha, para um país estrangeiro, mas não faças
viagens ao passado.
Diz a quem amas, que realmente os amas, em todas as
oportunidades.
E lembra-te sempre que:
A vida não é medida pelo número de vezes que respiraste, mas pelos momentos
Em que perdeste o fôlego:
De tanto rir...
De surpresa...
De êxtase...
De felicidade...
Pablo Picasso.
( Em homenagem a todos os momentos. Sem fôlego, das vidas vividas.)
sábado, 13 de novembro de 2010
Talves seja culpa da chuva. Do não sol. Da escuridão que substitui o brilho radioso das 3 horas a culpada da tamanha melancolia. Embala-me o som do teclado do computador e canta.me o arranhar da caneta no papel. Se minto, não sei onde viverá a verdade na frase "estou feliz". É cansaço, é tortura isto então. Sem força, sem nada, avanço mais uma palavra, mais uma linha. E cada vez mais embrenhada, a letra começa ficar meio imperceptível. Olho a volta, tento perceber. Como comunicar comigo mesma? Como parar os arrepios, deixar de lado o nervosismo, o cansaço acumulado de noites mal dormidas, e de dias feéricos de rapidez e desdobramento em três dimensões?
A caneta já pesa toneladas. Respirar é como uma longa corrida...e o papel vai escasseando. No fundo, talves a culpa nem seja da chuva, mas do sol, que não pode aparecer. Ou então, talves seja culpa minha, que não vejo alem das nuvens. Talves.
A caneta já pesa toneladas. Respirar é como uma longa corrida...e o papel vai escasseando. No fundo, talves a culpa nem seja da chuva, mas do sol, que não pode aparecer. Ou então, talves seja culpa minha, que não vejo alem das nuvens. Talves.
terça-feira, 9 de novembro de 2010
terça-feira, 2 de novembro de 2010
Não ser sempre
Sorriso não é sempre sinónimo de alegria, porque sorriso também é felicidade, paz de espírito, conforto
Uma cara triste não é sempre o símbolo de angustia, porque uma cara triste é também cansaço, falta de força, necessidade de um abraço, saudade de um amasso, de um som..
Brincadeira não é a mesma coisa que ramboia provocadora, ou humilhante rebaixamento. Seja talvez sinceridade, genuinidade, mas mais nada.
Dançar não é devanear..dançar é expressar aquele momento, aquela razão, aquele sentido
Cantar não é imitar, nem afinar. Cantar é ser livre, é ser feliz sem motivo...
Nem sempre olhar é admirar. Sim, é talves conhecer por dentro, explorar, embrenhar o corpo e a alma numa dança sem musica, numa conversa sem palavras..
Uma cara triste não é sempre o símbolo de angustia, porque uma cara triste é também cansaço, falta de força, necessidade de um abraço, saudade de um amasso, de um som..
Brincadeira não é a mesma coisa que ramboia provocadora, ou humilhante rebaixamento. Seja talvez sinceridade, genuinidade, mas mais nada.
Dançar não é devanear..dançar é expressar aquele momento, aquela razão, aquele sentido
Cantar não é imitar, nem afinar. Cantar é ser livre, é ser feliz sem motivo...
Nem sempre olhar é admirar. Sim, é talves conhecer por dentro, explorar, embrenhar o corpo e a alma numa dança sem musica, numa conversa sem palavras..
sábado, 30 de outubro de 2010
Hoje, agora,
(…) porque sabes o inominável. e continuarás, sempre comigo, escapando de nomes que não te dizem,continuarás abolindo a distância dos anos e do tempo. Ao morrer, sonharás que estas viva. E quem poderá dizer se, morta, sonharás que vives ainda, ou se, vivendo ainda, apenas sonharás que morreste? Hoje, agora, existes em mim, estás linda dentro do meu coração.
Peixoto, José Luís, in cemitério de pianos
terça-feira, 26 de outubro de 2010
quarta-feira, 20 de outubro de 2010
Foi um banho de horas...talvez só minutos, mas valeu por horas. O chuveiro levou o cansaço acumulado, o stress, e tudo de mau, de menos bom, de inespecifico, de negativo e de desgastante que a vida tem. Durante aqueles momentos, fui só eu. Sem preocupações. Sem pensamentos. Fui eu em bruto, inqualificada, iletrada, sem devaneios nem pensamentos.
Limpei o que não queria. Não pus o lixo debaixo do tapete. Reciclei-o, para mais um dia, mais uma semana, para mais do mesmo.
Limpei o que não queria. Não pus o lixo debaixo do tapete. Reciclei-o, para mais um dia, mais uma semana, para mais do mesmo.
terça-feira, 19 de outubro de 2010
O nariz pingava. O sol queimava, mas só durante escassos segundos, só durante breves instantes, porque o vento vem depressa, e veloz, e com cheiro a terra molhada, e a tempestade, e a lareira. Pede-nos um casaco, e um lenço, e gorro. Pede-nos um abraço, meiguice.. O nariz a pingar traz também o aconchego de um leite quente, de um chá a fumegar, de uma cama ocupada um dia inteiro...de um barulho de chuva, e de uma voz reconfortante. Falta só o toque final. Um toque de doçura...de mais carinho... Talvez a lareira acesa. Talvez a vela de cheiro. Talvez a manta de lã. Talvez...
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
Não estar
Não estavas lá quando chorei por causa daquilo, nem quando precisava de alguém para me limpar as lágrimas, dar a mão, ou simplesmente estar. Também não te vi, nem te falei, nem te ouvi reconfortantemente quando naquela sexta feira fiquei feliz. Porque fiquei mesmo! Queria partilhar com alguém, e ninguém estava lá. Era pior que falar para um espelho, porque nem um reflexo havia. E no meio de uma multidão, sentia-me sozinha. Não me sentia eu. E ouve um dia, em que fiquei sem chão, culpa duma situação, aquela... e nessa altura, já ás escuras, sem chão, sem pára-quedas, andei á deriva, e sozinha comigo mesma, sozinha, já sem mim, vazia, e sem lágrimas, e porque ninguém me limpou a face, andava também já, nadar nelas. Precisei de uma presença. De uma voz. E quando esperava ouvir a tua, não estava lá, nem o meu eco. Até isso tu levaste. Sem pedir, sem deixar alguma coisa em troca.
Lutei. Já não lutava por ti, porque já nada já nada havia para lutar. Lutei por mim, para que ressuscitasse cada pedaço que a falta de palavras, que a falta de gestos, que a falta da voz, da presença, matou.
Lentamente, sem tu estares de maneira nenhuma, lentamente, comigo mesma, com a força que fui colando o meu eu, pedaço a pedaço...
Isto nunca foi uma batalha, nem uma Guerra. Lentamente, reciclei cada pedaço do que se tinha apagado. E aos poucos, regressei. Voltei àquela Terra, ao calor daquela gente, ao reconforto daquele lar. Agora já distante no tempo, vou percebendo que não fui eu que me destrui, mas o que eu deixei que acontecesse que me destruiu. Agora, percebo que não fui eu que me reciclei, mas sim o teu silêncio, e a minha força escondida. Agora, a Terra que é minha, é também a Terra que deixa saudades. Agora, sou presente. Agora, sou feliz. Agora, aprendi a chorar sozinha...
Lutei. Já não lutava por ti, porque já nada já nada havia para lutar. Lutei por mim, para que ressuscitasse cada pedaço que a falta de palavras, que a falta de gestos, que a falta da voz, da presença, matou.
Lentamente, sem tu estares de maneira nenhuma, lentamente, comigo mesma, com a força que fui colando o meu eu, pedaço a pedaço...
