segunda-feira, 9 de agosto de 2010

"Há tempos em nossa vida que contam de forma diferente.
Há semanas que duraram anos, como há anos que não contaram um dia.
Há paixões que foram eternas, como há amigos que passaram céleres, apesar do calendário mostrar que eles ficaram por anos em nossas agendas.
Há amores não realizados que deixaram olhares de meses, e beijos não dados que até hoje esperam o desfecho.
Há trabalhos que nos tomaram décadas de nosso tempo na terra, mas que nossa memória insiste em contá-los como semanas.
Há casamentos que, ao olhar para trás, mal preenchem os feriados das folhinhas.
Há tristezas que nos paralisaram por meses, mas que hoje, passados os dias difíceis, mal guardamos lembranças de horas.
Há eventos que marcaram, e que duram para sempre,o nascimento do filho, a morte do pai, a viagem inesquecível, um sonho realizado.
Estes têm a duração que nos ensina o significado da palavra “eternidade”.Já viajei para a mesma cidade uma centena de vezes, e na maioria das vezes o tempo transcorrido foi o mesmo.
Mas conforme meu espírito, houve viagem que não teve fim até hoje, como há percurso que nem me lembro de ter feito, tão feliz eu estava na ocasião.
O relógio do coração, hoje eu descubro, bate noutra frequência daquele que carrego no pulso.
Marca um tempo diferente, de emoções que perduram e que mostram o verdadeiro tempo da gente.
Por este relógio, velhice é coisa de quem não conseguiu esticar o tempo que temos no mundo.
É olhar as rugas e não perceber a maturidade.
É pensar antes naquilo que não foi feito, ao invés de se alegrar e sorrir com as lembranças da vida.
Pense nisso. E consulte sempre o relógio do coração: Ele te mostrará o tempo do mundo.

Alexandre Pelegi

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Não me lembro onde ouvi. Talvez numa série ou assim. Mas o que me ficou na ideia foi "as emoções  misturam-se com as memórias". Memorizei isto, e não encontro ponta por onde desminta esta afirmação. Tudo o que sentimos é moldado pelas memórias. Até a situação mais feliz pode ser destruída por uma má recordação, que ficou dum mau momento, ou duma má atitude.E o momento mais dramático pode ser apaguizado com uma boa memória, por um bom momento.
Talvez seja este o truque de "ser feliz".  
Ou não!

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Caminhos

Cantavam nas árvores os pássaros acabados de chegar do Sul. Saindo da hibernação forçada por causa do frio, era feliz que ela desenhava pegadas mínuscúlas, comparadas com as que uns enormes pés antes tinham carimbado no algodão gelado e branco.
Seguiu o trilho. Já não se lembrava de onde vinha, só queria saber onde as pegadas iriam dar. Era esse o seu destino, era essa a monomentânea missão da sua vida.
O sol de primavera descobriu entre as nuvens. A neve, antes resistente e sólida, é agora um limbo em metamorfose. "Avanço, não avanço?" é a pergunta que salta da cabeça dela para as coisas. Mas não pára.
Sem dar por isso, é já sem neve, ela encontra numa orla ainda sombria pela nevoeiro da manhã, uma cabana.
Instintivamente, aproxima-se e entra. Há uma lareira apagada pelo frio do Inverno, um prato sujo e seco em cima da mesa, e duas cadeiras desarrumadas. Sem se dar conta, senta-se e descansa da viagem. Pensa então no tempo de viagem. Teria sido uma hora? Alguns minutos?
Alguém faz barulho na rua. Quebra-se a linha de pensamento dela.
Entra então em casa um homem alto, com roupas desbotadas. Não a olha. Senta-se na outra cadeira, e acende a lareira com a lenha que trazia da rua. Num murmúrio embaçado, ele diz "há muito tempo que estou à tua espera".
Ela assusta-se e levanta-se. Quando está para cruzar a porta da rua, e começar a correr para sair daquele lugar, apercebe-se que aquela é afinal, a sua casa, de onde tinha saído de manhã.
Olha de soslaio para o homem. E reconhece-o então.
Tinha passado muito tempo, ela mal se lembrava do dia em que ali tinha sido deixada, mas sem sombra de dúvida, era ele.
O seu pai.
Lembrei-me, mas depressa esqueci. E lembraram-me. E também não vale a pena esquecer.
Não é pessoal, mas é um ano depois da aventura, de introspecção forçada, e de conhecimento intensivo do ser Humano, no estado mais puro. Fútil, digo.
Sempre me ri da situação, mas também não vale a pena dizer que não chorei. Só não percebi se foi por estar longe de tudo, ou tão perto de mim.

Contraste de brancos

Primeiro, procura-se palavras.
Depois, não se encontram.
E por fim, fica-se em silêncio.
E passa tempo. E depois nada muda. Tudo fica igual. Com tantas diferenças.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Ouço uma música. Canto-a mentalmente. Depois, fecho os olhos. E começa a dança. Os sons vão e vêm, e as sensações vão e vêm...
E é então que surge. Tal como sempre. Primeiro lentamente, depois mais apressada, até que chega à velocidade original.
Recordações.
Boas e más.
E mexemos no tempo, para traz e para a frente. Brincamos com ele.
 E assim, os momentos duram o tempo que nós queremos...Só não dura para sempre.

terça-feira, 27 de julho de 2010

E..Boas Férias!

"Esta é a altura do ano em que os portugueses, depois de um ano de trabalho (os que ainda têm trabalho), pegam nas suas economias (aqueles que não tinham o dinheiro em bancos que faliram), e vão agora de férias (aqueles que podem dar-se ao luxo de ter férias). E vão, de certeza, com a sensação de que deixam o País arrumado. O Presidente da República diz que a situação é insustentável. Um antigo Presidente e um candidato à Presidência dizem que ele não pode dizer que a situação é insustentável. O primeiro-ministro diz que estamos muito bem. A oposição diz que ele não pode dizer que estamos muito bem. Portanto, podemos ir de férias descansados. E esclarecidos.


A primeira tarefa do cidadão que começa a gozar o merecido descanso é pagar a não menos merecida sobretaxa de IRS sobre o subsídio de férias. O cidadão sabe, porque já lho disseram, que andou a viver acima das suas possibilidades, e por isso chegou a hora de pagar. O cidadão, que tem a mania das grandezas, pensou que podia viver à tripa-forra, num desses países modernos que premeiam os administradores das suas empresas com bónus milionários. Não, caro cidadão. Tudo isso lhe deu status e qualidade de vida, é indesmentível. Mas não é gratuito. Quem quer viver numa sociedade assim, paga.

A segunda tarefa é escolher um destino de férias. Tanto os destinos mais baratos, como uma semana com tudo pago nas Caraíbas, como os mais caros, como um fim-de-semana com meia pensão no Algarve, parecem excessivos para o seu orçamento. Uma hipótese é meter a família no carro e, como recomendou Cavaco Silva, ir para fora cá dentro. Uma opção que traz alguns problemas. Primeiro, há que meter gasolina, o que não é barato. Depois, talvez seja boa ideia comprar uma água e um papo-seco para a viagem. Mas com cautela, na medida em que o IVA sobre os bens essenciais subiu um por cento. Os milionários que tiverem dinheiro para depósito cheio e farnel poderão fazer-se à estrada, embora conscientes de que mais cedo ou mais tarde vão passar numa SCUT, daquelas que não eram pagas mas entretanto passaram a ser. Antes disso, num semáforo, ainda são capazes de topar com o ministro das Finanças com um chapéu virado ao contrário a pedir nem que seja a moeda mais pequena, em busca de receitas extraordinárias. Em princípio, depois de percorrer 50 quilómetros, o cidadão já não tem dinheiro e tem de voltar para casa. Essa é a terceira tarefa. Boa sorte."

Ricardo Araujo Pereira, in VISÃO

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Cansaço

Querer fechar os olhos e não conseguir, e deles emanarem lágrimas secas, de cansaço também, de tão cansadas de chorar;caminhar e não parar, não querer não conseguir, de tão cansada de andar, correr; falar e não sair voz, sufocar de tão cansada, de gritar; escrever, contar, e de tão cansada,riscar, rasgar; comer, e de tanto cansaço  não ter fome, cambalear; cansaço, é não saber o que dizer, e ter tanto para falar, cansaço

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Passo a Passo...um ano depois!

Foi por acaso que ontem me dei conta que este espaço faz um ano. Um ano, 365 dias, 110 posts depois... Não sei se mudei a vida de alguém, se fiz alguém gostar do que escrevo, se cativei o gosto pela escrita ou se desiludi pessoas. Mas, sinceramente, não penso que isso seja o mais importante nem o objectivo disto. Aliás, não há objectivo.
 Dei asas a palavras sem sentido, e brinquei com elas. Mostrei tolices que pessoas me disseram para mostrar, porque acho que elas tinham (e têm ) razão!
Fiz graças a este espaço, e mais do que antes, da escrita um hobby. Divulguei autores, excertos, e vídeos do que gostava. Mas ainda não sei por "contador de visitas" nem incorporar vídeos do YouTube, Nem por musicas, nem escrever muitas coisas sobre as quais gostava de um dia saber, e dar opinião. Ainda tenho muito, muito para aprender....dia a dia, passo a passo, um ano de cada vez...

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Leituras...

Ler faz-nos ligar certos interruptores. Faz-nos ver os factos, e não as coisas. Ler é perceber a mente de cada personagem. Perceber os medos. Perceber as escolhas. Perceber as consequências das escolhas. Ler é mais do que folhear livros. Ler é perceber as relações causa-efeito, é perceber as 3 dimensões do tempo: presente, passado e futuro. É perceber o quanto nós mandamos na nossa vida, e como somos nós que, em último caso, podemos tudo. Ler é tocar em pontos de vista, em situações que não iríamos viver e pensar nelas. Ler é no fundo, estimular-nos a ser mais, e ser melhor. Ler é ligar interruptores da nossa mente, e perceber as coisas de fora para dentro, e de dentro para fora..

segunda-feira, 19 de julho de 2010

A maior lição que se tira de tudo, é que os erros do passado seriam facilmente evitados com coragem.
O futuro seria muito mais risonho se no presente arriscássemos mais.
Aqui, conseguimos ver as 3 dimensões do tempo: o presente, o passado, e o futuro. E perceber que o lado mais difícil das coisas é assumir. A partir do momento em que se assume, nada é mais fácil que a facilidade com que as coisas acontecem.

