Não estavas lá quando chorei por causa daquilo, nem quando precisava de alguém para me limpar as lágrimas, dar a mão, ou simplesmente estar. Também não te vi, nem te falei, nem te ouvi reconfortantemente quando naquela sexta feira fiquei feliz. Porque fiquei mesmo! Queria partilhar com alguém, e ninguém estava lá. Era pior que falar para um espelho, porque nem um reflexo havia. E no meio de uma multidão, sentia-me sozinha. Não me sentia eu. E ouve um dia, em que fiquei sem chão, culpa duma situação, aquela... e nessa altura, já ás escuras, sem chão, sem pára-quedas, andei á deriva, e sozinha comigo mesma, sozinha, já sem mim, vazia, e sem lágrimas, e porque ninguém me limpou a face, andava também já, nadar nelas. Precisei de uma presença. De uma voz. E quando esperava ouvir a tua, não estava lá, nem o meu eco. Até isso tu levaste. Sem pedir, sem deixar alguma coisa em troca.
Lutei. Já não lutava por ti, porque já nada já nada havia para lutar. Lutei por mim, para que ressuscitasse cada pedaço que a falta de palavras, que a falta de gestos, que a falta da voz, da presença, matou.
Lentamente, sem tu estares de maneira nenhuma, lentamente, comigo mesma, com a força que fui colando o meu eu, pedaço a pedaço...
Isto nunca foi uma batalha, nem uma Guerra. Lentamente, reciclei cada pedaço do que se tinha apagado. E aos poucos, regressei. Voltei àquela Terra, ao calor daquela gente, ao reconforto daquele lar. Agora já distante no tempo, vou percebendo que não fui eu que me destrui, mas o que eu deixei que acontecesse que me destruiu. Agora, percebo que não fui eu que me reciclei, mas sim o teu silêncio, e a minha força escondida. Agora, a Terra que é minha, é também a Terra que deixa saudades. Agora, sou presente. Agora, sou feliz. Agora, aprendi a chorar sozinha...
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
sábado, 9 de outubro de 2010
Repetição
De novo. Tal e qual como da ultima vez. Primeiro a implicância, depois o descontrole, e a seguir a explosão. Engole-se em seco, uma e outra vez, mas quando deixamos de ter saliva, a solução única, monomentânea e aparente é o grito entalado.
A resposta que surge do outro lado, é a que mais, dói, a que mais atinge, a que mais acção no tempo tem. A que não termina depois de tudo acabar, a que não encara, a que não responde, a que ignora e magoa, a cada segundo.
Deixa tristeza. Deixa amargura, e medo, e mal estar. Deixa tanta coisa, que deixa também de deixar de perceber quem somos. Leva-nos a identidade, a sanidade, a paz, o equilíbrio. Leva-nos o que melhor temos, o que nunca foi valorizado, o que mais gostamos, a nossa capacidade de ser, de sentir de ver, de estar. Quase leva também o nosso respirar, o progredir. Se um dia, seja ele quando for, a imagem assombrosa deste agora se reflectir em cada pedaço do ser? Se um dia, aquilo de que mais fugimos, de que mais abominámos, for no fundo, um "eu" do futuro presente?!
Como será? Como não fazemos acontecer? Como sobrevivemos sem o fantasma da ocasião que não queremos, nunca, fazer parte como co-autores e actores principais?
Como nunca nos vamos esquecer de dar um beijo, de não implicar, de olhar sem ser para barafustar, de olhar para dentro e esquecer o que está fora?
Como no fundo, é esquecer de viver, e não saber mais sonhar?
A resposta que surge do outro lado, é a que mais, dói, a que mais atinge, a que mais acção no tempo tem. A que não termina depois de tudo acabar, a que não encara, a que não responde, a que ignora e magoa, a cada segundo.
Deixa tristeza. Deixa amargura, e medo, e mal estar. Deixa tanta coisa, que deixa também de deixar de perceber quem somos. Leva-nos a identidade, a sanidade, a paz, o equilíbrio. Leva-nos o que melhor temos, o que nunca foi valorizado, o que mais gostamos, a nossa capacidade de ser, de sentir de ver, de estar. Quase leva também o nosso respirar, o progredir. Se um dia, seja ele quando for, a imagem assombrosa deste agora se reflectir em cada pedaço do ser? Se um dia, aquilo de que mais fugimos, de que mais abominámos, for no fundo, um "eu" do futuro presente?!
Como será? Como não fazemos acontecer? Como sobrevivemos sem o fantasma da ocasião que não queremos, nunca, fazer parte como co-autores e actores principais?
Como nunca nos vamos esquecer de dar um beijo, de não implicar, de olhar sem ser para barafustar, de olhar para dentro e esquecer o que está fora?
Como no fundo, é esquecer de viver, e não saber mais sonhar?
Bi-sensação
Há escolhas que a alma faz, que o coração interpreta tarde demais. Tarde. Tão tarde, que quando se dá conta dela, torna-se quase impossível e irreversível voltar ao inicio.
Como num dia de chuva, dificilmente o cheiro da terra molhada não aparece. Desaparece da vida um aroma de conectividade entre os 2 sistemas tão abertos e dependentes como este - alma e coração- dependente até é pouco. Quando um não existe se o outro não vive, estabelece-se uma relação simbiótica entre duas coisas que se tentam separar tantas vezes. Em tantas situações.
Burros, nós os Homens. Que teimamos em separar emoção de razão, em vez de lhe encontrarmos um equilíbrio. E só cheiramos, não sentimos. E só construimos, não usufruímos. E só provamos, não saboreamos.
Malvada razão. Culpado coração.
Como num dia de chuva, dificilmente o cheiro da terra molhada não aparece. Desaparece da vida um aroma de conectividade entre os 2 sistemas tão abertos e dependentes como este - alma e coração- dependente até é pouco. Quando um não existe se o outro não vive, estabelece-se uma relação simbiótica entre duas coisas que se tentam separar tantas vezes. Em tantas situações.
Burros, nós os Homens. Que teimamos em separar emoção de razão, em vez de lhe encontrarmos um equilíbrio. E só cheiramos, não sentimos. E só construimos, não usufruímos. E só provamos, não saboreamos.
Malvada razão. Culpado coração.
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
Bocados
Ainda Faltam alguns minutos. O relógio anda. E pára. O tempo oscila entre o muito rápido e o nada.
E passam as horas segundos. Os dias minutos. E no final, ainda nem passou um bocado.
E passam as horas segundos. Os dias minutos. E no final, ainda nem passou um bocado.
domingo, 3 de outubro de 2010
Aprender, 5 séculos depois...
"Depois de algum tempo aprendes a diferença, a subtil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma. E aprendes que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança. E começas a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas. Acabas por aceitar as derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança. E aprendes a construir todas as tuas estradas de hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão. Depois de algum tempo aprendes que o sol queima se te expuseres a ele por muito tempo. Aprendes que não importa o quanto tu te importas, simplesmente porque algumas pessoas não se importam... E aceitas que apesar da bondade que reside numa pessoa, ela poderá ferir-te de vez em quando e precisas perdoá-la por isso. Aprendes que falar pode aliviar dores emocionais. Descobres que se leva anos para se construir a confiança e apenas segundos para destruí-la, e que poderás fazer coisas das quais te arrependerás para o resto da vida. Aprendes que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias. E o que importa não é o que tens na vida, mas quem tens na vida. E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher. Aprendes que não temos que mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam, percebes que o teu melhor amigo e tu podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos. Descobres que as pessoas com quem tu mais te importas são tiradas da tua vida muito depressa, por isso devemos sempre despedir-nos das pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que as vejamos. Aprendes que as circunstâncias e os ambientes têm influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos. Começas a aprender que não te deves comparar com os outros, mas com o melhor que podes ser. Descobres que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que se quer ser, e que o tempo é curto. Aprendes que, ou controlas os teus actos ou eles te controlarão e que ser flexível nem sempre significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, existem sempre os dois lados. Aprendes que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer enfrentando as consequências. Aprendes que paciência requer muita prática. Descobres que algumas vezes a pessoa que esperas que te empurre, quando cais, é uma das poucas que te ajuda a levantar. Aprendes que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que tiveste e o que aprendeste com elas do que com quantos aniversários já comemoraste. Aprendes que há mais dos teus pais em ti do que supunhas. Aprendes que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são disparates, poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso. Aprendes que quando estás com raiva tens o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel. Descobres que só porque alguém não te ama da forma que desejas, não significa que esse alguém não te ama com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso. Aprendes que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes tens que aprender a perdoar-te a ti mesmo. Aprendes que com a mesma severidade com que julgas, poderás ser em algum momento condenado. Aprendes que não importa em quantos pedaços o teu coração foi partido, o mundo não pára para que tu o consertes. Aprendes que o tempo não é algo que possa voltar para trás. Portanto, planta o teu jardim e decora a tua alma, ao invés de esperares que alguém te traga flores. E aprendes que realmente podes suportar mais ... que és realmente forte, e que podes ir muito mais longe depois de pensar que não se pode mais. E que realmente a vida tem valor e que tu tens valor diante da vida! As nossas dádivas são traidoras e fazem-nos perder o bem que poderíamos conquistar, se não fosse o medo de tentar."
William Shakespeare
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
Nadar
Nadei nas minhas próprias lágrimas. Ao som dos meus gritos abafados pela água, pelo murmurar das pessoas em redor, pelo som de um dia a terminar. Com a energia da minha raiva. Num emaranhar de estilos misturados, inomeaveis, indefinidos.
Com braçadas irregulares, traçava piscinas sem ritmo nem coordenação. Nadava no passado.
Nadava emaranhada em passados e futuros. No presente. Com muitos conjuntivos à mistura. E pretéritos imperfeitos a assolarem-me a alma.
Nadava, num mar de palavras duras, cruéis. Sentidas e frias. Indecifraveis.
Nadei até me doer a alma. Até não sentir fôlego.
Quando parei, sem ver nada, sem sentir nada, percebi que tinha nadado muito pouco.
Percebi que para mim, não tinha nadado nada.
Com braçadas irregulares, traçava piscinas sem ritmo nem coordenação. Nadava no passado.
Nadava emaranhada em passados e futuros. No presente. Com muitos conjuntivos à mistura. E pretéritos imperfeitos a assolarem-me a alma.
Nadava, num mar de palavras duras, cruéis. Sentidas e frias. Indecifraveis.
Nadei até me doer a alma. Até não sentir fôlego.
Quando parei, sem ver nada, sem sentir nada, percebi que tinha nadado muito pouco.
Percebi que para mim, não tinha nadado nada.
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Criançar
Ser criança depois de querer ser adulto, ser pequeno quando já cabemos nos carroceis da feira. Ser criança é ter um espírito que balança. É correr sem parar, sem meta para chegar. É puxar o cabelo, sem intenção de fazer chorar. É agarrar na terra, é sentir a terra. É ver clássicos filmes de infância, e recordar cada cena, cada fala... É jogar ao molha, e rir de disparates, e contar os disparates que fazemos. Ser criança é também recordar trapalhices de criança. Gostar de uma criança. Ter olhos a brilhar. Cantar, rir, divertir e desafinar. Mesmo com pessoas a olhar, e com guitarras, sem se saber tocar. E chorar. E dançar. Ripostar. Dizer o que se pensa. Saber que as pessoas podem errar. Brincar. Sonhar. Descobrir cheiros e ter nódoas na camisola. E usar uma camisola com desenhos. Comer um gelado até derreter nas mãos. Ver o mundo girar. As nuvens passar. Achar mágicas as bolas de sabão. E as estrelas cadentes. E dormir na rua, e tagarelar e falar sozinha. E perguntar. E não utilizar verbos conjugados. Criançar no fundo, é ser criança. É ser muito mais que tudo. É inocência consciente e responsável. Criança. Depois de já não o sermos.
Tu, és criança?
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
Catapultas
Quando o Mundo ainda não era o mundo que hoje em dia conhecemos, quando o ser Humano era primitivo em muita coisa, e sincero em tudo, alguém inventou a catapulta.
Agora, tantos milhares de anos depois, seria um meio de transporte óptimo para uma escapadinha do mundo. Viajar em queda livre pelo mundo, pelo sistema, pela galáxia. Com uma catapulta, sairíamos de casa sem nessecitar de esforço, sem o barulho de carros, sem o medo e o desconforto de aviões, barcos, ou outros meios de transporte. Seria a liberdade, enfim, na sua expressão mais natural e primitiva.
Seria depois, aterrar num Mundo de sonhos, viver em nuvens de algodão doce ( tão banal, e tão reconfortante), e seria também ter uma máquina do tempo, que andaria no propósito inverso da felicidade. Quando ela era muita, o tempo quase parava, vagueando por entre sorrisos, loucuras e amor. Quando não era assim tanta, a máquina ganharia velocidade, perderia travões. Até a boa energia a abrandar outra vez.
Seria assim, mais ou menos o Mundo perfeito. Quotidiano, mas com catapultas para o Mundo de Sonhos, e sempre que alguém tivesse a monotonizar e esquecer o verdadeiro propósito da vida, a catapulta primitiva puxaria-nos para o interior de nós, e saberíamos quem nós somos. Sempre que fosse preciso, sempre que a catapulta aparecesse.
Agora, tantos milhares de anos depois, seria um meio de transporte óptimo para uma escapadinha do mundo. Viajar em queda livre pelo mundo, pelo sistema, pela galáxia. Com uma catapulta, sairíamos de casa sem nessecitar de esforço, sem o barulho de carros, sem o medo e o desconforto de aviões, barcos, ou outros meios de transporte. Seria a liberdade, enfim, na sua expressão mais natural e primitiva.
Seria depois, aterrar num Mundo de sonhos, viver em nuvens de algodão doce ( tão banal, e tão reconfortante), e seria também ter uma máquina do tempo, que andaria no propósito inverso da felicidade. Quando ela era muita, o tempo quase parava, vagueando por entre sorrisos, loucuras e amor. Quando não era assim tanta, a máquina ganharia velocidade, perderia travões. Até a boa energia a abrandar outra vez.
Seria assim, mais ou menos o Mundo perfeito. Quotidiano, mas com catapultas para o Mundo de Sonhos, e sempre que alguém tivesse a monotonizar e esquecer o verdadeiro propósito da vida, a catapulta primitiva puxaria-nos para o interior de nós, e saberíamos quem nós somos. Sempre que fosse preciso, sempre que a catapulta aparecesse.
terça-feira, 28 de setembro de 2010
Ao longo do dia, milhões de sinapses dão origem a milhões de ideias. O tempo que passa entre o momento do surgimento dela, até o amadurecimento é de tal forma extenso, que, sentada em frente ao computador, elas viajam para longe, longe... Terei de começar a aprisona-las com lápis e papel, guarda-las muito bem, e colhe-las em casa. Para depois, aqui as dar à luz. Não literalmente, claro!
sábado, 25 de setembro de 2010
Intrabloggeração...
