quinta-feira, 13 de maio de 2010

Dèja vu

Pareceu-me que alguém puxava o cabelo longo, espesso, mal apanhado. O resultado de desleixo, adiamentos de idas ao cabeleireiro, estava à vista. Pontas sem disciplina, cabelo sem corte. E o puxão foi delicado e suave. Deixou-se de ouvir a música, deixou-se de sentir o frio. Era impossível, mas estavas aqui. Não durou mais de uns segundos. Mas foi real. Virei-me mais por instinto que por outra coisa, e juro que se não tivesse constipada teria cheirado o perfume, o teu perfume. Agora encontro-me algures a flutuar entre a realidade e os sonhos.

Mas não serão, afinal, a mesma coisa?

quarta-feira, 12 de maio de 2010

"Como explicar-te como tudo isto se te tornou alheio, como tudo te pareceria agora estranho, como nada do que foi teu vigia o teu hipotético regresso? (...) E arranquei a página da agenda com o teu nome e o teu número de telefone. Veio a seguir Abril e depois o Verão. Vi nascer a flor da tremocilha e das buganvílias adormecidas, vi rebentar o azul dos jacarandás em Junho, vi noites de lua cheia em que todos os animais nocturnos se chamavam rãs, corujas e grilos, e um espesso calor sobre a devassidão da cidade. E já nada disto, juro, era teu. E foi assim que descobri que todas as coisas continuam para sempre, como um rio que corre ininterruptamente para o mar, por mais que façam para o deter.
Sabes, quem não acredita em Deus, acredita nestas coisas, que tem como evidentes. Acredita na eternidade das pedras e não na dos sentimentos; acredita na integridade da água, do vento, das estrelas. Eu acredito na continuidade das coisas que amamos, acredito que para sempre ouviremos o som da água no rio onde tantas vezes mergulhámos a cara, para sempre passaremos pela sombra da árvore onde tantas vezes parámos, para sempre seremos a brisa que entra e passeia pela casa, para sempre deslizaremos através do silêncio das noites quietas em que tantas vezes olhámos o céu e interrogámos o seu sentido. Nisto eu acredito: na veemência destas coisas sem princípio nem fim, na verdade dos sentimentos nunca traídos.
E a tua voz ouço-a agora, vinda de longe, como o som do mar imaginado dentro de um búzio. Vejo-te através da espuma quebrada na areia das praias, num mar de Setembro, com cheiro a algas e a iodo. E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente. Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros. Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram. Não perdi nada, apenas ilusões de que tudo podia ser meu para sempre. "


in "Não te deixarei morrer, David Crockett" de Miguel Sousa Tavares

domingo, 9 de maio de 2010

Fazer viver

As grandes histórias de amor nunca acabam com "viveram felizes para sempre". Porque só quando se ama a sério é que somos capazes de ver alguém feliz (mesmo que não seja a 100%), e não lhe estragar a felicidade. Não fazer feitiços, boatos, artimanhas ou explosões de verdade que nos fazem contar tudo.
Só quando se ama  a sério se consegue amar para sempre.
Só quando se ama a sério se consegue fazer uma grande história de amor, e conta-la a sobrinhos, filhos, netos. Conta-la a um jovem sentado num banco de jardim quando esperamos que o sol aqueça os ossos, e lhe tirem o caruncho dos tempos. Conta-la com o olhar longe, tão longe que nem sabemos bem onde está. Conta-la com o mesmo brilho nos olhos, com o mesmo sorriso que a vivemos. Ensinar alguém com os nossos erros, fazer alguém sonhar.
Deixar viver a historia...

sábado, 8 de maio de 2010

O tempo que não é eterno

Quando se racionaliza e se pensa demais, as decisões surgem tarde demais,e sejam elas quais forem, já não valem de nada.

Daqui a uns tempos, será que temos tempo?

terça-feira, 4 de maio de 2010

Querer

Queria um abraço grande. Tão grande quanto grande é o Universo. Um abraço em expansão, onde cada vez mais juntos, aumentássemos tudo... Queria um chão. Queria um céu. Queria uma estrela que não me transformasse num buraco negro. Queria que tudo fosse fechado numa caixinha de fósforos, que seria tão densa quanto toneladas de coisas densas. Queria um sorriso. E queria o Universo.

sábado, 1 de maio de 2010

"Escrever é usar as palavras que se guardam. Se tu falares demais, já não escreves, porque te resta nada para dizer.."

Miguel Sousa Tavares, No teu Deserto

( Um dia, o teu silêncio será um livro, que só nós iremos ler. Perto ou longe, juntos ou separados, a alguém. A nós mesmos. )

terça-feira, 27 de abril de 2010

Mais do que dizer,

A noite era fria. De um inesgotável sentido de humor nascem amizades que se prolongam noite a dentro, vida fora...
De (re)encontros se formam novas perspectivas de uma realidade feérica e sobre natural. Trespassa-nos o não querermos transparecer. Soluçamos verdades congeladas por aquela noite tão gelada...cantamos sozinhos melodias sem musica, de quem nunca mais se lembramos da letra.
De quando em vez, em sintonia com o pensamento, uma estrela cadente dá-nos coragem para sorrir e seguir em frente. Para agarrar com a bênção da sorte – acaso – do destino a oportunidade de ser tudo.
Completamente vazio, o balão de Hélio voa e mostra a quem se aventura o bom que é andar no céu.
Cheios disto que tanto é, e que tanto se desvaloriza, já andei por sítios onde nunca esperei ir. Mundos mágicos muito, muito especiais, que sempre andaram pela esquina da nossa vida. Com as portas deste Mundo tão nosso abertas, viajamos sem bilhete pela imaginação, pela felicidade, pela luz...
Não conta nada do que se espera que conte. Somos livres antes de sermos qualquer coisa, e a tal magia faz com que aconteça o que o coração manda. E que se lixe tudo. Tudo conta, e tudo não serve para nada, tudo é quente com tanto disto, com tanto de nós. Ganhamos mutuamente, independente do que venha, do que exista, do que se tenha coragem para fazer.

Teremos sempre aquele lugar especial.

domingo, 25 de abril de 2010

Espingardas em Flor

Foi contra os "não digas isso", os "não faças aquilo", foi contra o "quero fazer mas não posso". Há 36 anos por esta altura, foi por isso que se lutou. Por uma liberdade justa, e transparente. Por uma liberdade com responsabilidade, e com igualdade. Para sorrisos abertos, e mentes adequadas ao século que se vivia. Foi graças ás vozes que não se calaram, aos que negaram cruzar os braços, aos que decidiram dizer o que achavam, e fazer o que pensavam, que posso estar hoje a escrever sem sofrer censura, que posso estar numa escola com rapazes e raparigas, que posso beber coca-cola, e ler e ouvir a musica que quero, e aprender coisas realmente importantes. Foi graças ao dia 25 de Abril de 1974 que sou livre. Que posso quebrar a liberdade e sofrer as consequências. Que posso ser eu sem medo de ir presa, ser torturada, mutilada, ou olhada de lado (bem, olhada de lado, nem sempre...)
O 25 de Abril começou à 36 anos, mas ainda não acabou. Passo a passo, dia a dia, cada um de nós faz uma pouco desta revolução, ao expressar-se quando ninguém espera, ao contrariar uma opinião, ao dizer "não" ou a ter o direito de não estar satisfeito com as coisas.
O Mundo não tem de ser poticamente correcto. Defeitos existem e são para nos tornar ainda mais únicos neste cosmos. A liberdade existe não para ser quebrada ou censurada, mas para ser responsabilizada.
Como li à uns tempos num jornal: "Educar e viver em liberdade dá mais trabalho, mas também vale mais a pena".

Olá, calor!

O calor descongela ideias.  Amadurece frutos. Faz-nos rir. 
O calor faz-nos ficar assim, felizes sem motivo.
Mesmo sem motivo nenhum.  
E o brilho nos olhos permanece...

sábado, 24 de abril de 2010

Um outro lado...da moeda

A "Fúria Divina", de José Rodrigues dos Santos, Gravida 2009.

É sempre mais fácil julgar do que perceber. Um novo ponto-de-vista para olharmos para a cultura Islâmica, e para olharmos para o nosso Mundo. 

Poema da Terra Adubada

Por detrás das árvores não se escondem faunos, não.
Por detrás das árvores escondem-se os soldados
com granadas de mão.

As árvores são belas com os troncos dourados.
São boas e largas para esconder soldados.

Não é o vento que rumoreja nas folhas,
não é o vento, não.
São os corpos dos soldados rastejando no chão.

O brilho súbito não é do limbo das folhas verdes reluzentes.
É das lâminas das facas que os soldados apertam entre os dentes.

As rubras flores vermelhas não são papoilas, não.
É o sangue dos soldados que está vertido no chão.

Não são vespas, nem besoiros, nem pássaros a assobiar.
São os silvos das balas cortando a espessura do ar.


Depois os lavradores
rasgarão a terra com a lâmina aguda dos arados,
e a terra dará vinho e pão e flores
adubada com os corpos dos soldados.


António Gedeão, in 'Linhas de Força'

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Certamente

A diferença entre tudo, é a do tempo. Ele não faz nada ser Para Sempre. Faz as coisas durarem para sempre. Para Sempre, é intensidade e não temporalidade, é o tudo no meio do nada, quebrando leis de Homens que nunca sentiram assim.
O tempo é ilusão. Tal como a proximidade. Quantas vezes se sentimos proximos de quem está longe, e longe de quem está proximo? Temos saudades de quem está ao nosso lado. Preocupamos-se com a distância fisicia, e esquecemos a psicologica.
Somos Humanos. Embora nem todos, alguns apenas. E ser Humano implica reconhecer que Para Sempre é importante, e o tempo, no fundo é argumento dos falhados.
Para Sempre.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Sentieiras

Remontamos muitos séculos de história. Personalidades, acontecimentos, e lendas cruzam as ruas da Aldeia. Mas não disso que se fala. Fala-se do mérito, esforço, sentido de equipa, camaradagem, e luta que se põe em cada actividade que se faz aqui. Há quem não dê valor, nem importância. Mas é isso que importa?! Importa os factos, e para estes casos também importa comparações. Somos dos poucos sitios que tem vida para além da vida familiar, dos poucos sitios em que as pessoas, embora nem tantas vezes como gostariam, têm actividades para assim passarem de maneira diferente os dias, sem se terem de deslocar a outros sitios. Somos únicos.
E mais uma vez, fomos únicos. Entre os oito melhores do distrito de Santarém no campeonato Inatel. Uma terra que, quem passa só de passagem, e não conhece, não dá valor, e desvaloriza. Mas somos dos bons.
Dentro e fora de campo, tal como em muitas outras coisas, Sentieiras está na linha da frente. Sentieiras está em primeiro.

