sábado, 27 de fevereiro de 2010

De Alma e Coração

"Entre os melhores estão os que continuam correndo quando as pernas tremem; os que continuam jogando quando o ar acaba; os que continuam lutando quando tudo parece perdido... Como se cada vez fosse a última! Convencidos de que a vida em si é um desafio. Sofrem, mas não se queixam, porque sabem que a dor passa, o suor seca, o cansaço termina. Mas há algo que nunca vai desaparecer: a satisfação de ter conseguido."
Allen Inverson

Obrigado a todos

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Agora os sonhos divagam por sitios nunca antes visto, nunca antes sonhados.
Divagam pelo país dos projectos.
Rios de sorrisos e coisas felizes alimentam todos os campos cultivados e por cultivar.
Com raízes sólidas e alicerces bem feitos.
Com pedacinhos de muita luta, de muito acreditar, damos a mão à palmatória, e realizamos os sonhos.
Com querer.
Basta sonhar, e acreditar.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Silêncio dos bons.

O frio apodera-se do dia a terminar. Sem me dar conta, caio de "pára quedas" nesse local. De repente, o poder duma presença até agora indiferente, trnsforma-se no calor aconchegante de um gélido início de madrugada. Consegue até aquecer o infimo da alma, o recondido do meu ser.
A noite termina. Mas nunca acaba. Dá lugar aos mais sinceros motivos de esperança num sentimento verdadeiro, faz-me gastar milhares de pedidos a estrelas cadentes, a pulseiras de  desejos, a situações surgidas do nada. Era (e é) instintivamte que o meu pensameto voa para ti, quando...sempre! Voou para ti nos dias de trânsito, nos dias de frio em que o olhar a luz me fazia estar mais perto de ti. Voou para ti quando não sabia de nada, quando imaginava tudo, quando alguém falava (e se não falasse voava também).
Aquele aconchegante calor na alma, acompanhou os meses de frio desse ano, e nem com o calor se foi embora. Queimava quando se entrelaçavam olhares, e crescia comigo. Certezas e duvidas nasciam, e morriam. Mas o calor continuava, e teimava em não me abandonar nunca. E veio o frio, e veio conversas, e veio algo mais, muito mais que calor. Veio uma pessoa, um ser, que justificava tudo aquilo, que falava coisas que achava que já sabia, mas que ouvia com toda a atenção do mundo.
Veio tanta coisa, mas acima de tudo veio certeza. Certeza que uma coisa assim não termina, por mais que se fuja. E veio fugas. E veio encontros, porque de algo mais forte que as mesquinhas leis dos Homens se trata, e preconceito, ou conceito nenhum tem poder contra isso.
Existe nós quando entre o "eu" e o "tú" há uma ligação, uma conecção. Não percebo (não só, mas também) como foi possível resistir tanto tempo a coisas que o destino foi dando provas de estarem escritas ao longo deste periodo. Não entendo como consegues pensar que será possivel viver sem este calor, sem este ser. Aprendi que os Homens usam poderes que não têm, e que detêm poderes alheios que não deviam ter. O poder da liberdade, por exemplo, que tantas vezes é manipulado.
Não é justo. Mas se fosse só de justiça, e não fosse também de carácter, que fosse feita a vida, não valeria a pena existirem Pessoas. Tú es uma Pessoa, e é por isso que o coração ainda bate, porque sabe que as pessoas nada podem fazer contra as Pessoas (estas, com carácter). E também porque sei (porque já assim aconteceu) que a manipulação não tem alicercers sólidos, que é apenas uma solução ilusória e monumentânea, que depois, a verdade, irrefutável, vem ao de cima.
Puxa-a para cima! Agara-a! Luta para que ela apareça!
Só assim se expulsa tristezas. Só assim se tem certezas. Só assim não se magoa ninguém.