...com a aldeia do meu coração:
http://cpcdsentieiras.blogspot.com/2010/09/fonte-da-cultura.html
Dê uma espreitadela!
http://cpcdsentieiras.blogspot.com/2010/09/fonte-da-cultura.html
Dê uma espreitadela!
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
Neste momento
Hoje, queria ser criança. Ou ser mais velha, e ter na mesma esperança. E aproveitar este tempo.
E escrever mais, brincar mais, sonhar mais, dançar mais.
Hoje não, Agora!
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
Como ler Lobo Antunes.
Uma pessoa gosta de ler. Lê jornais, lê revistas. Nada de literário, nem de "ilêgivél". Depois, com o tempo, ler só não basta. Precisamos de ler coisas que nos façam pensar.
Um dia, reparamos que pensar já não nos entusiasma. E então queremos descobrir e reinterpretar estilos surreais escritos por verdadeiros Reis das palavras e do devaneio.
Caiu-me nas mãos um Lobo Antunes. "O arquipélago da Insónia".Ainda não descobri se é bom ou mau. Mas tem-me dado uma óptima nova perspectiva de como é a nossa mente, de como realmente pensamos, e quão complexos somos e não queremos ser. Pensamos e vivemos presentes e passados, confusa e envolventemente.
A nossa mente. Isto lembra-me com é o Mundo. Como é a vida. É no fundo, como ler António Lobo Antunes.
Um dia, reparamos que pensar já não nos entusiasma. E então queremos descobrir e reinterpretar estilos surreais escritos por verdadeiros Reis das palavras e do devaneio.
Caiu-me nas mãos um Lobo Antunes. "O arquipélago da Insónia".Ainda não descobri se é bom ou mau. Mas tem-me dado uma óptima nova perspectiva de como é a nossa mente, de como realmente pensamos, e quão complexos somos e não queremos ser. Pensamos e vivemos presentes e passados, confusa e envolventemente.
A nossa mente. Isto lembra-me com é o Mundo. Como é a vida. É no fundo, como ler António Lobo Antunes.
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
A fonte da Cultura
Não vem como noticia de ultima hora, mas vem como um acontecimento que merece ser contado.
Eis aqui:
E buscando cada história com algumas histórias, o CPCD contou-as.
Começou com um jogo de Futebol, protagonizado também, por pessoas com história. Quer a equipa actual se Sentieiras, quer todos os que por lá já passaram, fazem parte da Aldeia. E a tarde prolongou-se noite a dentro...
No ambiente místico da fonte, jantou-se, e esperou-se ansiosamente pelo regresso ao passado, que seria feito em vídeo, em fotografia, mas mais importante, seria feito por cada um, cada vez que viessem à memória factos contados, factos passados.
Os mais novos conheceram uma aldeia de há muitos anos, conheceram o antigamente, e certamente, conheceram pessoas que só de nome ouviram falar. Conheceram festas, familiares, lugares hoje inexistentes ou inacessíveis.
E os mais velhos...os mais velhos voltaram a ser novos, pelo brilho nos olhos, pela saudade que sentiram, pelo voltar ao tempo em o tempo era deles. Recordaram, lembraram, e conversaram, sobre Sentieiras.
A homenagem da noite foi sobretudo, a esta pequena aldeia, ao seu passado, ao seu presente. O futuro está agora nas mãos de cada um de nós.
Sentieiras. A NOSSA terra. A terra de todos, e é por todos, e por cada um que temos de lutar, imortalizando momentos, relembrando histórias, e fazendo história, porque as coisas não caem do céu, e é todos juntos que somos muitos. Somos um caso especial, e enquanto cada um não interiorizar isso, Sentieiras não viverá para sempre. Somos nós a vida, somos nós, que temos nas nossas mãos o poder de fazer aquilo que quisermos. Não vamos deixar Sentieiras morrer. Que ninguém faça Sentieiras parar!
Parabéns a todos, parabéns ao Centro, esperemos que cada vez mais, Popular de Cultura e Desportos
terça-feira, 14 de setembro de 2010
Não chega a chegar
Caminha-se para lado algum. Leva-se um pouco, deixa-se tudo, mas não chega.
Avança-se sem uma mão para segurar.
Olha-se para a frente, fecha-se olhos, percebe-se que só saber que está não chega - tem de estar mesmo.
Estar sempre.
Chega o que se deixa? Serve o que se leva?
Talvez já não esteja permanentemente.
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Antigamente Moderno
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
incoerencias
Doí a cabeça. Cambaleia a avenida. Caminha desengonçada uma existência premeditada sem aviso.
Um dorme-acorda de desejos. Sonhos que se cruzam com a dormência dos sentidos acordam planos outrora abandonados.
E ele acorda. Não sabe onde esta. Tenta falar, mas só consegue saborear o sal do ar, a maresia da manhã. Rasteja pelo chão de areia fina, branca, e quando finalmente consegue ver, percebe que não há sol. O local é fechado, e só-lhe ocorre sair dali. E depois pensa: e o que há lá fora? e como serei eu la fora? e se não gostar, não quiser, e preferir estar aqui?
E fica a pensar. Pensa, pensa e um dia leva a mão à cara. Percebe então que tem barba, espessa, comprida e quando olha mais aprofundadamente, farrapos brancos preenchem o que já foi preto, mas que ele não viu.
Grisalho, corcunda, e desorientado, ele tenta levantar-se da posição fetal em que quase sempre se encontrava, a que tão bem se tinha habituado, e cambaleia em direcção à porta. Não a abre. Eleva a mão direita, e pela primeira vez dá conta do quanto velha ela está. Detêm-se um minuto. Tenta fazer o filme do que tinha sido os últimos anos, mas percebe que não tem nada.
Abre a porta. Levemente ao início, e depois com um grande empurrão. O sol cega-o monomentâneamente. E mesmo sem ver, ele percebeu o que perdera nos últimos tempos. E ganhou vida.
Um dorme-acorda de desejos. Sonhos que se cruzam com a dormência dos sentidos acordam planos outrora abandonados.
E ele acorda. Não sabe onde esta. Tenta falar, mas só consegue saborear o sal do ar, a maresia da manhã. Rasteja pelo chão de areia fina, branca, e quando finalmente consegue ver, percebe que não há sol. O local é fechado, e só-lhe ocorre sair dali. E depois pensa: e o que há lá fora? e como serei eu la fora? e se não gostar, não quiser, e preferir estar aqui?
E fica a pensar. Pensa, pensa e um dia leva a mão à cara. Percebe então que tem barba, espessa, comprida e quando olha mais aprofundadamente, farrapos brancos preenchem o que já foi preto, mas que ele não viu.
Grisalho, corcunda, e desorientado, ele tenta levantar-se da posição fetal em que quase sempre se encontrava, a que tão bem se tinha habituado, e cambaleia em direcção à porta. Não a abre. Eleva a mão direita, e pela primeira vez dá conta do quanto velha ela está. Detêm-se um minuto. Tenta fazer o filme do que tinha sido os últimos anos, mas percebe que não tem nada.
Abre a porta. Levemente ao início, e depois com um grande empurrão. O sol cega-o monomentâneamente. E mesmo sem ver, ele percebeu o que perdera nos últimos tempos. E ganhou vida.
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
Depois,
Não odeio. Não esqueço. Não fingo que não existe. Não ignoro nem dou demasiada importância. Também não maldigo, nem bendigo. Arruma-se as coisas, pensa-se com cabeça fria, ou quase sem cabeça. Sem projectos, ou objectivos, esperamos que o tempo passe, o mais depressa que der, e a cada passo do tempo, deixamos de sonhar, deixamos de pensar, deixamos de querer. Não é como se nunca tivesse existido. É como reciclar uma coisa de que gostamos. Não a podemos utilizar, não fazermos nada com ela é ocupar espaço desnecessário, que estorva e empata a vida. A única solução é meter no ecoponto, e desejar que algo de bom surja depois.
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Colheita
Desejamos que vá, desejamos que fique, desejamos que não pare!
Desejamos que não tenha acontecido, e que aconteça.
Queremos muito. Queremos tudo. Não queremos nada....
De cabeça fria, o raciocínio regressa, passo a passo. E de repente, o tempo não passou. E o que o frio congelou, o sol fez amadurecer.
Desejamos que não tenha acontecido, e que aconteça.
Queremos muito. Queremos tudo. Não queremos nada....
De cabeça fria, o raciocínio regressa, passo a passo. E de repente, o tempo não passou. E o que o frio congelou, o sol fez amadurecer.
quarta-feira, 18 de agosto de 2010
Volta e meia
Passeia-se pela praça uma e outra vez. Às voltas com o pensamento, e ás voltas com o corpo, vagea-se pela cidade, nua, crua, despida de calor, vestida de preconceito. Pela praça, numa e noutra vez, encontramos diferenças. Diferentes pessoas sentam-se na mesma mesa. Mil e uma histórias se entrecruzam a cada milionésimo de segundo, umas mais emocionantes, outras mais reconfortantes, cada uma delas, chega até quem passa através de um olhar, uma gargalhada... O cheiro do café, o refrescante gelado, o grito da criança que salta, feliz.
Sentimo-nos vivos. A cada contra-resposta que o nosso corpo faz ao estímulo que recebe, temos a certeza que estamos vivos.
As emoções que desperta cada sensação, dão a volta, provam-nos que há vida depois da morte.
E todos os dias, a praça, o grito, as histórias, ressuscitam um bocadinho de nós.
Sentimo-nos vivos. A cada contra-resposta que o nosso corpo faz ao estímulo que recebe, temos a certeza que estamos vivos.
As emoções que desperta cada sensação, dão a volta, provam-nos que há vida depois da morte.
E todos os dias, a praça, o grito, as histórias, ressuscitam um bocadinho de nós.
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
Ser aluno em Portugal ( também ) é:
Ora bem, hoje isto vai ser crónica, tipo crónica de jornal. Há dias que estas falam sobre a educação. Pois bem, hoje eu falo sobre educação! E isto há tanta coisa entalada, que vais ser sobre tudo!!!
Primeiro, coitados de nós, alunos, que arcamos com as culpas de tudo: "coitada da professora X, por causa do aluno Y, está em casa com uma depressão"; "professor Z queixa-se que por causa de aluno J tem má nota na avaliação". Vamos lá esclarecer! Se há alunos que vão à escola "laurear a pevide", mostrar a roupinha nova, e passar o tempo, também há os que não fazem nada disso! Muito boa gente, que também são chamados de "rebeldes", "burros", "indisciplinados", muitas vezes têm é o azarito de ter como professor uma pessoa que entrou para o ministério sem a mínima vocação para dar aulas, e os alunos não têm de aturar tudo! E falando em igualdade de direitos entre os professores e as outras classes profissionais, óh senhora ministra, e se pensasse em fazer entrevistas, muito bem feitinhas e completas aos professores que leccionam todos os anos nas escolas públicas?! Se há muitos desempregados, então que estejam desempregados os piores, que os alunos, lá por estarem na escola pública, não têm de levar com tudo o que é licenciado a querer dar aulas, sim?! Vamos lá começar a pensar em, mais do que avaliar curriculums, pedir aos futuros professores deste nosso país, para simularem aulas, fazerem testes para ver se, em caso de este ser o objecto de avaliação aplicado numa turma, este contém uma linguagem clara e correcta, se aplica bem o pretendido, se é muito fácil ou muito difícil, muito grande, pequeno...
E depois, outra coisa! Se os alunos andam na escola, todos os dias, durante uma eternidade de tempo, porque razão é que decidem fazer um exame no final de tudo isto, que põe toda a santa gente nervosa, ansiosa...que corre mal à maioria dos alunos, e que por causa do QE( coeficiente emocional) o QI ( coeficiente de inteligência) não vem ao de cima. Qual a lógica disto, senhora ministra??
Bem, embora não perceba a lógica, percebo as consequências. Primeiro, quem vai para lá mais preocupadito com a "coisa", serão os alunos com melhores notas, pois os outros, se não se preocuparam muito até então, não será num exame que vão mudar a atitude. E, se esse aluno, que até era esforçado, e tinha notas razoáveis, se "lixa" no queridissimo exame nacional. Resultado?? Quem se safa?! Os alunos que são alunos, mas que não encaram ninguém nos olhos, que não têm vida além de de estudar, e que vão depois, entrar para as faculdades de excelência do nosso país. E porque se safam? porque no exame, nem precisaram de exercitar os miolos, foi debitar a matéria, e já está! ( E depois, futuramente, têm óptimas relações interpessoais nos empregos, e para com os consumidores, caso tabalhem no sector terciário? Não. )
É claro que não é sempre assim. Não estou a generalizar. Estou a mostrar um "lado" do nosso sistema educacional de quem ninguém fala, ninguém repara.
E depois ainda há outra: porque razão, se o aluno tem tanto trabalho a fazer o recurso, no final, recebemos a nota, com ou sem correcções (e bem paga!!), e no final, ninguém responde que não subimos por causa de a, b, ou c. Quer dizer, os alunos podem perder tempo e dinheiro, e nem merecem uma resposta?? " A e tal, os senhores professores têm de ter férias!" ( agora, neste caso, ninguém liga àquela parte de "os alunos têm de se responsabilizar pelas suas coisas, e ser mais educados, e cidadãos!" ) E os alunos, que andaram a perder tempo a estudar, que querem ser isto, ou aquilo, e que não vão poder ser por causa duma nota, estúpida e miserável, fruto, na maioria dos casos, mais do QE do que do QI, e também, da sorte!!
A conclusão de tudo, é que não há conclusão! No meio desta balburdia, ouve-se o senhor comentador doutor engenheiro, arquitecto, ex-ministro, deputado, presidente de não sei quê, que já não anda em bancos de escola desde o tempo do falecido Português mais influente de sempre: Salazar, dar a sua opinião, muito pomposa, e moralmente aceite, sem no fundo, não saber do que fala. Porque não é ele que se deita ás duas da manhã de terça ( que entretanto, até já é quarta ), por causa de um teste, de Biologia, 4 exercícios de matemática, um relatório de química... para acordar ás 7 horas desse dia, e para entrar ás 8.30h, estar atento a 3 aulas, e fazer o teste a seguir, sem margem para este lhe correr mal, se não, lá se vai a média toda, e para estragar a média, já chega o exame que irá fazer daí a uns meses!