Parabéns a todos! Porque "Ninguém pára as Sentieiras!!"
 

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Chamamentos

Com o sono prestes a declarar Guerra sobre um corpo cansado e sem força, oiço uma energia que me ordena que te deixe um último sinal de existencia, de sentimento, de pessoa.
Percorro o meu infímo pela enésima vez, e continuo  sem encontrar a brecha de inveja. Concluo então, que são ensinuações. Os adjectivos, tal como as acções, ficam com quem os diz.
E teimo em pestanejar lenta e demoradamente os olhos, e pesadamente digito as letras, silabas palavras... Tento controlar os dedos, para que não escrevam mais do que devem, levados pelo sono. Um dia, talvez, conte um história para adormecer.
Lentamente, fecho os olhos, e a real dormescência transforma-se num mundo de sonhos.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Também é isto que eu acho..

"É isso que eu acho que é o amor. Quando conhecemos perfeitamente alguém, e apesar disso, não queremos mudar nada"
Jodi Picout, O Pacto

sábado, 10 de abril de 2010

Anatomia

Fiquei a conhecer a anatomia das tuas mãos. Todos os contornos, refegos, altos e baixos. Fiquei a conhecer a textura da tua pele, o macio toque que ela provoca, e até os seus impulsos nervosos, que chegavam até mim como suaves choques electricos. Percebi como é ter as mãos quentes através do calor emanado pelas tuas. E desejei conhecer mais do que as mãos.
E percebi como se faz parar o Mundo. Como se faz para nada mais importar. Como tu me fazes feliz.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Conversas Confusas

Com muita coisa sem nome. Porque nunca ninguem deu nome a isto. Ou eu nunca o ouvi, uma descrição disto com um nome a frente. Há coisas raras. Conheço muitas coisas raras. E conheço estas coisas sem nome, únicas, que me fazem ser tudo, e te fazem ser tanto.

Sem jeito, sem lógica, tal como tu me deixas

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Muito mais que-qual-quer-coisa

Muito mais que o vento, e que um gelado num quente dia de Verão. Muito mais do que chinelo no pé, que salto alto. Muito mais que sorrisos, que lágrimas. Muito mais que fruta, que doces, que salgados. Muito mais que brincadeiras ou coisas sérias, ou sérias maneiras de falar a brincar. Muito mais que balões no céu azul, que premonições de sol e de chuva.

Muito, mas muito mais, que seja o que for.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Noites e dias passam. À sempre algo que não muda. Por-do-sol atrás de por-do-sol, não muda o que sou. Tal como o por-do-sol. Mais laranja. Mais para norte ou para sul. Escondido por entre nuvens claras ou escuras, ou a mostrar ao mundo todo o seu sorriso. Nunca deixa de ser um por-do-sol.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Nossa Paixão

" A razão porque doi tanto separarmo-nos é porque as nossas almas estão ligadas. Talvez sempre tenham estado e sempre o fiquem. Talvez tenhamos vivido milhares de vidas antes desta, e em cada uma delas nos tenhamos reencontrado. E talvez que em cada uma tenhamos sido separados pelos mesmos motivos. Isto significa que esta despedida é, ao mesmo tempo um adeus pelos últimos dez mil anos e um prelúdio ao que virá.

Quando olho para ti vejo a tua beleza e graça, e sei que cresceram mais fortes com cada vida que viveste. E sei que gastei todas as vidas antes desta à tua procura. Não de alguém como tu, mas de ti, porque a tua alma e a minha têm que andar sempre juntas. E assim, por uma razão que nenhum de nós entende, fomos obrigados a dizer-nos adeus.
Adoraria dizer-te que tudo correrá bem para nós, e prometo fazer tudo o que puder para garantir que assim será, mas se nunca nos voltarmos a encontrar outra vez, e isto for verdadeiramente um adeus, sei que nos veremos, ainda noutra vida. Iremos encontrar-nos de novo, e talvez as estrelas tenham mudado, e nós não apenas nos amemos nesse tempo, mas por todos os tempos que tivemos antes."


Excerto do Livro de Nicholas Sparks "Diário da nossa Paixão"

domingo, 4 de abril de 2010

Primavera.
Ninguém destrói isso.
Primavera.

quarta-feira, 31 de março de 2010


Não posso adiar o amor para outro século

Não posso

Ainda que o grito sufoque na garganta
Ainda que o ódio estale e crepite e arda
Sob montanhas cinzentas
E montanhas cinzentas
Não posso adiar este abraço
Que é uma arma de dois gumes
Amor e ódio

Não posso adiar
Ainda que a noite pese séculos sobre as costas
E a aurora indecisa demore
Não posso adiar para outro século a minha vida
Nem o meu amor
Nem o meu grito de libertação
Não posso adiar o coração

A. Ramos Rosa, A Mão de Água e a Mão de Fogo

segunda-feira, 29 de março de 2010

Uma questão mental

Foi anti-natural usar escravos durante milhares de anos. Pareceu-nos imensamente esquisito (bem, talvez a palavra certa seja mais... escandaloso) quando os cientistas falaram pela primeira vez num antepassado comum entre humanos e macacos. No entanto, hoje em dia achamos normal (e até fazemos um certo ar de gozo se alguém nos vem com a conversa do Adão e Eva).
E os homens primitivos viviam em grutas. Hoje temos confortáveis casas. E ao pensarmos em como as coisas já foram, pensamos “como foi possível?”.
Não há muito tempo, as mulheres não usavam calças, andavam de lenço na cabeça e olhar vidrado no chão. Hoje, se nos cruzarmos com alguém assim, temos pena dessa pessoa.
Pensamos disto tudo, o como à algum tempo éramos retrógrados, mentes fechadas e oprimidas.
Hoje em dia fala-se de uma crise de falta de amor. E perante preconceitos, sociedades que não aprendem com os erros do passado, algumas minorias levantam a voz. E dizem aos casais Heterossexuais “Hello! Nós temos milhares contra nós, mas lutamos pelo amor que sentimos, e vocês, por causa de meia dúzia de pessoas, desistem! Vocês muitas vezes podem ter filhos e maltratam, e não querem, e abandonam. Nós queremos e não nos deixam!”
Dogma (ou não), dos casais homossexuais dizem ser pessoas mais sensíveis. Serão piores pais que os “ Pais profissionais”, tão característicos deste século, que estão com os filhos quando vêm televisão, ou quando estão no transito, ou...bem em mais lado nenhum.
Segundo o panorama geral, os homossexuais não têm nos seus requisitos para adopção (quando o fazem como pessoa individual) o conceito de “criança por catálogo”, tão presente como os casais heterossexuais.
Em causa esta uma legalidade. Uma “estúpida lei” que vai alterar só os dados do Bilhete de identidade. Quem quer adoptar, adopta!
O instinto maternal / paternal, o bichinho de querer ter uma família, não escolhe comportamentos sexuais. A falta de amor, de que tantas crianças padecem, é compensada ás vezes em “amigos imaginários”. Não é muito mais racional transportar essa necessidade de atenção para alguém, independentemente de ser homo, bi, metero, trans, ou heterossexual?
E as crianças crescem. Sem conceito de família, com técnicas a entrarem e saírem da vida delas, dormindo em beliches, sem privacidade. Sem espaço próprio. Numa instituição.
OU...
As crianças crescem. Crescem com família, e com a família dos dois papás (ou mamãs), com tios, primos, avós. Com natal e festa de anos próprios. E miminhos da família. Com um espaço seu. Em casa dos papás, que dão amor, conforto, e condições para uma vida equilibrada.
Com dezoito anos, na instituição, espera-lhes um mundo que caso não lhe seja favorável, não pressupõe a possibilidade de voltar para o lar onde cresceu.
Com dezoito anos, em casa dos pais (homossexuais) a vida está a começar. Não há contas para pagar, e pelo menos até aos trinta, não devem querer sair de lá. E os seus filhos terão o privilégio de ter avós, e tios-avós, e primos...
Dar a estas crianças / jovens o direito de ter uma família, uma infância, e uma idade adulta com condições justas, fraternas e equilibradas, implica dar / ter um modelo e uma base familiar, alguém que, aconteça o que acontecer, esteja sempre “lá” quando for preciso. Nos abra os braços e porta. E isto consegue-se com uma família. Seja ela tradicional. Ou não.
Vem depois a conversa do anti-natural. Mas também é anti-natural modificar geneticamente, sementes e poluir. E dedicarmo-nos à cultura.
Mas sobre isso ninguém se alonga, o parlamento fala, mas nos noticiários não se conquista audiência. E fazem-se conferencias que dão em nada. No entanto, isto diz respeito a todos, ao nosso planeta. Afecta saúde, ambiente, sociedade e futuro.
A homossexualidade não se pega. Não há previsões que a apontem como o factor de extinção da raça humana, nem como causa maior de infelicidade, depressões, cancros ou alergias.
Mas o homem insiste em meter o nariz na vida dos outros, e esquecer a sua própria vida.
Daqui a uns anos, tal como agora o fazemos em relação a outros assuntos, vamos sentir vontade de rir quando falarmos “do tempo em que ser homossexual era tema de jornal, ou motivo de escândalo”.
E ás tantas, em conversa com os filhos ou netos, falaremos no que os nossos avós ou pais achavam, enunciando os ridículos pensamentos que eles tinham. E esquecemo-nos que esses pensamentos também já foram nossos. E riremos desses tempos. E desses pensamentos.
E em segredo, só para nós mesmos, confessaremos o quanto fomos retrógrados, antiquados, e mesquinhos, “nesse tempo”.
 escrito para Filosofia, algures por entre o 2ºpeíodo