Pinguim

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

"Escuta a minha voz"

"Porque é que ninguém nos sugere os locais onde temos de ter mais cuidado: aqui, o gelo é mais fino, além, é mais espesso, será de continuar, fazer um desvio, recuar, parar, evitar? Porque temos sempre de levar connosco o peso dos gestos não feitos, das frases não ditas, daquele beijo que não dei, daquela solidão que não abracei? Porque será que vivemos imersos nesta extraodinária estupidez, desde que nascemos? Tudo nos parece eterno e a nossa vontade reina obstinada sobre o minúsculo e confuso Estado que se chama eu, prestamos-lhe homenagem como se fosse um grande soberano. Bastaria abrir os olhos por um segundo para perceber que não passa de um príncipe de opereta, volúvel, afectado, incapaz de bominar e de se dominar, incapaz de ver o mundo para além das suas próprias fronteiras, que mais não são do que os bastidores - variáveis e acanhados - de um palco."

Susana Tamaro, "Escuta a minha voz"

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Terror de te Amar

"Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo

Mal de te amar neste lugar de imperfeição
Onde tudo nos quebra e emudece
Onde tudo nos mente e nos separa."




Sophia de Mello Breyner

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Sentidos do Silêncio

Desço a serra sozinha, sem ninguém – sem barulho, em silêncio – e olho a aldeia não com os olhos (que vêm tudo mas não associam) mas com a visão. E a primeira coisa em que reparamos é na semelhança, entre a nossa aldeia e as ilhas da Grécia. As casas (quase) todas brancas, “empilhadas” umas sobre as outras parecem saídas dessas paisagens mediterrânicas.
E a brisa bate-nos na cara.
Quente, gelada, ou húmida, dependendo da estação do ano, ela traz com ela aromas da aldeia. O cheirinho do jantar quase pronto, que nos abre o apetite, o fumo do lume, que nos faz lembrar o natal, os dias de inverno...
Nos meses em que os dias são maiores, ainda sentimos o sol a queimar-nos a pele, como que a dizer “adeus, até amanhã”, e despede-se de nós.
E a brisa...como é Verão, é o cheiro a calor...o cheiro quente, que nos conforta a alma. Cheira a flores, e a frutos.
E de novo a brisa...desta vez mais fresquinha...e o aroma das acácias enche-nos de felicidade. Faz-nos rir sozinhos. Falar para nós mesmos. Olhar à nossa volta e dar valor ao que temos, à nossa aldeia. Ao quanto bem ela nos recebe depois de um dia fora, ao quanto ela nos reconforta de todos os problemas e preocupações.
E mais uma vez, a brisa...vem fria, gélida...está escuro. O céu tem estrelas, umas mais brilhantes que outras. Há vezes que, ao olharmos a imensidão azul escura, somos presenteadas com estrelas-cadentes. São as árvores que dançam ao som do vento as únicas que ouve os murmúrios de tantos desejos já pedidos.
E o silêncio deixa-nos ouvir o som da aldeia. Uma ou outra conversa salta, imperceptível, para o caminho. O carro que passa faz sinal de luzes, apita, ou levanta a mão, (é pessoa conhecida, da aldeia). Alguém passa, solto um sussurrado “Boa noite”.
Também chove. A chuva molha a cara e limpa-nos os vestígios da cidade, suja e poluída.
Respiro fundo.
Mesmo se não visse, o silêncio, os cheiros, o aconchego, o simples gesto de pisar a estrada indica-nos “estamos em casa”!
Sentieiras.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

A culpa é nossa!

"Um cão não tem necessidade nenhuma de carros sofisticados ou de casas sumptuosas ou de roupas da moda. Os símbolos de status não lhe dizem nada. Um pau lambido pelo mar serve perfeitamente. Um cão não julga os outros pela cor da pele, credo religioso ou classe social, mas sim por o que elas têm dentro de si mesmas. Um cão não se interessa em saber se somos ricos ou pobres, educados ou iletrados, burros ou inteligentes. Dêem-lhe o vosso coração que ele dar-vos-á o seu. As coisas são na realidade bastante simples, e no entanto somos nós, os humanos, muito mais sábios e sofisticados, quem sempre teve dificuldade em discernir o que é realmente importante ou não."