Senhora Ministra, e se ouvisse mais os alunos, e menos os sindicatos dos professores do Norte a Sul, os peritos de não sei quê, os especialistas de nomes sumptuosos, e de quem ninguém se volta a lembrar, ou a ouvir falar?! Se começasse a ouvir mais os directores das escolas, as associações de estudantes, os alunos em geral??!
Caso não saibam, não são só os professores que podem ter depressões, dias maus, noites passadas em claro, problemas em casa. Os alunos também. E se os professores andam cansados, os alunos também, com a diferença, muito clara, na situação cliché do berro do professor, dado sem grande lógica, que serve "só" para "impor respeito e fazer com que estes cabeças duram entendam isto". E na mais seca resposta do aluno, que "vai para a rua. Já agora! Má educação eu não tolero! Que insolentes estes jovens de hoje em dia.."
O sistema está feito assim. Fala-se nos "delinquentes alunos problemáticos". E parece que só há esses. Mas há outros...
Alunos. Não somos assim tão maus. Somos pessoas. Também somos pessoas!
Primeiro, coitados de nós, alunos, que arcamos com as culpas de tudo: "coitada da professora X, por causa do aluno Y, está em casa com uma depressão"; "professor Z queixa-se que por causa de aluno J tem má nota na avaliação". Vamos lá esclarecer! Se há alunos que vão à escola "laurear a pevide", mostrar a roupinha nova, e passar o tempo, também há os que não fazem nada disso! Muito boa gente, que também são chamados de "rebeldes", "burros", "indisciplinados", muitas vezes têm é o azarito de ter como professor uma pessoa que entrou para o ministério sem a mínima vocação para dar aulas, e os alunos não têm de aturar tudo! E falando em igualdade de direitos entre os professores e as outras classes profissionais, óh senhora ministra, e se pensasse em fazer entrevistas, muito bem feitinhas e completas aos professores que leccionam todos os anos nas escolas públicas?! Se há muitos desempregados, então que estejam desempregados os piores, que os alunos, lá por estarem na escola pública, não têm de levar com tudo o que é licenciado a querer dar aulas, sim?! Vamos lá começar a pensar em, mais do que avaliar curriculums, pedir aos futuros professores deste nosso país, para simularem aulas, fazerem testes para ver se, em caso de este ser o objecto de avaliação aplicado numa turma, este contém uma linguagem clara e correcta, se aplica bem o pretendido, se é muito fácil ou muito difícil, muito grande, pequeno...
E depois, outra coisa! Se os alunos andam na escola, todos os dias, durante uma eternidade de tempo, porque razão é que decidem fazer um exame no final de tudo isto, que põe toda a santa gente nervosa, ansiosa...que corre mal à maioria dos alunos, e que por causa do QE( coeficiente emocional) o QI ( coeficiente de inteligência) não vem ao de cima. Qual a lógica disto, senhora ministra??
Bem, embora não perceba a lógica, percebo as consequências. Primeiro, quem vai para lá mais preocupadito com a "coisa", serão os alunos com melhores notas, pois os outros, se não se preocuparam muito até então, não será num exame que vão mudar a atitude. E, se esse aluno, que até era esforçado, e tinha notas razoáveis, se "lixa" no queridissimo exame nacional. Resultado?? Quem se safa?! Os alunos que são alunos, mas que não encaram ninguém nos olhos, que não têm vida além de de estudar, e que vão depois, entrar para as faculdades de excelência do nosso país. E porque se safam? porque no exame, nem precisaram de exercitar os miolos, foi debitar a matéria, e já está! ( E depois, futuramente, têm óptimas relações interpessoais nos empregos, e para com os consumidores, caso tabalhem no sector terciário? Não. )
É claro que não é sempre assim. Não estou a generalizar. Estou a mostrar um "lado" do nosso sistema educacional de quem ninguém fala, ninguém repara.
E depois ainda há outra: porque razão, se o aluno tem tanto trabalho a fazer o recurso, no final, recebemos a nota, com ou sem correcções (e bem paga!!), e no final, ninguém responde que não subimos por causa de a, b, ou c. Quer dizer, os alunos podem perder tempo e dinheiro, e nem merecem uma resposta?? " A e tal, os senhores professores têm de ter férias!" ( agora, neste caso, ninguém liga àquela parte de "os alunos têm de se responsabilizar pelas suas coisas, e ser mais educados, e cidadãos!" ) E os alunos, que andaram a perder tempo a estudar, que querem ser isto, ou aquilo, e que não vão poder ser por causa duma nota, estúpida e miserável, fruto, na maioria dos casos, mais do QE do que do QI, e também, da sorte!!
A conclusão de tudo, é que não há conclusão! No meio desta balburdia, ouve-se o senhor comentador doutor engenheiro, arquitecto, ex-ministro, deputado, presidente de não sei quê, que já não anda em bancos de escola desde o tempo do falecido Português mais influente de sempre: Salazar, dar a sua opinião, muito pomposa, e moralmente aceite, sem no fundo, não saber do que fala. Porque não é ele que se deita ás duas da manhã de terça ( que entretanto, até já é quarta ), por causa de um teste, de Biologia, 4 exercícios de matemática, um relatório de química... para acordar ás 7 horas desse dia, e para entrar ás 8.30h, estar atento a 3 aulas, e fazer o teste a seguir, sem margem para este lhe correr mal, se não, lá se vai a média toda, e para estragar a média, já chega o exame que irá fazer daí a uns meses!
Senhora Ministra, e se ouvisse mais os alunos, e menos os sindicatos dos professores do Norte a Sul, os peritos de não sei quê, os especialistas de nomes sumptuosos, e de quem ninguém se volta a lembrar, ou a ouvir falar?! Se começasse a ouvir mais os directores das escolas, as associações de estudantes, os alunos em geral??!
Caso não saibam, não são só os professores que podem ter depressões, dias maus, noites passadas em claro, problemas em casa. Os alunos também. E se os professores andam cansados, os alunos também, com a diferença, muito clara, na situação cliché do berro do professor, dado sem grande lógica, que serve "só" para "impor respeito e fazer com que estes cabeças duram entendam isto". E na mais seca resposta do aluno, que "vai para a rua. Já agora! Má educação eu não tolero! Que insolentes estes jovens de hoje em dia.."
O sistema está feito assim. Fala-se nos "delinquentes alunos problemáticos". E parece que só há esses. Mas há outros...
Alunos. Não somos assim tão maus. Somos pessoas. Também somos pessoas!
quarta-feira, 11 de agosto de 2010
Regresso
Primeiro, há um nó na garganta. Depois, um vazio. E a seguir, um arrepio. É pedido ao coração um abraço. Um entrelaço de olhares, de dedos, de sonhos, de gente. Espera-se, espera-se, mas não vem. Dias passam, e a perna que está no futuro puxa a do passado, e ficamos sem saber em que tempo estamos. Desorienta-se a linha que delinavamos para a vida, e desorientamo-nos.
Num limbo, vivemos cada dia, cada hora. Uma corda bamba de emoções.
Alguém rouba o que temos. Não devolve, não deita fora para alguém apanhar e devolver, não usa, simplesmente fica com ele.
E em cada olhar, mostra orgulhosamente o que tem. Devolve por momentos cada pedaço de nós.
E volta o nó na garganta. E não conseguimos dizer nem pensar mais nada...
Num limbo, vivemos cada dia, cada hora. Uma corda bamba de emoções.
Alguém rouba o que temos. Não devolve, não deita fora para alguém apanhar e devolver, não usa, simplesmente fica com ele.
E em cada olhar, mostra orgulhosamente o que tem. Devolve por momentos cada pedaço de nós.
E volta o nó na garganta. E não conseguimos dizer nem pensar mais nada...
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
"Há tempos em nossa vida que contam de forma diferente.
Há semanas que duraram anos, como há anos que não contaram um dia.
Há paixões que foram eternas, como há amigos que passaram céleres, apesar do calendário mostrar que eles ficaram por anos em nossas agendas.
Há amores não realizados que deixaram olhares de meses, e beijos não dados que até hoje esperam o desfecho.
Há trabalhos que nos tomaram décadas de nosso tempo na terra, mas que nossa memória insiste em contá-los como semanas.
Há casamentos que, ao olhar para trás, mal preenchem os feriados das folhinhas.
Há tristezas que nos paralisaram por meses, mas que hoje, passados os dias difíceis, mal guardamos lembranças de horas.
Há eventos que marcaram, e que duram para sempre,o nascimento do filho, a morte do pai, a viagem inesquecível, um sonho realizado.
Estes têm a duração que nos ensina o significado da palavra “eternidade”.Já viajei para a mesma cidade uma centena de vezes, e na maioria das vezes o tempo transcorrido foi o mesmo.
Mas conforme meu espírito, houve viagem que não teve fim até hoje, como há percurso que nem me lembro de ter feito, tão feliz eu estava na ocasião.
O relógio do coração, hoje eu descubro, bate noutra frequência daquele que carrego no pulso.
Marca um tempo diferente, de emoções que perduram e que mostram o verdadeiro tempo da gente.
Por este relógio, velhice é coisa de quem não conseguiu esticar o tempo que temos no mundo.
É olhar as rugas e não perceber a maturidade.
É pensar antes naquilo que não foi feito, ao invés de se alegrar e sorrir com as lembranças da vida.
Pense nisso. E consulte sempre o relógio do coração: Ele te mostrará o tempo do mundo.
Há semanas que duraram anos, como há anos que não contaram um dia.
Há paixões que foram eternas, como há amigos que passaram céleres, apesar do calendário mostrar que eles ficaram por anos em nossas agendas.
Há amores não realizados que deixaram olhares de meses, e beijos não dados que até hoje esperam o desfecho.
Há trabalhos que nos tomaram décadas de nosso tempo na terra, mas que nossa memória insiste em contá-los como semanas.
Há casamentos que, ao olhar para trás, mal preenchem os feriados das folhinhas.
Há tristezas que nos paralisaram por meses, mas que hoje, passados os dias difíceis, mal guardamos lembranças de horas.
Há eventos que marcaram, e que duram para sempre,o nascimento do filho, a morte do pai, a viagem inesquecível, um sonho realizado.
Estes têm a duração que nos ensina o significado da palavra “eternidade”.Já viajei para a mesma cidade uma centena de vezes, e na maioria das vezes o tempo transcorrido foi o mesmo.
Mas conforme meu espírito, houve viagem que não teve fim até hoje, como há percurso que nem me lembro de ter feito, tão feliz eu estava na ocasião.
O relógio do coração, hoje eu descubro, bate noutra frequência daquele que carrego no pulso.
Marca um tempo diferente, de emoções que perduram e que mostram o verdadeiro tempo da gente.
Por este relógio, velhice é coisa de quem não conseguiu esticar o tempo que temos no mundo.
É olhar as rugas e não perceber a maturidade.
É pensar antes naquilo que não foi feito, ao invés de se alegrar e sorrir com as lembranças da vida.
Pense nisso. E consulte sempre o relógio do coração: Ele te mostrará o tempo do mundo.
Alexandre Pelegi
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
Não me lembro onde ouvi. Talvez numa série ou assim. Mas o que me ficou na ideia foi "as emoções misturam-se com as memórias". Memorizei isto, e não encontro ponta por onde desminta esta afirmação. Tudo o que sentimos é moldado pelas memórias. Até a situação mais feliz pode ser destruída por uma má recordação, que ficou dum mau momento, ou duma má atitude.E o momento mais dramático pode ser apaguizado com uma boa memória, por um bom momento.
Talvez seja este o truque de "ser feliz".
Ou não!
Talvez seja este o truque de "ser feliz".
Ou não!
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
Caminhos
Cantavam nas árvores os pássaros acabados de chegar do Sul. Saindo da hibernação forçada por causa do frio, era feliz que ela desenhava pegadas mínuscúlas, comparadas com as que uns enormes pés antes tinham carimbado no algodão gelado e branco.
Seguiu o trilho. Já não se lembrava de onde vinha, só queria saber onde as pegadas iriam dar. Era esse o seu destino, era essa a monomentânea missão da sua vida.
O sol de primavera descobriu entre as nuvens. A neve, antes resistente e sólida, é agora um limbo em metamorfose. "Avanço, não avanço?" é a pergunta que salta da cabeça dela para as coisas. Mas não pára.
Sem dar por isso, é já sem neve, ela encontra numa orla ainda sombria pela nevoeiro da manhã, uma cabana.
Instintivamente, aproxima-se e entra. Há uma lareira apagada pelo frio do Inverno, um prato sujo e seco em cima da mesa, e duas cadeiras desarrumadas. Sem se dar conta, senta-se e descansa da viagem. Pensa então no tempo de viagem. Teria sido uma hora? Alguns minutos?
Alguém faz barulho na rua. Quebra-se a linha de pensamento dela.
Entra então em casa um homem alto, com roupas desbotadas. Não a olha. Senta-se na outra cadeira, e acende a lareira com a lenha que trazia da rua. Num murmúrio embaçado, ele diz "há muito tempo que estou à tua espera".
Ela assusta-se e levanta-se. Quando está para cruzar a porta da rua, e começar a correr para sair daquele lugar, apercebe-se que aquela é afinal, a sua casa, de onde tinha saído de manhã.
Olha de soslaio para o homem. E reconhece-o então.
Tinha passado muito tempo, ela mal se lembrava do dia em que ali tinha sido deixada, mas sem sombra de dúvida, era ele.
O seu pai.
Seguiu o trilho. Já não se lembrava de onde vinha, só queria saber onde as pegadas iriam dar. Era esse o seu destino, era essa a monomentânea missão da sua vida.
O sol de primavera descobriu entre as nuvens. A neve, antes resistente e sólida, é agora um limbo em metamorfose. "Avanço, não avanço?" é a pergunta que salta da cabeça dela para as coisas. Mas não pára.
Sem dar por isso, é já sem neve, ela encontra numa orla ainda sombria pela nevoeiro da manhã, uma cabana.
Instintivamente, aproxima-se e entra. Há uma lareira apagada pelo frio do Inverno, um prato sujo e seco em cima da mesa, e duas cadeiras desarrumadas. Sem se dar conta, senta-se e descansa da viagem. Pensa então no tempo de viagem. Teria sido uma hora? Alguns minutos?
Alguém faz barulho na rua. Quebra-se a linha de pensamento dela.