terça-feira, 23 de março de 2010

Sempre mais que tudo

Era um diálogo Surdo-mudo comigo mesma. Só de pensar ou ouvir referencias a ti, ficava com cócegas na barriga, e um estupido sorriso brotava da minha cara. Em divagações posteriores, entendi que era mais do que um sorriso, era a maior e melhor cara de felicidade alguma vez vista ou feita ou sentida.
Surrateiramente a tudo o que queria ou ambicionava, as coisas aconteceram. Com ou sem lógica racional, passível de ser entendida pelos Homens comuns, foi-me envolvendo uma trama, um enredo de coisas, que não passavam de coisas, comparado com tudo o transcendente os olhares e os gestos, e os beijos, mesmo aqueles trocados mentalmente.
Os murmúrios do vento, que o tempo  faz passar, são como que aneis de fogo, que não queimam nada do que transcente, nem torna mais insuportável a trama. Mas aumenta a mútua necessidade de contacto, de querer bem, perto, mais, muito, de querer parilhar, compartilhar, e descobrir,
E as cócegas aumentam. Fazem acreditar. Põe a lua na Terra, e a cabeça no teu lado. Com o resto de mim. E os silêncios fazem não saber mais...perceber tudo e nada, encarar.
Encarar a vontade de te querer. De te querer, mais e mais.

domingo, 21 de março de 2010

Definição

difícil:
adj. 2 gén.adj. 2 gén.
1. Não fácil.
2. Custoso; complicado; espinhoso.
3. Arriscado.
4. Exigente.
5. Mau.
6. Pouco provável
 
complicado:

adj.adj.
1. Difícil de resolver ou fazer.
2. Enredado.
3. Entrelaçado.
4. Envolvido (como cúmplice ou participante) num delírio
 
depois:

adv.1. Mais tarde; no sucessivo; em tempo posterior.
2. Em seguida.
3. Mais além; mais longe.
4. Logo a seguir.
5. Mais abaixo; em lugar secundário ou inferior.
6. Além disso.


(e nem assim, consultando o dicionário, percebi o que quer que fosse!)

quarta-feira, 17 de março de 2010

Matematicando..

Pela primeira vez vou falar mesmo de mim. Não devia. O teste de matemática está muito perto. Os exercícios chamam silênciosos, invocando argumentos mudos, por mim. No entanto, apetece-me escrever. E comecei numa das muitas folhas meio usadas dos meus cadernos de aulas, e entrecruzei-me com outras coisas já escritas. E pensei "não vou gastar papel! Vou escrever noutro sitio!" e vi parar aqui. Escrever num sitio que não é um diário, mas que pode ser um "indicador de estado de espirito". E hoje é este o meu estado de espirito. De sitio, devo dizer. Apetece-me dizer o que o não devo, fazer o que não devo, escrever o que não devo (o pelo menos que não apresenta muita coerência).
E estou a libertar, então estes "não dever" todos. Normalmente não é assim. Comigo não costuma haver "não devo". Sempre faço muito tudo ao meu jeito, sem por muito em causa os preconceitos pré-feitos por este Mundo, e regindo-me muito pelo que eu sou. Mas nunca esqueço a dimensão dos outros. Alguém disse "a minha liberdade começa onde a do outro acaba". Isto é bom, mas também é mau. Sou um bocadinho (grande) respondona, chegam-me a chamar de "mal educada". Mas isso também faz com que toda a gente saiba o que penso, e o que acho. E que não me preocupe com certas superficialidades, ou que me preocupe em demais com elas. Mas também sei ter uma boa discussão, e fundamentar ideias e opiniões. Mesmo que as palavras "saiam" sem dar por elas, são verdadeiras, e sentidas. Bem fundamentadas dentro do meu "eu".
é por isto que fico em "estado de sitio" quando sei bem o que falta, ou quando não sei bem com o que conto, mesmo tendo tudo muito arrumado em mim.
E é por isso também, que vou estudar. Maldita matemática !  

quinta-feira, 11 de março de 2010

"O Sonho"

"Pelo sonho é que vamos,
Comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não frutos,
Pelo Sonho é que vamos.

Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
Que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
Com a mesma alegria, ao que é do dia-a-dia.

Chegamos? Não chegamos?

-Partimos. Vamos. Somos. "

Sebastião da Gama Pelo sonho é que vamos

sábado, 6 de março de 2010

"Sou uma mulher madura que às vezes anda de baloiço.
Sou uma criança insegura que às vezes usa salto alto.
Sou uma mulher que balança, sou uma criança segura".


(adaptado de) Martha Medeiros

sábado, 27 de fevereiro de 2010

De Alma e Coração

"Entre os melhores estão os que continuam correndo quando as pernas tremem; os que continuam jogando quando o ar acaba; os que continuam lutando quando tudo parece perdido... Como se cada vez fosse a última! Convencidos de que a vida em si é um desafio. Sofrem, mas não se queixam, porque sabem que a dor passa, o suor seca, o cansaço termina. Mas há algo que nunca vai desaparecer: a satisfação de ter conseguido."
Allen Inverson

Obrigado a todos

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Agora os sonhos divagam por sitios nunca antes visto, nunca antes sonhados.
Divagam pelo país dos projectos.
Rios de sorrisos e coisas felizes alimentam todos os campos cultivados e por cultivar.
Com raízes sólidas e alicerces bem feitos.
Com pedacinhos de muita luta, de muito acreditar, damos a mão à palmatória, e realizamos os sonhos.
Com querer.
Basta sonhar, e acreditar.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Silêncio dos bons.

O frio apodera-se do dia a terminar. Sem me dar conta, caio de "pára quedas" nesse local. De repente, o poder duma presença até agora indiferente, trnsforma-se no calor aconchegante de um gélido início de madrugada. Consegue até aquecer o infimo da alma, o recondido do meu ser.
A noite termina. Mas nunca acaba. Dá lugar aos mais sinceros motivos de esperança num sentimento verdadeiro, faz-me gastar milhares de pedidos a estrelas cadentes, a pulseiras de  desejos, a situações surgidas do nada. Era (e é) instintivamte que o meu pensameto voa para ti, quando...sempre! Voou para ti nos dias de trânsito, nos dias de frio em que o olhar a luz me fazia estar mais perto de ti. Voou para ti quando não sabia de nada, quando imaginava tudo, quando alguém falava (e se não falasse voava também).
Aquele aconchegante calor na alma, acompanhou os meses de frio desse ano, e nem com o calor se foi embora. Queimava quando se entrelaçavam olhares, e crescia comigo. Certezas e duvidas nasciam, e morriam. Mas o calor continuava, e teimava em não me abandonar nunca. E veio o frio, e veio conversas, e veio algo mais, muito mais que calor. Veio uma pessoa, um ser, que justificava tudo aquilo, que falava coisas que achava que já sabia, mas que ouvia com toda a atenção do mundo.
Veio tanta coisa, mas acima de tudo veio certeza. Certeza que uma coisa assim não termina, por mais que se fuja. E veio fugas. E veio encontros, porque de algo mais forte que as mesquinhas leis dos Homens se trata, e preconceito, ou conceito nenhum tem poder contra isso.
Existe nós quando entre o "eu" e o "tú" há uma ligação, uma conecção. Não percebo (não só, mas também) como foi possível resistir tanto tempo a coisas que o destino foi dando provas de estarem escritas ao longo deste periodo. Não entendo como consegues pensar que será possivel viver sem este calor, sem este ser. Aprendi que os Homens usam poderes que não têm, e que detêm poderes alheios que não deviam ter. O poder da liberdade, por exemplo, que tantas vezes é manipulado.
Não é justo. Mas se fosse só de justiça, e não fosse também de carácter, que fosse feita a vida, não valeria a pena existirem Pessoas. Tú es uma Pessoa, e é por isso que o coração ainda bate, porque sabe que as pessoas nada podem fazer contra as Pessoas (estas, com carácter). E também porque sei (porque já assim aconteceu) que a manipulação não tem alicercers sólidos, que é apenas uma solução ilusória e monumentânea, que depois, a verdade, irrefutável, vem ao de cima.
Puxa-a para cima! Agara-a! Luta para que ela apareça!
Só assim se expulsa tristezas. Só assim se tem certezas. Só assim não se magoa ninguém.

Pinguim

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

"Escuta a minha voz"

"Porque é que ninguém nos sugere os locais onde temos de ter mais cuidado: aqui, o gelo é mais fino, além, é mais espesso, será de continuar, fazer um desvio, recuar, parar, evitar? Porque temos sempre de levar connosco o peso dos gestos não feitos, das frases não ditas, daquele beijo que não dei, daquela solidão que não abracei? Porque será que vivemos imersos nesta extraodinária estupidez, desde que nascemos? Tudo nos parece eterno e a nossa vontade reina obstinada sobre o minúsculo e confuso Estado que se chama eu, prestamos-lhe homenagem como se fosse um grande soberano. Bastaria abrir os olhos por um segundo para perceber que não passa de um príncipe de opereta, volúvel, afectado, incapaz de bominar e de se dominar, incapaz de ver o mundo para além das suas próprias fronteiras, que mais não são do que os bastidores - variáveis e acanhados - de um palco."

Susana Tamaro, "Escuta a minha voz"

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Terror de te Amar

"Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo

Mal de te amar neste lugar de imperfeição
Onde tudo nos quebra e emudece
Onde tudo nos mente e nos separa."