Isto nunca foi uma batalha, nem uma Guerra. Lentamente, reciclei cada pedaço do que se tinha apagado. E aos poucos, regressei. Voltei àquela Terra, ao calor daquela gente, ao reconforto daquele lar. Agora já distante no tempo, vou percebendo que não fui eu que me destrui, mas o que eu deixei que acontecesse que me destruiu. Agora, percebo que não fui eu que me reciclei, mas sim o teu silêncio, e a minha força escondida. Agora, a Terra que é minha, é também a Terra que deixa saudades. Agora, sou presente. Agora, sou feliz. Agora, aprendi a chorar sozinha...
sábado, 9 de outubro de 2010
Repetição
De novo. Tal e qual como da ultima vez. Primeiro a implicância, depois o descontrole, e a seguir a explosão. Engole-se em seco, uma e outra vez, mas quando deixamos de ter saliva, a solução única, monomentânea e aparente é o grito entalado.
A resposta que surge do outro lado, é a que mais, dói, a que mais atinge, a que mais acção no tempo tem. A que não termina depois de tudo acabar, a que não encara, a que não responde, a que ignora e magoa, a cada segundo.
Deixa tristeza. Deixa amargura, e medo, e mal estar. Deixa tanta coisa, que deixa também de deixar de perceber quem somos. Leva-nos a identidade, a sanidade, a paz, o equilíbrio. Leva-nos o que melhor temos, o que nunca foi valorizado, o que mais gostamos, a nossa capacidade de ser, de sentir de ver, de estar. Quase leva também o nosso respirar, o progredir. Se um dia, seja ele quando for, a imagem assombrosa deste agora se reflectir em cada pedaço do ser? Se um dia, aquilo de que mais fugimos, de que mais abominámos, for no fundo, um "eu" do futuro presente?!
Como será? Como não fazemos acontecer? Como sobrevivemos sem o fantasma da ocasião que não queremos, nunca, fazer parte como co-autores e actores principais?
Como nunca nos vamos esquecer de dar um beijo, de não implicar, de olhar sem ser para barafustar, de olhar para dentro e esquecer o que está fora?
Como no fundo, é esquecer de viver, e não saber mais sonhar?
A resposta que surge do outro lado, é a que mais, dói, a que mais atinge, a que mais acção no tempo tem. A que não termina depois de tudo acabar, a que não encara, a que não responde, a que ignora e magoa, a cada segundo.
Deixa tristeza. Deixa amargura, e medo, e mal estar. Deixa tanta coisa, que deixa também de deixar de perceber quem somos. Leva-nos a identidade, a sanidade, a paz, o equilíbrio. Leva-nos o que melhor temos, o que nunca foi valorizado, o que mais gostamos, a nossa capacidade de ser, de sentir de ver, de estar. Quase leva também o nosso respirar, o progredir. Se um dia, seja ele quando for, a imagem assombrosa deste agora se reflectir em cada pedaço do ser? Se um dia, aquilo de que mais fugimos, de que mais abominámos, for no fundo, um "eu" do futuro presente?!
Como será? Como não fazemos acontecer? Como sobrevivemos sem o fantasma da ocasião que não queremos, nunca, fazer parte como co-autores e actores principais?
Como nunca nos vamos esquecer de dar um beijo, de não implicar, de olhar sem ser para barafustar, de olhar para dentro e esquecer o que está fora?
Como no fundo, é esquecer de viver, e não saber mais sonhar?
Bi-sensação
Há escolhas que a alma faz, que o coração interpreta tarde demais. Tarde. Tão tarde, que quando se dá conta dela, torna-se quase impossível e irreversível voltar ao inicio.
Como num dia de chuva, dificilmente o cheiro da terra molhada não aparece. Desaparece da vida um aroma de conectividade entre os 2 sistemas tão abertos e dependentes como este - alma e coração- dependente até é pouco. Quando um não existe se o outro não vive, estabelece-se uma relação simbiótica entre duas coisas que se tentam separar tantas vezes. Em tantas situações.
Burros, nós os Homens. Que teimamos em separar emoção de razão, em vez de lhe encontrarmos um equilíbrio. E só cheiramos, não sentimos. E só construimos, não usufruímos. E só provamos, não saboreamos.
Malvada razão. Culpado coração.
Como num dia de chuva, dificilmente o cheiro da terra molhada não aparece. Desaparece da vida um aroma de conectividade entre os 2 sistemas tão abertos e dependentes como este - alma e coração- dependente até é pouco. Quando um não existe se o outro não vive, estabelece-se uma relação simbiótica entre duas coisas que se tentam separar tantas vezes. Em tantas situações.
Burros, nós os Homens. Que teimamos em separar emoção de razão, em vez de lhe encontrarmos um equilíbrio. E só cheiramos, não sentimos. E só construimos, não usufruímos. E só provamos, não saboreamos.
Malvada razão. Culpado coração.
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
Bocados
Ainda Faltam alguns minutos. O relógio anda. E pára. O tempo oscila entre o muito rápido e o nada.
E passam as horas segundos. Os dias minutos. E no final, ainda nem passou um bocado.
E passam as horas segundos. Os dias minutos. E no final, ainda nem passou um bocado.
domingo, 3 de outubro de 2010
Aprender, 5 séculos depois...
"Depois de algum tempo aprendes a diferença, a subtil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma. E aprendes que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começas a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas. Acabas por aceitar as derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança. E aprendes a construir todas as tuas estradas de hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão. Depois de algum tempo aprendes que o sol queima se te expuseres a ele por muito tempo. Aprendes que não importa o quanto tu te importas, simplesmente porque algumas pessoas não se importam... E aceitas que apesar da bondade que reside numa pessoa, ela poderá ferir-te de vez em quando e precisas perdoá-la por isso. Aprendes que falar pode aliviar dores emocionais. Descobres que se leva anos para se construir a confiança e apenas segundos para destruí-la, e que poderás fazer coisas das quais te arrependerás para o resto da vida. Aprendes que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que tens na vida, mas quem tens na vida. E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher. Aprendes que não temos que mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam, percebes que o teu melhor amigo e tu podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos. Descobres que as pessoas com quem tu mais te importas são tiradas da tua vida muito depressa, por isso devemos sempre despedir-nos das pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que as vejamos. Aprendes que as circunstâncias e os ambientes têm influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos. Começas a aprender que não te deves comparar com os outros, mas com o melhor que podes ser. Descobres que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que se quer ser, e que o tempo é curto. Aprendes que, ou controlas os teus actos ou eles te controlarão e que ser flexível nem sempre significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, existem sempre os dois lados. Aprendes que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer enfrentando as consequências. Aprendes que paciência requer muita prática. Descobres que algumas vezes a pessoa que esperas que te empurre, quando cais, é uma das poucas que te ajuda a levantar. Aprendes que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que tiveste e o que aprendeste com elas do que com quantos aniversários já comemoraste. Aprendes que há mais dos teus pais em ti do que supunhas. Aprendes que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são disparates, poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso. Aprendes que quando estás com raiva tens o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel. Descobres que só porque alguém não te ama da forma que desejas, não significa que esse alguém não te ama com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso. Aprendes que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes tens que aprender a perdoar-te a ti mesmo. Aprendes que com a mesma severidade com que julgas, poderás ser em algum momento condenado. Aprendes que não importa em quantos pedaços o teu coração foi partido, o mundo não pára para que tu o consertes. Aprendes que o tempo não é algo que possa voltar para trás. Portanto, planta o teu jardim e decora a tua alma, ao invés de esperares que alguém te traga flores. E aprendes que realmente podes suportar mais ... que és realmente forte, e que podes ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor e que tu tens valor diante da vida! As nossas dádivas são traidoras e fazem-nos perder o bem que poderíamos conquistar, se não fosse o medo de tentar."
William Shakespeare
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
Nadar
Nadei nas minhas próprias lágrimas. Ao som dos meus gritos abafados pela água, pelo murmurar das pessoas em redor, pelo som de um dia a terminar. Com a energia da minha raiva. Num emaranhar de estilos misturados, inomeaveis, indefinidos.