Entra então em casa um homem alto, com roupas desbotadas. Não a olha. Senta-se na outra cadeira, e acende a lareira com a lenha que trazia da rua. Num murmúrio embaçado, ele diz "há muito tempo que estou à tua espera".
Ela assusta-se e levanta-se. Quando está para cruzar a porta da rua, e começar a correr para sair daquele lugar, apercebe-se que aquela é afinal, a sua casa, de onde tinha saído de manhã.
Olha de soslaio para o homem. E reconhece-o então.
Tinha passado muito tempo, ela mal se lembrava do dia em que ali tinha sido deixada, mas sem sombra de dúvida, era ele.
O seu pai.
Lembrei-me, mas depressa esqueci. E lembraram-me. E também não vale a pena esquecer.
Não é pessoal, mas é um ano depois da aventura, de introspecção forçada, e de conhecimento intensivo do ser Humano, no estado mais puro. Fútil, digo.
Sempre me ri da situação, mas também não vale a pena dizer que não chorei. Só não percebi se foi por estar longe de tudo, ou tão perto de mim.
Não é pessoal, mas é um ano depois da aventura, de introspecção forçada, e de conhecimento intensivo do ser Humano, no estado mais puro. Fútil, digo.
Sempre me ri da situação, mas também não vale a pena dizer que não chorei. Só não percebi se foi por estar longe de tudo, ou tão perto de mim.
Contraste de brancos
Primeiro, procura-se palavras.
Depois, não se encontram.
E por fim, fica-se em silêncio.
E passa tempo. E depois nada muda. Tudo fica igual. Com tantas diferenças.
Depois, não se encontram.
E por fim, fica-se em silêncio.
E passa tempo. E depois nada muda. Tudo fica igual. Com tantas diferenças.
quinta-feira, 29 de julho de 2010
Ouço uma música. Canto-a mentalmente. Depois, fecho os olhos. E começa a dança. Os sons vão e vêm, e as sensações vão e vêm...
E é então que surge. Tal como sempre. Primeiro lentamente, depois mais apressada, até que chega à velocidade original.
Recordações.
Boas e más.
E mexemos no tempo, para traz e para a frente. Brincamos com ele.
E assim, os momentos duram o tempo que nós queremos...Só não dura para sempre.
E é então que surge. Tal como sempre. Primeiro lentamente, depois mais apressada, até que chega à velocidade original.
Recordações.
Boas e más.
E mexemos no tempo, para traz e para a frente. Brincamos com ele.
E assim, os momentos duram o tempo que nós queremos...Só não dura para sempre.
terça-feira, 27 de julho de 2010
E..Boas Férias!
"Esta é a altura do ano em que os portugueses, depois de um ano de trabalho (os que ainda têm trabalho), pegam nas suas economias (aqueles que não tinham o dinheiro em bancos que faliram), e vão agora de férias (aqueles que podem dar-se ao luxo de ter férias). E vão, de certeza, com a sensação de que deixam o País arrumado. O Presidente da República diz que a situação é insustentável. Um antigo Presidente e um candidato à Presidência dizem que ele não pode dizer que a situação é insustentável. O primeiro-ministro diz que estamos muito bem. A oposição diz que ele não pode dizer que estamos muito bem. Portanto, podemos ir de férias descansados. E esclarecidos.
A primeira tarefa do cidadão que começa a gozar o merecido descanso é pagar a não menos merecida sobretaxa de IRS sobre o subsídio de férias. O cidadão sabe, porque já lho disseram, que andou a viver acima das suas possibilidades, e por isso chegou a hora de pagar. O cidadão, que tem a mania das grandezas, pensou que podia viver à tripa-forra, num desses países modernos que premeiam os administradores das suas empresas com bónus milionários. Não, caro cidadão. Tudo isso lhe deu status e qualidade de vida, é indesmentível. Mas não é gratuito. Quem quer viver numa sociedade assim, paga.
A segunda tarefa é escolher um destino de férias. Tanto os destinos mais baratos, como uma semana com tudo pago nas Caraíbas, como os mais caros, como um fim-de-semana com meia pensão no Algarve, parecem excessivos para o seu orçamento. Uma hipótese é meter a família no carro e, como recomendou Cavaco Silva, ir para fora cá dentro. Uma opção que traz alguns problemas. Primeiro, há que meter gasolina, o que não é barato. Depois, talvez seja boa ideia comprar uma água e um papo-seco para a viagem. Mas com cautela, na medida em que o IVA sobre os bens essenciais subiu um por cento. Os milionários que tiverem dinheiro para depósito cheio e farnel poderão fazer-se à estrada, embora conscientes de que mais cedo ou mais tarde vão passar numa SCUT, daquelas que não eram pagas mas entretanto passaram a ser. Antes disso, num semáforo, ainda são capazes de topar com o ministro das Finanças com um chapéu virado ao contrário a pedir nem que seja a moeda mais pequena, em busca de receitas extraordinárias. Em princípio, depois de percorrer 50 quilómetros, o cidadão já não tem dinheiro e tem de voltar para casa. Essa é a terceira tarefa. Boa sorte."
A primeira tarefa do cidadão que começa a gozar o merecido descanso é pagar a não menos merecida sobretaxa de IRS sobre o subsídio de férias. O cidadão sabe, porque já lho disseram, que andou a viver acima das suas possibilidades, e por isso chegou a hora de pagar. O cidadão, que tem a mania das grandezas, pensou que podia viver à tripa-forra, num desses países modernos que premeiam os administradores das suas empresas com bónus milionários. Não, caro cidadão. Tudo isso lhe deu status e qualidade de vida, é indesmentível. Mas não é gratuito. Quem quer viver numa sociedade assim, paga.
A segunda tarefa é escolher um destino de férias. Tanto os destinos mais baratos, como uma semana com tudo pago nas Caraíbas, como os mais caros, como um fim-de-semana com meia pensão no Algarve, parecem excessivos para o seu orçamento. Uma hipótese é meter a família no carro e, como recomendou Cavaco Silva, ir para fora cá dentro. Uma opção que traz alguns problemas. Primeiro, há que meter gasolina, o que não é barato. Depois, talvez seja boa ideia comprar uma água e um papo-seco para a viagem. Mas com cautela, na medida em que o IVA sobre os bens essenciais subiu um por cento. Os milionários que tiverem dinheiro para depósito cheio e farnel poderão fazer-se à estrada, embora conscientes de que mais cedo ou mais tarde vão passar numa SCUT, daquelas que não eram pagas mas entretanto passaram a ser. Antes disso, num semáforo, ainda são capazes de topar com o ministro das Finanças com um chapéu virado ao contrário a pedir nem que seja a moeda mais pequena, em busca de receitas extraordinárias. Em princípio, depois de percorrer 50 quilómetros, o cidadão já não tem dinheiro e tem de voltar para casa. Essa é a terceira tarefa. Boa sorte."
Ricardo Araujo Pereira, in VISÃO
segunda-feira, 26 de julho de 2010
Cansaço
Querer fechar os olhos e não conseguir, e deles emanarem lágrimas secas, de cansaço também, de tão cansadas de chorar;caminhar e não parar, não querer não conseguir, de tão cansada de andar, correr; falar e não sair voz, sufocar de tão cansada, de gritar; escrever, contar, e de tão cansada,riscar, rasgar; comer, e de tanto cansaço não ter fome, cambalear; cansaço, é não saber o que dizer, e ter tanto para falar, cansaço
sexta-feira, 23 de julho de 2010
Passo a Passo...um ano depois!
Foi por acaso que ontem me dei conta que este espaço faz um ano. Um ano, 365 dias, 110 posts depois... Não sei se mudei a vida de alguém, se fiz alguém gostar do que escrevo, se cativei o gosto pela escrita ou se desiludi pessoas. Mas, sinceramente, não penso que isso seja o mais importante nem o objectivo disto. Aliás, não há objectivo.
Dei asas a palavras sem sentido, e brinquei com elas. Mostrei tolices que pessoas me disseram para mostrar, porque acho que elas tinham (e têm ) razão!
Fiz graças a este espaço, e mais do que antes, da escrita um hobby. Divulguei autores, excertos, e vídeos do que gostava. Mas ainda não sei por "contador de visitas" nem incorporar vídeos do YouTube, Nem por musicas, nem escrever muitas coisas sobre as quais gostava de um dia saber, e dar opinião. Ainda tenho muito, muito para aprender....dia a dia, passo a passo, um ano de cada vez...
Dei asas a palavras sem sentido, e brinquei com elas. Mostrei tolices que pessoas me disseram para mostrar, porque acho que elas tinham (e têm ) razão!
Fiz graças a este espaço, e mais do que antes, da escrita um hobby. Divulguei autores, excertos, e vídeos do que gostava. Mas ainda não sei por "contador de visitas" nem incorporar vídeos do YouTube, Nem por musicas, nem escrever muitas coisas sobre as quais gostava de um dia saber, e dar opinião. Ainda tenho muito, muito para aprender....dia a dia, passo a passo, um ano de cada vez...
quinta-feira, 22 de julho de 2010
Leituras...
Ler faz-nos ligar certos interruptores. Faz-nos ver os factos, e não as coisas. Ler é perceber a mente de cada personagem. Perceber os medos. Perceber as escolhas. Perceber as consequências das escolhas. Ler é mais do que folhear livros. Ler é perceber as relações causa-efeito, é perceber as 3 dimensões do tempo: presente, passado e futuro. É perceber o quanto nós mandamos na nossa vida, e como somos nós que, em último caso, podemos tudo. Ler é tocar em pontos de vista, em situações que não iríamos viver e pensar nelas. Ler é no fundo, estimular-nos a ser mais, e ser melhor. Ler é ligar interruptores da nossa mente, e perceber as coisas de fora para dentro, e de dentro para fora..
segunda-feira, 19 de julho de 2010
A maior lição que se tira de tudo, é que os erros do passado seriam facilmente evitados com coragem.
O futuro seria muito mais risonho se no presente arriscássemos mais.
Aqui, conseguimos ver as 3 dimensões do tempo: o presente, o passado, e o futuro. E perceber que o lado mais difícil das coisas é assumir. A partir do momento em que se assume, nada é mais fácil que a facilidade com que as coisas acontecem.
O futuro seria muito mais risonho se no presente arriscássemos mais.
Aqui, conseguimos ver as 3 dimensões do tempo: o presente, o passado, e o futuro. E perceber que o lado mais difícil das coisas é assumir. A partir do momento em que se assume, nada é mais fácil que a facilidade com que as coisas acontecem.
Sobre "Ao Anoitecer" de Susan Minot
quarta-feira, 14 de julho de 2010
Tudo e nada
Há coisas que começam e acabam, outras que simplesmente nunca terminam.
Há preto e branco que se transforma num arco-irís que por muitos minutos fica cinzento. Mas não deixa de ter cor.
Há coisas que fazem sorrisos, e há sorrisos que fazem e transformam muita coisas.
Pessoas: O que somos? Para que somos? Como vivemos.
Há preto e branco que se transforma num arco-irís que por muitos minutos fica cinzento. Mas não deixa de ter cor.
Há coisas que fazem sorrisos, e há sorrisos que fazem e transformam muita coisas.
Pessoas: O que somos? Para que somos? Como vivemos.
quinta-feira, 8 de julho de 2010
"A princípio bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas os nossos desejos são ainda mais complexos. Não basta que estejamos sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis. Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguer, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica e uma temporada num spa cinco estrelas. E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar à luz das velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito. É o que dá ver tanta televisão. Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista. Ter um parceiro constante pode ou não, ser sinónimo de felicidade. Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com um parceiro, feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio. Dinheiro é uma benção. Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado. E se temos pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade. Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável. Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno. Olhe para o relógio: hora de acordar. É importante pensar-se ao extremo, buscar lá dentro o que nos mobiliza, instiga e conduz, mas sem exigir-se desumanamente. A vida não é um jogo onde só quem testa seus limites é que leva o prémio. Não sejamos vítimas ingénuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se. Invente o seu próprio jogo. Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade. Ela transmite paz e não sentimentos fortes, que nos atormentam e provocam inquietude no nosso coração. Isso pode ser alegria, paixão, entusiasmo, mas não felicidade."
Mário Quintana
segunda-feira, 5 de julho de 2010
quarta-feira, 30 de junho de 2010
Horas contadas
Dia após dia, o tempo passa. O cabelo cresce, o corpo muda. Cortam-se unhas, surgem cabelos brancos. O tempo passa a voar. As perspectivas sobre a mesma coisa vão-se alterando ao longo do tempo. Com o avançar das horas, das horas da vida, crescemos, e chega a um ponto que as coisas, ou crescem, ou mudam. Seja como for, essas coisas dão lugar a coisas novas.
Cidadãos do mundo, o tempo está a passar. As horas são contadas, subdividindo-se em minutos, segundos... E até o mais milionésimo segundo, conta. A diferença entre cada cidadão está, no milionésimo de segundo que não se aproveita. No milionésimo de segundo que não se aproveita.
Cidadãos do mundo, o tempo está a passar. As horas são contadas, subdividindo-se em minutos, segundos... E até o mais milionésimo segundo, conta. A diferença entre cada cidadão está, no milionésimo de segundo que não se aproveita. No milionésimo de segundo que não se aproveita.
segunda-feira, 28 de junho de 2010
Tal e qual
Quantas palavras foram escritas? Quantas coisas foram ditas e desditas por causa disto? Quanto tempo perdemos, porque tempo não se ganha, só se esgota, com isto? Há quanto tempo isto já foi suficiente, e há quanto tempo isto continua a mais? O que é o correcto fazer no meio de tanta coisa errada? O que faz parar de doer aquilo que já de tanta dor, faz parte de nós. Como nos conseguimos separar daquilo que nos pertence? Falar sem engasgar, rir sem chorar, porque tudo se torna incompleto. Assim...
sábado, 26 de junho de 2010
(Des)igualdades
Caminhamos a passos largos para sitio nenhum. Saltamos obstáculos, mas não saltamos o tempo, esse, ou se espera que chegue, ou se esquece que passou.
Entre uma e outra situação está a diferença, entre o medo no primeiro e a coragem, no segundo.
Entre uma e outra situação está a diferença, entre o medo no primeiro e a coragem, no segundo.
quinta-feira, 24 de junho de 2010
Noites de dia
Houve um dia, que era noite, que tinha tom de dia.