Sophia de Mello Breyner

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Sentidos do Silêncio

Desço a serra sozinha, sem ninguém – sem barulho, em silêncio – e olho a aldeia não com os olhos (que vêm tudo mas não associam) mas com a visão. E a primeira coisa em que reparamos é na semelhança, entre a nossa aldeia e as ilhas da Grécia. As casas (quase) todas brancas, “empilhadas” umas sobre as outras parecem saídas dessas paisagens mediterrânicas.
E a brisa bate-nos na cara.
Quente, gelada, ou húmida, dependendo da estação do ano, ela traz com ela aromas da aldeia. O cheirinho do jantar quase pronto, que nos abre o apetite, o fumo do lume, que nos faz lembrar o natal, os dias de inverno...
Nos meses em que os dias são maiores, ainda sentimos o sol a queimar-nos a pele, como que a dizer “adeus, até amanhã”, e despede-se de nós.
E a brisa...como é Verão, é o cheiro a calor...o cheiro quente, que nos conforta a alma. Cheira a flores, e a frutos.
E de novo a brisa...desta vez mais fresquinha...e o aroma das acácias enche-nos de felicidade. Faz-nos rir sozinhos. Falar para nós mesmos. Olhar à nossa volta e dar valor ao que temos, à nossa aldeia. Ao quanto bem ela nos recebe depois de um dia fora, ao quanto ela nos reconforta de todos os problemas e preocupações.
E mais uma vez, a brisa...vem fria, gélida...está escuro. O céu tem estrelas, umas mais brilhantes que outras. Há vezes que, ao olharmos a imensidão azul escura, somos presenteadas com estrelas-cadentes. São as árvores que dançam ao som do vento as únicas que ouve os murmúrios de tantos desejos já pedidos.
E o silêncio deixa-nos ouvir o som da aldeia. Uma ou outra conversa salta, imperceptível, para o caminho. O carro que passa faz sinal de luzes, apita, ou levanta a mão, (é pessoa conhecida, da aldeia). Alguém passa, solto um sussurrado “Boa noite”.
Também chove. A chuva molha a cara e limpa-nos os vestígios da cidade, suja e poluída.
Respiro fundo.
Mesmo se não visse, o silêncio, os cheiros, o aconchego, o simples gesto de pisar a estrada indica-nos “estamos em casa”!
Sentieiras.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

A culpa é nossa!

"Um cão não tem necessidade nenhuma de carros sofisticados ou de casas sumptuosas ou de roupas da moda. Os símbolos de status não lhe dizem nada. Um pau lambido pelo mar serve perfeitamente. Um cão não julga os outros pela cor da pele, credo religioso ou classe social, mas sim por o que elas têm dentro de si mesmas. Um cão não se interessa em saber se somos ricos ou pobres, educados ou iletrados, burros ou inteligentes. Dêem-lhe o vosso coração que ele dar-vos-á o seu. As coisas são na realidade bastante simples, e no entanto somos nós, os humanos, muito mais sábios e sofisticados, quem sempre teve dificuldade em discernir o que é realmente importante ou não."


Marley & Eu, Jonh Gorgan

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Sempre

Com a certeza de que tudo vai mudar, mas há coisas que permanecem.
Sentimentos como estes são imutáveis, e sò progridem para mais e melhor.
Olhares destes são esculpidos na nossa mente, reflectidos no nosso pensamento, e tornam-se eternos.
Ressuscitados a cada momento.
Para sempre.

Coisas inesplicáveis que se tornam lógicas na tua presença. Justificações passíveis de serem dadas.
Coração fora de mim, só teu.
Para sempre.

Respiração ofegante e incontrolada, que se torna inaudível na tua presença.
O cérebro deixa de distinguir acaso de destino, e o que importa é que tudo acontece.
Para sempre!
SEMPRE

sábado, 23 de janeiro de 2010

"Liberdade"

"Aqui nesta praia onde                                        Não há nenhum vestígio de impureza,
Aqui onde há somente
Ondas tombando ininterruptamente,
Puro espaço e lúcida unidade,
Aqui o tempo apaixonadamente
Encontra a própria liberdade"

Sophia de Mello Breyner Andresen

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Zé Diogo Quintela e a sua crónica: "Deixai adoptar as criancinhas"

"O casamento entre pessoas do mesmo sexo foi aprovado, mas sem possibilidade de adopção. Acho que é injusto. Nomeadamente, é injusto para os casais heterossexuais. Se os homossexuais têm o casamento, então deviam levar com o casamento todo. O casamento não é só coisas boas. Também há os filhos. E é injusto beneficiar um casal homossexual, que assim evita chegar um dia a casa e ter as paredes da sala todas pintadas com marcadores fluorescentes. Evita ir às urgências, tirar um berlinde de um nariz. Não são mais do que nós, para terem um casamento de primeira, em que são poupados à experiência de aturar um adolescente durante a idade do armário. Que é a altura do desenvolvimento humano em que percebemos porque é que não é boa ideia ter-se armas em casa. Ao alcance dos pais.
Há quem diga que temos de pensar no que as crianças podem vir a passar na escola, por terem dois pais ou duas mães. "E se eu tivesse dois pais, como é que teria sido a minha vida na escola?" Não posso responder por ninguém, mas a minha teria sido igualzinha ao que foi. Os meus colegas nunca conheceram os meus pais. Nem o meu pai, nem a minha mãe iam à escola. Nunca foram assistir aos meus teatrinhos. Nunca iam às reuniões de pais. Em toda a sua vida parental só foram a uma: a primeira do meu irmão mais velho. Depois disso decidiram que era uma inútil perda de tempo. Não me parece que, se por acaso fossem homossexuais, tivessem aparecido mais. Os meus colegas nunca souberam se fui criado pelo meu pai e pela minha mãe, pelos meus avós, por um casal de decoradores ou por uma loba.
Teme-se que os filhos de casais de homossexuais sejam alvo de gozo e que isso os possa traumatizar. Um argumento que também não me comove. É que eu sou adepto do Sporting desde miúdo. Os 18 anos de seca coincidiram com a minha idade escolar. Sei bem o que é ser gozado nas aulas todas as segundas-feiras, depois de uma derrota com o Covilhã ou com o Penafiel, era achincalhado pelos mini-lampiões, que nesse tempo até ganhavam com alguma regularidade (parece incrível, eu sei). Podem crer que trocaria vitórias do Sporting por pais homossexuais. Principalmente à segunda-feira. Não podendo, então não me importava de acumular: má época do Sporting com duas mães camionistas. Talvez desviasse a atenção do infortúnio sportinguista. "Ó Quintela, gostas mais da mamã ou da mamã?", diriam os gozões no início da semana, esquecendo o ridículo empate frente a O Elvas. Quem me dera...
Outra advertência é feita por quem acha que uma criança adoptada por dois homossexuais pode sentir-se chocada com as manifestações de carinho entre o casal. Não tenho dúvidas de que isso aconteça. É naturalíssimo. Quem já teve o azar de ver o pai e a mãe no meio da marmelada sabe que é chocante. A sexualidade dos pais, hetero ou homo, é sempre desconfortável. Uma vez apanhei o meu pai a beijar a minha mãe e deixei de conseguir ver filmes com cenas de sexo durante seis meses. Quem acha que a sexualidade dos pais pode influenciar a sexualidade dos filhos não conhece esta mecânica. É óbvio que influencia: quando pensamos nos nossos pais juntos na cama, o embaraço é tanto que só nos apetece a castidade.
Claro que vai haver sempre casos de crianças que vão dizer: "Não quero ir viver com este dois maricas. Prefiro voltar para o meu papá, que pode beber um bocadinho e queimar-me com cigarros nas costas, mas é um homem à séria. Fez 12 filhos, a maior parte à minha mãe. Mas, como o meu papá ainda está em Vale de Judeus por ter matado a minha mãe, vou antes ficar por aqui, à guarda do Estado. Comem-se as melhores papas de aveia!" Nestes casos, faça-se a vontade à criança.
Espero que em breve os casais de pessoas do mesmo sexo sejam autorizados a adoptar. Talvez daqui a dois, três anos, seja uma boa altura. Agora, não. É deixá-los desfrutar. Toda a gente sabe que não se devem estragar os primeiros anos de casamento indo logo ter filhos."


José Diogo Quintela, in Publico (numa das ultimas edições)

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Arrepiante

"O arrepio aquece a mente, percorre o infimo do corpo. E depois desliga o pensamento. E sem se preocupar com mais nada, e sem corragem para fuguir, tal como a brisa da noite fria de mais um ano a terminar, alucinaste os meus sentidos"

Um mês depois.
É.B.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

"Facidades"

Em tudo há das duas faces:
O Alfa...e o Omega, princípio e fim. Yng e Yang. Preto e branco, bom e mau. Muito e pouco. Simpático e antipático.
E o reverso da gargalhada?
Será o silêncio, a tristeza, a melancolia e a ingenuidade?
Talvez sim. Se gargalhada for sinceridade, for genuina e sinónimo de alegria.
Mas...e quando a gargalhada não for nada disso? Se a gargalhada for  maléfica e insensata, desumana. Mesquina.
Aí talvez a outra face seja o sorriso. A expressão sincera do espirito. Espelho de almas e de corações. Fonte de intrepretações de humores, amores.
Faces que se completam. Que se opoem. Misturam.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010




"Se nos lembrarmos melhor dos bons momentos, para que servem os maus?" Vian, B.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Temporada