Sobre "Ao Anoitecer" de Susan Minot

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Tudo e nada

Há coisas que começam e acabam, outras que simplesmente nunca terminam.
Há preto e branco que se transforma num arco-irís que por muitos minutos fica cinzento. Mas não deixa de ter cor.
Há coisas que fazem sorrisos, e há sorrisos que fazem e transformam muita coisas.
Pessoas: O que somos? Para que somos? Como vivemos.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

"A princípio bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas os nossos desejos são ainda mais complexos. Não basta que estejamos sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis. Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguer, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica e uma temporada num spa cinco estrelas. E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar à luz das velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito. É o que dá ver tanta televisão. Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista. Ter um parceiro constante pode ou não, ser sinónimo de felicidade. Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com um parceiro, feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio. Dinheiro é uma benção. Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado. E se temos pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade. Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável. Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno. Olhe para o relógio: hora de acordar. É importante pensar-se ao extremo, buscar lá dentro o que nos mobiliza, instiga e conduz, mas sem exigir-se desumanamente. A vida não é um jogo onde só quem testa seus limites é que leva o prémio. Não sejamos vítimas ingénuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se. Invente o seu próprio jogo. Faça o que for necessário para ser feliz. Mas não se esqueça que a felicidade é um sentimento simples, você pode encontrá-la e deixá-la ir embora por não perceber sua simplicidade. Ela transmite paz e não sentimentos fortes, que nos atormentam e provocam inquietude no nosso coração. Isso pode ser alegria, paixão, entusiasmo, mas não felicidade."

Mário Quintana

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Às vezes dava jeito termos o poder de cortar pedacinhos de nós, e de os deixarmos a quem de direito. Assim, nunca teríamos coisas a mais. Coisas que são nossas, mas que não nos pertencem. Que são mais do que coisas.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Horas contadas

Dia após dia, o tempo passa. O cabelo cresce, o corpo muda. Cortam-se unhas, surgem cabelos brancos. O tempo passa a voar. As perspectivas sobre a mesma coisa vão-se alterando ao longo do tempo. Com o avançar das horas, das horas da vida, crescemos, e chega a um ponto que as coisas, ou crescem, ou mudam. Seja como for, essas coisas dão lugar a coisas novas.
Cidadãos do mundo, o tempo está a passar. As horas são contadas, subdividindo-se em minutos, segundos... E até o mais milionésimo segundo, conta. A diferença entre cada cidadão está, no milionésimo de segundo que não se aproveita. No milionésimo de segundo que não se aproveita.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Tal e qual

Quantas palavras foram escritas? Quantas coisas foram ditas e desditas por causa disto? Quanto tempo perdemos, porque tempo não se ganha, só se esgota, com isto? Há quanto tempo isto já foi suficiente, e há quanto tempo isto continua a mais? O que é o correcto fazer no meio de tanta coisa errada? O que faz parar de doer aquilo que já de tanta dor, faz parte de nós. Como nos conseguimos separar daquilo que nos pertence? Falar sem engasgar, rir sem chorar, porque tudo se torna incompleto. Assim...

sábado, 26 de junho de 2010

(Des)igualdades

Caminhamos a passos largos para sitio nenhum. Saltamos obstáculos, mas não saltamos o tempo, esse, ou se espera que chegue, ou se esquece que passou.
Entre uma e outra situação está a diferença, entre o medo no primeiro e a coragem, no segundo.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Noites de dia

Houve um dia, que era noite, que tinha tom de dia.
Chego até ele através de uma máquina do tempo que foi construída por alguém, mas que eu adaptei à circunstância. Ela liga-se através de um fechar de olhos, põe-se em marcha com o perfume que percorre o tempo. E num instante chego lá. Aquele instante que fez com que houvesse sentido num cosmos caótico de coisas, que não se chamavam sentimentos, nem emoções, nem certezas. Montou-se um puzzle. Construiu-se um alicerce. Deu-se forma a muita coisa.
E a coisa ganhou forma, e ganhou a noite, um dia.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

"Eu sei que o meu desespero não interessa a ninguém.
Cada um tem o seu, pessoal e intransmissível:
com ele se entretém
e se julga intangível.


Eu sei que a Humanidade é mais gente do que eu,
sei que o Mundo é maior do que o bairro onde habito,
que o respirar de um só, mesmo que seja o meu,
não pesa num total que tende para infinito.


Eu sei que as dimensões impiedosos da Vida
ignoram todo o homem, dissolvem-no, e, contudo,
nesta insignificância, gratuita e desvalida,
Universo sou eu, com nebulosas e tudo."


António Gedeão

sábado, 19 de junho de 2010

De 1922 a 2010, abriu Mundos, e abriu Portugal ao Mundo. Pessoa, daquelas com maíuscula, que não tinha medo de Ser. José Saramago é assim:


"Esta palavra esperança, com maiúscula ou sem ela, o melhor é riscá-la do nosso vocabulário. Só os exilados e os desterrados que se conformaram com o desterro e o exílio a devem usar, à falta de melhor. Dá-lhes consolo e alívio. Os não conformados têm outra palavra mais enérgica: vontade."



“Esta palavra esperança”, in Deste Mundo e do Outro, Editorial Caminho, 7.ª ed., P. 153
(Selecção de Diego Mesa)


Deixa-nos sempre com vontade de mais. De viver mais. De ser mais

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Pessoa. Fernado Pessoa

"Começo a conhecer-me. Não existo.

Sou o intervalo entre o que desejo ser e os outros me fizeram,
Ou metade desse intervalo, porque também há vida...
Sou isso, enfim...
Apague a luz, feche a porta e deixe de ter barulhos de chinelos no corredor.
Fique eu no quarto só com o grande sossego de mim mesmo.
É um universo barato."


Álvaro de Campo

domingo, 13 de junho de 2010

Incurável

"O tempo não cura tudo. Aliás, o tempo não cura nada, o tempo apenas tira o incurável do centro das atenções."


Martha Medeiros

sexta-feira, 11 de junho de 2010

"Um Funeral à Chuva": Sonho em Tempo de crise

É de sonhos que nos movemos. E por mais que se diga, sonho não é sonho, se não se transformar em realidade. Só assim as coisas fazem sentido.
E este nosso pequeno País, a quem muitos defeitos é apontado, também temos coisas boas. Temos coisas muito nossas, muito com o nosso trabalho. "Nosso", que não é meu. Trata-se dum maravilhos e empenhado elenco, que deu tudo sem pedir nada, e que só quer divulgar o talento, as paisagens e a capacidade dos Portugueses. Crise não significa "falta de cultura". E por isso mesmo, e em nome da cultura, do cinema, e de Portugal, aviso todos de que nas salas de cinema, (embora nem em todas) está a passar "Um funeral a chuva" um filme já aqui divulgado, que por todas as suas caracteristicas, vale a pena ser visto!
Toca a aproveitar o fim-de-semana... o tempo não está bom para praias! Conheça este "sonho Português", debaixo da chuva.

O filme também ganhou um prémio aqui..É no post que falo sobre este filme que mais pessoas comentaram...Parabéns!

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Palhaça da vida

O que eu queria mesmo era ser palhaça. A minha profissão seria fazer que estava contente, e fazer pessoas felizes, arrancar sorrisos e distribuir felicidade. Sendo palhaça, podia dizer disparates e fazer disparates. E ninguém me olharia de lado.
Seria feliz. Muito á minha maneira.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Hoje cruzei-me com este vídeo, "Mankind Is No Island", e dei conta que já o tinha visto, talvez há um ano. Enquanto o vídeo avançava, fui recordando e revivendo o que pensei, o que senti quando o vi pela primeira vez.
O vídeo foi inteiramente gravado através de telemóvel, em Sidney e Nova York, com um orçamento de 40 dólares, (equivalente a mais ou menos 50 Euros), por Jason Van Genderen. Ganhou a primeira edição do Tropfest NY 2008, o maior festival de curtas-metragens do Mundo, que começou por se realizar em Sidney, mas que também já conquistou os Estados Unidos.
Fiquei triste. Não só por ver o vídeo. Mas sobretudo por me dar conta que me tinha esquecido dele.
Vejam-no. Porque há coisas que não podemos esquecer...

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Adultos de crianças

O tempo saltitava entre gélidas noites, e reconfortantes dias. Era um tempo instável e emocionalmente desconcertante. Um tempo que fazia chorar e rir à gargalhada, que dizia "festa" , ou sussurrava "melancolia".
O tempo, esse tempo desconcertante, passava por entre as entranhas dos habitantes daquele povo, e deixava em cada entranha do ser, um pouco de tudo o que o Mundo tem.
Passo a passo, construía-se então, um povo do Mundo, um povo que absorvido pelo tempo desconcertante, ficava com um pouco de tudo, pela metade. Saiba falar de todas as terras, lugares, sabores, culturas, mas não lhe conhecia o cheiro, o sabor.Sabia reconhecer idiomas, línguas, mas não os sabia falar.
Num dos tempos desse tempo, veio vindo da lua ou de outro lugar distante, ninguém soube ao certo, um vento de aventura. E nesse povo do Mundo, que em tanto  se achava dono de tudo, descobriu de novo a curiosidade de conhecer. E um dos rostos desse povo, deixou de ser rosto e passou a ser pessoa. Ganhou identidade, e ficou a conhecer por si as maravilhas do mundo. E o Mundo deixou de ser do povo. E nasceu um novo Mundo, o seu mundo.
E assim, o Homem e a Humanidade começou a pensar. Por si. Pensar por si.

sábado, 5 de junho de 2010

E talvez seja tudo matemática

E agora lembrei-me duma que convém não esquecer:

Cada pessoa é uma sucessão, daquelas que damos na escola. Há sucessões equivalentes, sucessões simples, sucessões infinitas. E há aquela sucessão que amamos. Nessa, o nominador deverá ser simétrico à quantidade de amor que sentimos pela pessoa. Depois, o denominador será o número natural de defeitos que essa pessoa tiver.
E depois tudo dependerá do amor que se sentir. Se for infinitamente grande, o seu simétrico é Zero. E aí, por maiores que sejam os seus defeitos, estes nunca terão importância, porque, Zero a dividir por um valor, seja este qual seja, será sempre Zero.
Por isso, magoamo-nos, caimos, levantamo-nos, e esquecemos. Se amamos realmente, confiamos, e não desconfiamos, não vimos o que todos vêm, e cambaleamos entre este mundo e o outro, sem niguém a segurar a nossa mão, sem ninguém com quer partilhar o que não queremos partilhar.
E mesmo assim, continuamos a amar.
E isto justifica muitas coisas...