Chego até ele através de uma máquina do tempo que foi construída por alguém, mas que eu adaptei à circunstância. Ela liga-se através de um fechar de olhos, põe-se em marcha com o perfume que percorre o tempo. E num instante chego lá. Aquele instante que fez com que houvesse sentido num cosmos caótico de coisas, que não se chamavam sentimentos, nem emoções, nem certezas. Montou-se um puzzle. Construiu-se um alicerce. Deu-se forma a muita coisa.
E a coisa ganhou forma, e ganhou a noite, um dia.
Chego até ele através de uma máquina do tempo que foi construída por alguém, mas que eu adaptei à circunstância. Ela liga-se através de um fechar de olhos, põe-se em marcha com o perfume que percorre o tempo. E num instante chego lá. Aquele instante que fez com que houvesse sentido num cosmos caótico de coisas, que não se chamavam sentimentos, nem emoções, nem certezas. Montou-se um puzzle. Construiu-se um alicerce. Deu-se forma a muita coisa.
E a coisa ganhou forma, e ganhou a noite, um dia.
quarta-feira, 23 de junho de 2010
"Eu sei que o meu desespero não interessa a ninguém.
Cada um tem o seu, pessoal e intransmissível:
com ele se entretém
e se julga intangível.
Eu sei que a Humanidade é mais gente do que eu,
sei que o Mundo é maior do que o bairro onde habito,
que o respirar de um só, mesmo que seja o meu,
não pesa num total que tende para infinito.
Eu sei que as dimensões impiedosos da Vida
ignoram todo o homem, dissolvem-no, e, contudo,
nesta insignificância, gratuita e desvalida,
Universo sou eu, com nebulosas e tudo."
Cada um tem o seu, pessoal e intransmissível:
com ele se entretém
e se julga intangível.
Eu sei que a Humanidade é mais gente do que eu,
sei que o Mundo é maior do que o bairro onde habito,
que o respirar de um só, mesmo que seja o meu,
não pesa num total que tende para infinito.
Eu sei que as dimensões impiedosos da Vida
ignoram todo o homem, dissolvem-no, e, contudo,
nesta insignificância, gratuita e desvalida,
Universo sou eu, com nebulosas e tudo."
António Gedeão
sábado, 19 de junho de 2010
De 1922 a 2010, abriu Mundos, e abriu Portugal ao Mundo. Pessoa, daquelas com maíuscula, que não tinha medo de Ser. José Saramago é assim:
"Esta palavra esperança, com maiúscula ou sem ela, o melhor é riscá-la do nosso vocabulário. Só os exilados e os desterrados que se conformaram com o desterro e o exílio a devem usar, à falta de melhor. Dá-lhes consolo e alívio. Os não conformados têm outra palavra mais enérgica: vontade."
Deixa-nos sempre com vontade de mais. De viver mais. De ser mais
"Esta palavra esperança, com maiúscula ou sem ela, o melhor é riscá-la do nosso vocabulário. Só os exilados e os desterrados que se conformaram com o desterro e o exílio a devem usar, à falta de melhor. Dá-lhes consolo e alívio. Os não conformados têm outra palavra mais enérgica: vontade."
“Esta palavra esperança”, in Deste Mundo e do Outro, Editorial Caminho, 7.ª ed., P. 153
(Selecção de Diego Mesa)
Deixa-nos sempre com vontade de mais. De viver mais. De ser mais
quarta-feira, 16 de junho de 2010
Pessoa. Fernado Pessoa
"Começo a conhecer-me. Não existo.
Sou o intervalo entre o que desejo ser e os outros me fizeram,
Ou metade desse intervalo, porque também há vida...
Sou isso, enfim...
Apague a luz, feche a porta e deixe de ter barulhos de chinelos no corredor.
Fique eu no quarto só com o grande sossego de mim mesmo.
É um universo barato."
Sou o intervalo entre o que desejo ser e os outros me fizeram,
Ou metade desse intervalo, porque também há vida...
Sou isso, enfim...
Apague a luz, feche a porta e deixe de ter barulhos de chinelos no corredor.
Fique eu no quarto só com o grande sossego de mim mesmo.
É um universo barato."
Álvaro de Campo
domingo, 13 de junho de 2010
Incurável
"O tempo não cura tudo. Aliás, o tempo não cura nada, o tempo apenas tira o incurável do centro das atenções."
Martha Medeiros
sexta-feira, 11 de junho de 2010
"Um Funeral à Chuva": Sonho em Tempo de crise
É de sonhos que nos movemos. E por mais que se diga, sonho não é sonho, se não se transformar em realidade. Só assim as coisas fazem sentido.
E este nosso pequeno País, a quem muitos defeitos é apontado, também temos coisas boas. Temos coisas muito nossas, muito com o nosso trabalho. "Nosso", que não é meu. Trata-se dum maravilhos e empenhado elenco, que deu tudo sem pedir nada, e que só quer divulgar o talento, as paisagens e a capacidade dos Portugueses. Crise não significa "falta de cultura". E por isso mesmo, e em nome da cultura, do cinema, e de Portugal, aviso todos de que nas salas de cinema, (embora nem em todas) está a passar "Um funeral a chuva" um filme já aqui divulgado, que por todas as suas caracteristicas, vale a pena ser visto!
Toca a aproveitar o fim-de-semana... o tempo não está bom para praias! Conheça este "sonho Português", debaixo da chuva.
O filme também ganhou um prémio aqui..É no post que falo sobre este filme que mais pessoas comentaram...Parabéns!
E este nosso pequeno País, a quem muitos defeitos é apontado, também temos coisas boas. Temos coisas muito nossas, muito com o nosso trabalho. "Nosso", que não é meu. Trata-se dum maravilhos e empenhado elenco, que deu tudo sem pedir nada, e que só quer divulgar o talento, as paisagens e a capacidade dos Portugueses. Crise não significa "falta de cultura". E por isso mesmo, e em nome da cultura, do cinema, e de Portugal, aviso todos de que nas salas de cinema, (embora nem em todas) está a passar "Um funeral a chuva" um filme já aqui divulgado, que por todas as suas caracteristicas, vale a pena ser visto!
Toca a aproveitar o fim-de-semana... o tempo não está bom para praias! Conheça este "sonho Português", debaixo da chuva.
O filme também ganhou um prémio aqui..É no post que falo sobre este filme que mais pessoas comentaram...Parabéns!
quinta-feira, 10 de junho de 2010
Palhaça da vida
O que eu queria mesmo era ser palhaça. A minha profissão seria fazer que estava contente, e fazer pessoas felizes, arrancar sorrisos e distribuir felicidade. Sendo palhaça, podia dizer disparates e fazer disparates. E ninguém me olharia de lado.
Seria feliz. Muito á minha maneira.
quarta-feira, 9 de junho de 2010
Hoje cruzei-me com este vídeo, "Mankind Is No Island", e dei conta que já o tinha visto, talvez há um ano. Enquanto o vídeo avançava, fui recordando e revivendo o que pensei, o que senti quando o vi pela primeira vez.
O vídeo foi inteiramente gravado através de telemóvel, em Sidney e Nova York, com um orçamento de 40 dólares, (equivalente a mais ou menos 50 Euros), por Jason Van Genderen. Ganhou a primeira edição do Tropfest NY 2008, o maior festival de curtas-metragens do Mundo, que começou por se realizar em Sidney, mas que também já conquistou os Estados Unidos.
Fiquei triste. Não só por ver o vídeo. Mas sobretudo por me dar conta que me tinha esquecido dele.
Vejam-no. Porque há coisas que não podemos esquecer...
O vídeo foi inteiramente gravado através de telemóvel, em Sidney e Nova York, com um orçamento de 40 dólares, (equivalente a mais ou menos 50 Euros), por Jason Van Genderen. Ganhou a primeira edição do Tropfest NY 2008, o maior festival de curtas-metragens do Mundo, que começou por se realizar em Sidney, mas que também já conquistou os Estados Unidos.
Fiquei triste. Não só por ver o vídeo. Mas sobretudo por me dar conta que me tinha esquecido dele.
Vejam-no. Porque há coisas que não podemos esquecer...
segunda-feira, 7 de junho de 2010
Adultos de crianças
O tempo saltitava entre gélidas noites, e reconfortantes dias. Era um tempo instável e emocionalmente desconcertante. Um tempo que fazia chorar e rir à gargalhada, que dizia "festa" , ou sussurrava "melancolia".
O tempo, esse tempo desconcertante, passava por entre as entranhas dos habitantes daquele povo, e deixava em cada entranha do ser, um pouco de tudo o que o Mundo tem.
Passo a passo, construía-se então, um povo do Mundo, um povo que absorvido pelo tempo desconcertante, ficava com um pouco de tudo, pela metade. Saiba falar de todas as terras, lugares, sabores, culturas, mas não lhe conhecia o cheiro, o sabor.Sabia reconhecer idiomas, línguas, mas não os sabia falar.
Num dos tempos desse tempo, veio vindo da lua ou de outro lugar distante, ninguém soube ao certo, um vento de aventura. E nesse povo do Mundo, que em tanto se achava dono de tudo, descobriu de novo a curiosidade de conhecer. E um dos rostos desse povo, deixou de ser rosto e passou a ser pessoa. Ganhou identidade, e ficou a conhecer por si as maravilhas do mundo. E o Mundo deixou de ser do povo. E nasceu um novo Mundo, o seu mundo.
E assim, o Homem e a Humanidade começou a pensar. Por si. Pensar por si.
O tempo, esse tempo desconcertante, passava por entre as entranhas dos habitantes daquele povo, e deixava em cada entranha do ser, um pouco de tudo o que o Mundo tem.
Passo a passo, construía-se então, um povo do Mundo, um povo que absorvido pelo tempo desconcertante, ficava com um pouco de tudo, pela metade. Saiba falar de todas as terras, lugares, sabores, culturas, mas não lhe conhecia o cheiro, o sabor.Sabia reconhecer idiomas, línguas, mas não os sabia falar.
Num dos tempos desse tempo, veio vindo da lua ou de outro lugar distante, ninguém soube ao certo, um vento de aventura. E nesse povo do Mundo, que em tanto se achava dono de tudo, descobriu de novo a curiosidade de conhecer. E um dos rostos desse povo, deixou de ser rosto e passou a ser pessoa. Ganhou identidade, e ficou a conhecer por si as maravilhas do mundo. E o Mundo deixou de ser do povo. E nasceu um novo Mundo, o seu mundo.
E assim, o Homem e a Humanidade começou a pensar. Por si. Pensar por si.
sábado, 5 de junho de 2010
E talvez seja tudo matemática
E agora lembrei-me duma que convém não esquecer:
Cada pessoa é uma sucessão, daquelas que damos na escola. Há sucessões equivalentes, sucessões simples, sucessões infinitas. E há aquela sucessão que amamos. Nessa, o nominador deverá ser simétrico à quantidade de amor que sentimos pela pessoa. Depois, o denominador será o número natural de defeitos que essa pessoa tiver.
E depois tudo dependerá do amor que se sentir. Se for infinitamente grande, o seu simétrico é Zero. E aí, por maiores que sejam os seus defeitos, estes nunca terão importância, porque, Zero a dividir por um valor, seja este qual seja, será sempre Zero.
Por isso, magoamo-nos, caimos, levantamo-nos, e esquecemos. Se amamos realmente, confiamos, e não desconfiamos, não vimos o que todos vêm, e cambaleamos entre este mundo e o outro, sem niguém a segurar a nossa mão, sem ninguém com quer partilhar o que não queremos partilhar.
E mesmo assim, continuamos a amar.
E isto justifica muitas coisas...
Cada pessoa é uma sucessão, daquelas que damos na escola. Há sucessões equivalentes, sucessões simples, sucessões infinitas. E há aquela sucessão que amamos. Nessa, o nominador deverá ser simétrico à quantidade de amor que sentimos pela pessoa. Depois, o denominador será o número natural de defeitos que essa pessoa tiver.
E depois tudo dependerá do amor que se sentir. Se for infinitamente grande, o seu simétrico é Zero. E aí, por maiores que sejam os seus defeitos, estes nunca terão importância, porque, Zero a dividir por um valor, seja este qual seja, será sempre Zero.
Por isso, magoamo-nos, caimos, levantamo-nos, e esquecemos. Se amamos realmente, confiamos, e não desconfiamos, não vimos o que todos vêm, e cambaleamos entre este mundo e o outro, sem niguém a segurar a nossa mão, sem ninguém com quer partilhar o que não queremos partilhar.
E mesmo assim, continuamos a amar.
E isto justifica muitas coisas...
Coincidencia
Coincidencia foi eu quase não ter ido, mas ir.
Depois, foi ainda mais coincidencia sentar-me onde me sentei, olhar da maneira que olhei, sentir da maneira que senti.
Foi minha culpa fazer com que nada mais fosse feito.
E a seguir, foi coincidencia ter-te visto. Coincidencia sentir-te a olhar. E mais coincidencia ainda isso não acontecer só uma vez.
E a coincidencia volta a acontecer, quando, passado tanto tempo de coincidencias, elas continuarem a acontecer. Foi coincidencia sair de casa naquele dia. Coincidencia estares la naquele dia. Coincidencia conversarmos naquele dia. Coincidencia também o e-mail, coincidencia tudo. E foi ainda mais coincidencia gostarmos das mesmas coisas, conversarmos sem tempo. E maior das coincidencias, foi fugirmos e voltarmos atrás, uma e outra vez por não dar para estar longe. E as coincidencias não acabam. Até foi coincidencia aquela conversa, naquele dia. Aquela carta sempre a sair.O resultado dos jogos por acaso adivinhado, por acaso jogados. Coincidencias, não passava disso.
Ou será que não?
Depois, foi ainda mais coincidencia sentar-me onde me sentei, olhar da maneira que olhei, sentir da maneira que senti.
Foi minha culpa fazer com que nada mais fosse feito.
E a seguir, foi coincidencia ter-te visto. Coincidencia sentir-te a olhar. E mais coincidencia ainda isso não acontecer só uma vez.
E a coincidencia volta a acontecer, quando, passado tanto tempo de coincidencias, elas continuarem a acontecer. Foi coincidencia sair de casa naquele dia. Coincidencia estares la naquele dia. Coincidencia conversarmos naquele dia. Coincidencia também o e-mail, coincidencia tudo. E foi ainda mais coincidencia gostarmos das mesmas coisas, conversarmos sem tempo. E maior das coincidencias, foi fugirmos e voltarmos atrás, uma e outra vez por não dar para estar longe. E as coincidencias não acabam. Até foi coincidencia aquela conversa, naquele dia. Aquela carta sempre a sair.O resultado dos jogos por acaso adivinhado, por acaso jogados. Coincidencias, não passava disso.