Marley & Eu, Jonh Gorgan

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Sempre

Com a certeza de que tudo vai mudar, mas há coisas que permanecem.
Sentimentos como estes são imutáveis, e sò progridem para mais e melhor.
Olhares destes são esculpidos na nossa mente, reflectidos no nosso pensamento, e tornam-se eternos.
Ressuscitados a cada momento.
Para sempre.

Coisas inesplicáveis que se tornam lógicas na tua presença. Justificações passíveis de serem dadas.
Coração fora de mim, só teu.
Para sempre.

Respiração ofegante e incontrolada, que se torna inaudível na tua presença.
O cérebro deixa de distinguir acaso de destino, e o que importa é que tudo acontece.
Para sempre!
SEMPRE

sábado, 23 de janeiro de 2010

"Liberdade"

"Aqui nesta praia onde                                        Não há nenhum vestígio de impureza,
Aqui onde há somente
Ondas tombando ininterruptamente,
Puro espaço e lúcida unidade,
Aqui o tempo apaixonadamente
Encontra a própria liberdade"

Sophia de Mello Breyner Andresen

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Zé Diogo Quintela e a sua crónica: "Deixai adoptar as criancinhas"

"O casamento entre pessoas do mesmo sexo foi aprovado, mas sem possibilidade de adopção. Acho que é injusto. Nomeadamente, é injusto para os casais heterossexuais. Se os homossexuais têm o casamento, então deviam levar com o casamento todo. O casamento não é só coisas boas. Também há os filhos. E é injusto beneficiar um casal homossexual, que assim evita chegar um dia a casa e ter as paredes da sala todas pintadas com marcadores fluorescentes. Evita ir às urgências, tirar um berlinde de um nariz. Não são mais do que nós, para terem um casamento de primeira, em que são poupados à experiência de aturar um adolescente durante a idade do armário. Que é a altura do desenvolvimento humano em que percebemos porque é que não é boa ideia ter-se armas em casa. Ao alcance dos pais.
Há quem diga que temos de pensar no que as crianças podem vir a passar na escola, por terem dois pais ou duas mães. "E se eu tivesse dois pais, como é que teria sido a minha vida na escola?" Não posso responder por ninguém, mas a minha teria sido igualzinha ao que foi. Os meus colegas nunca conheceram os meus pais. Nem o meu pai, nem a minha mãe iam à escola. Nunca foram assistir aos meus teatrinhos. Nunca iam às reuniões de pais. Em toda a sua vida parental só foram a uma: a primeira do meu irmão mais velho. Depois disso decidiram que era uma inútil perda de tempo. Não me parece que, se por acaso fossem homossexuais, tivessem aparecido mais. Os meus colegas nunca souberam se fui criado pelo meu pai e pela minha mãe, pelos meus avós, por um casal de decoradores ou por uma loba.
Teme-se que os filhos de casais de homossexuais sejam alvo de gozo e que isso os possa traumatizar. Um argumento que também não me comove. É que eu sou adepto do Sporting desde miúdo. Os 18 anos de seca coincidiram com a minha idade escolar. Sei bem o que é ser gozado nas aulas todas as segundas-feiras, depois de uma derrota com o Covilhã ou com o Penafiel, era achincalhado pelos mini-lampiões, que nesse tempo até ganhavam com alguma regularidade (parece incrível, eu sei). Podem crer que trocaria vitórias do Sporting por pais homossexuais. Principalmente à segunda-feira. Não podendo, então não me importava de acumular: má época do Sporting com duas mães camionistas. Talvez desviasse a atenção do infortúnio sportinguista. "Ó Quintela, gostas mais da mamã ou da mamã?", diriam os gozões no início da semana, esquecendo o ridículo empate frente a O Elvas. Quem me dera...
Outra advertência é feita por quem acha que uma criança adoptada por dois homossexuais pode sentir-se chocada com as manifestações de carinho entre o casal. Não tenho dúvidas de que isso aconteça. É naturalíssimo. Quem já teve o azar de ver o pai e a mãe no meio da marmelada sabe que é chocante. A sexualidade dos pais, hetero ou homo, é sempre desconfortável. Uma vez apanhei o meu pai a beijar a minha mãe e deixei de conseguir ver filmes com cenas de sexo durante seis meses. Quem acha que a sexualidade dos pais pode influenciar a sexualidade dos filhos não conhece esta mecânica. É óbvio que influencia: quando pensamos nos nossos pais juntos na cama, o embaraço é tanto que só nos apetece a castidade.
Claro que vai haver sempre casos de crianças que vão dizer: "Não quero ir viver com este dois maricas. Prefiro voltar para o meu papá, que pode beber um bocadinho e queimar-me com cigarros nas costas, mas é um homem à séria. Fez 12 filhos, a maior parte à minha mãe. Mas, como o meu papá ainda está em Vale de Judeus por ter matado a minha mãe, vou antes ficar por aqui, à guarda do Estado. Comem-se as melhores papas de aveia!" Nestes casos, faça-se a vontade à criança.
Espero que em breve os casais de pessoas do mesmo sexo sejam autorizados a adoptar. Talvez daqui a dois, três anos, seja uma boa altura. Agora, não. É deixá-los desfrutar. Toda a gente sabe que não se devem estragar os primeiros anos de casamento indo logo ter filhos."