Coincidencia

Coincidencia foi eu quase não ter ido, mas ir.
Depois, foi ainda mais coincidencia sentar-me onde me sentei, olhar da maneira que olhei, sentir da maneira que senti.
Foi minha culpa fazer com que nada mais fosse feito.
E a seguir, foi coincidencia ter-te visto. Coincidencia sentir-te a olhar. E mais coincidencia ainda isso não acontecer só uma vez.
E a coincidencia volta a acontecer, quando, passado tanto tempo de coincidencias, elas continuarem a acontecer. Foi coincidencia sair de casa naquele dia. Coincidencia estares la naquele dia. Coincidencia conversarmos naquele dia. Coincidencia também o e-mail, coincidencia tudo. E foi ainda mais coincidencia gostarmos das mesmas coisas, conversarmos sem tempo. E maior das coincidencias, foi fugirmos e voltarmos atrás, uma e outra vez por não dar para estar longe. E as coincidencias não acabam. Até foi coincidencia aquela conversa, naquele dia. Aquela carta sempre a sair.O resultado dos jogos por acaso adivinhado, por acaso jogados. Coincidencias, não passava disso.
Ou será que não?

quinta-feira, 3 de junho de 2010

"Em vez de tentar escapar de certas lembranças, o melhor é mergulhar nelas e voltar à tona com menos desespero e mais sabedoria."




Martha Medeiros

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Lado

Ia já frio o dia, e isso adivinhava uma hora tardia. Pelo meio de murmúrios acesos em faiscas de muitas coisas que com o tempo ficaram por dizer, o olhar que se entre cruzava de quando em vez, queimava.
Em flashback passa-nos por uns segundos de memória, sem a exactidão de ser um dèjávu, ou um sonho ilusório, qualquer coisa como tudo o que poderia ter sido.
Muito tempo passou. Anos, ou simplesmente dias, não sei ao certo.
Foram as nossas decisões, foi a nossa escolha, é agora a nossa vida. É este o nosso tempo.

sábado, 29 de maio de 2010

"A dor que dói mais"

"Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, dóem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim. Mas o que mais dói é saudade.

Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que já morreu. Saudade de um amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, quando se tinha mais audácia e menos cabelos brancos. Dóem essas saudades todas.
Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida. Você podia ficar na sala e ele no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o aeroporto e ele para o dentista, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-lo, ele o dia sem vê-la, mas sabiam-se amanhã. Mas quando o amor de um acaba, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.
Saudade é não saber. Não saber mais se ele continua se gripando no inverno. Não saber mais se ela continua clareando o cabelo. Não saber se ele ainda usa a camisa que você deu. Não saber se ela foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ele tem comido frango de padaria, se ela tem assistido as aulas de inglês, se ele aprendeu a entrar na Internet, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua fumando Carlton, se ela continua preferindo Pepsi, se ele continua sorrindo, se ela continua dançando, se ele continua pescando, se ela continua lhe amando.
Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.
Saudade é não querer saber. Não querer saber se ele está com outra, se ela está feliz, se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais querer saber de quem se ama, e ainda assim, doer."

Martha Medeiros

quinta-feira, 27 de maio de 2010

"Um funeral à chuva", um filme de Telmo Martins

Português, e bom, pelo que o trailler demonstra. Só não consigo por aqui o video. Mas espero que valha a pena ver!




Porque "o inseperado te faz voltar ao passado"!

"Pela forma como o filme foi feito, sem qualquer apoio estatal e com os actores e técnicos a trabalharem sem receber nada, devemos todos ir assistir, não só para ajudar, mas também porque o filme é mesmo bom." (comentário de alguém que viu a antestreia)

terça-feira, 25 de maio de 2010

Hoje

Hoje uma folha branca não chega. Hoje não chega o sol, hoje não chega um sorriso, uma mensagem. Hoje nem o Mundo chega. Este meu Mundo, que embora feérico, e com pedaços de irreal, não tem a tua presença, nem o teu cheiro, nem o teu olhar. Hoje, no meu Mundo, tudo isso seria essencial. Tudo isso me faria ter os olhos abertos.
Hoje, tanto mais do que ontem, quero-te aqui.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Aquilo que é o melhor para nós nem sempre é o mais fácil. Mas, em última análise, é o que realmente compensa.


José Couto Nogueira "O beijo é uma forma de diálogo" George Sand

quinta-feira, 20 de maio de 2010

A ordem das coisas

Á vezes, pensamos da de traz para a frente, pela ordem correcta das coisas, e quando chegamos ao ponto que nos faz doer, ripostamos, esperneamos, e queremos que o nosso cérebro ensine o nosso coração a parar de doer, a parar de nos fazer pensar. Obrigamos a nossa mente a acreditar que tudo foi um equivoco, uma ilusão de óptica. E paramos. E pomo-nos a pensar ao contrario. Da frente para traz. E quando acabamos, já não sentimos a dor, porque ela é apaguisada por todos os outros momentos. Pelo Natal assinalado, pelo Ano Novo desejado. Por todos os parabéns, pelas gargalhadas, pelos sorrisos, e pelas conversas cúmplices, que tinham palavras, mas que pouco precisavam delas.
E as conclusões fogem de nós. E ironicamente, a saudade nostálgica domina-nos o corpo e a mente...

quarta-feira, 19 de maio de 2010

"- Como pude demorar tanto tempo a perceber que me amavas? - disse-lhe eu mais tarde. - Como é que pude demorar tanto tempo a perceber que te amava?

- A culpa é minha - disse Morini na escuridão -, sou muito desajeitado. "



2666, Roberto Bolaño

domingo, 16 de maio de 2010

Saudosismo

'a saudade não constrói. não é possível avançar enquanto se olha para trás. o saudosista chora, no presente, por aquilo que se riu no passado. nunca está feliz. eu prefiro ser sonhadora e gozar hoje com o sol que fará amanhã - ou não fará, mas entretanto eu já o gozei. prefiro, sobretudo, aproveitar o sol que brilha neste exacto instante. o sol de hoje, por muito fraco, há-de ser sempre mais brilhante que o de ontem.'

Não sei quem escreveu. Mas gosto!

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Dèja vu

Pareceu-me que alguém puxava o cabelo longo, espesso, mal apanhado. O resultado de desleixo, adiamentos de idas ao cabeleireiro, estava à vista. Pontas sem disciplina, cabelo sem corte. E o puxão foi delicado e suave. Deixou-se de ouvir a música, deixou-se de sentir o frio. Era impossível, mas estavas aqui. Não durou mais de uns segundos. Mas foi real. Virei-me mais por instinto que por outra coisa, e juro que se não tivesse constipada teria cheirado o perfume, o teu perfume. Agora encontro-me algures a flutuar entre a realidade e os sonhos.

Mas não serão, afinal, a mesma coisa?

quarta-feira, 12 de maio de 2010

"Como explicar-te como tudo isto se te tornou alheio, como tudo te pareceria agora estranho, como nada do que foi teu vigia o teu hipotético regresso? (...) E arranquei a página da agenda com o teu nome e o teu número de telefone. Veio a seguir Abril e depois o Verão. Vi nascer a flor da tremocilha e das buganvílias adormecidas, vi rebentar o azul dos jacarandás em Junho, vi noites de lua cheia em que todos os animais nocturnos se chamavam rãs, corujas e grilos, e um espesso calor sobre a devassidão da cidade. E já nada disto, juro, era teu. E foi assim que descobri que todas as coisas continuam para sempre, como um rio que corre ininterruptamente para o mar, por mais que façam para o deter.
Sabes, quem não acredita em Deus, acredita nestas coisas, que tem como evidentes. Acredita na eternidade das pedras e não na dos sentimentos; acredita na integridade da água, do vento, das estrelas. Eu acredito na continuidade das coisas que amamos, acredito que para sempre ouviremos o som da água no rio onde tantas vezes mergulhámos a cara, para sempre passaremos pela sombra da árvore onde tantas vezes parámos, para sempre seremos a brisa que entra e passeia pela casa, para sempre deslizaremos através do silêncio das noites quietas em que tantas vezes olhámos o céu e interrogámos o seu sentido. Nisto eu acredito: na veemência destas coisas sem princípio nem fim, na verdade dos sentimentos nunca traídos.
E a tua voz ouço-a agora, vinda de longe, como o som do mar imaginado dentro de um búzio. Vejo-te através da espuma quebrada na areia das praias, num mar de Setembro, com cheiro a algas e a iodo. E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente. Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros. Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram. Não perdi nada, apenas ilusões de que tudo podia ser meu para sempre. "


in "Não te deixarei morrer, David Crockett" de Miguel Sousa Tavares

domingo, 9 de maio de 2010

Fazer viver

As grandes histórias de amor nunca acabam com "viveram felizes para sempre". Porque só quando se ama a sério é que somos capazes de ver alguém feliz (mesmo que não seja a 100%), e não lhe estragar a felicidade. Não fazer feitiços, boatos, artimanhas ou explosões de verdade que nos fazem contar tudo.
Só quando se ama  a sério se consegue amar para sempre.
Só quando se ama a sério se consegue fazer uma grande história de amor, e conta-la a sobrinhos, filhos, netos. Conta-la a um jovem sentado num banco de jardim quando esperamos que o sol aqueça os ossos, e lhe tirem o caruncho dos tempos. Conta-la com o olhar longe, tão longe que nem sabemos bem onde está. Conta-la com o mesmo brilho nos olhos, com o mesmo sorriso que a vivemos. Ensinar alguém com os nossos erros, fazer alguém sonhar.
Deixar viver a historia...

sábado, 8 de maio de 2010

O tempo que não é eterno

Quando se racionaliza e se pensa demais, as decisões surgem tarde demais,e sejam elas quais forem, já não valem de nada.