Assim que cruzei a esquina, o arrepio surguiu. À medida que avançava, avançava também a ansiedade. O calor abrasador do mês de Julho refectido nas janelas envidraçadas com caixilhos de madeira, dava a ilusão que pela rua voavam fadas incandescentes. A meio da rua fui tentada a parar, abrandei o ritmo, mas depressa acelerei o passo. Respirei fundo, como que ganhando coragem para continuar, e depressa me chegou o cheiro a maresia. Estava perto...do mar! Fechei os olhos e sem esforço a minha mente me colocou a  pisar as ondas, a mergulhar na imensa água salgada.
Belisquei a palma da minha mão. "Acorda!" disse para mim mesma.
E prossegui caminho.
Cheguei então à cabana. Surpreendi-me ao dar conta que ainda me lembrava de tanta coisa.
Ouvi os passos do velho
- Já chegaste. - disse ele.
- Estou aqui, tal como pediu nas cartas que escreveu.
Com a expressão mais sábia que alguma vez vira, esticou a mão, que trazia uma caixa de madeira carcomida pela salinidade da maresia. Os olhos reflectiam um castanho vivido, uma tonalidade que ia desde a avelã ao madeira, luminoso, brilhante. Consegui ver-me ao espelho neles, e constactei, pela primeira vez em muitos anos que envelhecera mais do que devia.
Estiquei a mão, um pouco apreensiva. Mas o sorriso do velho homem encorajou-me a avançar.
- Foste tu que escreveu o que ai se encontra dentro. Tinhas 5 anos, e garantiste que ias ser assim, e ser feliz. Quando terminaram as tuas férias, despediste-te de mim tão a correr, que esqueceste isto.
E tinha esquecido. Até aquele dia.
- Obrigada. - Murmurei. E não resisti a abraçar o velho Homem, que tinha como nome Tobias.
Voltei costas e fui-me embora. Caminhei em direcção ao mar, dei um mergulho, e procurei uma rocha para me sentar. Deixei que o escaldante sol secasse a minha pele, e enquanto isso várias perguntas surguiram. Como se lembrava o homem de mim? como conseguiu a minha morada?
Lemtamente, abri a caixa. Desenrolei a velha folha de rescunho que em tempos tinha sido a infomação de que o velho tinha uma consulta.
E li, palavra a palavra, o que uma menina de 5 anos, a muito tempo atraz escrevera. A letra era imprecisa, e muitas vezes desenhada ao contrário. 
Os desejos, simples e directos. Uns mais que outros, eram típicos de uma criança sonhadora. E a mulher que os lia, percebia o quanto tinha mudado. O quanto leis, regas sociais, e os outros, influenciam cada objectivo da nossa vida. Seja ele feito aos 5 anos, ou aos 50...
Levantou-se da rocha. Fez uma longa caminhada à beira mar.
Os sonhos que tinha, ainda os tem, um por um, ainda fazem parte do reportório de desejos que desde à tanto tempo habita nela. faltou audácia, preserverança, faltou tempo para ter tempo de por as coisas em ordem. E não consguiu dar a volta ás coisas, porque esta mulher, não era feliz!

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010


"Como o vento é para o fogo, é a ausencia para o amor. Se é pequeno, apaga-o logo, se é grande, torna-o maior"(Jaime Cortesão)

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

8760 horas de Sorrisos

O fim de tarde era sombrio, e de tão sombrio a mente encarava já com noite. Caminhava entre as sombras da cidade, querendo chegar á meta (será que ela existia?!). De quando em vez, arrepiava-me, e com esse arrepio vinha uma recordação. A tristeza que se sente quando alguem de quem gostamos não está - a tão Portuguesa Saudade - faz-me fazer um flash-back deste ultimo ano, mas depressa carrego na "pausa". Para que isto serve?! O que vai mudar no passado?! O que o presente altera?!
Talvez so no futuro tenhamos a resposta. Só no futuro saberei como foi o passado - as consequencias que ele tem -, mas sei, porque o estou a viver, que o presente é agora. Estou a sorrir, talvez o presente não
 seja tão mau como as lagrimas já vertidas faziam parecer.

Não como passas, não gosto! Desejos peço-os quando vejo uma estrela, ou quando me apetece. Quando for meia-noite, não me devo lembrar de pedir os 12 desejos, mas vou saborear cada momento das 12 badaladas, como espero saborear cada um dos 12 meses, das 52 semanas, dos 365 dias deste novo ano, com  o unico desejo: o de quando pensar em 2010 como "ano velho", ter a certeza que vivi o que havia para viver, que não deixei nada por dizer, nenhuma opurtunidade escapar... Então, terei a certeza de qual foi a meta. Mas isso contará para alguma coisa?

FELIZ ANO 2010 :)
De profundis


Encontro, algures na minha natureza, alguma coisa que me diz que não há nada no mundo que seja desprovido de sentido, e muito menos o sofrimento. Essa qualquer coisa, escondida no mais fundo de mim, como um tesouro num campo, é a humildade. É a última coisa que me resta, e a melhor (…). Ela veio-me de dentro de mim mesmo e sei que veio no bom momento. Não teria podido vir mais cedo nem mais tarde. Se alguém me tivesse falada dela, tê-la-ia rejeitado. Se ma tivessem oferecido, tê-la-ia rejeitado (…). É a única coisa que contém os elementos da vida, de uma vida nova (…). Entre todas as coisas ela é a mais estranha (…). É somente quando perdemos todas as coisas que sabemos que a possuímos.

(Oscar Wilde, in “De Profundis”)

domingo, 27 de dezembro de 2009

"A festa da Vida"

Que venha o sol o vinho e as flores

Marés, canções de todas as cores
Guerras esquecidas por amores;

Que venham já trazendo abraços
Vistam sorrisos de palhaços
Esqueçam tristezas e cansaços;

Que tragam todos os festejos
E ninguém se esqueça de beijos
Que tragam pendas de alegria
E a festa dure até ser dia;
Que não se privem nas despesas
Afastem todas as tristezas
Pão vinho e rosas sobre as mesas;
Que tragam cobertores ou mantas
E o vinho escorra p'las gargantas
E a festa dure até às tantas;
Que venham todos de vontade
Sem se lembrarem de saudade
Venham os novos e os velhos
Mas que nenhum me dê conselhos!
Que venham todos de vontade
Sem se lembrarem de saudade
Venham os novos e os velhos
Mas que nenhum me dê conselhos!

José Niza

domingo, 13 de dezembro de 2009

Marionete

"Se, por um instante, Deus se esquecesse de que sou uma marionete de trapo e me presenteasse com um pedaço de vida, possivelmente não diria tudo o que penso, mas, certamente, pensaria tudo o que digo.
Daria valor às coisas, não pelo que valem, mas pelo que significam.
Dormiria pouco, sonharia mais, pois sei que a cada minuto que fechamos os olhos, perdemos sessenta segundos de luz.
Andaria quando os demais parassem, acordaria quando os outros dormem.
Escutaria quando os outros falassem e gozaria um bom sorvete de chocolate.
Se Deus me presenteasse com um pedaço de vida, vestiria simplesmente, me jogaria de bruços no solo, deixando a descoberto não apenas meu corpo, como minha alma.
Deus meu, se eu tivesse um coração, escreveria meu ódio sobre o gelo e esperaria que o sol saísse.
Pintaria com um sonho de Van Gogh sobre estrelas um poema de Mário Benedetti e uma canção de Serrat seria a serenata que ofereceria à Lua.
Regaria as rosas com minhas lágrimas para sentir a dor dos espinhos e o encarnado beijo de suas pétalas.
Deus meu, se eu tivesse um pedaço de vida... Não deixaria passar um só dia sem dizer às gentes - te amo, te amo.
Convenceria cada mulher e cada homem que são os meus favoritos e viveria enamorado do amor.
Aos homens, lhes provaria como estão enganados ao pensar que deixam de se apaixonar quando envelhecem, sem saber que envelhecem quando deixam de se apaixonar.
A uma criança, lhe daria asas, mas deixaria que aprendesse a voar sozinha. Aos velhos ensinaria que a morte não chega com a velhice, mas com o esquecimento.
Tantas coisas aprendi com vocês, os homens... Aprendi que todo mundo quer viver no cimo da montanha, sem saber que a verdadeira felicidade está na forma de subir a escarpa.
Aprendi que quando um recém-nascido aperta com sua pequena mão pela primeira vez o dedo de seu pai, o tem prisioneiro para sempre.
Aprendi que um homem só tem o direito de olhar um outro de cima para baixo para ajudá-lo a levantar-se.
São tantas as coisas que pude aprender com vocês, mas, finalmente, não poderão servir muito porque quando me olharem dentro dessa maleta, infelizmente estarei morrendo."

(supostamente escrito por Gabriel García Marquez, quando se tornou público que este teria uma doença terminal. O escritor desmente tal autoria. Mas o texto continua a ser digno de aplausos!)

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Isto:

Sem recantos.
É assim que vejo este cantinho virtual. Aqui tudo é direito, plano...Aqui tudo é mais do que o ecrã do computador, aqui as palavras matamorfam-se e ganham forma. Viajam, cantam, riem, falam coisas sem sentido, e até conta o que outros disseram.
Sem preconceitos.
Sem duplos sentidos ou verdades escondidas.
Porque a piada da coisa (este jeito esquesito de brincar com palavras e divagar sabe-se la por onde) está em que, sem cantos podemos ir aonde quisermos, como que de uma volta ao mundo se tratasse. Chegamos ao ponto de partida, mas lá há sempre um outro inicio.
E cada um vai para onde quer. Cada um ao ler intrepreta o que a sua imaginação deixa, encanta-se por coisas que o fantastico que habita e cada um permite.
Porque cada um tem uma intrepretação...diferente!

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Ainda a Respeito de Sorrisos...