José Diogo Quintela, in Publico (numa das ultimas edições)

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Arrepiante

"O arrepio aquece a mente, percorre o infimo do corpo. E depois desliga o pensamento. E sem se preocupar com mais nada, e sem corragem para fuguir, tal como a brisa da noite fria de mais um ano a terminar, alucinaste os meus sentidos"

Um mês depois.
É.B.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

"Facidades"

Em tudo há das duas faces:
O Alfa...e o Omega, princípio e fim. Yng e Yang. Preto e branco, bom e mau. Muito e pouco. Simpático e antipático.
E o reverso da gargalhada?
Será o silêncio, a tristeza, a melancolia e a ingenuidade?
Talvez sim. Se gargalhada for sinceridade, for genuina e sinónimo de alegria.
Mas...e quando a gargalhada não for nada disso? Se a gargalhada for  maléfica e insensata, desumana. Mesquina.
Aí talvez a outra face seja o sorriso. A expressão sincera do espirito. Espelho de almas e de corações. Fonte de intrepretações de humores, amores.
Faces que se completam. Que se opoem. Misturam.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010




"Se nos lembrarmos melhor dos bons momentos, para que servem os maus?" Vian, B.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Temporada

Assim que cruzei a esquina, o arrepio surguiu. À medida que avançava, avançava também a ansiedade. O calor abrasador do mês de Julho refectido nas janelas envidraçadas com caixilhos de madeira, dava a ilusão que pela rua voavam fadas incandescentes. A meio da rua fui tentada a parar, abrandei o ritmo, mas depressa acelerei o passo. Respirei fundo, como que ganhando coragem para continuar, e depressa me chegou o cheiro a maresia. Estava perto...do mar! Fechei os olhos e sem esforço a minha mente me colocou a  pisar as ondas, a mergulhar na imensa água salgada.
Belisquei a palma da minha mão. "Acorda!" disse para mim mesma.
E prossegui caminho.
Cheguei então à cabana. Surpreendi-me ao dar conta que ainda me lembrava de tanta coisa.
Ouvi os passos do velho
- Já chegaste. - disse ele.
- Estou aqui, tal como pediu nas cartas que escreveu.
Com a expressão mais sábia que alguma vez vira, esticou a mão, que trazia uma caixa de madeira carcomida pela salinidade da maresia. Os olhos reflectiam um castanho vivido, uma tonalidade que ia desde a avelã ao madeira, luminoso, brilhante. Consegui ver-me ao espelho neles, e constactei, pela primeira vez em muitos anos que envelhecera mais do que devia.
Estiquei a mão, um pouco apreensiva. Mas o sorriso do velho homem encorajou-me a avançar.
- Foste tu que escreveu o que ai se encontra dentro. Tinhas 5 anos, e garantiste que ias ser assim, e ser feliz. Quando terminaram as tuas férias, despediste-te de mim tão a correr, que esqueceste isto.
E tinha esquecido. Até aquele dia.
- Obrigada. - Murmurei. E não resisti a abraçar o velho Homem, que tinha como nome Tobias.
Voltei costas e fui-me embora. Caminhei em direcção ao mar, dei um mergulho, e procurei uma rocha para me sentar. Deixei que o escaldante sol secasse a minha pele, e enquanto isso várias perguntas surguiram. Como se lembrava o homem de mim? como conseguiu a minha morada?
Lemtamente, abri a caixa. Desenrolei a velha folha de rescunho que em tempos tinha sido a infomação de que o velho tinha uma consulta.
E li, palavra a palavra, o que uma menina de 5 anos, a muito tempo atraz escrevera. A letra era imprecisa, e muitas vezes desenhada ao contrário. 
Os desejos, simples e directos. Uns mais que outros, eram típicos de uma criança sonhadora. E a mulher que os lia, percebia o quanto tinha mudado. O quanto leis, regas sociais, e os outros, influenciam cada objectivo da nossa vida. Seja ele feito aos 5 anos, ou aos 50...
Levantou-se da rocha. Fez uma longa caminhada à beira mar.
Os sonhos que tinha, ainda os tem, um por um, ainda fazem parte do reportório de desejos que desde à tanto tempo habita nela. faltou audácia, preserverança, faltou tempo para ter tempo de por as coisas em ordem. E não consguiu dar a volta ás coisas, porque esta mulher, não era feliz!