Daqui a uns tempos, será que temos tempo?

terça-feira, 4 de maio de 2010

Querer

Queria um abraço grande. Tão grande quanto grande é o Universo. Um abraço em expansão, onde cada vez mais juntos, aumentássemos tudo... Queria um chão. Queria um céu. Queria uma estrela que não me transformasse num buraco negro. Queria que tudo fosse fechado numa caixinha de fósforos, que seria tão densa quanto toneladas de coisas densas. Queria um sorriso. E queria o Universo.

sábado, 1 de maio de 2010

"Escrever é usar as palavras que se guardam. Se tu falares demais, já não escreves, porque te resta nada para dizer.."

Miguel Sousa Tavares, No teu Deserto

( Um dia, o teu silêncio será um livro, que só nós iremos ler. Perto ou longe, juntos ou separados, a alguém. A nós mesmos. )

terça-feira, 27 de abril de 2010

Mais do que dizer,

A noite era fria. De um inesgotável sentido de humor nascem amizades que se prolongam noite a dentro, vida fora...
De (re)encontros se formam novas perspectivas de uma realidade feérica e sobre natural. Trespassa-nos o não querermos transparecer. Soluçamos verdades congeladas por aquela noite tão gelada...cantamos sozinhos melodias sem musica, de quem nunca mais se lembramos da letra.
De quando em vez, em sintonia com o pensamento, uma estrela cadente dá-nos coragem para sorrir e seguir em frente. Para agarrar com a bênção da sorte – acaso – do destino a oportunidade de ser tudo.
Completamente vazio, o balão de Hélio voa e mostra a quem se aventura o bom que é andar no céu.
Cheios disto que tanto é, e que tanto se desvaloriza, já andei por sítios onde nunca esperei ir. Mundos mágicos muito, muito especiais, que sempre andaram pela esquina da nossa vida. Com as portas deste Mundo tão nosso abertas, viajamos sem bilhete pela imaginação, pela felicidade, pela luz...
Não conta nada do que se espera que conte. Somos livres antes de sermos qualquer coisa, e a tal magia faz com que aconteça o que o coração manda. E que se lixe tudo. Tudo conta, e tudo não serve para nada, tudo é quente com tanto disto, com tanto de nós. Ganhamos mutuamente, independente do que venha, do que exista, do que se tenha coragem para fazer.

Teremos sempre aquele lugar especial.

domingo, 25 de abril de 2010

Espingardas em Flor

Foi contra os "não digas isso", os "não faças aquilo", foi contra o "quero fazer mas não posso". Há 36 anos por esta altura, foi por isso que se lutou. Por uma liberdade justa, e transparente. Por uma liberdade com responsabilidade, e com igualdade. Para sorrisos abertos, e mentes adequadas ao século que se vivia. Foi graças ás vozes que não se calaram, aos que negaram cruzar os braços, aos que decidiram dizer o que achavam, e fazer o que pensavam, que posso estar hoje a escrever sem sofrer censura, que posso estar numa escola com rapazes e raparigas, que posso beber coca-cola, e ler e ouvir a musica que quero, e aprender coisas realmente importantes. Foi graças ao dia 25 de Abril de 1974 que sou livre. Que posso quebrar a liberdade e sofrer as consequências. Que posso ser eu sem medo de ir presa, ser torturada, mutilada, ou olhada de lado (bem, olhada de lado, nem sempre...)
O 25 de Abril começou à 36 anos, mas ainda não acabou. Passo a passo, dia a dia, cada um de nós faz uma pouco desta revolução, ao expressar-se quando ninguém espera, ao contrariar uma opinião, ao dizer "não" ou a ter o direito de não estar satisfeito com as coisas.
O Mundo não tem de ser poticamente correcto. Defeitos existem e são para nos tornar ainda mais únicos neste cosmos. A liberdade existe não para ser quebrada ou censurada, mas para ser responsabilizada.
Como li à uns tempos num jornal: "Educar e viver em liberdade dá mais trabalho, mas também vale mais a pena".

Olá, calor!

O calor descongela ideias.  Amadurece frutos. Faz-nos rir. 
O calor faz-nos ficar assim, felizes sem motivo.
Mesmo sem motivo nenhum.  
E o brilho nos olhos permanece...

sábado, 24 de abril de 2010

Um outro lado...da moeda

A "Fúria Divina", de José Rodrigues dos Santos, Gravida 2009.

É sempre mais fácil julgar do que perceber. Um novo ponto-de-vista para olharmos para a cultura Islâmica, e para olharmos para o nosso Mundo. 

Poema da Terra Adubada

Por detrás das árvores não se escondem faunos, não.
Por detrás das árvores escondem-se os soldados
com granadas de mão.

As árvores são belas com os troncos dourados.
São boas e largas para esconder soldados.

Não é o vento que rumoreja nas folhas,
não é o vento, não.
São os corpos dos soldados rastejando no chão.

O brilho súbito não é do limbo das folhas verdes reluzentes.
É das lâminas das facas que os soldados apertam entre os dentes.

As rubras flores vermelhas não são papoilas, não.
É o sangue dos soldados que está vertido no chão.

Não são vespas, nem besoiros, nem pássaros a assobiar.
São os silvos das balas cortando a espessura do ar.


Depois os lavradores
rasgarão a terra com a lâmina aguda dos arados,
e a terra dará vinho e pão e flores
adubada com os corpos dos soldados.


António Gedeão, in 'Linhas de Força'

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Certamente

A diferença entre tudo, é a do tempo. Ele não faz nada ser Para Sempre. Faz as coisas durarem para sempre. Para Sempre, é intensidade e não temporalidade, é o tudo no meio do nada, quebrando leis de Homens que nunca sentiram assim.
O tempo é ilusão. Tal como a proximidade. Quantas vezes se sentimos proximos de quem está longe, e longe de quem está proximo? Temos saudades de quem está ao nosso lado. Preocupamos-se com a distância fisicia, e esquecemos a psicologica.
Somos Humanos. Embora nem todos, alguns apenas. E ser Humano implica reconhecer que Para Sempre é importante, e o tempo, no fundo é argumento dos falhados.
Para Sempre.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Sentieiras

Remontamos muitos séculos de história. Personalidades, acontecimentos, e lendas cruzam as ruas da Aldeia. Mas não disso que se fala. Fala-se do mérito, esforço, sentido de equipa, camaradagem, e luta que se põe em cada actividade que se faz aqui. Há quem não dê valor, nem importância. Mas é isso que importa?! Importa os factos, e para estes casos também importa comparações. Somos dos poucos sitios que tem vida para além da vida familiar, dos poucos sitios em que as pessoas, embora nem tantas vezes como gostariam, têm actividades para assim passarem de maneira diferente os dias, sem se terem de deslocar a outros sitios. Somos únicos.
E mais uma vez, fomos únicos. Entre os oito melhores do distrito de Santarém no campeonato Inatel. Uma terra que, quem passa só de passagem, e não conhece, não dá valor, e desvaloriza. Mas somos dos bons.
Dentro e fora de campo, tal como em muitas outras coisas, Sentieiras está na linha da frente. Sentieiras está em primeiro.

Parabéns a todos! Porque "Ninguém pára as Sentieiras!!"
 

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Chamamentos

Com o sono prestes a declarar Guerra sobre um corpo cansado e sem força, oiço uma energia que me ordena que te deixe um último sinal de existencia, de sentimento, de pessoa.
Percorro o meu infímo pela enésima vez, e continuo  sem encontrar a brecha de inveja. Concluo então, que são ensinuações. Os adjectivos, tal como as acções, ficam com quem os diz.
E teimo em pestanejar lenta e demoradamente os olhos, e pesadamente digito as letras, silabas palavras... Tento controlar os dedos, para que não escrevam mais do que devem, levados pelo sono. Um dia, talvez, conte um história para adormecer.
Lentamente, fecho os olhos, e a real dormescência transforma-se num mundo de sonhos.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Também é isto que eu acho..

"É isso que eu acho que é o amor. Quando conhecemos perfeitamente alguém, e apesar disso, não queremos mudar nada"
Jodi Picout, O Pacto

sábado, 10 de abril de 2010

Anatomia

Fiquei a conhecer a anatomia das tuas mãos. Todos os contornos, refegos, altos e baixos. Fiquei a conhecer a textura da tua pele, o macio toque que ela provoca, e até os seus impulsos nervosos, que chegavam até mim como suaves choques electricos. Percebi como é ter as mãos quentes através do calor emanado pelas tuas. E desejei conhecer mais do que as mãos.
E percebi como se faz parar o Mundo. Como se faz para nada mais importar. Como tu me fazes feliz.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Conversas Confusas

Com muita coisa sem nome. Porque nunca ninguem deu nome a isto. Ou eu nunca o ouvi, uma descrição disto com um nome a frente. Há coisas raras. Conheço muitas coisas raras. E conheço estas coisas sem nome, únicas, que me fazem ser tudo, e te fazem ser tanto.