"Sorriso, diz-me aqui o dicionário, é o acto de sorrir. E sorrir é rir sem fazer ruído e executando contracção muscular da boca e dos olhos.O sorriso, meus amigos, é muito mais do que estas pobres definições, e eu pasmo ao imaginar o autor do dicionário no acto de escrever o seu verbete, assim a frio, como se nunca tivesse sorrido na vida. Por aqui se vê até que ponto o que as pessoas fazem pode diferir do que dizem. Caio em completo devaneio e ponho-me a sonhar um dicionário que desse precisamente, exactamente, o sentido das palavras e transformasse em fio-de-prumo a rede em que, na prática de todos os dias, elas nos envolvem.
Não há dois sorrisos iguais. Temos o sorriso de troça, o sorriso superior e o seu contrário humilde, o de ternura, o de cepticismo, o amargo e o irónico, o sorriso de esperança, o de condescendência, o deslumbrado, o de embaraço, e (por que não?) o de quem morre. E há muitos mais. Mas nenhum deles é o Sorriso.
O Sorriso (este, com maiúsculas) vem sempre de longe. É a manifestação de uma sabedoria profunda, não tem nada que ver com as contracções musculares e não cabe numa definição de dicionário. Principia por um leve mover de rosto, às vezes hesitante, por um frémito interior que nasce nas mais secretas camadas do ser. Se move músculos é porque não tem outra maneira de exprimir-se. Mas não terá? Não conhecemos nós sorrisos que são rápidos clarões, como esse brilho súbito e inexplicável que soltam os peixes nas águas fundas? Quando a luz do sol passa sobre os campos ao sabor do vento e da nuvem, que foi que na terra se moveu? E contudo era um sorriso"
José Saramago.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Espelho da Alma

Sorriso.
A expressão sincera do espirito. Espelho de almas e de corações. Fonte de intrepretações de humores, amores, felicidades e ambiguidades.
Pode ser fútil ou genúino. Salta barreiras de todo tipo. Culturais - tudo o que o homem constrói - e naturais - tudo o que Alguém criou.
Sorrimos a um velhinho. E a uma criança. E a alguém que nos simpatiza e enche ego - quer ele seja mau ou bom!
Dá-nos Carisma. Faz de uma simples contracção muscular um Cartão de visita.
É o elo da primeira impressão com a impressão final.
Pode fazer a diferença infinita entre o Sim e o Não.
Transforma um dia mau num dia bom.
O sorriso também segreda Obrigados, Agradecimentos, Pedidos de Desculpa, Súplicas. Sentimentos
O sorriso nasce das entranhas do ser. Percorre cada recordação, cada memória, cada célula do nosso corpo e da nossa alma.
E brota no rosto, sempre com segredo diferente para contar, com um silêncio energético e vibrante, que muda cada instante da nossa vida.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Réponse

Pensei, ao escrever este titulo, em falar da querida professora de Françês que tive ao longo do 3º ciclo. O seu amor e dedicação ao ensino dariam muito "pano para mangas"..
Mas não é disso que vou falar. Réponse é a palavra-mãe da portuguesa "responsabilidade". E significa resposta. Responsabilidade é o acto de responder perante uma situação, uma ocasião. E por defeito, associamos a falta de responsabilidade a "coisas más". Mas também pode ser "coisas boas".
É falta de responsabilidade não assumir uma opinião. Não encarar uma situação. Fazer uma "coisa boa", mas sem ser com o coração. Dizer aquilo que não se sente.
Falta de responsabilidade é isto. Por causa daquilo. Por causa de nós.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

REconhecer o país..

"Eu conheço um país que tem uma das mais baixas taxas de mortalidade mundial de recém-nascidos, melhor que a média da UE. Eu conheço um país onde tem sede uma empresa que é líder mundial em tecnologia de transformadores. Eu conheço um país que é líder mundial na produção de feltros para chapéus.
Eu conheço um país que tem uma empresa que inventa jogos para telemóveis e os vende no exterior para dezenas de mercados.
Eu conheço um país que tem uma empresa que concebeu um sistema pelo qual você pode escolher, no seu telemóvel, a sala de cinema onde quer ir, o filme que quer ver e a cadeira onde se quer sentar.
Eu conheço um país que tem uma empresa que inventou um sistema
biométrico de pagamento nas bombas de gasolina.
Eu conheço um país que tem uma empresa que inventou uma bilha de gás muito leve que já ganhou prémios internacionais.
Eu conheço um país que tem um dos melhores sistemas de Multibanco a nível mundial, permitindo operações inexistentes na Alemanha, Inglaterra ou Estados Unidos. Eu conheço um país que revolucionou o sistema financeiro e tem três Bancos nos cinco primeiros da Europa.
Eu conheço um país que está muito avançado na investigação e produção de energia através das ondas do mar e do vento.
Eu conheço um país que tem uma empresa que analisa o ADN de plantas e animais e envia os resultados para os toda a EU.
Eu conheço um país que desenvolveu sistemas de gestão inovadores de clientes e de stocks, dirigidos às PMES.
Eu conheço um país que tem diversas empresas a trabalhar para a NASA e a Agência Espacial Europeia.
Eu conheço um país que desenvolveu um sistema muito cómodo de passar nas portagens das auto-estradas.
Eu conheço um país que inventou e produz um medicamento anti-epiléptico para o mercado mundial.
Eu conheço um país que é líder mundial na produção de rolhas de cortiça.
Eu conheço um país que produz um vinho que em duas provas ibéricas superou vários dos melhores vinhos espanhóis.
Eu conheço um país que inventou e desenvolveu o melhor sistema mundial de pagamento de pré-pagos para telemóveis.
Eu conheço um país que construiu um conjunto de projectos hoteleiros de excelente qualidade pelo Mundo.
O leitor, possivelmente, não reconheceu neste país aquele em que vive...
PORTUGAL
Mas é verdade.Tudo o que leu acima foi feito por empresas fundadas por portugueses, desenvolvidas por portugueses, dirigidas por portugueses, com sede em Portugal, que funcionam com técnicos e trabalhadores portugueses.
Chamam-se, por ordem, Efacec, Fepsa, Ydreams, Mobycomp, GALP, SIBS, BPI, BCP, Totta, BES, CGD, Stab Vida, Altitude Software, Out Systems, WeDo, Quinta do Monte d'Oiro, Brisa Space Services, Bial, Activespace Technologies, Deimos Engenharia, Lusospace, Skysoft, Portugal Telecom Inovação, Grupos Vila Galé, Amorim, Pestana, Porto Bay e BES Turismo.
Há ainda grandes empresas multinacionais instalada no País, mas dirigidas por portugueses, com técnicos portugueses, de reconhecido sucesso junto das casas mãe,como a Siemens Portugal, Bosch, Vulcano, Alcatel, BP Portugal e a Mc Donalds (que desenvolveu e aperfeiçoou em Portugal um sistema que permite quantificar as refeições e tipo que são vendidas em cada e todos os estabelecimentos da cadeia em todo o mundo ) .
É este o País de sucesso em que também vivemos, estatisticamente sempre na cauda da Europa, com péssimos índices na educação, e gravíssimos problemas no ambiente e na saúde... do que se atrasou em relação à média UE...etc.
Mas só falamos do País que está mal, daquele que não acompanhou o progresso.
É tempo de mostrarmos ao mundo os nossos sucessos e nos orgulharmos disso."

Acabou o artigo. Porque é que esses técnicos e gestores tão bons não estão no governo?

Nicolau Santos, Director - adjunto do Jornal Expresso, In Revista "Exportar

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Historicar


imagem retirada de:animo30.wordpress.com

"Era uma vez...um menino...e uma menina...que eram muito amigos..."

E a seguir? Um sem número de possibilidades! Um leque enorme de verbos, adjectivos, pronomes...uma alargada gama de classes gramaticais, regras lexicais e formais.

E como para qualquer texto, é necessário imaginação e audácia. Perspicácia. Sentido de oportunidade, para não deixar escapar a oportunidade, quiçá única, de mudar o rumo da história.
E deixamo-nos levar pelas palavras, provenientes do mais íntimo lugar da nossa mente, do nosso coração. Deixar as palavras fluir e brincar com elas. Não saber a receita, mas mesmo assim chegar ao resultado final.
Sorrir, pensar em silencio e com a música da voz.
E sem dar conta, fazer o fim, do princípio (seja ele qual for!) da história.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

"Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida."
Clarice Lispector

domingo, 22 de novembro de 2009

Os erros que o acaso faz...

Considerar a Humanidade como um erro, Roger-Pol Droit, 101 Expériences de Philosophie
Quotidienne, Éditions Odile Jacob, Paris, 2001, pp.
151-152.:


«Tantas vezes nos disseram que éramos excepcionais! Centro do mundo, filhos de Deus, consciência do Todo, sal da terra, inteligência, seres falantes, espírito das ciências, vector do progresso. A nossa existência foi tão festejada por tantos mitos, religiões, filosofias, discursos complacentes, que não compreendemos os nossos desaires, as nossas baixezas, as nossas guerras intermináveis e infâmias sem nome. Houve, é claro, soluções de recurso explicando a nossa queda, a nossa maldição e a nossa dupla face. Podem experimentar uma desilusão mais radical, mas sem dúvida mais benéfica. Desfaçam-se de tudo o que possa constituir um qualquer sentido para a nossa existência. Considerem que a humanidade é um acaso, uma falha, um acidente biológico. Desenvolveu-se desordenadamente sobre uma rocha perdida num canto infinitesimal. Um dia, desaparecerá para sempre sem que ninguém dela guardememória, sem que ninguém se preocupe. Ao longo de dezenas de milhares de anos em que terá sobrevivido, esta curiosa espécie terá estagnado interminavelmente. Depois, ter-se-á multiplicado imprudentemente saqueando o seu mundo. Terá também acumulado, antes de desaparecer, uma quantidade de sofrimentos inimagináveis e inúteis, de massacres e fomes, de servidões e opressões. Observem lucidamente esta espécie absurda e violenta. Olhem no rosto a sua ausência de justificação, a sua existência efémera e insensata. Exercitem-se a amadurecer a ideia de que a humanidade não tem razão de ser nem futuro. Isto deverá contribuir para vos tornar serenos. É que, sobre este fundo de sem sentido e de horror, o estilhaçar de todos os sublimesvibra com uma graça sem igual. As músicas perfeitas, os quadros inesquecíveis, a glória das basílicas, as lágrimas dos poemas, o riso dos amantes…Tantas derivas do erro. Tantas surpresas inomináveis.»