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010


"Como o vento é para o fogo, é a ausencia para o amor. Se é pequeno, apaga-o logo, se é grande, torna-o maior"(Jaime Cortesão)

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

8760 horas de Sorrisos

O fim de tarde era sombrio, e de tão sombrio a mente encarava já com noite. Caminhava entre as sombras da cidade, querendo chegar á meta (será que ela existia?!). De quando em vez, arrepiava-me, e com esse arrepio vinha uma recordação. A tristeza que se sente quando alguem de quem gostamos não está - a tão Portuguesa Saudade - faz-me fazer um flash-back deste ultimo ano, mas depressa carrego na "pausa". Para que isto serve?! O que vai mudar no passado?! O que o presente altera?!
Talvez so no futuro tenhamos a resposta. Só no futuro saberei como foi o passado - as consequencias que ele tem -, mas sei, porque o estou a viver, que o presente é agora. Estou a sorrir, talvez o presente não
 seja tão mau como as lagrimas já vertidas faziam parecer.

Não como passas, não gosto! Desejos peço-os quando vejo uma estrela, ou quando me apetece. Quando for meia-noite, não me devo lembrar de pedir os 12 desejos, mas vou saborear cada momento das 12 badaladas, como espero saborear cada um dos 12 meses, das 52 semanas, dos 365 dias deste novo ano, com  o unico desejo: o de quando pensar em 2010 como "ano velho", ter a certeza que vivi o que havia para viver, que não deixei nada por dizer, nenhuma opurtunidade escapar... Então, terei a certeza de qual foi a meta. Mas isso contará para alguma coisa?

FELIZ ANO 2010 :)
De profundis


Encontro, algures na minha natureza, alguma coisa que me diz que não há nada no mundo que seja desprovido de sentido, e muito menos o sofrimento. Essa qualquer coisa, escondida no mais fundo de mim, como um tesouro num campo, é a humildade. É a última coisa que me resta, e a melhor (…). Ela veio-me de dentro de mim mesmo e sei que veio no bom momento. Não teria podido vir mais cedo nem mais tarde. Se alguém me tivesse falada dela, tê-la-ia rejeitado. Se ma tivessem oferecido, tê-la-ia rejeitado (…). É a única coisa que contém os elementos da vida, de uma vida nova (…). Entre todas as coisas ela é a mais estranha (…). É somente quando perdemos todas as coisas que sabemos que a possuímos.