Sem jeito, sem lógica, tal como tu me deixas

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Muito mais que-qual-quer-coisa

Muito mais que o vento, e que um gelado num quente dia de Verão. Muito mais do que chinelo no pé, que salto alto. Muito mais que sorrisos, que lágrimas. Muito mais que fruta, que doces, que salgados. Muito mais que brincadeiras ou coisas sérias, ou sérias maneiras de falar a brincar. Muito mais que balões no céu azul, que premonições de sol e de chuva.

Muito, mas muito mais, que seja o que for.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Noites e dias passam. À sempre algo que não muda. Por-do-sol atrás de por-do-sol, não muda o que sou. Tal como o por-do-sol. Mais laranja. Mais para norte ou para sul. Escondido por entre nuvens claras ou escuras, ou a mostrar ao mundo todo o seu sorriso. Nunca deixa de ser um por-do-sol.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Nossa Paixão

" A razão porque doi tanto separarmo-nos é porque as nossas almas estão ligadas. Talvez sempre tenham estado e sempre o fiquem. Talvez tenhamos vivido milhares de vidas antes desta, e em cada uma delas nos tenhamos reencontrado. E talvez que em cada uma tenhamos sido separados pelos mesmos motivos. Isto significa que esta despedida é, ao mesmo tempo um adeus pelos últimos dez mil anos e um prelúdio ao que virá.

Quando olho para ti vejo a tua beleza e graça, e sei que cresceram mais fortes com cada vida que viveste. E sei que gastei todas as vidas antes desta à tua procura. Não de alguém como tu, mas de ti, porque a tua alma e a minha têm que andar sempre juntas. E assim, por uma razão que nenhum de nós entende, fomos obrigados a dizer-nos adeus.
Adoraria dizer-te que tudo correrá bem para nós, e prometo fazer tudo o que puder para garantir que assim será, mas se nunca nos voltarmos a encontrar outra vez, e isto for verdadeiramente um adeus, sei que nos veremos, ainda noutra vida. Iremos encontrar-nos de novo, e talvez as estrelas tenham mudado, e nós não apenas nos amemos nesse tempo, mas por todos os tempos que tivemos antes."


Excerto do Livro de Nicholas Sparks "Diário da nossa Paixão"

domingo, 4 de abril de 2010

Primavera.
Ninguém destrói isso.
Primavera.

quarta-feira, 31 de março de 2010


Não posso adiar o amor para outro século

Não posso

Ainda que o grito sufoque na garganta
Ainda que o ódio estale e crepite e arda
Sob montanhas cinzentas
E montanhas cinzentas
Não posso adiar este abraço
Que é uma arma de dois gumes
Amor e ódio

Não posso adiar
Ainda que a noite pese séculos sobre as costas
E a aurora indecisa demore
Não posso adiar para outro século a minha vida
Nem o meu amor
Nem o meu grito de libertação
Não posso adiar o coração

A. Ramos Rosa, A Mão de Água e a Mão de Fogo

segunda-feira, 29 de março de 2010

Uma questão mental

Foi anti-natural usar escravos durante milhares de anos. Pareceu-nos imensamente esquisito (bem, talvez a palavra certa seja mais... escandaloso) quando os cientistas falaram pela primeira vez num antepassado comum entre humanos e macacos. No entanto, hoje em dia achamos normal (e até fazemos um certo ar de gozo se alguém nos vem com a conversa do Adão e Eva).
E os homens primitivos viviam em grutas. Hoje temos confortáveis casas. E ao pensarmos em como as coisas já foram, pensamos “como foi possível?”.
Não há muito tempo, as mulheres não usavam calças, andavam de lenço na cabeça e olhar vidrado no chão. Hoje, se nos cruzarmos com alguém assim, temos pena dessa pessoa.
Pensamos disto tudo, o como à algum tempo éramos retrógrados, mentes fechadas e oprimidas.
Hoje em dia fala-se de uma crise de falta de amor. E perante preconceitos, sociedades que não aprendem com os erros do passado, algumas minorias levantam a voz. E dizem aos casais Heterossexuais “Hello! Nós temos milhares contra nós, mas lutamos pelo amor que sentimos, e vocês, por causa de meia dúzia de pessoas, desistem! Vocês muitas vezes podem ter filhos e maltratam, e não querem, e abandonam. Nós queremos e não nos deixam!”
Dogma (ou não), dos casais homossexuais dizem ser pessoas mais sensíveis. Serão piores pais que os “ Pais profissionais”, tão característicos deste século, que estão com os filhos quando vêm televisão, ou quando estão no transito, ou...bem em mais lado nenhum.
Segundo o panorama geral, os homossexuais não têm nos seus requisitos para adopção (quando o fazem como pessoa individual) o conceito de “criança por catálogo”, tão presente como os casais heterossexuais.
Em causa esta uma legalidade. Uma “estúpida lei” que vai alterar só os dados do Bilhete de identidade. Quem quer adoptar, adopta!
O instinto maternal / paternal, o bichinho de querer ter uma família, não escolhe comportamentos sexuais. A falta de amor, de que tantas crianças padecem, é compensada ás vezes em “amigos imaginários”. Não é muito mais racional transportar essa necessidade de atenção para alguém, independentemente de ser homo, bi, metero, trans, ou heterossexual?
E as crianças crescem. Sem conceito de família, com técnicas a entrarem e saírem da vida delas, dormindo em beliches, sem privacidade. Sem espaço próprio. Numa instituição.
OU...
As crianças crescem. Crescem com família, e com a família dos dois papás (ou mamãs), com tios, primos, avós. Com natal e festa de anos próprios. E miminhos da família. Com um espaço seu. Em casa dos papás, que dão amor, conforto, e condições para uma vida equilibrada.
Com dezoito anos, na instituição, espera-lhes um mundo que caso não lhe seja favorável, não pressupõe a possibilidade de voltar para o lar onde cresceu.
Com dezoito anos, em casa dos pais (homossexuais) a vida está a começar. Não há contas para pagar, e pelo menos até aos trinta, não devem querer sair de lá. E os seus filhos terão o privilégio de ter avós, e tios-avós, e primos...
Dar a estas crianças / jovens o direito de ter uma família, uma infância, e uma idade adulta com condições justas, fraternas e equilibradas, implica dar / ter um modelo e uma base familiar, alguém que, aconteça o que acontecer, esteja sempre “lá” quando for preciso. Nos abra os braços e porta. E isto consegue-se com uma família. Seja ela tradicional. Ou não.
Vem depois a conversa do anti-natural. Mas também é anti-natural modificar geneticamente, sementes e poluir. E dedicarmo-nos à cultura.
Mas sobre isso ninguém se alonga, o parlamento fala, mas nos noticiários não se conquista audiência. E fazem-se conferencias que dão em nada. No entanto, isto diz respeito a todos, ao nosso planeta. Afecta saúde, ambiente, sociedade e futuro.
A homossexualidade não se pega. Não há previsões que a apontem como o factor de extinção da raça humana, nem como causa maior de infelicidade, depressões, cancros ou alergias.
Mas o homem insiste em meter o nariz na vida dos outros, e esquecer a sua própria vida.
Daqui a uns anos, tal como agora o fazemos em relação a outros assuntos, vamos sentir vontade de rir quando falarmos “do tempo em que ser homossexual era tema de jornal, ou motivo de escândalo”.
E ás tantas, em conversa com os filhos ou netos, falaremos no que os nossos avós ou pais achavam, enunciando os ridículos pensamentos que eles tinham. E esquecemo-nos que esses pensamentos também já foram nossos. E riremos desses tempos. E desses pensamentos.
E em segredo, só para nós mesmos, confessaremos o quanto fomos retrógrados, antiquados, e mesquinhos, “nesse tempo”.
 escrito para Filosofia, algures por entre o 2ºpeíodo

terça-feira, 23 de março de 2010

Sempre mais que tudo

Era um diálogo Surdo-mudo comigo mesma. Só de pensar ou ouvir referencias a ti, ficava com cócegas na barriga, e um estupido sorriso brotava da minha cara. Em divagações posteriores, entendi que era mais do que um sorriso, era a maior e melhor cara de felicidade alguma vez vista ou feita ou sentida.
Surrateiramente a tudo o que queria ou ambicionava, as coisas aconteceram. Com ou sem lógica racional, passível de ser entendida pelos Homens comuns, foi-me envolvendo uma trama, um enredo de coisas, que não passavam de coisas, comparado com tudo o transcendente os olhares e os gestos, e os beijos, mesmo aqueles trocados mentalmente.
Os murmúrios do vento, que o tempo  faz passar, são como que aneis de fogo, que não queimam nada do que transcente, nem torna mais insuportável a trama. Mas aumenta a mútua necessidade de contacto, de querer bem, perto, mais, muito, de querer parilhar, compartilhar, e descobrir,
E as cócegas aumentam. Fazem acreditar. Põe a lua na Terra, e a cabeça no teu lado. Com o resto de mim. E os silêncios fazem não saber mais...perceber tudo e nada, encarar.
Encarar a vontade de te querer. De te querer, mais e mais.

domingo, 21 de março de 2010

Definição

difícil:
adj. 2 gén.adj. 2 gén.
1. Não fácil.
2. Custoso; complicado; espinhoso.
3. Arriscado.
4. Exigente.
5. Mau.
6. Pouco provável
 
complicado:

adj.adj.
1. Difícil de resolver ou fazer.
2. Enredado.
3. Entrelaçado.
4. Envolvido (como cúmplice ou participante) num delírio
 
depois:

adv.1. Mais tarde; no sucessivo; em tempo posterior.
2. Em seguida.
3. Mais além; mais longe.
4. Logo a seguir.
5. Mais abaixo; em lugar secundário ou inferior.
6. Além disso.


(e nem assim, consultando o dicionário, percebi o que quer que fosse!)

quarta-feira, 17 de março de 2010

Matematicando..