Com braçadas irregulares, traçava piscinas sem ritmo nem coordenação. Nadava no passado.
Nadava emaranhada em passados e futuros. No presente. Com muitos conjuntivos à mistura. E pretéritos imperfeitos a assolarem-me a alma.
Nadava, num mar de palavras duras, cruéis. Sentidas e frias. Indecifraveis.
Nadei até me doer a alma. Até não sentir fôlego.
Quando parei, sem ver nada, sem sentir nada, percebi que tinha nadado muito pouco.
Percebi que para mim, não tinha nadado nada.
Com braçadas irregulares, traçava piscinas sem ritmo nem coordenação. Nadava no passado.
Nadava emaranhada em passados e futuros. No presente. Com muitos conjuntivos à mistura. E pretéritos imperfeitos a assolarem-me a alma.
Nadava, num mar de palavras duras, cruéis. Sentidas e frias. Indecifraveis.
Nadei até me doer a alma. Até não sentir fôlego.
Quando parei, sem ver nada, sem sentir nada, percebi que tinha nadado muito pouco.
Percebi que para mim, não tinha nadado nada.
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Criançar
Ser criança depois de querer ser adulto, ser pequeno quando já cabemos nos carroceis da feira. Ser criança é ter um espírito que balança. É correr sem parar, sem meta para chegar. É puxar o cabelo, sem intenção de fazer chorar. É agarrar na terra, é sentir a terra. É ver clássicos filmes de infância, e recordar cada cena, cada fala... É jogar ao molha, e rir de disparates, e contar os disparates que fazemos. Ser criança é também recordar trapalhices de criança. Gostar de uma criança. Ter olhos a brilhar. Cantar, rir, divertir e desafinar. Mesmo com pessoas a olhar, e com guitarras, sem se saber tocar. E chorar. E dançar. Ripostar. Dizer o que se pensa. Saber que as pessoas podem errar. Brincar. Sonhar. Descobrir cheiros e ter nódoas na camisola. E usar uma camisola com desenhos. Comer um gelado até derreter nas mãos. Ver o mundo girar. As nuvens passar. Achar mágicas as bolas de sabão. E as estrelas cadentes. E dormir na rua, e tagarelar e falar sozinha. E perguntar. E não utilizar verbos conjugados. Criançar no fundo, é ser criança. É ser muito mais que tudo. É inocência consciente e responsável. Criança. Depois de já não o sermos.
Tu, és criança?
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Catapultas
Quando o Mundo ainda não era o mundo que hoje em dia conhecemos, quando o ser Humano era primitivo em muita coisa, e sincero em tudo, alguém inventou a catapulta.
Agora, tantos milhares de anos depois, seria um meio de transporte óptimo para uma escapadinha do mundo. Viajar em queda livre pelo mundo, pelo sistema, pela galáxia. Com uma catapulta, sairíamos de casa sem nessecitar de esforço, sem o barulho de carros, sem o medo e o desconforto de aviões, barcos, ou outros meios de transporte. Seria a liberdade, enfim, na sua expressão mais natural e primitiva.
Seria depois, aterrar num Mundo de sonhos, viver em nuvens de algodão doce ( tão banal, e tão reconfortante), e seria também ter uma máquina do tempo, que andaria no propósito inverso da felicidade. Quando ela era muita, o tempo quase parava, vagueando por entre sorrisos, loucuras e amor. Quando não era assim tanta, a máquina ganharia velocidade, perderia travões. Até a boa energia a abrandar outra vez.
Seria assim, mais ou menos o Mundo perfeito. Quotidiano, mas com catapultas para o Mundo de Sonhos, e sempre que alguém tivesse a monotonizar e esquecer o verdadeiro propósito da vida, a catapulta primitiva puxaria-nos para o interior de nós, e saberíamos quem nós somos. Sempre que fosse preciso, sempre que a catapulta aparecesse.
Agora, tantos milhares de anos depois, seria um meio de transporte óptimo para uma escapadinha do mundo. Viajar em queda livre pelo mundo, pelo sistema, pela galáxia. Com uma catapulta, sairíamos de casa sem nessecitar de esforço, sem o barulho de carros, sem o medo e o desconforto de aviões, barcos, ou outros meios de transporte. Seria a liberdade, enfim, na sua expressão mais natural e primitiva.
Seria depois, aterrar num Mundo de sonhos, viver em nuvens de algodão doce ( tão banal, e tão reconfortante), e seria também ter uma máquina do tempo, que andaria no propósito inverso da felicidade. Quando ela era muita, o tempo quase parava, vagueando por entre sorrisos, loucuras e amor. Quando não era assim tanta, a máquina ganharia velocidade, perderia travões. Até a boa energia a abrandar outra vez.
Seria assim, mais ou menos o Mundo perfeito. Quotidiano, mas com catapultas para o Mundo de Sonhos, e sempre que alguém tivesse a monotonizar e esquecer o verdadeiro propósito da vida, a catapulta primitiva puxaria-nos para o interior de nós, e saberíamos quem nós somos. Sempre que fosse preciso, sempre que a catapulta aparecesse.
terça-feira, 28 de setembro de 2010
Ao longo do dia, milhões de sinapses dão origem a milhões de ideias. O tempo que passa entre o momento do surgimento dela, até o amadurecimento é de tal forma extenso, que, sentada em frente ao computador, elas viajam para longe, longe... Terei de começar a aprisona-las com lápis e papel, guarda-las muito bem, e colhe-las em casa. Para depois, aqui as dar à luz. Não literalmente, claro!
sábado, 25 de setembro de 2010
Intrabloggeração...
...com a aldeia do meu coração:
http://cpcdsentieiras.blogspot.com/2010/09/fonte-da-cultura.html
Dê uma espreitadela!
http://cpcdsentieiras.blogspot.com/2010/09/fonte-da-cultura.html
Dê uma espreitadela!
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
Neste momento
Hoje, queria ser criança. Ou ser mais velha, e ter na mesma esperança. E aproveitar este tempo.
E escrever mais, brincar mais, sonhar mais, dançar mais.
Hoje não, Agora!
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
Como ler Lobo Antunes.
Uma pessoa gosta de ler. Lê jornais, lê revistas. Nada de literário, nem de "ilêgivél". Depois, com o tempo, ler só não basta. Precisamos de ler coisas que nos façam pensar.
Um dia, reparamos que pensar já não nos entusiasma. E então queremos descobrir e reinterpretar estilos surreais escritos por verdadeiros Reis das palavras e do devaneio.
Caiu-me nas mãos um Lobo Antunes. "O arquipélago da Insónia".Ainda não descobri se é bom ou mau. Mas tem-me dado uma óptima nova perspectiva de como é a nossa mente, de como realmente pensamos, e quão complexos somos e não queremos ser. Pensamos e vivemos presentes e passados, confusa e envolventemente.
A nossa mente. Isto lembra-me com é o Mundo. Como é a vida. É no fundo, como ler António Lobo Antunes.
Um dia, reparamos que pensar já não nos entusiasma. E então queremos descobrir e reinterpretar estilos surreais escritos por verdadeiros Reis das palavras e do devaneio.
Caiu-me nas mãos um Lobo Antunes. "O arquipélago da Insónia".Ainda não descobri se é bom ou mau. Mas tem-me dado uma óptima nova perspectiva de como é a nossa mente, de como realmente pensamos, e quão complexos somos e não queremos ser. Pensamos e vivemos presentes e passados, confusa e envolventemente.
A nossa mente. Isto lembra-me com é o Mundo. Como é a vida. É no fundo, como ler António Lobo Antunes.
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
A fonte da Cultura
Não vem como noticia de ultima hora, mas vem como um acontecimento que merece ser contado.
Eis aqui:
E buscando cada história com algumas histórias, o CPCD contou-as.