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Pontos

Temos dias..e dias!
Dias bons que são compensados com noites de pesadelos, de um "dorme-acorda" infindável. De exaltações e sobressaltos incompreensiveis, indecifráveis.
Noites que nunca acabam, que nunca terminam..nem com o sol brilhante de uma manhã nublada, nem com uma brisa gélida que nos toca os ossos ao sair de casa.
Impossível de comprender. De combater. Abrimos os olhos e fechamos. Piscamo-los uma infinidade de vezes. Quase nos beliscamos e andamos aos tropeções pelo dia fora... Sentamos e levantamos "o rabo das cadeiras e dos bancos" sem darmos conta. Participamos em conversas banais sem saber que dizemos. Instintivamente, olhamos as horas, olhamos à nossa volta. E tudo parece harmonico. Amigos conversam. Amigos divertem-se. Amigos são mais que amigos. Amigos nem sequer são amigos. E amigos começam a ser amigos, e deixam de ser amigos, e...
E paramos.
Pensamos o que é tudo.
Porque é tudo?
Qual o futuro amanhã? Porquê o hoje desta forma?
Como será tudo? Tal como no jogo, quais as diferenças?
Quais as consequências?
As causas? Os efeitos? Os preconceitos que surgiram e que vão surgir?
Até que ponto, pergunto, até que ponto os "outros" afectam o "nós", até que ponto há "outros", e até que ponto há "nós"?
Até que ponto a cabeça gira sozinha...
Até que ponto os pés saem do chão?

Até que ponto não aceitamos o ponto em que os pontos estão, e por causa desses pontos não conseguimos por um ponto que indique o ponto em que as coisas 'tão?

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

TEmpErAmENtos

"Paradoxo dos Gémeos, ou Paradoxo de Langevin, é um experimento mental envolvendo a dilatação temporal, uma das consequências da Relatividade restrita. Nele, um homem que faz uma viagem ao espaço numa nave de grande velocidade, voltará em casa mais novo que seu gémeo que ficou"
in "Wikipédia"
O tempo também é relativo para outras coisas... para o stress, se estamos nervosos o tempo não passa, não anda. Se precisamos de tempo, ele voa, e num instante está na hora de fazer outra coisa.
E depois há situações em que o tempo pára. E que tudo à nossa volta se torna "nada". Não sentimos frio nem calor, e se trememos a causa não é climática. E por mais tempo que passe, parece sempre pouco, muito pouco...
Tempos que parecem eternos. Que são seguidos de longas e demoradas passagens de tempo.
Tempo que é eterno pela rasão inversa daquele tempo que não passa.
Eterno. Por tudo, e Eterno, por nada... O que já não é pouco!

sábado, 7 de novembro de 2009

Perguntas&Respostas

Incessantemente, procuramos respostas.

Coisas concretas.
Indicações do caminho certo a tomar.
Quando em vez de respostas nos surgem mais perguntas e duvidas, as coisas complicam.
A cabeça bloqueia, um turbilhão de emoções impedem de pensar. É necessário chegar a um ponto onde a única solução são mesmo as respostas.
E partimos em busca delas.
Deixamos de querer saber se é ou não justo sabe-las. Deixamos de pensar se temos ou não o direito de as fazer e de saber a sua resposta.
E seja qual for o resultado, quer existam ou não respostas, voltamos a conseguir pensar.
E então lutamos.
Dê no que der.
Haja o que houver!

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

"Sei que a liberdade tem um preço alto. Tão alto quanto o preço da escravidão; a única diferença é  que se paga com prazer e com um sorriso, mesmo quando é um sorriso manchado de lágrimas"


Paulo Coelho, in "O Zahír"

domingo, 1 de novembro de 2009

Miragem

Exactamente como um espelho...só quem está ao lado é que percebe a magia. Para quem está à frente, nada tem de belo olhar para o vazio. Mas sabemos que o infinito cheio está de grandes coisas.
E o espelho, só fica completo com a outra metade.
Passa-se assim com tudo.

E esticamos o braço para alcançar aquilo que está ao lado, mas em vez de procurarmos de olhos fechados, só com o coração, sem haver preocupações com mais nada, procuramos com os olhos abertos, e deixamos-se iludir por palavras ocas, tornadas banais, por serem ditas de olhos abertos para o espelho.
São os olhares o alimento de tudo. Fazem a conecção entre o interior e o exterior do espelho. São olhares repletos de tanta coisa...coisas indecifráveis, mágicas...
E depois vem um arrepio.
E pensamos.
Talvez chegue a altura de abrir os olhos, fechando-os, e ouvir só o coração, sem pensarmos, e ouvir a razão e lógica, sem “palavras ocas”, que tudo modificam, trocam, deixando banalizado e maltratado, “o olhar” de cada um.

E a miragem ganha forma, molda-se, e transforma-se na mais pura das realidades.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Fado

Das palavras mais Portuguesas que há. Arrepia só de pensar. Fado. Destino. Saudade. Não há tradução possível. A nostalgia que assola um Português é unica de muitos pontos de vista.
Temos saudade do Verão e do calor.
Da infância.
De pessoas.
De músicas.
De momentos.
De tudo e mais alguma coisa.
E quando brincamos com uma criança, quando ouvios "aquela musica", quando temos  a mesma sencação que "nequele momento"...
E saudade também nos lembra despedida.
Algo a acabar, e algo a começar.
Ou simplesmente algo que gostavamos de ter sempre por perto, mas que por isto ou aquilo, não está.

Saudades...

sábado, 24 de outubro de 2009


"Incendeiam-me ainda os beijos que me não deste
E cegam-me ainda os acenos que me não fizeste
Da janela irreal onde o teu vulto é uma alucinação dos meus sentidos."



Miguel Torga

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Branca De Neve

Toda a gente conhece a história. Um clássico banal da Walt Disney, imaginada inicialmente pelos irmãos Grimm.
Os mesmo olhos podem ver a mesma coisa, e tirar uma... intrepretação diferente. Netos, e avós, ao verem   o filme tiram uma Moral refexo da vida que cada um deles leva, da visão que cada um deles tem do mundo.
A Branca de Neve pode ser a inocencia e o amor mais puro. A maçã, o Proibido, a bruxa, o mal, os anões a ingenuidade, e princípe, o plano imaginário projectado no real.
E tudo corre bem...
Até que a vida, com as suas artimanhas cruzadas dá um toque trágico ao conto infantil.
Branca de Neve, nunca chega a morrer, porque a vida com todo o seu toque malício nada consegue fazer à inocencia e ao amor mais puro se não adormece-la. E só as pesoas ingénuas acreditam que Branca de Neve morre."Coisa forte predura". E nem a situação mais proibida e ambigua que surgue impede a realização do que o destino já predestinou, nem o mal, detém o que não é palpável, o que só os sentidos detectam..
E só quando transpomos o que sentimos na realidade é que desperta de um sono provocado por uma malévola linha do destino.
E aí, o feitiço quebra-se!
"E viveram felizes para sempre..."

sábado, 17 de outubro de 2009

"ESTE VERÃO, QUERES SER SEREIA OU BALEIA?"

Há uns dias, numa cidade de França, um cartaz, com uma jovem espectacular, na montra de um ginásio, dizia: "ESTE VERÃO, QUERES SER SEREIA OU BALEIA?"
Dizem que uma mulher jovem-madura, cujas características físicas não interessam, respondeu à pergunta publicitária nestes termos:
"Estimados Senhores:
As baleias estão sempre rodeadas de amigos (golfinhos, leões-marinhos, humanos curiosos). Têm uma vida sexual muito activa, engravidam e têm baleiazinhas ternurentas, às quais amamentam.
Divertem-se à brava com os golfinhos, enchendo a barriga de camarões. Brincam e nadam, sulcando os mares, conhecendo lugares tão maravilhosos como a Patagónia, o mar de Barens ou os recifes de coral da Polinésia.
As baleias cantam muito bem e até gravam CD's. São impressionantes e practicamente não têm outros predadores além dos humanos. São queridas, defendidas e admiradas por quase toda a gente.
As sereias não existem. E, se existissem, fariam fila nas consultas dos psicanalistas, porque teríam um grave problema de personalidade,
"mulher ou peixe?".
Não têm vida sexual, porque matam os homens que delas se aproximam, além disso, por onde? Por isso, também não têm filhos. São bonitas, é verdade, mas solitárias e tristes. Além disso, quem quereria aproximar-se de uma rapariga que cheira a peixaria?
Para mim está claro, quero ser baleia.
P.S.: Nesta época em que os meios de comunicação nos metem na cabeça a ideia de que apenas as magras são bonitas, prefiro disfrutar de um gelado com os meus filhos, de um bom jantar com um homem que me faça vibrar, de um café e bolos com os meus amigos.
Com o tempo ganhamos peso, porque ao acumular tanta informação na cabeça, quando já não cabe, espalha-se pelo resto do corpo, por isso não estamos gordas, somos tremendamente cultas. A partir de hoje, quando vir o meu rabo no espelhos, pensarei, Meu Deus, que inteligente que sou..."

(enviado por e-mail)

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Imortalidades

Vê-se uma luz. Quando fechamos a mão em torno dela, ela desaparece, e como que por magia brinca connosco á apanhada. Em poucos segundos estamos na infância de novo. As remotas lembranças das idas a casa da avó, os "flashback's" de momentos que ficarão para sempre... Já não são só fruto da nossa memória mas também da memória dos pais e da familia, que contam cada episódio como se tivesse acontecido ontem.
Ri-mos, embaraçados pela situação pela qual passamos, e achamos um certa "piada" á coisa.
Depois, mais tarde, é sozinhos que refectimos.
O quão bom era não fazer nada e chegar cansado ao fim do dia. Sonhar com borboletas e com fadas. Querer viver na "Terra do Nunca", ser amiga da Julieta, e limpar com a Branca de Neve a casinha dos 7 anões. Beber o leitinho em chávenas que falam pelos cotovelos, ter o "Hacunna Matata" como lema de vida, e a Barbie e o Nenuco como melhores amigos.
Ter tudo sem esforço, fechar os olhos e estar em lado nenhum. Ser e não ser a coisa mais doce do Mundo. Ter um sorriso por "nada". Brincávamos com as coisas mais simples, e nunca deixavamos nada por fazer!