Pela primeira vez vou falar mesmo de mim. Não devia. O teste de matemática está muito perto. Os exercícios chamam silênciosos, invocando argumentos mudos, por mim. No entanto, apetece-me escrever. E comecei numa das muitas folhas meio usadas dos meus cadernos de aulas, e entrecruzei-me com outras coisas já escritas. E pensei "não vou gastar papel! Vou escrever noutro sitio!" e vi parar aqui. Escrever num sitio que não é um diário, mas que pode ser um "indicador de estado de espirito". E hoje é este o meu estado de espirito. De sitio, devo dizer. Apetece-me dizer o que o não devo, fazer o que não devo, escrever o que não devo (o pelo menos que não apresenta muita coerência).
E estou a libertar, então estes "não dever" todos. Normalmente não é assim. Comigo não costuma haver "não devo". Sempre faço muito tudo ao meu jeito, sem por muito em causa os preconceitos pré-feitos por este Mundo, e regindo-me muito pelo que eu sou. Mas nunca esqueço a dimensão dos outros. Alguém disse "a minha liberdade começa onde a do outro acaba". Isto é bom, mas também é mau. Sou um bocadinho (grande) respondona, chegam-me a chamar de "mal educada". Mas isso também faz com que toda a gente saiba o que penso, e o que acho. E que não me preocupe com certas superficialidades, ou que me preocupe em demais com elas. Mas também sei ter uma boa discussão, e fundamentar ideias e opiniões. Mesmo que as palavras "saiam" sem dar por elas, são verdadeiras, e sentidas. Bem fundamentadas dentro do meu "eu".
é por isto que fico em "estado de sitio" quando sei bem o que falta, ou quando não sei bem com o que conto, mesmo tendo tudo muito arrumado em mim.
E é por isso também, que vou estudar. Maldita matemática !  

quinta-feira, 11 de março de 2010

"O Sonho"

"Pelo sonho é que vamos,
Comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não frutos,
Pelo Sonho é que vamos.

Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
Que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
Com a mesma alegria, ao que é do dia-a-dia.

Chegamos? Não chegamos?

-Partimos. Vamos. Somos. "

Sebastião da Gama Pelo sonho é que vamos

sábado, 6 de março de 2010

"Sou uma mulher madura que às vezes anda de baloiço.
Sou uma criança insegura que às vezes usa salto alto.
Sou uma mulher que balança, sou uma criança segura".


(adaptado de) Martha Medeiros

sábado, 27 de fevereiro de 2010

De Alma e Coração

"Entre os melhores estão os que continuam correndo quando as pernas tremem; os que continuam jogando quando o ar acaba; os que continuam lutando quando tudo parece perdido... Como se cada vez fosse a última! Convencidos de que a vida em si é um desafio. Sofrem, mas não se queixam, porque sabem que a dor passa, o suor seca, o cansaço termina. Mas há algo que nunca vai desaparecer: a satisfação de ter conseguido."
Allen Inverson

Obrigado a todos

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Agora os sonhos divagam por sitios nunca antes visto, nunca antes sonhados.
Divagam pelo país dos projectos.
Rios de sorrisos e coisas felizes alimentam todos os campos cultivados e por cultivar.
Com raízes sólidas e alicerces bem feitos.
Com pedacinhos de muita luta, de muito acreditar, damos a mão à palmatória, e realizamos os sonhos.
Com querer.
Basta sonhar, e acreditar.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Silêncio dos bons.

O frio apodera-se do dia a terminar. Sem me dar conta, caio de "pára quedas" nesse local. De repente, o poder duma presença até agora indiferente, trnsforma-se no calor aconchegante de um gélido início de madrugada. Consegue até aquecer o infimo da alma, o recondido do meu ser.
A noite termina. Mas nunca acaba. Dá lugar aos mais sinceros motivos de esperança num sentimento verdadeiro, faz-me gastar milhares de pedidos a estrelas cadentes, a pulseiras de  desejos, a situações surgidas do nada. Era (e é) instintivamte que o meu pensameto voa para ti, quando...sempre! Voou para ti nos dias de trânsito, nos dias de frio em que o olhar a luz me fazia estar mais perto de ti. Voou para ti quando não sabia de nada, quando imaginava tudo, quando alguém falava (e se não falasse voava também).
Aquele aconchegante calor na alma, acompanhou os meses de frio desse ano, e nem com o calor se foi embora. Queimava quando se entrelaçavam olhares, e crescia comigo. Certezas e duvidas nasciam, e morriam. Mas o calor continuava, e teimava em não me abandonar nunca. E veio o frio, e veio conversas, e veio algo mais, muito mais que calor. Veio uma pessoa, um ser, que justificava tudo aquilo, que falava coisas que achava que já sabia, mas que ouvia com toda a atenção do mundo.
Veio tanta coisa, mas acima de tudo veio certeza. Certeza que uma coisa assim não termina, por mais que se fuja. E veio fugas. E veio encontros, porque de algo mais forte que as mesquinhas leis dos Homens se trata, e preconceito, ou conceito nenhum tem poder contra isso.
Existe nós quando entre o "eu" e o "tú" há uma ligação, uma conecção. Não percebo (não só, mas também) como foi possível resistir tanto tempo a coisas que o destino foi dando provas de estarem escritas ao longo deste periodo. Não entendo como consegues pensar que será possivel viver sem este calor, sem este ser. Aprendi que os Homens usam poderes que não têm, e que detêm poderes alheios que não deviam ter. O poder da liberdade, por exemplo, que tantas vezes é manipulado.
Não é justo. Mas se fosse só de justiça, e não fosse também de carácter, que fosse feita a vida, não valeria a pena existirem Pessoas. Tú es uma Pessoa, e é por isso que o coração ainda bate, porque sabe que as pessoas nada podem fazer contra as Pessoas (estas, com carácter). E também porque sei (porque já assim aconteceu) que a manipulação não tem alicercers sólidos, que é apenas uma solução ilusória e monumentânea, que depois, a verdade, irrefutável, vem ao de cima.
Puxa-a para cima! Agara-a! Luta para que ela apareça!
Só assim se expulsa tristezas. Só assim se tem certezas. Só assim não se magoa ninguém.

Pinguim

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

"Escuta a minha voz"

"Porque é que ninguém nos sugere os locais onde temos de ter mais cuidado: aqui, o gelo é mais fino, além, é mais espesso, será de continuar, fazer um desvio, recuar, parar, evitar? Porque temos sempre de levar connosco o peso dos gestos não feitos, das frases não ditas, daquele beijo que não dei, daquela solidão que não abracei? Porque será que vivemos imersos nesta extraodinária estupidez, desde que nascemos? Tudo nos parece eterno e a nossa vontade reina obstinada sobre o minúsculo e confuso Estado que se chama eu, prestamos-lhe homenagem como se fosse um grande soberano. Bastaria abrir os olhos por um segundo para perceber que não passa de um príncipe de opereta, volúvel, afectado, incapaz de bominar e de se dominar, incapaz de ver o mundo para além das suas próprias fronteiras, que mais não são do que os bastidores - variáveis e acanhados - de um palco."

Susana Tamaro, "Escuta a minha voz"

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Terror de te Amar

"Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo

Mal de te amar neste lugar de imperfeição
Onde tudo nos quebra e emudece
Onde tudo nos mente e nos separa."




Sophia de Mello Breyner

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Sentidos do Silêncio

Desço a serra sozinha, sem ninguém – sem barulho, em silêncio – e olho a aldeia não com os olhos (que vêm tudo mas não associam) mas com a visão. E a primeira coisa em que reparamos é na semelhança, entre a nossa aldeia e as ilhas da Grécia. As casas (quase) todas brancas, “empilhadas” umas sobre as outras parecem saídas dessas paisagens mediterrânicas.
E a brisa bate-nos na cara.
Quente, gelada, ou húmida, dependendo da estação do ano, ela traz com ela aromas da aldeia. O cheirinho do jantar quase pronto, que nos abre o apetite, o fumo do lume, que nos faz lembrar o natal, os dias de inverno...
Nos meses em que os dias são maiores, ainda sentimos o sol a queimar-nos a pele, como que a dizer “adeus, até amanhã”, e despede-se de nós.
E a brisa...como é Verão, é o cheiro a calor...o cheiro quente, que nos conforta a alma. Cheira a flores, e a frutos.
E de novo a brisa...desta vez mais fresquinha...e o aroma das acácias enche-nos de felicidade. Faz-nos rir sozinhos. Falar para nós mesmos. Olhar à nossa volta e dar valor ao que temos, à nossa aldeia. Ao quanto bem ela nos recebe depois de um dia fora, ao quanto ela nos reconforta de todos os problemas e preocupações.
E mais uma vez, a brisa...vem fria, gélida...está escuro. O céu tem estrelas, umas mais brilhantes que outras. Há vezes que, ao olharmos a imensidão azul escura, somos presenteadas com estrelas-cadentes. São as árvores que dançam ao som do vento as únicas que ouve os murmúrios de tantos desejos já pedidos.
E o silêncio deixa-nos ouvir o som da aldeia. Uma ou outra conversa salta, imperceptível, para o caminho. O carro que passa faz sinal de luzes, apita, ou levanta a mão, (é pessoa conhecida, da aldeia). Alguém passa, solto um sussurrado “Boa noite”.
Também chove. A chuva molha a cara e limpa-nos os vestígios da cidade, suja e poluída.
Respiro fundo.
Mesmo se não visse, o silêncio, os cheiros, o aconchego, o simples gesto de pisar a estrada indica-nos “estamos em casa”!
Sentieiras.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

A culpa é nossa!

"Um cão não tem necessidade nenhuma de carros sofisticados ou de casas sumptuosas ou de roupas da moda. Os símbolos de status não lhe dizem nada. Um pau lambido pelo mar serve perfeitamente. Um cão não julga os outros pela cor da pele, credo religioso ou classe social, mas sim por o que elas têm dentro de si mesmas. Um cão não se interessa em saber se somos ricos ou pobres, educados ou iletrados, burros ou inteligentes. Dêem-lhe o vosso coração que ele dar-vos-á o seu. As coisas são na realidade bastante simples, e no entanto somos nós, os humanos, muito mais sábios e sofisticados, quem sempre teve dificuldade em discernir o que é realmente importante ou não."