Começou com um jogo de Futebol, protagonizado também, por pessoas com história. Quer a equipa actual se Sentieiras, quer todos os que por lá já passaram, fazem parte da Aldeia. E a tarde prolongou-se noite a dentro...
No ambiente místico da fonte, jantou-se, e esperou-se ansiosamente pelo regresso ao passado, que seria feito em vídeo, em fotografia, mas mais importante, seria feito por cada um, cada vez que viessem à memória factos contados, factos passados.
Os mais novos conheceram uma aldeia de há muitos anos, conheceram o antigamente, e certamente, conheceram pessoas que só de nome ouviram falar. Conheceram festas, familiares, lugares hoje inexistentes ou inacessíveis.
E os mais velhos...os mais velhos voltaram a ser novos, pelo brilho nos olhos, pela saudade que sentiram, pelo voltar ao tempo em o tempo era deles. Recordaram, lembraram, e conversaram, sobre Sentieiras.
A homenagem da noite foi sobretudo, a esta pequena aldeia, ao seu passado, ao seu presente. O futuro está agora nas mãos de cada um de nós.
Sentieiras. A NOSSA terra. A terra de todos, e é por todos, e por cada um que temos de lutar, imortalizando momentos, relembrando histórias, e fazendo história, porque as coisas não caem do céu, e é todos juntos que somos muitos. Somos um caso especial, e enquanto cada um não interiorizar isso, Sentieiras não viverá para sempre. Somos nós a vida, somos nós, que temos nas nossas mãos o poder de fazer aquilo que quisermos. Não vamos deixar Sentieiras morrer. Que ninguém faça Sentieiras parar!
Parabéns a todos, parabéns ao Centro, esperemos que cada vez mais, Popular de Cultura e Desportos
terça-feira, 14 de setembro de 2010
Não chega a chegar
Caminha-se para lado algum. Leva-se um pouco, deixa-se tudo, mas não chega.
Avança-se sem uma mão para segurar.
Olha-se para a frente, fecha-se olhos, percebe-se que só saber que está não chega - tem de estar mesmo.
Estar sempre.
Chega o que se deixa? Serve o que se leva?
Talvez já não esteja permanentemente.
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Antigamente Moderno
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
incoerencias
Doí a cabeça. Cambaleia a avenida. Caminha desengonçada uma existência premeditada sem aviso.
Um dorme-acorda de desejos. Sonhos que se cruzam com a dormência dos sentidos acordam planos outrora abandonados.
E ele acorda. Não sabe onde esta. Tenta falar, mas só consegue saborear o sal do ar, a maresia da manhã. Rasteja pelo chão de areia fina, branca, e quando finalmente consegue ver, percebe que não há sol. O local é fechado, e só-lhe ocorre sair dali. E depois pensa: e o que há lá fora? e como serei eu la fora? e se não gostar, não quiser, e preferir estar aqui?
E fica a pensar. Pensa, pensa e um dia leva a mão à cara. Percebe então que tem barba, espessa, comprida e quando olha mais aprofundadamente, farrapos brancos preenchem o que já foi preto, mas que ele não viu.
Grisalho, corcunda, e desorientado, ele tenta levantar-se da posição fetal em que quase sempre se encontrava, a que tão bem se tinha habituado, e cambaleia em direcção à porta. Não a abre. Eleva a mão direita, e pela primeira vez dá conta do quanto velha ela está. Detêm-se um minuto. Tenta fazer o filme do que tinha sido os últimos anos, mas percebe que não tem nada.
Abre a porta. Levemente ao início, e depois com um grande empurrão. O sol cega-o monomentâneamente. E mesmo sem ver, ele percebeu o que perdera nos últimos tempos. E ganhou vida.
Um dorme-acorda de desejos. Sonhos que se cruzam com a dormência dos sentidos acordam planos outrora abandonados.
E ele acorda. Não sabe onde esta. Tenta falar, mas só consegue saborear o sal do ar, a maresia da manhã. Rasteja pelo chão de areia fina, branca, e quando finalmente consegue ver, percebe que não há sol. O local é fechado, e só-lhe ocorre sair dali. E depois pensa: e o que há lá fora? e como serei eu la fora? e se não gostar, não quiser, e preferir estar aqui?
E fica a pensar. Pensa, pensa e um dia leva a mão à cara. Percebe então que tem barba, espessa, comprida e quando olha mais aprofundadamente, farrapos brancos preenchem o que já foi preto, mas que ele não viu.
Grisalho, corcunda, e desorientado, ele tenta levantar-se da posição fetal em que quase sempre se encontrava, a que tão bem se tinha habituado, e cambaleia em direcção à porta. Não a abre. Eleva a mão direita, e pela primeira vez dá conta do quanto velha ela está. Detêm-se um minuto. Tenta fazer o filme do que tinha sido os últimos anos, mas percebe que não tem nada.
Abre a porta. Levemente ao início, e depois com um grande empurrão. O sol cega-o monomentâneamente. E mesmo sem ver, ele percebeu o que perdera nos últimos tempos. E ganhou vida.
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
Depois,
Não odeio. Não esqueço. Não fingo que não existe. Não ignoro nem dou demasiada importância. Também não maldigo, nem bendigo. Arruma-se as coisas, pensa-se com cabeça fria, ou quase sem cabeça. Sem projectos, ou objectivos, esperamos que o tempo passe, o mais depressa que der, e a cada passo do tempo, deixamos de sonhar, deixamos de pensar, deixamos de querer. Não é como se nunca tivesse existido. É como reciclar uma coisa de que gostamos. Não a podemos utilizar, não fazermos nada com ela é ocupar espaço desnecessário, que estorva e empata a vida. A única solução é meter no ecoponto, e desejar que algo de bom surja depois.
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Colheita
Desejamos que vá, desejamos que fique, desejamos que não pare!
Desejamos que não tenha acontecido, e que aconteça.
Queremos muito. Queremos tudo. Não queremos nada....
De cabeça fria, o raciocínio regressa, passo a passo. E de repente, o tempo não passou. E o que o frio congelou, o sol fez amadurecer.
Desejamos que não tenha acontecido, e que aconteça.
Queremos muito. Queremos tudo. Não queremos nada....
De cabeça fria, o raciocínio regressa, passo a passo. E de repente, o tempo não passou. E o que o frio congelou, o sol fez amadurecer.
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
Volta e meia
Passeia-se pela praça uma e outra vez. Às voltas com o pensamento, e ás voltas com o corpo, vagea-se pela cidade, nua, crua, despida de calor, vestida de preconceito. Pela praça, numa e noutra vez, encontramos diferenças. Diferentes pessoas sentam-se na mesma mesa. Mil e uma histórias se entrecruzam a cada milionésimo de segundo, umas mais emocionantes, outras mais reconfortantes, cada uma delas, chega até quem passa através de um olhar, uma gargalhada... O cheiro do café, o refrescante gelado, o grito da criança que salta, feliz.
Sentimo-nos vivos. A cada contra-resposta que o nosso corpo faz ao estímulo que recebe, temos a certeza que estamos vivos.
As emoções que desperta cada sensação, dão a volta, provam-nos que há vida depois da morte.
E todos os dias, a praça, o grito, as histórias, ressuscitam um bocadinho de nós.
Sentimo-nos vivos. A cada contra-resposta que o nosso corpo faz ao estímulo que recebe, temos a certeza que estamos vivos.
As emoções que desperta cada sensação, dão a volta, provam-nos que há vida depois da morte.
E todos os dias, a praça, o grito, as histórias, ressuscitam um bocadinho de nós.
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
Ser aluno em Portugal ( também ) é:
Ora bem, hoje isto vai ser crónica, tipo crónica de jornal. Há dias que estas falam sobre a educação. Pois bem, hoje eu falo sobre educação! E isto há tanta coisa entalada, que vais ser sobre tudo!!!