Ou será que não?
quinta-feira, 3 de junho de 2010
segunda-feira, 31 de maio de 2010
Lado
Ia já frio o dia, e isso adivinhava uma hora tardia. Pelo meio de murmúrios acesos em faiscas de muitas coisas que com o tempo ficaram por dizer, o olhar que se entre cruzava de quando em vez, queimava.
Em flashback passa-nos por uns segundos de memória, sem a exactidão de ser um dèjávu, ou um sonho ilusório, qualquer coisa como tudo o que poderia ter sido.
Muito tempo passou. Anos, ou simplesmente dias, não sei ao certo.
Foram as nossas decisões, foi a nossa escolha, é agora a nossa vida. É este o nosso tempo.
Em flashback passa-nos por uns segundos de memória, sem a exactidão de ser um dèjávu, ou um sonho ilusório, qualquer coisa como tudo o que poderia ter sido.
Muito tempo passou. Anos, ou simplesmente dias, não sei ao certo.
Foram as nossas decisões, foi a nossa escolha, é agora a nossa vida. É este o nosso tempo.
sábado, 29 de maio de 2010
"A dor que dói mais"
"Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, dóem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim. Mas o que mais dói é saudade.
Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que já morreu. Saudade de um amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, quando se tinha mais audácia e menos cabelos brancos. Dóem essas saudades todas.
Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida. Você podia ficar na sala e ele no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o aeroporto e ele para o dentista, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-lo, ele o dia sem vê-la, mas sabiam-se amanhã. Mas quando o amor de um acaba, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.
Saudade é não saber. Não saber mais se ele continua se gripando no inverno. Não saber mais se ela continua clareando o cabelo. Não saber se ele ainda usa a camisa que você deu. Não saber se ela foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ele tem comido frango de padaria, se ela tem assistido as aulas de inglês, se ele aprendeu a entrar na Internet, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua fumando Carlton, se ela continua preferindo Pepsi, se ele continua sorrindo, se ela continua dançando, se ele continua pescando, se ela continua lhe amando.
Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.
Saudade é não querer saber. Não querer saber se ele está com outra, se ela está feliz, se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais querer saber de quem se ama, e ainda assim, doer."
Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que já morreu. Saudade de um amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, quando se tinha mais audácia e menos cabelos brancos. Dóem essas saudades todas.
Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida. Você podia ficar na sala e ele no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o aeroporto e ele para o dentista, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-lo, ele o dia sem vê-la, mas sabiam-se amanhã. Mas quando o amor de um acaba, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.
Saudade é não saber. Não saber mais se ele continua se gripando no inverno. Não saber mais se ela continua clareando o cabelo. Não saber se ele ainda usa a camisa que você deu. Não saber se ela foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ele tem comido frango de padaria, se ela tem assistido as aulas de inglês, se ele aprendeu a entrar na Internet, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua fumando Carlton, se ela continua preferindo Pepsi, se ele continua sorrindo, se ela continua dançando, se ele continua pescando, se ela continua lhe amando.
Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.
Saudade é não querer saber. Não querer saber se ele está com outra, se ela está feliz, se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais querer saber de quem se ama, e ainda assim, doer."
Martha Medeiros
quinta-feira, 27 de maio de 2010
"Um funeral à chuva", um filme de Telmo Martins
Português, e bom, pelo que o trailler demonstra. Só não consigo por aqui o video. Mas espero que valha a pena ver!
Porque "o inseperado te faz voltar ao passado"!
"Pela forma como o filme foi feito, sem qualquer apoio estatal e com os actores e técnicos a trabalharem sem receber nada, devemos todos ir assistir, não só para ajudar, mas também porque o filme é mesmo bom." (comentário de alguém que viu a antestreia)
Porque "o inseperado te faz voltar ao passado"!
"Pela forma como o filme foi feito, sem qualquer apoio estatal e com os actores e técnicos a trabalharem sem receber nada, devemos todos ir assistir, não só para ajudar, mas também porque o filme é mesmo bom." (comentário de alguém que viu a antestreia)
terça-feira, 25 de maio de 2010
Hoje
Hoje uma folha branca não chega. Hoje não chega o sol, hoje não chega um sorriso, uma mensagem. Hoje nem o Mundo chega. Este meu Mundo, que embora feérico, e com pedaços de irreal, não tem a tua presença, nem o teu cheiro, nem o teu olhar. Hoje, no meu Mundo, tudo isso seria essencial. Tudo isso me faria ter os olhos abertos.
Hoje, tanto mais do que ontem, quero-te aqui.
Hoje, tanto mais do que ontem, quero-te aqui.
segunda-feira, 24 de maio de 2010
quinta-feira, 20 de maio de 2010
A ordem das coisas
Á vezes, pensamos da de traz para a frente, pela ordem correcta das coisas, e quando chegamos ao ponto que nos faz doer, ripostamos, esperneamos, e queremos que o nosso cérebro ensine o nosso coração a parar de doer, a parar de nos fazer pensar. Obrigamos a nossa mente a acreditar que tudo foi um equivoco, uma ilusão de óptica. E paramos. E pomo-nos a pensar ao contrario. Da frente para traz. E quando acabamos, já não sentimos a dor, porque ela é apaguisada por todos os outros momentos. Pelo Natal assinalado, pelo Ano Novo desejado. Por todos os parabéns, pelas gargalhadas, pelos sorrisos, e pelas conversas cúmplices, que tinham palavras, mas que pouco precisavam delas.
E as conclusões fogem de nós. E ironicamente, a saudade nostálgica domina-nos o corpo e a mente...
E as conclusões fogem de nós. E ironicamente, a saudade nostálgica domina-nos o corpo e a mente...
quarta-feira, 19 de maio de 2010
domingo, 16 de maio de 2010
Saudosismo
'a saudade não constrói. não é possível avançar enquanto se olha para trás. o saudosista chora, no presente, por aquilo que se riu no passado. nunca está feliz. eu prefiro ser sonhadora e gozar hoje com o sol que fará amanhã - ou não fará, mas entretanto eu já o gozei. prefiro, sobretudo, aproveitar o sol que brilha neste exacto instante. o sol de hoje, por muito fraco, há-de ser sempre mais brilhante que o de ontem.'
Não sei quem escreveu. Mas gosto!
quinta-feira, 13 de maio de 2010
Dèja vu
Pareceu-me que alguém puxava o cabelo longo, espesso, mal apanhado. O resultado de desleixo, adiamentos de idas ao cabeleireiro, estava à vista. Pontas sem disciplina, cabelo sem corte. E o puxão foi delicado e suave. Deixou-se de ouvir a música, deixou-se de sentir o frio. Era impossível, mas estavas aqui. Não durou mais de uns segundos. Mas foi real. Virei-me mais por instinto que por outra coisa, e juro que se não tivesse constipada teria cheirado o perfume, o teu perfume. Agora encontro-me algures a flutuar entre a realidade e os sonhos.
Mas não serão, afinal, a mesma coisa?
Mas não serão, afinal, a mesma coisa?
quarta-feira, 12 de maio de 2010
"Como explicar-te como tudo isto se te tornou alheio, como tudo te pareceria agora estranho, como nada do que foi teu vigia o teu hipotético regresso? (...) E arranquei a página da agenda com o teu nome e o teu número de telefone. Veio a seguir Abril e depois o Verão. Vi nascer a flor da tremocilha e das buganvílias adormecidas, vi rebentar o azul dos jacarandás em Junho, vi noites de lua cheia em que todos os animais nocturnos se chamavam rãs, corujas e grilos, e um espesso calor sobre a devassidão da cidade. E já nada disto, juro, era teu. E foi assim que descobri que todas as coisas continuam para sempre, como um rio que corre ininterruptamente para o mar, por mais que façam para o deter.
Sabes, quem não acredita em Deus, acredita nestas coisas, que tem como evidentes. Acredita na eternidade das pedras e não na dos sentimentos; acredita na integridade da água, do vento, das estrelas. Eu acredito na continuidade das coisas que amamos, acredito que para sempre ouviremos o som da água no rio onde tantas vezes mergulhámos a cara, para sempre passaremos pela sombra da árvore onde tantas vezes parámos, para sempre seremos a brisa que entra e passeia pela casa, para sempre deslizaremos através do silêncio das noites quietas em que tantas vezes olhámos o céu e interrogámos o seu sentido. Nisto eu acredito: na veemência destas coisas sem princípio nem fim, na verdade dos sentimentos nunca traídos.
E a tua voz ouço-a agora, vinda de longe, como o som do mar imaginado dentro de um búzio. Vejo-te através da espuma quebrada na areia das praias, num mar de Setembro, com cheiro a algas e a iodo. E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente. Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros. Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram. Não perdi nada, apenas ilusões de que tudo podia ser meu para sempre. "
Sabes, quem não acredita em Deus, acredita nestas coisas, que tem como evidentes. Acredita na eternidade das pedras e não na dos sentimentos; acredita na integridade da água, do vento, das estrelas. Eu acredito na continuidade das coisas que amamos, acredito que para sempre ouviremos o som da água no rio onde tantas vezes mergulhámos a cara, para sempre passaremos pela sombra da árvore onde tantas vezes parámos, para sempre seremos a brisa que entra e passeia pela casa, para sempre deslizaremos através do silêncio das noites quietas em que tantas vezes olhámos o céu e interrogámos o seu sentido. Nisto eu acredito: na veemência destas coisas sem princípio nem fim, na verdade dos sentimentos nunca traídos.
E a tua voz ouço-a agora, vinda de longe, como o som do mar imaginado dentro de um búzio. Vejo-te através da espuma quebrada na areia das praias, num mar de Setembro, com cheiro a algas e a iodo. E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente. Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros. Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram. Não perdi nada, apenas ilusões de que tudo podia ser meu para sempre. "
in "Não te deixarei morrer, David Crockett" de Miguel Sousa Tavares
domingo, 9 de maio de 2010
Fazer viver
As grandes histórias de amor nunca acabam com "viveram felizes para sempre". Porque só quando se ama a sério é que somos capazes de ver alguém feliz (mesmo que não seja a 100%), e não lhe estragar a felicidade. Não fazer feitiços, boatos, artimanhas ou explosões de verdade que nos fazem contar tudo.
Só quando se ama a sério se consegue amar para sempre.
Só quando se ama a sério se consegue fazer uma grande história de amor, e conta-la a sobrinhos, filhos, netos. Conta-la a um jovem sentado num banco de jardim quando esperamos que o sol aqueça os ossos, e lhe tirem o caruncho dos tempos. Conta-la com o olhar longe, tão longe que nem sabemos bem onde está. Conta-la com o mesmo brilho nos olhos, com o mesmo sorriso que a vivemos. Ensinar alguém com os nossos erros, fazer alguém sonhar.
Deixar viver a historia...
Só quando se ama a sério se consegue amar para sempre.
Só quando se ama a sério se consegue fazer uma grande história de amor, e conta-la a sobrinhos, filhos, netos. Conta-la a um jovem sentado num banco de jardim quando esperamos que o sol aqueça os ossos, e lhe tirem o caruncho dos tempos. Conta-la com o olhar longe, tão longe que nem sabemos bem onde está. Conta-la com o mesmo brilho nos olhos, com o mesmo sorriso que a vivemos. Ensinar alguém com os nossos erros, fazer alguém sonhar.
Deixar viver a historia...
sábado, 8 de maio de 2010
O tempo que não é eterno
Quando se racionaliza e se pensa demais, as decisões surgem tarde demais,e sejam elas quais forem, já não valem de nada.
Daqui a uns tempos, será que temos tempo?
terça-feira, 4 de maio de 2010
Querer
Queria um abraço grande. Tão grande quanto grande é o Universo. Um abraço em expansão, onde cada vez mais juntos, aumentássemos tudo... Queria um chão. Queria um céu. Queria uma estrela que não me transformasse num buraco negro. Queria que tudo fosse fechado numa caixinha de fósforos, que seria tão densa quanto toneladas de coisas densas. Queria um sorriso. E queria o Universo.
sábado, 1 de maio de 2010
terça-feira, 27 de abril de 2010
Mais do que dizer,
A noite era fria. De um inesgotável sentido de humor nascem amizades que se prolongam noite a dentro, vida fora...
De (re)encontros se formam novas perspectivas de uma realidade feérica e sobre natural. Trespassa-nos o não querermos transparecer. Soluçamos verdades congeladas por aquela noite tão gelada...cantamos sozinhos melodias sem musica, de quem nunca mais se lembramos da letra.
De quando em vez, em sintonia com o pensamento, uma estrela cadente dá-nos coragem para sorrir e seguir em frente. Para agarrar com a bênção da sorte – acaso – do destino a oportunidade de ser tudo.
Completamente vazio, o balão de Hélio voa e mostra a quem se aventura o bom que é andar no céu.
Cheios disto que tanto é, e que tanto se desvaloriza, já andei por sítios onde nunca esperei ir. Mundos mágicos muito, muito especiais, que sempre andaram pela esquina da nossa vida. Com as portas deste Mundo tão nosso abertas, viajamos sem bilhete pela imaginação, pela felicidade, pela luz...
Não conta nada do que se espera que conte. Somos livres antes de sermos qualquer coisa, e a tal magia faz com que aconteça o que o coração manda. E que se lixe tudo. Tudo conta, e tudo não serve para nada, tudo é quente com tanto disto, com tanto de nós. Ganhamos mutuamente, independente do que venha, do que exista, do que se tenha coragem para fazer.
Teremos sempre aquele lugar especial.
De (re)encontros se formam novas perspectivas de uma realidade feérica e sobre natural. Trespassa-nos o não querermos transparecer. Soluçamos verdades congeladas por aquela noite tão gelada...cantamos sozinhos melodias sem musica, de quem nunca mais se lembramos da letra.
De quando em vez, em sintonia com o pensamento, uma estrela cadente dá-nos coragem para sorrir e seguir em frente. Para agarrar com a bênção da sorte – acaso – do destino a oportunidade de ser tudo.
Completamente vazio, o balão de Hélio voa e mostra a quem se aventura o bom que é andar no céu.
Cheios disto que tanto é, e que tanto se desvaloriza, já andei por sítios onde nunca esperei ir. Mundos mágicos muito, muito especiais, que sempre andaram pela esquina da nossa vida. Com as portas deste Mundo tão nosso abertas, viajamos sem bilhete pela imaginação, pela felicidade, pela luz...