Marley & Eu, Jonh Gorgan

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Sempre

Com a certeza de que tudo vai mudar, mas há coisas que permanecem.
Sentimentos como estes são imutáveis, e sò progridem para mais e melhor.
Olhares destes são esculpidos na nossa mente, reflectidos no nosso pensamento, e tornam-se eternos.
Ressuscitados a cada momento.
Para sempre.

Coisas inesplicáveis que se tornam lógicas na tua presença. Justificações passíveis de serem dadas.
Coração fora de mim, só teu.
Para sempre.

Respiração ofegante e incontrolada, que se torna inaudível na tua presença.
O cérebro deixa de distinguir acaso de destino, e o que importa é que tudo acontece.
Para sempre!
SEMPRE

sábado, 23 de janeiro de 2010

"Liberdade"

"Aqui nesta praia onde                                        Não há nenhum vestígio de impureza,
Aqui onde há somente
Ondas tombando ininterruptamente,
Puro espaço e lúcida unidade,
Aqui o tempo apaixonadamente
Encontra a própria liberdade"

Sophia de Mello Breyner Andresen

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Zé Diogo Quintela e a sua crónica: "Deixai adoptar as criancinhas"

"O casamento entre pessoas do mesmo sexo foi aprovado, mas sem possibilidade de adopção. Acho que é injusto. Nomeadamente, é injusto para os casais heterossexuais. Se os homossexuais têm o casamento, então deviam levar com o casamento todo. O casamento não é só coisas boas. Também há os filhos. E é injusto beneficiar um casal homossexual, que assim evita chegar um dia a casa e ter as paredes da sala todas pintadas com marcadores fluorescentes. Evita ir às urgências, tirar um berlinde de um nariz. Não são mais do que nós, para terem um casamento de primeira, em que são poupados à experiência de aturar um adolescente durante a idade do armário. Que é a altura do desenvolvimento humano em que percebemos porque é que não é boa ideia ter-se armas em casa. Ao alcance dos pais.
Há quem diga que temos de pensar no que as crianças podem vir a passar na escola, por terem dois pais ou duas mães. "E se eu tivesse dois pais, como é que teria sido a minha vida na escola?" Não posso responder por ninguém, mas a minha teria sido igualzinha ao que foi. Os meus colegas nunca conheceram os meus pais. Nem o meu pai, nem a minha mãe iam à escola. Nunca foram assistir aos meus teatrinhos. Nunca iam às reuniões de pais. Em toda a sua vida parental só foram a uma: a primeira do meu irmão mais velho. Depois disso decidiram que era uma inútil perda de tempo. Não me parece que, se por acaso fossem homossexuais, tivessem aparecido mais. Os meus colegas nunca souberam se fui criado pelo meu pai e pela minha mãe, pelos meus avós, por um casal de decoradores ou por uma loba.
Teme-se que os filhos de casais de homossexuais sejam alvo de gozo e que isso os possa traumatizar. Um argumento que também não me comove. É que eu sou adepto do Sporting desde miúdo. Os 18 anos de seca coincidiram com a minha idade escolar. Sei bem o que é ser gozado nas aulas todas as segundas-feiras, depois de uma derrota com o Covilhã ou com o Penafiel, era achincalhado pelos mini-lampiões, que nesse tempo até ganhavam com alguma regularidade (parece incrível, eu sei). Podem crer que trocaria vitórias do Sporting por pais homossexuais. Principalmente à segunda-feira. Não podendo, então não me importava de acumular: má época do Sporting com duas mães camionistas. Talvez desviasse a atenção do infortúnio sportinguista. "Ó Quintela, gostas mais da mamã ou da mamã?", diriam os gozões no início da semana, esquecendo o ridículo empate frente a O Elvas. Quem me dera...
Outra advertência é feita por quem acha que uma criança adoptada por dois homossexuais pode sentir-se chocada com as manifestações de carinho entre o casal. Não tenho dúvidas de que isso aconteça. É naturalíssimo. Quem já teve o azar de ver o pai e a mãe no meio da marmelada sabe que é chocante. A sexualidade dos pais, hetero ou homo, é sempre desconfortável. Uma vez apanhei o meu pai a beijar a minha mãe e deixei de conseguir ver filmes com cenas de sexo durante seis meses. Quem acha que a sexualidade dos pais pode influenciar a sexualidade dos filhos não conhece esta mecânica. É óbvio que influencia: quando pensamos nos nossos pais juntos na cama, o embaraço é tanto que só nos apetece a castidade.
Claro que vai haver sempre casos de crianças que vão dizer: "Não quero ir viver com este dois maricas. Prefiro voltar para o meu papá, que pode beber um bocadinho e queimar-me com cigarros nas costas, mas é um homem à séria. Fez 12 filhos, a maior parte à minha mãe. Mas, como o meu papá ainda está em Vale de Judeus por ter matado a minha mãe, vou antes ficar por aqui, à guarda do Estado. Comem-se as melhores papas de aveia!" Nestes casos, faça-se a vontade à criança.
Espero que em breve os casais de pessoas do mesmo sexo sejam autorizados a adoptar. Talvez daqui a dois, três anos, seja uma boa altura. Agora, não. É deixá-los desfrutar. Toda a gente sabe que não se devem estragar os primeiros anos de casamento indo logo ter filhos."


José Diogo Quintela, in Publico (numa das ultimas edições)

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Arrepiante

"O arrepio aquece a mente, percorre o infimo do corpo. E depois desliga o pensamento. E sem se preocupar com mais nada, e sem corragem para fuguir, tal como a brisa da noite fria de mais um ano a terminar, alucinaste os meus sentidos"

Um mês depois.
É.B.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

"Facidades"

Em tudo há das duas faces:
O Alfa...e o Omega, princípio e fim. Yng e Yang. Preto e branco, bom e mau. Muito e pouco. Simpático e antipático.
E o reverso da gargalhada?
Será o silêncio, a tristeza, a melancolia e a ingenuidade?
Talvez sim. Se gargalhada for sinceridade, for genuina e sinónimo de alegria.
Mas...e quando a gargalhada não for nada disso? Se a gargalhada for  maléfica e insensata, desumana. Mesquina.
Aí talvez a outra face seja o sorriso. A expressão sincera do espirito. Espelho de almas e de corações. Fonte de intrepretações de humores, amores.
Faces que se completam. Que se opoem. Misturam.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010




"Se nos lembrarmos melhor dos bons momentos, para que servem os maus?" Vian, B.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Temporada

Assim que cruzei a esquina, o arrepio surguiu. À medida que avançava, avançava também a ansiedade. O calor abrasador do mês de Julho refectido nas janelas envidraçadas com caixilhos de madeira, dava a ilusão que pela rua voavam fadas incandescentes. A meio da rua fui tentada a parar, abrandei o ritmo, mas depressa acelerei o passo. Respirei fundo, como que ganhando coragem para continuar, e depressa me chegou o cheiro a maresia. Estava perto...do mar! Fechei os olhos e sem esforço a minha mente me colocou a  pisar as ondas, a mergulhar na imensa água salgada.
Belisquei a palma da minha mão. "Acorda!" disse para mim mesma.
E prossegui caminho.
Cheguei então à cabana. Surpreendi-me ao dar conta que ainda me lembrava de tanta coisa.
Ouvi os passos do velho
- Já chegaste. - disse ele.
- Estou aqui, tal como pediu nas cartas que escreveu.
Com a expressão mais sábia que alguma vez vira, esticou a mão, que trazia uma caixa de madeira carcomida pela salinidade da maresia. Os olhos reflectiam um castanho vivido, uma tonalidade que ia desde a avelã ao madeira, luminoso, brilhante. Consegui ver-me ao espelho neles, e constactei, pela primeira vez em muitos anos que envelhecera mais do que devia.
Estiquei a mão, um pouco apreensiva. Mas o sorriso do velho homem encorajou-me a avançar.
- Foste tu que escreveu o que ai se encontra dentro. Tinhas 5 anos, e garantiste que ias ser assim, e ser feliz. Quando terminaram as tuas férias, despediste-te de mim tão a correr, que esqueceste isto.
E tinha esquecido. Até aquele dia.
- Obrigada. - Murmurei. E não resisti a abraçar o velho Homem, que tinha como nome Tobias.
Voltei costas e fui-me embora. Caminhei em direcção ao mar, dei um mergulho, e procurei uma rocha para me sentar. Deixei que o escaldante sol secasse a minha pele, e enquanto isso várias perguntas surguiram. Como se lembrava o homem de mim? como conseguiu a minha morada?
Lemtamente, abri a caixa. Desenrolei a velha folha de rescunho que em tempos tinha sido a infomação de que o velho tinha uma consulta.
E li, palavra a palavra, o que uma menina de 5 anos, a muito tempo atraz escrevera. A letra era imprecisa, e muitas vezes desenhada ao contrário. 
Os desejos, simples e directos. Uns mais que outros, eram típicos de uma criança sonhadora. E a mulher que os lia, percebia o quanto tinha mudado. O quanto leis, regas sociais, e os outros, influenciam cada objectivo da nossa vida. Seja ele feito aos 5 anos, ou aos 50...
Levantou-se da rocha. Fez uma longa caminhada à beira mar.
Os sonhos que tinha, ainda os tem, um por um, ainda fazem parte do reportório de desejos que desde à tanto tempo habita nela. faltou audácia, preserverança, faltou tempo para ter tempo de por as coisas em ordem. E não consguiu dar a volta ás coisas, porque esta mulher, não era feliz!