Primeiro, coitados de nós, alunos, que arcamos com as culpas de tudo: "coitada da professora X, por causa do aluno Y, está em casa com uma depressão"; "professor Z queixa-se que por causa de aluno J tem má nota na avaliação". Vamos lá esclarecer! Se há alunos que vão à escola "laurear a pevide", mostrar a roupinha nova, e passar o tempo, também há os que não fazem nada disso! Muito boa gente, que também são chamados de "rebeldes", "burros", "indisciplinados", muitas vezes têm é o azarito de ter como professor uma pessoa que entrou para o ministério sem a mínima vocação para dar aulas, e os alunos não têm de aturar tudo! E falando em igualdade de direitos entre os professores e as outras classes profissionais, óh senhora ministra, e se pensasse em fazer entrevistas, muito bem feitinhas e completas aos professores que leccionam todos os anos nas escolas públicas?! Se há muitos desempregados, então que estejam desempregados os piores, que os alunos, lá por estarem na escola pública, não têm de levar com tudo o que é licenciado a querer dar aulas, sim?! Vamos lá começar a pensar em, mais do que avaliar curriculums, pedir aos futuros professores deste nosso país, para simularem aulas, fazerem testes para ver se, em caso de este ser o objecto de avaliação aplicado numa turma, este contém uma linguagem clara e correcta, se aplica bem o pretendido, se é muito fácil ou muito difícil, muito grande, pequeno...
E depois, outra coisa! Se os alunos andam na escola, todos os dias, durante uma eternidade de tempo, porque razão é que decidem fazer um exame no final de tudo isto, que põe toda a santa gente nervosa, ansiosa...que corre mal à maioria dos alunos, e que por causa do QE( coeficiente emocional) o QI ( coeficiente de inteligência) não vem ao de cima. Qual a lógica disto, senhora ministra??
Bem, embora não perceba a lógica, percebo as consequências. Primeiro, quem vai para lá mais preocupadito com a "coisa", serão os alunos com melhores notas, pois os outros, se não se preocuparam muito até então, não será num exame que vão mudar a atitude. E, se esse aluno, que até era esforçado, e tinha notas razoáveis, se "lixa" no queridissimo exame nacional. Resultado?? Quem se safa?! Os alunos que são alunos, mas que não encaram ninguém nos olhos, que não têm vida além de de estudar, e que vão depois, entrar para as faculdades de excelência do nosso país. E porque se safam? porque no exame, nem precisaram de exercitar os miolos, foi debitar a matéria, e já está! ( E depois, futuramente, têm óptimas relações interpessoais nos empregos, e para com os consumidores, caso tabalhem no sector terciário? Não. )
É claro que não é sempre assim. Não estou a generalizar. Estou a mostrar um "lado" do nosso sistema educacional de quem ninguém fala, ninguém repara.
E depois ainda há outra: porque razão, se o aluno tem tanto trabalho a fazer o recurso, no final, recebemos a nota, com ou sem correcções (e bem paga!!), e no final, ninguém responde que não subimos por causa de a, b, ou c. Quer dizer, os alunos podem perder tempo e dinheiro, e nem merecem uma resposta?? " A e tal, os senhores professores têm de ter férias!" ( agora, neste caso, ninguém liga àquela parte de "os alunos têm de se responsabilizar pelas suas coisas, e ser mais educados, e cidadãos!" ) E os alunos, que andaram a perder tempo a estudar, que querem ser isto, ou aquilo, e que não vão poder ser por causa duma nota, estúpida e miserável, fruto, na maioria dos casos, mais do QE do que do QI, e também, da sorte!!
A conclusão de tudo, é que não há conclusão! No meio desta balburdia, ouve-se o senhor comentador doutor engenheiro, arquitecto, ex-ministro, deputado, presidente de não sei quê, que já não anda em bancos de escola desde o tempo do falecido Português mais influente de sempre: Salazar, dar a sua opinião, muito pomposa, e moralmente aceite, sem no fundo, não saber do que fala. Porque não é ele que se deita ás duas da manhã de terça ( que entretanto, até já é quarta ), por causa de um teste, de Biologia, 4 exercícios de matemática, um relatório de química... para acordar ás 7 horas desse dia, e para entrar ás 8.30h, estar atento a 3 aulas, e fazer o teste a seguir, sem margem para este lhe correr mal, se não, lá se vai a média toda, e para estragar a média, já chega o exame que irá fazer daí a uns meses!
Senhora Ministra, e se ouvisse mais os alunos, e menos os sindicatos dos professores do Norte a Sul, os peritos de não sei quê, os especialistas de nomes sumptuosos, e de quem ninguém se volta a lembrar, ou a ouvir falar?! Se começasse a ouvir mais os directores das escolas, as associações de estudantes, os alunos em geral??!
Caso não saibam, não são só os professores que podem ter depressões, dias maus, noites passadas em claro, problemas em casa. Os alunos também. E se os professores andam cansados, os alunos também, com a diferença, muito clara, na situação cliché do berro do professor, dado sem grande lógica, que serve "só" para "impor respeito e fazer com que estes cabeças duram entendam isto". E na mais seca resposta do aluno, que "vai para a rua. Já agora! Má educação eu não tolero! Que insolentes estes jovens de hoje em dia.."
O sistema está feito assim. Fala-se nos "delinquentes alunos problemáticos". E parece que só há esses. Mas há outros...
Alunos. Não somos assim tão maus. Somos pessoas. Também somos pessoas!
Primeiro, coitados de nós, alunos, que arcamos com as culpas de tudo: "coitada da professora X, por causa do aluno Y, está em casa com uma depressão"; "professor Z queixa-se que por causa de aluno J tem má nota na avaliação". Vamos lá esclarecer! Se há alunos que vão à escola "laurear a pevide", mostrar a roupinha nova, e passar o tempo, também há os que não fazem nada disso! Muito boa gente, que também são chamados de "rebeldes", "burros", "indisciplinados", muitas vezes têm é o azarito de ter como professor uma pessoa que entrou para o ministério sem a mínima vocação para dar aulas, e os alunos não têm de aturar tudo! E falando em igualdade de direitos entre os professores e as outras classes profissionais, óh senhora ministra, e se pensasse em fazer entrevistas, muito bem feitinhas e completas aos professores que leccionam todos os anos nas escolas públicas?! Se há muitos desempregados, então que estejam desempregados os piores, que os alunos, lá por estarem na escola pública, não têm de levar com tudo o que é licenciado a querer dar aulas, sim?! Vamos lá começar a pensar em, mais do que avaliar curriculums, pedir aos futuros professores deste nosso país, para simularem aulas, fazerem testes para ver se, em caso de este ser o objecto de avaliação aplicado numa turma, este contém uma linguagem clara e correcta, se aplica bem o pretendido, se é muito fácil ou muito difícil, muito grande, pequeno...
E depois, outra coisa! Se os alunos andam na escola, todos os dias, durante uma eternidade de tempo, porque razão é que decidem fazer um exame no final de tudo isto, que põe toda a santa gente nervosa, ansiosa...que corre mal à maioria dos alunos, e que por causa do QE( coeficiente emocional) o QI ( coeficiente de inteligência) não vem ao de cima. Qual a lógica disto, senhora ministra??
Bem, embora não perceba a lógica, percebo as consequências. Primeiro, quem vai para lá mais preocupadito com a "coisa", serão os alunos com melhores notas, pois os outros, se não se preocuparam muito até então, não será num exame que vão mudar a atitude. E, se esse aluno, que até era esforçado, e tinha notas razoáveis, se "lixa" no queridissimo exame nacional. Resultado?? Quem se safa?! Os alunos que são alunos, mas que não encaram ninguém nos olhos, que não têm vida além de de estudar, e que vão depois, entrar para as faculdades de excelência do nosso país. E porque se safam? porque no exame, nem precisaram de exercitar os miolos, foi debitar a matéria, e já está! ( E depois, futuramente, têm óptimas relações interpessoais nos empregos, e para com os consumidores, caso tabalhem no sector terciário? Não. )
É claro que não é sempre assim. Não estou a generalizar. Estou a mostrar um "lado" do nosso sistema educacional de quem ninguém fala, ninguém repara.