Não conta nada do que se espera que conte. Somos livres antes de sermos qualquer coisa, e a tal magia faz com que aconteça o que o coração manda. E que se lixe tudo. Tudo conta, e tudo não serve para nada, tudo é quente com tanto disto, com tanto de nós. Ganhamos mutuamente, independente do que venha, do que exista, do que se tenha coragem para fazer.
Teremos sempre aquele lugar especial.
domingo, 25 de abril de 2010
Espingardas em Flor
Foi contra os "não digas isso", os "não faças aquilo", foi contra o "quero fazer mas não posso". Há 36 anos por esta altura, foi por isso que se lutou. Por uma liberdade justa, e transparente. Por uma liberdade com responsabilidade, e com igualdade. Para sorrisos abertos, e mentes adequadas ao século que se vivia. Foi graças ás vozes que não se calaram, aos que negaram cruzar os braços, aos que decidiram dizer o que achavam, e fazer o que pensavam, que posso estar hoje a escrever sem sofrer censura, que posso estar numa escola com rapazes e raparigas, que posso beber coca-cola, e ler e ouvir a musica que quero, e aprender coisas realmente importantes. Foi graças ao dia 25 de Abril de 1974 que sou livre. Que posso quebrar a liberdade e sofrer as consequências. Que posso ser eu sem medo de ir presa, ser torturada, mutilada, ou olhada de lado (bem, olhada de lado, nem sempre...)
O 25 de Abril começou à 36 anos, mas ainda não acabou. Passo a passo, dia a dia, cada um de nós faz uma pouco desta revolução, ao expressar-se quando ninguém espera, ao contrariar uma opinião, ao dizer "não" ou a ter o direito de não estar satisfeito com as coisas.
O Mundo não tem de ser poticamente correcto. Defeitos existem e são para nos tornar ainda mais únicos neste cosmos. A liberdade existe não para ser quebrada ou censurada, mas para ser responsabilizada.
Como li à uns tempos num jornal: "Educar e viver em liberdade dá mais trabalho, mas também vale mais a pena".
O 25 de Abril começou à 36 anos, mas ainda não acabou. Passo a passo, dia a dia, cada um de nós faz uma pouco desta revolução, ao expressar-se quando ninguém espera, ao contrariar uma opinião, ao dizer "não" ou a ter o direito de não estar satisfeito com as coisas.
O Mundo não tem de ser poticamente correcto. Defeitos existem e são para nos tornar ainda mais únicos neste cosmos. A liberdade existe não para ser quebrada ou censurada, mas para ser responsabilizada.
Como li à uns tempos num jornal: "Educar e viver em liberdade dá mais trabalho, mas também vale mais a pena".
Olá, calor!
O calor faz-nos ficar assim, felizes sem motivo.
Mesmo sem motivo nenhum.
E o brilho nos olhos permanece...
sábado, 24 de abril de 2010
Um outro lado...da moeda
Poema da Terra Adubada
Por detrás das árvores não se escondem faunos, não.
Por detrás das árvores escondem-se os soldados
com granadas de mão.
As árvores são belas com os troncos dourados.
São boas e largas para esconder soldados.
Não é o vento que rumoreja nas folhas,
não é o vento, não.
São os corpos dos soldados rastejando no chão.
O brilho súbito não é do limbo das folhas verdes reluzentes.
É das lâminas das facas que os soldados apertam entre os dentes.
As rubras flores vermelhas não são papoilas, não.
É o sangue dos soldados que está vertido no chão.
Não são vespas, nem besoiros, nem pássaros a assobiar.
São os silvos das balas cortando a espessura do ar.
Depois os lavradores
rasgarão a terra com a lâmina aguda dos arados,
e a terra dará vinho e pão e flores
adubada com os corpos dos soldados.
Por detrás das árvores escondem-se os soldados
com granadas de mão.
As árvores são belas com os troncos dourados.
São boas e largas para esconder soldados.
Não é o vento que rumoreja nas folhas,
não é o vento, não.
São os corpos dos soldados rastejando no chão.
O brilho súbito não é do limbo das folhas verdes reluzentes.
É das lâminas das facas que os soldados apertam entre os dentes.
As rubras flores vermelhas não são papoilas, não.
É o sangue dos soldados que está vertido no chão.
Não são vespas, nem besoiros, nem pássaros a assobiar.
São os silvos das balas cortando a espessura do ar.
Depois os lavradores
rasgarão a terra com a lâmina aguda dos arados,
e a terra dará vinho e pão e flores
adubada com os corpos dos soldados.
António Gedeão, in 'Linhas de Força'
quarta-feira, 21 de abril de 2010
Certamente
A diferença entre tudo, é a do tempo. Ele não faz nada ser Para Sempre. Faz as coisas durarem para sempre. Para Sempre, é intensidade e não temporalidade, é o tudo no meio do nada, quebrando leis de Homens que nunca sentiram assim.
O tempo é ilusão. Tal como a proximidade. Quantas vezes se sentimos proximos de quem está longe, e longe de quem está proximo? Temos saudades de quem está ao nosso lado. Preocupamos-se com a distância fisicia, e esquecemos a psicologica.
Somos Humanos. Embora nem todos, alguns apenas. E ser Humano implica reconhecer que Para Sempre é importante, e o tempo, no fundo é argumento dos falhados.
O tempo é ilusão. Tal como a proximidade. Quantas vezes se sentimos proximos de quem está longe, e longe de quem está proximo? Temos saudades de quem está ao nosso lado. Preocupamos-se com a distância fisicia, e esquecemos a psicologica.
Somos Humanos. Embora nem todos, alguns apenas. E ser Humano implica reconhecer que Para Sempre é importante, e o tempo, no fundo é argumento dos falhados.
Para Sempre.
segunda-feira, 19 de abril de 2010
Sentieiras
Remontamos muitos séculos de história. Personalidades, acontecimentos, e lendas cruzam as ruas da Aldeia. Mas não disso que se fala. Fala-se do mérito, esforço, sentido de equipa, camaradagem, e luta que se põe em cada actividade que se faz aqui. Há quem não dê valor, nem importância. Mas é isso que importa?! Importa os factos, e para estes casos também importa comparações. Somos dos poucos sitios que tem vida para além da vida familiar, dos poucos sitios em que as pessoas, embora nem tantas vezes como gostariam, têm actividades para assim passarem de maneira diferente os dias, sem se terem de deslocar a outros sitios. Somos únicos.
E mais uma vez, fomos únicos. Entre os oito melhores do distrito de Santarém no campeonato Inatel. Uma terra que, quem passa só de passagem, e não conhece, não dá valor, e desvaloriza. Mas somos dos bons.
Dentro e fora de campo, tal como em muitas outras coisas, Sentieiras está na linha da frente. Sentieiras está em primeiro.
E mais uma vez, fomos únicos. Entre os oito melhores do distrito de Santarém no campeonato Inatel. Uma terra que, quem passa só de passagem, e não conhece, não dá valor, e desvaloriza. Mas somos dos bons.
Dentro e fora de campo, tal como em muitas outras coisas, Sentieiras está na linha da frente. Sentieiras está em primeiro.
Parabéns a todos! Porque "Ninguém pára as Sentieiras!!"
sexta-feira, 16 de abril de 2010
Chamamentos
Com o sono prestes a declarar Guerra sobre um corpo cansado e sem força, oiço uma energia que me ordena que te deixe um último sinal de existencia, de sentimento, de pessoa.
Percorro o meu infímo pela enésima vez, e continuo sem encontrar a brecha de inveja. Concluo então, que são ensinuações. Os adjectivos, tal como as acções, ficam com quem os diz.
E teimo em pestanejar lenta e demoradamente os olhos, e pesadamente digito as letras, silabas palavras... Tento controlar os dedos, para que não escrevam mais do que devem, levados pelo sono. Um dia, talvez, conte um história para adormecer.
Lentamente, fecho os olhos, e a real dormescência transforma-se num mundo de sonhos.
Percorro o meu infímo pela enésima vez, e continuo sem encontrar a brecha de inveja. Concluo então, que são ensinuações. Os adjectivos, tal como as acções, ficam com quem os diz.
E teimo em pestanejar lenta e demoradamente os olhos, e pesadamente digito as letras, silabas palavras... Tento controlar os dedos, para que não escrevam mais do que devem, levados pelo sono. Um dia, talvez, conte um história para adormecer.
Lentamente, fecho os olhos, e a real dormescência transforma-se num mundo de sonhos.
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Também é isto que eu acho..
sábado, 10 de abril de 2010
Anatomia
Fiquei a conhecer a anatomia das tuas mãos. Todos os contornos, refegos, altos e baixos. Fiquei a conhecer a textura da tua pele, o macio toque que ela provoca, e até os seus impulsos nervosos, que chegavam até mim como suaves choques electricos. Percebi como é ter as mãos quentes através do calor emanado pelas tuas. E desejei conhecer mais do que as mãos.
E percebi como se faz parar o Mundo. Como se faz para nada mais importar. Como tu me fazes feliz.
E percebi como se faz parar o Mundo. Como se faz para nada mais importar. Como tu me fazes feliz.
sexta-feira, 9 de abril de 2010
Conversas Confusas
Com muita coisa sem nome. Porque nunca ninguem deu nome a isto. Ou eu nunca o ouvi, uma descrição disto com um nome a frente. Há coisas raras. Conheço muitas coisas raras. E conheço estas coisas sem nome, únicas, que me fazem ser tudo, e te fazem ser tanto.
Sem jeito, sem lógica, tal como tu me deixas
Sem jeito, sem lógica, tal como tu me deixas
quinta-feira, 8 de abril de 2010
Muito mais que-qual-quer-coisa
Muito mais que o vento, e que um gelado num quente dia de Verão. Muito mais do que chinelo no pé, que salto alto. Muito mais que sorrisos, que lágrimas. Muito mais que fruta, que doces, que salgados. Muito mais que brincadeiras ou coisas sérias, ou sérias maneiras de falar a brincar. Muito mais que balões no céu azul, que premonições de sol e de chuva.
Muito, mas muito mais, que seja o que for.
terça-feira, 6 de abril de 2010
segunda-feira, 5 de abril de 2010
Nossa Paixão
" A razão porque doi tanto separarmo-nos é porque as nossas almas estão ligadas. Talvez sempre tenham estado e sempre o fiquem. Talvez tenhamos vivido milhares de vidas antes desta, e em cada uma delas nos tenhamos reencontrado. E talvez que em cada uma tenhamos sido separados pelos mesmos motivos. Isto significa que esta despedida é, ao mesmo tempo um adeus pelos últimos dez mil anos e um prelúdio ao que virá.
Quando olho para ti vejo a tua beleza e graça, e sei que cresceram mais fortes com cada vida que viveste. E sei que gastei todas as vidas antes desta à tua procura. Não de alguém como tu, mas de ti, porque a tua alma e a minha têm que andar sempre juntas. E assim, por uma razão que nenhum de nós entende, fomos obrigados a dizer-nos adeus.
Adoraria dizer-te que tudo correrá bem para nós, e prometo fazer tudo o que puder para garantir que assim será, mas se nunca nos voltarmos a encontrar outra vez, e isto for verdadeiramente um adeus, sei que nos veremos, ainda noutra vida. Iremos encontrar-nos de novo, e talvez as estrelas tenham mudado, e nós não apenas nos amemos nesse tempo, mas por todos os tempos que tivemos antes."
Quando olho para ti vejo a tua beleza e graça, e sei que cresceram mais fortes com cada vida que viveste. E sei que gastei todas as vidas antes desta à tua procura. Não de alguém como tu, mas de ti, porque a tua alma e a minha têm que andar sempre juntas. E assim, por uma razão que nenhum de nós entende, fomos obrigados a dizer-nos adeus.
Adoraria dizer-te que tudo correrá bem para nós, e prometo fazer tudo o que puder para garantir que assim será, mas se nunca nos voltarmos a encontrar outra vez, e isto for verdadeiramente um adeus, sei que nos veremos, ainda noutra vida. Iremos encontrar-nos de novo, e talvez as estrelas tenham mudado, e nós não apenas nos amemos nesse tempo, mas por todos os tempos que tivemos antes."
Excerto do Livro de Nicholas Sparks "Diário da nossa Paixão"
domingo, 4 de abril de 2010
quarta-feira, 31 de março de 2010
Não posso adiar o amor para outro século
Não posso
Ainda que o grito sufoque na garganta
Ainda que o ódio estale e crepite e arda
Sob montanhas cinzentas
E montanhas cinzentas
Não posso adiar este abraço
Que é uma arma de dois gumes
Amor e ódio
Não posso adiar
Ainda que a noite pese séculos sobre as costas
E a aurora indecisa demore
Não posso adiar para outro século a minha vida
Nem o meu amor
Nem o meu grito de libertação
Não posso adiar o coração
A. Ramos Rosa, A Mão de Água e a Mão de Fogo
segunda-feira, 29 de março de 2010
Uma questão mental
Foi anti-natural usar escravos durante milhares de anos. Pareceu-nos imensamente esquisito (bem, talvez a palavra certa seja mais... escandaloso) quando os cientistas falaram pela primeira vez num antepassado comum entre humanos e macacos. No entanto, hoje em dia achamos normal (e até fazemos um certo ar de gozo se alguém nos vem com a conversa do Adão e Eva).
E os homens primitivos viviam em grutas. Hoje temos confortáveis casas. E ao pensarmos em como as coisas já foram, pensamos “como foi possível?”.
Não há muito tempo, as mulheres não usavam calças, andavam de lenço na cabeça e olhar vidrado no chão. Hoje, se nos cruzarmos com alguém assim, temos pena dessa pessoa.
Pensamos disto tudo, o como à algum tempo éramos retrógrados, mentes fechadas e oprimidas.
Hoje em dia fala-se de uma crise de falta de amor. E perante preconceitos, sociedades que não aprendem com os erros do passado, algumas minorias levantam a voz. E dizem aos casais Heterossexuais “Hello! Nós temos milhares contra nós, mas lutamos pelo amor que sentimos, e vocês, por causa de meia dúzia de pessoas, desistem! Vocês muitas vezes podem ter filhos e maltratam, e não querem, e abandonam. Nós queremos e não nos deixam!”
Dogma (ou não), dos casais homossexuais dizem ser pessoas mais sensíveis. Serão piores pais que os “ Pais profissionais”, tão característicos deste século, que estão com os filhos quando vêm televisão, ou quando estão no transito, ou...bem em mais lado nenhum.