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010


"Como o vento é para o fogo, é a ausencia para o amor. Se é pequeno, apaga-o logo, se é grande, torna-o maior"(Jaime Cortesão)

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

8760 horas de Sorrisos

O fim de tarde era sombrio, e de tão sombrio a mente encarava já com noite. Caminhava entre as sombras da cidade, querendo chegar á meta (será que ela existia?!). De quando em vez, arrepiava-me, e com esse arrepio vinha uma recordação. A tristeza que se sente quando alguem de quem gostamos não está - a tão Portuguesa Saudade - faz-me fazer um flash-back deste ultimo ano, mas depressa carrego na "pausa". Para que isto serve?! O que vai mudar no passado?! O que o presente altera?!
Talvez so no futuro tenhamos a resposta. Só no futuro saberei como foi o passado - as consequencias que ele tem -, mas sei, porque o estou a viver, que o presente é agora. Estou a sorrir, talvez o presente não
 seja tão mau como as lagrimas já vertidas faziam parecer.

Não como passas, não gosto! Desejos peço-os quando vejo uma estrela, ou quando me apetece. Quando for meia-noite, não me devo lembrar de pedir os 12 desejos, mas vou saborear cada momento das 12 badaladas, como espero saborear cada um dos 12 meses, das 52 semanas, dos 365 dias deste novo ano, com  o unico desejo: o de quando pensar em 2010 como "ano velho", ter a certeza que vivi o que havia para viver, que não deixei nada por dizer, nenhuma opurtunidade escapar... Então, terei a certeza de qual foi a meta. Mas isso contará para alguma coisa?

FELIZ ANO 2010 :)
De profundis


Encontro, algures na minha natureza, alguma coisa que me diz que não há nada no mundo que seja desprovido de sentido, e muito menos o sofrimento. Essa qualquer coisa, escondida no mais fundo de mim, como um tesouro num campo, é a humildade. É a última coisa que me resta, e a melhor (…). Ela veio-me de dentro de mim mesmo e sei que veio no bom momento. Não teria podido vir mais cedo nem mais tarde. Se alguém me tivesse falada dela, tê-la-ia rejeitado. Se ma tivessem oferecido, tê-la-ia rejeitado (…). É a única coisa que contém os elementos da vida, de uma vida nova (…). Entre todas as coisas ela é a mais estranha (…). É somente quando perdemos todas as coisas que sabemos que a possuímos.

(Oscar Wilde, in “De Profundis”)

domingo, 27 de dezembro de 2009

"A festa da Vida"

Que venha o sol o vinho e as flores

Marés, canções de todas as cores
Guerras esquecidas por amores;

Que venham já trazendo abraços
Vistam sorrisos de palhaços
Esqueçam tristezas e cansaços;

Que tragam todos os festejos
E ninguém se esqueça de beijos
Que tragam pendas de alegria
E a festa dure até ser dia;
Que não se privem nas despesas
Afastem todas as tristezas
Pão vinho e rosas sobre as mesas;
Que tragam cobertores ou mantas
E o vinho escorra p'las gargantas
E a festa dure até às tantas;
Que venham todos de vontade
Sem se lembrarem de saudade
Venham os novos e os velhos
Mas que nenhum me dê conselhos!
Que venham todos de vontade
Sem se lembrarem de saudade
Venham os novos e os velhos
Mas que nenhum me dê conselhos!

José Niza

domingo, 13 de dezembro de 2009

Marionete

"Se, por um instante, Deus se esquecesse de que sou uma marionete de trapo e me presenteasse com um pedaço de vida, possivelmente não diria tudo o que penso, mas, certamente, pensaria tudo o que digo.
Daria valor às coisas, não pelo que valem, mas pelo que significam.
Dormiria pouco, sonharia mais, pois sei que a cada minuto que fechamos os olhos, perdemos sessenta segundos de luz.
Andaria quando os demais parassem, acordaria quando os outros dormem.
Escutaria quando os outros falassem e gozaria um bom sorvete de chocolate.
Se Deus me presenteasse com um pedaço de vida, vestiria simplesmente, me jogaria de bruços no solo, deixando a descoberto não apenas meu corpo, como minha alma.
Deus meu, se eu tivesse um coração, escreveria meu ódio sobre o gelo e esperaria que o sol saísse.
Pintaria com um sonho de Van Gogh sobre estrelas um poema de Mário Benedetti e uma canção de Serrat seria a serenata que ofereceria à Lua.
Regaria as rosas com minhas lágrimas para sentir a dor dos espinhos e o encarnado beijo de suas pétalas.
Deus meu, se eu tivesse um pedaço de vida... Não deixaria passar um só dia sem dizer às gentes - te amo, te amo.
Convenceria cada mulher e cada homem que são os meus favoritos e viveria enamorado do amor.
Aos homens, lhes provaria como estão enganados ao pensar que deixam de se apaixonar quando envelhecem, sem saber que envelhecem quando deixam de se apaixonar.
A uma criança, lhe daria asas, mas deixaria que aprendesse a voar sozinha. Aos velhos ensinaria que a morte não chega com a velhice, mas com o esquecimento.
Tantas coisas aprendi com vocês, os homens... Aprendi que todo mundo quer viver no cimo da montanha, sem saber que a verdadeira felicidade está na forma de subir a escarpa.
Aprendi que quando um recém-nascido aperta com sua pequena mão pela primeira vez o dedo de seu pai, o tem prisioneiro para sempre.
Aprendi que um homem só tem o direito de olhar um outro de cima para baixo para ajudá-lo a levantar-se.
São tantas as coisas que pude aprender com vocês, mas, finalmente, não poderão servir muito porque quando me olharem dentro dessa maleta, infelizmente estarei morrendo."

(supostamente escrito por Gabriel García Marquez, quando se tornou público que este teria uma doença terminal. O escritor desmente tal autoria. Mas o texto continua a ser digno de aplausos!)

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Isto:

Sem recantos.
É assim que vejo este cantinho virtual. Aqui tudo é direito, plano...Aqui tudo é mais do que o ecrã do computador, aqui as palavras matamorfam-se e ganham forma. Viajam, cantam, riem, falam coisas sem sentido, e até conta o que outros disseram.
Sem preconceitos.
Sem duplos sentidos ou verdades escondidas.
Porque a piada da coisa (este jeito esquesito de brincar com palavras e divagar sabe-se la por onde) está em que, sem cantos podemos ir aonde quisermos, como que de uma volta ao mundo se tratasse. Chegamos ao ponto de partida, mas lá há sempre um outro inicio.
E cada um vai para onde quer. Cada um ao ler intrepreta o que a sua imaginação deixa, encanta-se por coisas que o fantastico que habita e cada um permite.
Porque cada um tem uma intrepretação...diferente!

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Ainda a Respeito de Sorrisos...

"Sorriso, diz-me aqui o dicionário, é o acto de sorrir. E sorrir é rir sem fazer ruído e executando contracção muscular da boca e dos olhos.O sorriso, meus amigos, é muito mais do que estas pobres definições, e eu pasmo ao imaginar o autor do dicionário no acto de escrever o seu verbete, assim a frio, como se nunca tivesse sorrido na vida. Por aqui se vê até que ponto o que as pessoas fazem pode diferir do que dizem. Caio em completo devaneio e ponho-me a sonhar um dicionário que desse precisamente, exactamente, o sentido das palavras e transformasse em fio-de-prumo a rede em que, na prática de todos os dias, elas nos envolvem.
Não há dois sorrisos iguais. Temos o sorriso de troça, o sorriso superior e o seu contrário humilde, o de ternura, o de cepticismo, o amargo e o irónico, o sorriso de esperança, o de condescendência, o deslumbrado, o de embaraço, e (por que não?) o de quem morre. E há muitos mais. Mas nenhum deles é o Sorriso.
O Sorriso (este, com maiúsculas) vem sempre de longe. É a manifestação de uma sabedoria profunda, não tem nada que ver com as contracções musculares e não cabe numa definição de dicionário. Principia por um leve mover de rosto, às vezes hesitante, por um frémito interior que nasce nas mais secretas camadas do ser. Se move músculos é porque não tem outra maneira de exprimir-se. Mas não terá? Não conhecemos nós sorrisos que são rápidos clarões, como esse brilho súbito e inexplicável que soltam os peixes nas águas fundas? Quando a luz do sol passa sobre os campos ao sabor do vento e da nuvem, que foi que na terra se moveu? E contudo era um sorriso"
José Saramago.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Espelho da Alma

Sorriso.
A expressão sincera do espirito. Espelho de almas e de corações. Fonte de intrepretações de humores, amores, felicidades e ambiguidades.
Pode ser fútil ou genúino. Salta barreiras de todo tipo. Culturais - tudo o que o homem constrói - e naturais - tudo o que Alguém criou.
Sorrimos a um velhinho. E a uma criança. E a alguém que nos simpatiza e enche ego - quer ele seja mau ou bom!
Dá-nos Carisma. Faz de uma simples contracção muscular um Cartão de visita.
É o elo da primeira impressão com a impressão final.
Pode fazer a diferença infinita entre o Sim e o Não.
Transforma um dia mau num dia bom.
O sorriso também segreda Obrigados, Agradecimentos, Pedidos de Desculpa, Súplicas. Sentimentos
O sorriso nasce das entranhas do ser. Percorre cada recordação, cada memória, cada célula do nosso corpo e da nossa alma.
E brota no rosto, sempre com segredo diferente para contar, com um silêncio energético e vibrante, que muda cada instante da nossa vida.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Réponse

Pensei, ao escrever este titulo, em falar da querida professora de Françês que tive ao longo do 3º ciclo. O seu amor e dedicação ao ensino dariam muito "pano para mangas"..
Mas não é disso que vou falar. Réponse é a palavra-mãe da portuguesa "responsabilidade". E significa resposta. Responsabilidade é o acto de responder perante uma situação, uma ocasião. E por defeito, associamos a falta de responsabilidade a "coisas más". Mas também pode ser "coisas boas".
É falta de responsabilidade não assumir uma opinião. Não encarar uma situação. Fazer uma "coisa boa", mas sem ser com o coração. Dizer aquilo que não se sente.
Falta de responsabilidade é isto. Por causa daquilo. Por causa de nós.