E depois ainda há outra: porque razão, se o aluno tem tanto trabalho a fazer o recurso, no final, recebemos a nota, com ou sem correcções (e bem paga!!), e no final, ninguém responde que não subimos por causa de a, b, ou c. Quer dizer, os alunos podem perder tempo e dinheiro, e nem merecem uma resposta?? " A e tal, os senhores professores têm de ter férias!" ( agora, neste caso, ninguém liga àquela parte de "os alunos têm de se responsabilizar pelas suas coisas, e ser mais educados, e cidadãos!" ) E os alunos, que andaram a perder tempo a estudar, que querem ser isto, ou aquilo, e que não vão poder ser por causa duma nota, estúpida e miserável, fruto, na maioria dos casos, mais do QE do que do QI, e também, da sorte!!
A conclusão de tudo, é que não há conclusão! No meio desta balburdia, ouve-se o senhor comentador doutor engenheiro, arquitecto, ex-ministro, deputado, presidente de não sei quê, que já não anda em bancos de escola desde o tempo do falecido Português mais influente de sempre: Salazar, dar a sua opinião, muito pomposa, e moralmente aceite, sem no fundo, não saber do que fala. Porque não é ele que se deita ás duas da manhã de terça ( que entretanto, até já é quarta ), por causa de um teste, de Biologia, 4 exercícios de matemática, um relatório de química... para acordar ás 7 horas desse dia, e para entrar ás 8.30h, estar atento a 3 aulas, e fazer o teste a seguir, sem margem para este lhe correr mal, se não, lá se vai a média toda, e para estragar a média, já chega o exame que irá fazer daí a uns meses!
Senhora Ministra, e se ouvisse mais os alunos, e menos os sindicatos dos professores do Norte a Sul, os peritos de não sei quê, os especialistas de nomes sumptuosos, e de quem ninguém se volta a lembrar, ou a ouvir falar?! Se começasse a ouvir mais os directores das escolas, as associações de estudantes, os alunos em geral??!
Caso não saibam, não são só os professores que podem ter depressões, dias maus, noites passadas em claro, problemas em casa. Os alunos também. E se os professores andam cansados, os alunos também, com a diferença, muito clara, na situação cliché do berro do professor, dado sem grande lógica, que serve "só" para "impor respeito e fazer com que estes cabeças duram entendam isto". E na mais seca resposta do aluno, que "vai para a rua. Já agora! Má educação eu não tolero! Que insolentes estes jovens de hoje em dia.."
O sistema está feito assim. Fala-se nos "delinquentes alunos problemáticos". E parece que só há esses. Mas há outros...
Alunos. Não somos assim tão maus. Somos pessoas. Também somos pessoas!
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
Regresso
Primeiro, há um nó na garganta. Depois, um vazio. E a seguir, um arrepio. É pedido ao coração um abraço. Um entrelaço de olhares, de dedos, de sonhos, de gente. Espera-se, espera-se, mas não vem. Dias passam, e a perna que está no futuro puxa a do passado, e ficamos sem saber em que tempo estamos. Desorienta-se a linha que delinavamos para a vida, e desorientamo-nos.
Num limbo, vivemos cada dia, cada hora. Uma corda bamba de emoções.
Alguém rouba o que temos. Não devolve, não deita fora para alguém apanhar e devolver, não usa, simplesmente fica com ele.
E em cada olhar, mostra orgulhosamente o que tem. Devolve por momentos cada pedaço de nós.
E volta o nó na garganta. E não conseguimos dizer nem pensar mais nada...
Num limbo, vivemos cada dia, cada hora. Uma corda bamba de emoções.
Alguém rouba o que temos. Não devolve, não deita fora para alguém apanhar e devolver, não usa, simplesmente fica com ele.
E em cada olhar, mostra orgulhosamente o que tem. Devolve por momentos cada pedaço de nós.
E volta o nó na garganta. E não conseguimos dizer nem pensar mais nada...
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
"Há tempos em nossa vida que contam de forma diferente.
Há semanas que duraram anos, como há anos que não contaram um dia.
Há paixões que foram eternas, como há amigos que passaram céleres, apesar do calendário mostrar que eles ficaram por anos em nossas agendas.
Há amores não realizados que deixaram olhares de meses, e beijos não dados que até hoje esperam o desfecho.
Há trabalhos que nos tomaram décadas de nosso tempo na terra, mas que nossa memória insiste em contá-los como semanas.
Há casamentos que, ao olhar para trás, mal preenchem os feriados das folhinhas.
Há tristezas que nos paralisaram por meses, mas que hoje, passados os dias difíceis, mal guardamos lembranças de horas.
Há eventos que marcaram, e que duram para sempre,o nascimento do filho, a morte do pai, a viagem inesquecível, um sonho realizado.
Estes têm a duração que nos ensina o significado da palavra “eternidade”.Já viajei para a mesma cidade uma centena de vezes, e na maioria das vezes o tempo transcorrido foi o mesmo.
Mas conforme meu espírito, houve viagem que não teve fim até hoje, como há percurso que nem me lembro de ter feito, tão feliz eu estava na ocasião.
O relógio do coração, hoje eu descubro, bate noutra frequência daquele que carrego no pulso.
Marca um tempo diferente, de emoções que perduram e que mostram o verdadeiro tempo da gente.
Por este relógio, velhice é coisa de quem não conseguiu esticar o tempo que temos no mundo.
É olhar as rugas e não perceber a maturidade.
É pensar antes naquilo que não foi feito, ao invés de se alegrar e sorrir com as lembranças da vida.
Pense nisso. E consulte sempre o relógio do coração: Ele te mostrará o tempo do mundo.
Há semanas que duraram anos, como há anos que não contaram um dia.
Há paixões que foram eternas, como há amigos que passaram céleres, apesar do calendário mostrar que eles ficaram por anos em nossas agendas.
Há amores não realizados que deixaram olhares de meses, e beijos não dados que até hoje esperam o desfecho.
Há trabalhos que nos tomaram décadas de nosso tempo na terra, mas que nossa memória insiste em contá-los como semanas.
Há casamentos que, ao olhar para trás, mal preenchem os feriados das folhinhas.
Há tristezas que nos paralisaram por meses, mas que hoje, passados os dias difíceis, mal guardamos lembranças de horas.
Há eventos que marcaram, e que duram para sempre,o nascimento do filho, a morte do pai, a viagem inesquecível, um sonho realizado.
Estes têm a duração que nos ensina o significado da palavra “eternidade”.Já viajei para a mesma cidade uma centena de vezes, e na maioria das vezes o tempo transcorrido foi o mesmo.
Mas conforme meu espírito, houve viagem que não teve fim até hoje, como há percurso que nem me lembro de ter feito, tão feliz eu estava na ocasião.
O relógio do coração, hoje eu descubro, bate noutra frequência daquele que carrego no pulso.
Marca um tempo diferente, de emoções que perduram e que mostram o verdadeiro tempo da gente.
Por este relógio, velhice é coisa de quem não conseguiu esticar o tempo que temos no mundo.
É olhar as rugas e não perceber a maturidade.
É pensar antes naquilo que não foi feito, ao invés de se alegrar e sorrir com as lembranças da vida.
Pense nisso. E consulte sempre o relógio do coração: Ele te mostrará o tempo do mundo.