(Oscar Wilde, in “De Profundis”)

domingo, 27 de dezembro de 2009

"A festa da Vida"

Que venha o sol o vinho e as flores

Marés, canções de todas as cores
Guerras esquecidas por amores;

Que venham já trazendo abraços
Vistam sorrisos de palhaços
Esqueçam tristezas e cansaços;

Que tragam todos os festejos
E ninguém se esqueça de beijos
Que tragam pendas de alegria
E a festa dure até ser dia;
Que não se privem nas despesas
Afastem todas as tristezas
Pão vinho e rosas sobre as mesas;
Que tragam cobertores ou mantas
E o vinho escorra p'las gargantas
E a festa dure até às tantas;
Que venham todos de vontade
Sem se lembrarem de saudade
Venham os novos e os velhos
Mas que nenhum me dê conselhos!
Que venham todos de vontade
Sem se lembrarem de saudade
Venham os novos e os velhos
Mas que nenhum me dê conselhos!

José Niza

domingo, 13 de dezembro de 2009

Marionete

"Se, por um instante, Deus se esquecesse de que sou uma marionete de trapo e me presenteasse com um pedaço de vida, possivelmente não diria tudo o que penso, mas, certamente, pensaria tudo o que digo.
Daria valor às coisas, não pelo que valem, mas pelo que significam.
Dormiria pouco, sonharia mais, pois sei que a cada minuto que fechamos os olhos, perdemos sessenta segundos de luz.
Andaria quando os demais parassem, acordaria quando os outros dormem.
Escutaria quando os outros falassem e gozaria um bom sorvete de chocolate.
Se Deus me presenteasse com um pedaço de vida, vestiria simplesmente, me jogaria de bruços no solo, deixando a descoberto não apenas meu corpo, como minha alma.
Deus meu, se eu tivesse um coração, escreveria meu ódio sobre o gelo e esperaria que o sol saísse.
Pintaria com um sonho de Van Gogh sobre estrelas um poema de Mário Benedetti e uma canção de Serrat seria a serenata que ofereceria à Lua.
Regaria as rosas com minhas lágrimas para sentir a dor dos espinhos e o encarnado beijo de suas pétalas.
Deus meu, se eu tivesse um pedaço de vida... Não deixaria passar um só dia sem dizer às gentes - te amo, te amo.
Convenceria cada mulher e cada homem que são os meus favoritos e viveria enamorado do amor.
Aos homens, lhes provaria como estão enganados ao pensar que deixam de se apaixonar quando envelhecem, sem saber que envelhecem quando deixam de se apaixonar.
A uma criança, lhe daria asas, mas deixaria que aprendesse a voar sozinha. Aos velhos ensinaria que a morte não chega com a velhice, mas com o esquecimento.
Tantas coisas aprendi com vocês, os homens... Aprendi que todo mundo quer viver no cimo da montanha, sem saber que a verdadeira felicidade está na forma de subir a escarpa.
Aprendi que quando um recém-nascido aperta com sua pequena mão pela primeira vez o dedo de seu pai, o tem prisioneiro para sempre.
Aprendi que um homem só tem o direito de olhar um outro de cima para baixo para ajudá-lo a levantar-se.
São tantas as coisas que pude aprender com vocês, mas, finalmente, não poderão servir muito porque quando me olharem dentro dessa maleta, infelizmente estarei morrendo."

(supostamente escrito por Gabriel García Marquez, quando se tornou público que este teria uma doença terminal. O escritor desmente tal autoria. Mas o texto continua a ser digno de aplausos!)

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Isto:

Sem recantos.
É assim que vejo este cantinho virtual. Aqui tudo é direito, plano...Aqui tudo é mais do que o ecrã do computador, aqui as palavras matamorfam-se e ganham forma. Viajam, cantam, riem, falam coisas sem sentido, e até conta o que outros disseram.
Sem preconceitos.
Sem duplos sentidos ou verdades escondidas.
Porque a piada da coisa (este jeito esquesito de brincar com palavras e divagar sabe-se la por onde) está em que, sem cantos podemos ir aonde quisermos, como que de uma volta ao mundo se tratasse. Chegamos ao ponto de partida, mas lá há sempre um outro inicio.
E cada um vai para onde quer. Cada um ao ler intrepreta o que a sua imaginação deixa, encanta-se por coisas que o fantastico que habita e cada um permite.
Porque cada um tem uma intrepretação...diferente!