"Não apanhavamos a luz." "Não!? Porquê?"

sábado, 10 de outubro de 2009

A VIDA É MUITO - CHARLIE CHAPLIN

Já perdoei erros quase imperdoáveis
Tentei substituir pessoas insubstituíveis
E esquecer pessoas inesquecíveis.
Já fiz coisas por impulso,
Já me decepcionei com pessoas
Quando nunca pensei me decepcionar
Mas também decepcionei alguém.
Já abracei para proteger,
Já dei risada quando não podia,
Fiz amigos eternos,
Amei e fui amado,
Mas também já fui rejeitado,
Fui amado e não amei.
Já gritei e pulei de tanta felicidade,
Já vivi de amor e fiz juras eternas,
"Quebrei a cara" muitas vezes!
Já chorei ouvindo música e vendo fotos,
Já liguei só para escutar uma voz,
Me apaixonei por um sorriso,
Já pensei que fosse morrer de tanta saudade
E tive medo de perder alguém especial (e acabei perdendo).
Mas vivi! E ainda vivo!
E você também não deveria passar.
Viva!!!
Bom mesmo é ir a luta com determinação,
Abraçar a vida e viver com paixão,
Perder com classe e vencer com ousadia,
Porque o mundo pertence a quem se atreve
E a vida é MUITO para ser insignificante.


(Só a colorido se pode ler, o que de mais colorido a vida tem)

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Memórias de passeios de Verão

As linguas,( mais uma vez falo delas) têm uma musicalidade própria... o Italiano em especial,  tem a musicalidade que mais "cócegas" faz, porque só de a ouvir ficamos com um sorriso na cara. Este poema é de Césare Pavese, natural de Santo Stefano Belbo, Itália ...Uma mistura de Presente com passado, dado-me a conhecer na Fundação Kulbenkian numa das suas maravilhosas iniciativas. "E se num jardim hovesse toldos de poemas a fazer sombras?!"


Desenraizados


Chega de mar. Já vimos mar que chegue.
Ao entardecer, quando deslavada a água se estende
e esfuma no nada, o meu amigo olha-a fixamente
e eu fixo o meu amigo e nenhum de nós fala.
Chegada a noite, acabamos por nos fechar nos fundos duma taberna,
perdidos no meio do fumo, e bebemos. O meu amigo tem sonhos
(o bramir do mar torna os sonhos um tanto monótonos)
em que a água é apenas o espelho, entre uma ilha e outra,
que reflecte colinas salpicadas de flores selvagens e cascatas.
Quando bebe, dá-lhe para isso. De olhos postos no copo,
vê-se a erguer colinas verdejantes sobre a planura do mar.
As colinas, a mim agradam-me; e deixo-o falar do mar
porque a água é tão clara que se vêem mesmo as pedras do fundo.
Eu, o que vejo é só colinas, e enchem-me o céu e a terra
com as linhas nítidas dos seus perfis, distantes ou próximas.
Mas as minhas são agrestes, estriadas de vinhedos
que crescem penosamente num solo calcinado. O meu amigo aceita-as
e quer vesti-las de flores e frutos selvagens
para nelas descobrir, entre risos, raparigas mais nuas que os frutos.
Não é preciso: aos meus sonhos mais agrestes não falta umsorriso.
Se amanhã, cedinho, nos metermos ao caminho,
poderemos encontrar nessas colinas, no meio das vinhas,
uma rapariga de pele morena, tisnada pelo sol,
e, talvez, metendo conversa, comer-lhe algumas uvas.

trabalhar cansa
trad.carlos leite
cotovia
1997



segunda-feira, 5 de outubro de 2009

E-mail

Há mail's que nos enviam por isto, ou por aquilo, e outros que nos enviam só por enviar. Destes útimos, instintivamente fazemos "delete" nos mais óbvios motivos de aborrecimento.  Se o titulo não é sujestivo, se não nos desperta à atenção..Lixo! Mas depois há outros... acordam o nosso insinto, fazem com que cliquemos na janelinha "Abrir", e que disfrutemos dos momentos de riso, melâncolia, felicidade ou qualquer outra coisa, seja o que for, e nos colocam numa outra dimensão, um tanto ou quanto fantástica...
E de olhos abertos vamos, sem sair do conforto do nosso lar, daqui até à China, a um museu, ao encontro de uma História "que fica na história da gente". Umas vezes o intuito é de chocar, outras de emocionar.
E também há vezes que fazemos "esc" antes da apresentação acabar, porque esta não captou em nós o "bichinho" necessário para continuar, seguir em frente.
É este, também, o Poder dos "MEDIA". Nem sempre convence. Nem sempre despeta a atenção necessária. Mas sempre chega até nós, quer queiramos, quer não..Porque tal como os amigos que nos enviam mail's, também os meios de comunicação social são essenciais na nossa vida!

Estamos no Século XXI, é inegável!!!

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

"TEMPO QUE ME RESTA"

Cada pessoa tem estilo próprio. A partir de certa idade, o estilo começa a ser o do "deixar andar".
Para quê comprar uma tv nova, se esta chega para o tempo que me resta? Para quê sair de casa e conhecer sitios e pessoas novas, se estas que tenho chegam bem para o tempo que resta?
Com os meados do século XX, veio também um novo conceito. O conceito "qualidade de vida".
É por isso que, falte o tempo que faltar, vale sempre a pena.
Ontem ouvi da boca do meu avô "claro que quero ser (operado a vista esquerda, por esta estar parciamente cega, devido a cataratas), pior não fico, pois não?!". A probabilidade de tudo ficar na mesma era grande. Mas foi esta a resposta que ele deu.
Ontem disse que as luzes pareciam maiores. Hoje sorriu como há muito não o via sorrir quando perguntei como ia o olhar novo.
Ele está lucido, (para os que pensam que isto é conversa de velho senil!) e eu todos os dias aprendo mais qualquer coisinha com ele...
Se a lição de ontem foi "O medo não leva a lado nenhum"...
...a lição de hoje foi "Tudo vale a pena.."

sábado, 26 de setembro de 2009

Alegrias

Quando tudo parece contrariar o lógico e o  normal, quando a época é de apitos dourados e escandalos quem envolvem Governos dopings e falta de Fair Play, há alguma coisa que esta mal...
Mas, no fim de contas, dentro da minha Terra há um grande exemplo de tudo isto, do certo, do desportivismo  da união, humildade, honestidade, e da amizade.
Sentieiras.
Um pequeno Grande lugar, onde tudo é famila. Onde tudo se une pela mesma causa, pelo mesmo querer.
Pela Taça incup, por todo o percurso e pelos sorrisos que nos arrancaram ao longo desta vossa existencia,
OBRIGADA

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Invisualidades

Há dias dias de sorte, dias longos e compridos, e que passam rápido...Pensamentos que invadem a nossa mente por mil e um motivos, sem, no entanto nenhum deles nos serem claros aos olhos da mente. A verdade esconde-se pelas entranhas do cérebro e pela vontade que temos em não deixar transparecer o que de mais transparente é aos olhos do mais comum dos Mortais.
Com avanços e recuos, caminhamos.
Tombamos e caimos, mas não vacilamos!
Arregaçamos as mangas e seguimos em frente, Esquecemos as perguntas, as respostas, e pedimos só a verdade. Seja ela qual for..e mesmo que seja mentira. Se ela for adulterada, então é porque alguém assim o quis. Talvez não seja o justo, tal como não é o verdadeiro. Mas é o que alguém deseja. Se a verdade é a unica certeza de todas ao longo da vida, pode ser tarde demais quando se remedeia a mentira provocada pela Cegueira de quem não quer Ver.

E só aí, enchergamos direito...

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Uns-com-os-outros

Já falei no inglês com língua universal, no entanto, esqueci-me de uma coisa muito importante...


Quando falamos lindamente uma língua (seja Inglês ou Chinês), isso de nada nos serve se não houver entre as pessoas que comunicam um feedback, uma comunicação extra linguagem, algum ”clique” ou empatia que nos faz ir ao encontro da pessoa, que nos faz ter confiança nela e prosseguir em frente com o discurso.
Há algo em nós que nos faz despertar a atenção das pessoas, pode ser os olhos, o sorriso, um gesto. Se não houver nada, mesmo que se fale optimamente bem o dialecto da pessoa (que até pode ser o mesmo!) nunca haverá nada mais que uma simples troca de palavras...

É por isso que por mais cultos que sejamos, o mais importante é termos um espirito aberto. Uma mente aberta. Porque nós somos seres uns-com-os-outros!

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Espera

Esperamos que pare de chover.
Que se use os tons que gostamos.
Esperamos o sol e a lua.
Esperamos também a altura certa, o momento ideal e a melhor oportunidade.
Paramos para que o amigo chegue até nós, para que o carro pare, para que o sinal fique verde. Esperamos para que passe na rádio a musica que tanto adoramos ouvir.
Esperamos o verão para ir a praia, e o inverno para sentir o conforto do cachecol. Esperamos o natal para dar prendas, para ter pretextos para ligar aos amigos por “coisa nenhuma”. E esperamos o ano novo para fazermos planos para um novo ano, para pedirmos desejos pelos quais nunca nos vamos esforçar por realizar.
Esperamos pelo aniversário quando todos os dias fazemos “mais um dia” de vida.
Passamos a vida a esperar. Quando damos conta, ela acaba, e nós continuamos á espera...E reflectimos. E tentamos perceber o que correu mal. E não percebemos o que aconteceu. E nunca nos passa pela cabeça que esperámos demais. Que nada fizemos para “acontecer”. Nunca nos passa pela cabeça...até que, numa dessas “esperas” alguém nos toca “mais fundo”, nos desperta e faz “deixar de esperar”.
Vamos “ao encontro”. Começamos a “fazer por isso”. A lutar.
E então lutamos, rimos, choramos, damos as mãos e unimos os olhares, a olhar na mesma direcção.