Alexandre Pelegi
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
Não me lembro onde ouvi. Talvez numa série ou assim. Mas o que me ficou na ideia foi "as emoções misturam-se com as memórias". Memorizei isto, e não encontro ponta por onde desminta esta afirmação. Tudo o que sentimos é moldado pelas memórias. Até a situação mais feliz pode ser destruída por uma má recordação, que ficou dum mau momento, ou duma má atitude.E o momento mais dramático pode ser apaguizado com uma boa memória, por um bom momento.
Talvez seja este o truque de "ser feliz".
Ou não!
Talvez seja este o truque de "ser feliz".
Ou não!
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
Caminhos
Cantavam nas árvores os pássaros acabados de chegar do Sul. Saindo da hibernação forçada por causa do frio, era feliz que ela desenhava pegadas mínuscúlas, comparadas com as que uns enormes pés antes tinham carimbado no algodão gelado e branco.
Seguiu o trilho. Já não se lembrava de onde vinha, só queria saber onde as pegadas iriam dar. Era esse o seu destino, era essa a monomentânea missão da sua vida.
O sol de primavera descobriu entre as nuvens. A neve, antes resistente e sólida, é agora um limbo em metamorfose. "Avanço, não avanço?" é a pergunta que salta da cabeça dela para as coisas. Mas não pára.
Sem dar por isso, é já sem neve, ela encontra numa orla ainda sombria pela nevoeiro da manhã, uma cabana.
Instintivamente, aproxima-se e entra. Há uma lareira apagada pelo frio do Inverno, um prato sujo e seco em cima da mesa, e duas cadeiras desarrumadas. Sem se dar conta, senta-se e descansa da viagem. Pensa então no tempo de viagem. Teria sido uma hora? Alguns minutos?
Alguém faz barulho na rua. Quebra-se a linha de pensamento dela.
Entra então em casa um homem alto, com roupas desbotadas. Não a olha. Senta-se na outra cadeira, e acende a lareira com a lenha que trazia da rua. Num murmúrio embaçado, ele diz "há muito tempo que estou à tua espera".
Ela assusta-se e levanta-se. Quando está para cruzar a porta da rua, e começar a correr para sair daquele lugar, apercebe-se que aquela é afinal, a sua casa, de onde tinha saído de manhã.
Olha de soslaio para o homem. E reconhece-o então.
Tinha passado muito tempo, ela mal se lembrava do dia em que ali tinha sido deixada, mas sem sombra de dúvida, era ele.
O seu pai.
Seguiu o trilho. Já não se lembrava de onde vinha, só queria saber onde as pegadas iriam dar. Era esse o seu destino, era essa a monomentânea missão da sua vida.
O sol de primavera descobriu entre as nuvens. A neve, antes resistente e sólida, é agora um limbo em metamorfose. "Avanço, não avanço?" é a pergunta que salta da cabeça dela para as coisas. Mas não pára.
Sem dar por isso, é já sem neve, ela encontra numa orla ainda sombria pela nevoeiro da manhã, uma cabana.
Instintivamente, aproxima-se e entra. Há uma lareira apagada pelo frio do Inverno, um prato sujo e seco em cima da mesa, e duas cadeiras desarrumadas. Sem se dar conta, senta-se e descansa da viagem. Pensa então no tempo de viagem. Teria sido uma hora? Alguns minutos?
Alguém faz barulho na rua. Quebra-se a linha de pensamento dela.
Entra então em casa um homem alto, com roupas desbotadas. Não a olha. Senta-se na outra cadeira, e acende a lareira com a lenha que trazia da rua. Num murmúrio embaçado, ele diz "há muito tempo que estou à tua espera".
Ela assusta-se e levanta-se. Quando está para cruzar a porta da rua, e começar a correr para sair daquele lugar, apercebe-se que aquela é afinal, a sua casa, de onde tinha saído de manhã.
Olha de soslaio para o homem. E reconhece-o então.
Tinha passado muito tempo, ela mal se lembrava do dia em que ali tinha sido deixada, mas sem sombra de dúvida, era ele.
O seu pai.
Lembrei-me, mas depressa esqueci. E lembraram-me. E também não vale a pena esquecer.
Não é pessoal, mas é um ano depois da aventura, de introspecção forçada, e de conhecimento intensivo do ser Humano, no estado mais puro. Fútil, digo.
Sempre me ri da situação, mas também não vale a pena dizer que não chorei. Só não percebi se foi por estar longe de tudo, ou tão perto de mim.
Não é pessoal, mas é um ano depois da aventura, de introspecção forçada, e de conhecimento intensivo do ser Humano, no estado mais puro. Fútil, digo.
Sempre me ri da situação, mas também não vale a pena dizer que não chorei. Só não percebi se foi por estar longe de tudo, ou tão perto de mim.
Contraste de brancos
Primeiro, procura-se palavras.
Depois, não se encontram.
E por fim, fica-se em silêncio.
E passa tempo. E depois nada muda. Tudo fica igual. Com tantas diferenças.
Depois, não se encontram.
E por fim, fica-se em silêncio.
E passa tempo. E depois nada muda. Tudo fica igual. Com tantas diferenças.
quinta-feira, 29 de julho de 2010
Ouço uma música. Canto-a mentalmente. Depois, fecho os olhos. E começa a dança. Os sons vão e vêm, e as sensações vão e vêm...
E é então que surge. Tal como sempre. Primeiro lentamente, depois mais apressada, até que chega à velocidade original.
Recordações.
Boas e más.
E mexemos no tempo, para traz e para a frente. Brincamos com ele.
E assim, os momentos duram o tempo que nós queremos...Só não dura para sempre.
E é então que surge. Tal como sempre. Primeiro lentamente, depois mais apressada, até que chega à velocidade original.
Recordações.
Boas e más.
E mexemos no tempo, para traz e para a frente. Brincamos com ele.
E assim, os momentos duram o tempo que nós queremos...Só não dura para sempre.
terça-feira, 27 de julho de 2010
E..Boas Férias!
"Esta é a altura do ano em que os portugueses, depois de um ano de trabalho (os que ainda têm trabalho), pegam nas suas economias (aqueles que não tinham o dinheiro em bancos que faliram), e vão agora de férias (aqueles que podem dar-se ao luxo de ter férias). E vão, de certeza, com a sensação de que deixam o País arrumado. O Presidente da República diz que a situação é insustentável. Um antigo Presidente e um candidato à Presidência dizem que ele não pode dizer que a situação é insustentável. O primeiro-ministro diz que estamos muito bem. A oposição diz que ele não pode dizer que estamos muito bem. Portanto, podemos ir de férias descansados. E esclarecidos.
A primeira tarefa do cidadão que começa a gozar o merecido descanso é pagar a não menos merecida sobretaxa de IRS sobre o subsídio de férias. O cidadão sabe, porque já lho disseram, que andou a viver acima das suas possibilidades, e por isso chegou a hora de pagar. O cidadão, que tem a mania das grandezas, pensou que podia viver à tripa-forra, num desses países modernos que premeiam os administradores das suas empresas com bónus milionários. Não, caro cidadão. Tudo isso lhe deu status e qualidade de vida, é indesmentível. Mas não é gratuito. Quem quer viver numa sociedade assim, paga.
A segunda tarefa é escolher um destino de férias. Tanto os destinos mais baratos, como uma semana com tudo pago nas Caraíbas, como os mais caros, como um fim-de-semana com meia pensão no Algarve, parecem excessivos para o seu orçamento. Uma hipótese é meter a família no carro e, como recomendou Cavaco Silva, ir para fora cá dentro. Uma opção que traz alguns problemas. Primeiro, há que meter gasolina, o que não é barato. Depois, talvez seja boa ideia comprar uma água e um papo-seco para a viagem. Mas com cautela, na medida em que o IVA sobre os bens essenciais subiu um por cento. Os milionários que tiverem dinheiro para depósito cheio e farnel poderão fazer-se à estrada, embora conscientes de que mais cedo ou mais tarde vão passar numa SCUT, daquelas que não eram pagas mas entretanto passaram a ser. Antes disso, num semáforo, ainda são capazes de topar com o ministro das Finanças com um chapéu virado ao contrário a pedir nem que seja a moeda mais pequena, em busca de receitas extraordinárias. Em princípio, depois de percorrer 50 quilómetros, o cidadão já não tem dinheiro e tem de voltar para casa. Essa é a terceira tarefa. Boa sorte."