Segundo o panorama geral, os homossexuais não têm nos seus requisitos para adopção (quando o fazem como pessoa individual) o conceito de “criança por catálogo”, tão presente como os casais heterossexuais.
Em causa esta uma legalidade. Uma “estúpida lei” que vai alterar só os dados do Bilhete de identidade. Quem quer adoptar, adopta!
O instinto maternal / paternal, o bichinho de querer ter uma família, não escolhe comportamentos sexuais. A falta de amor, de que tantas crianças padecem, é compensada ás vezes em “amigos imaginários”. Não é muito mais racional transportar essa necessidade de atenção para alguém, independentemente de ser homo, bi, metero, trans, ou heterossexual?
E as crianças crescem. Sem conceito de família, com técnicas a entrarem e saírem da vida delas, dormindo em beliches, sem privacidade. Sem espaço próprio. Numa instituição.
OU...
As crianças crescem. Crescem com família, e com a família dos dois papás (ou mamãs), com tios, primos, avós. Com natal e festa de anos próprios. E miminhos da família. Com um espaço seu. Em casa dos papás, que dão amor, conforto, e condições para uma vida equilibrada.
Com dezoito anos, na instituição, espera-lhes um mundo que caso não lhe seja favorável, não pressupõe a possibilidade de voltar para o lar onde cresceu.
Com dezoito anos, em casa dos pais (homossexuais) a vida está a começar. Não há contas para pagar, e pelo menos até aos trinta, não devem querer sair de lá. E os seus filhos terão o privilégio de ter avós, e tios-avós, e primos...
Dar a estas crianças / jovens o direito de ter uma família, uma infância, e uma idade adulta com condições justas, fraternas e equilibradas, implica dar / ter um modelo e uma base familiar, alguém que, aconteça o que acontecer, esteja sempre “lá” quando for preciso. Nos abra os braços e porta. E isto consegue-se com uma família. Seja ela tradicional. Ou não.
Vem depois a conversa do anti-natural. Mas também é anti-natural modificar geneticamente, sementes e poluir. E dedicarmo-nos à cultura.
Mas sobre isso ninguém se alonga, o parlamento fala, mas nos noticiários não se conquista audiência. E fazem-se conferencias que dão em nada. No entanto, isto diz respeito a todos, ao nosso planeta. Afecta saúde, ambiente, sociedade e futuro.
A homossexualidade não se pega. Não há previsões que a apontem como o factor de extinção da raça humana, nem como causa maior de infelicidade, depressões, cancros ou alergias.
Mas o homem insiste em meter o nariz na vida dos outros, e esquecer a sua própria vida.
Daqui a uns anos, tal como agora o fazemos em relação a outros assuntos, vamos sentir vontade de rir quando falarmos “do tempo em que ser homossexual era tema de jornal, ou motivo de escândalo”.
E ás tantas, em conversa com os filhos ou netos, falaremos no que os nossos avós ou pais achavam, enunciando os ridículos pensamentos que eles tinham. E esquecemo-nos que esses pensamentos também já foram nossos. E riremos desses tempos. E desses pensamentos.
E em segredo, só para nós mesmos, confessaremos o quanto fomos retrógrados, antiquados, e mesquinhos, “nesse tempo”.
E os homens primitivos viviam em grutas. Hoje temos confortáveis casas. E ao pensarmos em como as coisas já foram, pensamos “como foi possível?”.
Não há muito tempo, as mulheres não usavam calças, andavam de lenço na cabeça e olhar vidrado no chão. Hoje, se nos cruzarmos com alguém assim, temos pena dessa pessoa.
Pensamos disto tudo, o como à algum tempo éramos retrógrados, mentes fechadas e oprimidas.
Hoje em dia fala-se de uma crise de falta de amor. E perante preconceitos, sociedades que não aprendem com os erros do passado, algumas minorias levantam a voz. E dizem aos casais Heterossexuais “Hello! Nós temos milhares contra nós, mas lutamos pelo amor que sentimos, e vocês, por causa de meia dúzia de pessoas, desistem! Vocês muitas vezes podem ter filhos e maltratam, e não querem, e abandonam. Nós queremos e não nos deixam!”
Dogma (ou não), dos casais homossexuais dizem ser pessoas mais sensíveis. Serão piores pais que os “ Pais profissionais”, tão característicos deste século, que estão com os filhos quando vêm televisão, ou quando estão no transito, ou...bem em mais lado nenhum.
Segundo o panorama geral, os homossexuais não têm nos seus requisitos para adopção (quando o fazem como pessoa individual) o conceito de “criança por catálogo”, tão presente como os casais heterossexuais.
Em causa esta uma legalidade. Uma “estúpida lei” que vai alterar só os dados do Bilhete de identidade. Quem quer adoptar, adopta!
O instinto maternal / paternal, o bichinho de querer ter uma família, não escolhe comportamentos sexuais. A falta de amor, de que tantas crianças padecem, é compensada ás vezes em “amigos imaginários”. Não é muito mais racional transportar essa necessidade de atenção para alguém, independentemente de ser homo, bi, metero, trans, ou heterossexual?
E as crianças crescem. Sem conceito de família, com técnicas a entrarem e saírem da vida delas, dormindo em beliches, sem privacidade. Sem espaço próprio. Numa instituição.
OU...
As crianças crescem. Crescem com família, e com a família dos dois papás (ou mamãs), com tios, primos, avós. Com natal e festa de anos próprios. E miminhos da família. Com um espaço seu. Em casa dos papás, que dão amor, conforto, e condições para uma vida equilibrada.
Com dezoito anos, na instituição, espera-lhes um mundo que caso não lhe seja favorável, não pressupõe a possibilidade de voltar para o lar onde cresceu.
Com dezoito anos, em casa dos pais (homossexuais) a vida está a começar. Não há contas para pagar, e pelo menos até aos trinta, não devem querer sair de lá. E os seus filhos terão o privilégio de ter avós, e tios-avós, e primos...
Dar a estas crianças / jovens o direito de ter uma família, uma infância, e uma idade adulta com condições justas, fraternas e equilibradas, implica dar / ter um modelo e uma base familiar, alguém que, aconteça o que acontecer, esteja sempre “lá” quando for preciso. Nos abra os braços e porta. E isto consegue-se com uma família. Seja ela tradicional. Ou não.
Vem depois a conversa do anti-natural. Mas também é anti-natural modificar geneticamente, sementes e poluir. E dedicarmo-nos à cultura.
Mas sobre isso ninguém se alonga, o parlamento fala, mas nos noticiários não se conquista audiência. E fazem-se conferencias que dão em nada. No entanto, isto diz respeito a todos, ao nosso planeta. Afecta saúde, ambiente, sociedade e futuro.
A homossexualidade não se pega. Não há previsões que a apontem como o factor de extinção da raça humana, nem como causa maior de infelicidade, depressões, cancros ou alergias.
Mas o homem insiste em meter o nariz na vida dos outros, e esquecer a sua própria vida.
Daqui a uns anos, tal como agora o fazemos em relação a outros assuntos, vamos sentir vontade de rir quando falarmos “do tempo em que ser homossexual era tema de jornal, ou motivo de escândalo”.
E ás tantas, em conversa com os filhos ou netos, falaremos no que os nossos avós ou pais achavam, enunciando os ridículos pensamentos que eles tinham. E esquecemo-nos que esses pensamentos também já foram nossos. E riremos desses tempos. E desses pensamentos.
E em segredo, só para nós mesmos, confessaremos o quanto fomos retrógrados, antiquados, e mesquinhos, “nesse tempo”.
escrito para Filosofia, algures por entre o 2ºpeíodo
terça-feira, 23 de março de 2010
Sempre mais que tudo
Era um diálogo Surdo-mudo comigo mesma. Só de pensar ou ouvir referencias a ti, ficava com cócegas na barriga, e um estupido sorriso brotava da minha cara. Em divagações posteriores, entendi que era mais do que um sorriso, era a maior e melhor cara de felicidade alguma vez vista ou feita ou sentida.
Surrateiramente a tudo o que queria ou ambicionava, as coisas aconteceram. Com ou sem lógica racional, passível de ser entendida pelos Homens comuns, foi-me envolvendo uma trama, um enredo de coisas, que não passavam de coisas, comparado com tudo o transcendente os olhares e os gestos, e os beijos, mesmo aqueles trocados mentalmente.
Os murmúrios do vento, que o tempo faz passar, são como que aneis de fogo, que não queimam nada do que transcente, nem torna mais insuportável a trama. Mas aumenta a mútua necessidade de contacto, de querer bem, perto, mais, muito, de querer parilhar, compartilhar, e descobrir,
E as cócegas aumentam. Fazem acreditar. Põe a lua na Terra, e a cabeça no teu lado. Com o resto de mim. E os silêncios fazem não saber mais...perceber tudo e nada, encarar.
Encarar a vontade de te querer. De te querer, mais e mais.
Surrateiramente a tudo o que queria ou ambicionava, as coisas aconteceram. Com ou sem lógica racional, passível de ser entendida pelos Homens comuns, foi-me envolvendo uma trama, um enredo de coisas, que não passavam de coisas, comparado com tudo o transcendente os olhares e os gestos, e os beijos, mesmo aqueles trocados mentalmente.
Os murmúrios do vento, que o tempo faz passar, são como que aneis de fogo, que não queimam nada do que transcente, nem torna mais insuportável a trama. Mas aumenta a mútua necessidade de contacto, de querer bem, perto, mais, muito, de querer parilhar, compartilhar, e descobrir,
E as cócegas aumentam. Fazem acreditar. Põe a lua na Terra, e a cabeça no teu lado. Com o resto de mim. E os silêncios fazem não saber mais...perceber tudo e nada, encarar.
Encarar a vontade de te querer. De te querer, mais e mais.
domingo, 21 de março de 2010
Definição
difícil:
adj. 2 gén.adj. 2 gén.
1. Não fácil.
2. Custoso; complicado; espinhoso.
3. Arriscado.
4. Exigente.
5. Mau.
6. Pouco provável
complicado:
adj.adj.
1. Difícil de resolver ou fazer.
2. Enredado.
3. Entrelaçado.
4. Envolvido (como cúmplice ou participante) num delírio
depois:
adv.1. Mais tarde; no sucessivo; em tempo posterior.
2. Em seguida.
3. Mais além; mais longe.
4. Logo a seguir.
5. Mais abaixo; em lugar secundário ou inferior.
6. Além disso.
(e nem assim, consultando o dicionário, percebi o que quer que fosse!)
adj. 2 gén.adj. 2 gén.
1. Não fácil.
2. Custoso; complicado; espinhoso.
3. Arriscado.
4. Exigente.
5. Mau.
6. Pouco provável
complicado:
adj.adj.
1. Difícil de resolver ou fazer.
2. Enredado.
3. Entrelaçado.
4. Envolvido (como cúmplice ou participante) num delírio
depois:
adv.1. Mais tarde; no sucessivo; em tempo posterior.
2. Em seguida.
3. Mais além; mais longe.
4. Logo a seguir.
5. Mais abaixo; em lugar secundário ou inferior.
6. Além disso.
(e nem assim, consultando o dicionário, percebi o que quer que fosse!)
quarta-feira, 17 de março de 2010
Matematicando..
Pela primeira vez vou falar mesmo de mim. Não devia. O teste de matemática está muito perto. Os exercícios chamam silênciosos, invocando argumentos mudos, por mim. No entanto, apetece-me escrever. E comecei numa das muitas folhas meio usadas dos meus cadernos de aulas, e entrecruzei-me com outras coisas já escritas. E pensei "não vou gastar papel! Vou escrever noutro sitio!" e vi parar aqui. Escrever num sitio que não é um diário, mas que pode ser um "indicador de estado de espirito". E hoje é este o meu estado de espirito. De sitio, devo dizer. Apetece-me dizer o que o não devo, fazer o que não devo, escrever o que não devo (o pelo menos que não apresenta muita coerência).
E estou a libertar, então estes "não dever" todos. Normalmente não é assim. Comigo não costuma haver "não devo". Sempre faço muito tudo ao meu jeito, sem por muito em causa os preconceitos pré-feitos por este Mundo, e regindo-me muito pelo que eu sou. Mas nunca esqueço a dimensão dos outros. Alguém disse "a minha liberdade começa onde a do outro acaba". Isto é bom, mas também é mau. Sou um bocadinho (grande) respondona, chegam-me a chamar de "mal educada". Mas isso também faz com que toda a gente saiba o que penso, e o que acho. E que não me preocupe com certas superficialidades, ou que me preocupe em demais com elas. Mas também sei ter uma boa discussão, e fundamentar ideias e opiniões. Mesmo que as palavras "saiam" sem dar por elas, são verdadeiras, e sentidas. Bem fundamentadas dentro do meu "eu".
é por isto que fico em "estado de sitio" quando sei bem o que falta, ou quando não sei bem com o que conto, mesmo tendo tudo muito arrumado em mim.
E é por isso também, que vou estudar. Maldita matemática !
E estou a libertar, então estes "não dever" todos. Normalmente não é assim. Comigo não costuma haver "não devo". Sempre faço muito tudo ao meu jeito, sem por muito em causa os preconceitos pré-feitos por este Mundo, e regindo-me muito pelo que eu sou. Mas nunca esqueço a dimensão dos outros. Alguém disse "a minha liberdade começa onde a do outro acaba". Isto é bom, mas também é mau. Sou um bocadinho (grande) respondona, chegam-me a chamar de "mal educada". Mas isso também faz com que toda a gente saiba o que penso, e o que acho. E que não me preocupe com certas superficialidades, ou que me preocupe em demais com elas. Mas também sei ter uma boa discussão, e fundamentar ideias e opiniões. Mesmo que as palavras "saiam" sem dar por elas, são verdadeiras, e sentidas. Bem fundamentadas dentro do meu "eu".
é por isto que fico em "estado de sitio" quando sei bem o que falta, ou quando não sei bem com o que conto, mesmo tendo tudo muito arrumado em mim.
E é por isso também, que vou estudar. Maldita matemática !
quinta-feira, 11 de março de 2010
"O Sonho"
"Pelo sonho é que vamos,
Comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não frutos,
Pelo Sonho é que vamos.
Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
Que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
Com a mesma alegria, ao que é do dia-a-dia.
Chegamos? Não chegamos?
-Partimos. Vamos. Somos. "
Comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não frutos,
Pelo Sonho é que vamos.
Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
Que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
Com a mesma alegria, ao que é do dia-a-dia.
Chegamos? Não chegamos?
-Partimos. Vamos. Somos. "
Sebastião da Gama Pelo sonho é que vamos
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