A primeira tarefa do cidadão que começa a gozar o merecido descanso é pagar a não menos merecida sobretaxa de IRS sobre o subsídio de férias. O cidadão sabe, porque já lho disseram, que andou a viver acima das suas possibilidades, e por isso chegou a hora de pagar. O cidadão, que tem a mania das grandezas, pensou que podia viver à tripa-forra, num desses países modernos que premeiam os administradores das suas empresas com bónus milionários. Não, caro cidadão. Tudo isso lhe deu status e qualidade de vida, é indesmentível. Mas não é gratuito. Quem quer viver numa sociedade assim, paga.
A segunda tarefa é escolher um destino de férias. Tanto os destinos mais baratos, como uma semana com tudo pago nas Caraíbas, como os mais caros, como um fim-de-semana com meia pensão no Algarve, parecem excessivos para o seu orçamento. Uma hipótese é meter a família no carro e, como recomendou Cavaco Silva, ir para fora cá dentro. Uma opção que traz alguns problemas. Primeiro, há que meter gasolina, o que não é barato. Depois, talvez seja boa ideia comprar uma água e um papo-seco para a viagem. Mas com cautela, na medida em que o IVA sobre os bens essenciais subiu um por cento. Os milionários que tiverem dinheiro para depósito cheio e farnel poderão fazer-se à estrada, embora conscientes de que mais cedo ou mais tarde vão passar numa SCUT, daquelas que não eram pagas mas entretanto passaram a ser. Antes disso, num semáforo, ainda são capazes de topar com o ministro das Finanças com um chapéu virado ao contrário a pedir nem que seja a moeda mais pequena, em busca de receitas extraordinárias. Em princípio, depois de percorrer 50 quilómetros, o cidadão já não tem dinheiro e tem de voltar para casa. Essa é a terceira tarefa. Boa sorte."
Ricardo Araujo Pereira, in VISÃO
segunda-feira, 26 de julho de 2010
Cansaço
Querer fechar os olhos e não conseguir, e deles emanarem lágrimas secas, de cansaço também, de tão cansadas de chorar;caminhar e não parar, não querer não conseguir, de tão cansada de andar, correr; falar e não sair voz, sufocar de tão cansada, de gritar; escrever, contar, e de tão cansada,riscar, rasgar; comer, e de tanto cansaço não ter fome, cambalear; cansaço, é não saber o que dizer, e ter tanto para falar, cansaço
sexta-feira, 23 de julho de 2010
Passo a Passo...um ano depois!
Foi por acaso que ontem me dei conta que este espaço faz um ano. Um ano, 365 dias, 110 posts depois... Não sei se mudei a vida de alguém, se fiz alguém gostar do que escrevo, se cativei o gosto pela escrita ou se desiludi pessoas. Mas, sinceramente, não penso que isso seja o mais importante nem o objectivo disto. Aliás, não há objectivo.
Dei asas a palavras sem sentido, e brinquei com elas. Mostrei tolices que pessoas me disseram para mostrar, porque acho que elas tinham (e têm ) razão!
Fiz graças a este espaço, e mais do que antes, da escrita um hobby. Divulguei autores, excertos, e vídeos do que gostava. Mas ainda não sei por "contador de visitas" nem incorporar vídeos do YouTube, Nem por musicas, nem escrever muitas coisas sobre as quais gostava de um dia saber, e dar opinião. Ainda tenho muito, muito para aprender....dia a dia, passo a passo, um ano de cada vez...
Dei asas a palavras sem sentido, e brinquei com elas. Mostrei tolices que pessoas me disseram para mostrar, porque acho que elas tinham (e têm ) razão!
Fiz graças a este espaço, e mais do que antes, da escrita um hobby. Divulguei autores, excertos, e vídeos do que gostava. Mas ainda não sei por "contador de visitas" nem incorporar vídeos do YouTube, Nem por musicas, nem escrever muitas coisas sobre as quais gostava de um dia saber, e dar opinião. Ainda tenho muito, muito para aprender....dia a dia, passo a passo, um ano de cada vez...
quinta-feira, 22 de julho de 2010
Leituras...
Ler faz-nos ligar certos interruptores. Faz-nos ver os factos, e não as coisas. Ler é perceber a mente de cada personagem. Perceber os medos. Perceber as escolhas. Perceber as consequências das escolhas. Ler é mais do que folhear livros. Ler é perceber as relações causa-efeito, é perceber as 3 dimensões do tempo: presente, passado e futuro. É perceber o quanto nós mandamos na nossa vida, e como somos nós que, em último caso, podemos tudo. Ler é tocar em pontos de vista, em situações que não iríamos viver e pensar nelas. Ler é no fundo, estimular-nos a ser mais, e ser melhor. Ler é ligar interruptores da nossa mente, e perceber as coisas de fora para dentro, e de dentro para fora..
segunda-feira, 19 de julho de 2010
A maior lição que se tira de tudo, é que os erros do passado seriam facilmente evitados com coragem.
O futuro seria muito mais risonho se no presente arriscássemos mais.
Aqui, conseguimos ver as 3 dimensões do tempo: o presente, o passado, e o futuro. E perceber que o lado mais difícil das coisas é assumir. A partir do momento em que se assume, nada é mais fácil que a facilidade com que as coisas acontecem.
O futuro seria muito mais risonho se no presente arriscássemos mais.
Aqui, conseguimos ver as 3 dimensões do tempo: o presente, o passado, e o futuro. E perceber que o lado mais difícil das coisas é assumir. A partir do momento em que se assume, nada é mais fácil que a facilidade com que as coisas acontecem.
Sobre "Ao Anoitecer" de Susan Minot
quarta-feira, 14 de julho de 2010
Tudo e nada
Há coisas que começam e acabam, outras que simplesmente nunca terminam.
Há preto e branco que se transforma num arco-irís que por muitos minutos fica cinzento. Mas não deixa de ter cor.
Há coisas que fazem sorrisos, e há sorrisos que fazem e transformam muita coisas.
Pessoas: O que somos? Para que somos? Como vivemos.
Há preto e branco que se transforma num arco-irís que por muitos minutos fica cinzento. Mas não deixa de ter cor.
Há coisas que fazem sorrisos, e há sorrisos que fazem e transformam muita coisas.
Pessoas: O que somos? Para que somos? Como vivemos.
quinta-feira, 8 de julho de 2010
"A princípio bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas os nossos desejos são ainda mais complexos. Não basta que estejamos sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis. Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguer, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica e uma temporada num spa cinco estrelas. E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar à luz das velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito. É o que dá ver tanta televisão. Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista. Ter um parceiro constante pode ou não, ser sinónimo de felicidade. Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com um parceiro, feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio. Dinheiro é uma benção. Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado. E se temos pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade. Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável. Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno. Olhe para o relógio: hora de acordar. É importante pensar-se ao extremo, buscar lá dentro o que nos mobiliza, instiga e conduz, mas sem exigir-se desumanamente. A vida não é um jogo onde só quem testa seus limites é que leva o prémio. Não sejamos vítimas ingénuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se. Invente o seu próprio jogo. Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade. Ela transmite paz e não sentimentos fortes, que nos atormentam e provocam inquietude no nosso coração. Isso pode ser alegria, paixão, entusiasmo, mas não felicidade."
Mário Quintana
Subscrever:
Mensagens (Atom)