quarta-feira, 31 de março de 2010


Não posso adiar o amor para outro século

Não posso

Ainda que o grito sufoque na garganta
Ainda que o ódio estale e crepite e arda
Sob montanhas cinzentas
E montanhas cinzentas
Não posso adiar este abraço
Que é uma arma de dois gumes
Amor e ódio

Não posso adiar
Ainda que a noite pese séculos sobre as costas
E a aurora indecisa demore
Não posso adiar para outro século a minha vida
Nem o meu amor
Nem o meu grito de libertação
Não posso adiar o coração

A. Ramos Rosa, A Mão de Água e a Mão de Fogo

segunda-feira, 29 de março de 2010

Uma questão mental

Foi anti-natural usar escravos durante milhares de anos. Pareceu-nos imensamente esquisito (bem, talvez a palavra certa seja mais... escandaloso) quando os cientistas falaram pela primeira vez num antepassado comum entre humanos e macacos. No entanto, hoje em dia achamos normal (e até fazemos um certo ar de gozo se alguém nos vem com a conversa do Adão e Eva).
E os homens primitivos viviam em grutas. Hoje temos confortáveis casas. E ao pensarmos em como as coisas já foram, pensamos “como foi possível?”.
Não há muito tempo, as mulheres não usavam calças, andavam de lenço na cabeça e olhar vidrado no chão. Hoje, se nos cruzarmos com alguém assim, temos pena dessa pessoa.
Pensamos disto tudo, o como à algum tempo éramos retrógrados, mentes fechadas e oprimidas.
Hoje em dia fala-se de uma crise de falta de amor. E perante preconceitos, sociedades que não aprendem com os erros do passado, algumas minorias levantam a voz. E dizem aos casais Heterossexuais “Hello! Nós temos milhares contra nós, mas lutamos pelo amor que sentimos, e vocês, por causa de meia dúzia de pessoas, desistem! Vocês muitas vezes podem ter filhos e maltratam, e não querem, e abandonam. Nós queremos e não nos deixam!”
Dogma (ou não), dos casais homossexuais dizem ser pessoas mais sensíveis. Serão piores pais que os “ Pais profissionais”, tão característicos deste século, que estão com os filhos quando vêm televisão, ou quando estão no transito, ou...bem em mais lado nenhum.
Segundo o panorama geral, os homossexuais não têm nos seus requisitos para adopção (quando o fazem como pessoa individual) o conceito de “criança por catálogo”, tão presente como os casais heterossexuais.
Em causa esta uma legalidade. Uma “estúpida lei” que vai alterar só os dados do Bilhete de identidade. Quem quer adoptar, adopta!
O instinto maternal / paternal, o bichinho de querer ter uma família, não escolhe comportamentos sexuais. A falta de amor, de que tantas crianças padecem, é compensada ás vezes em “amigos imaginários”. Não é muito mais racional transportar essa necessidade de atenção para alguém, independentemente de ser homo, bi, metero, trans, ou heterossexual?
E as crianças crescem. Sem conceito de família, com técnicas a entrarem e saírem da vida delas, dormindo em beliches, sem privacidade. Sem espaço próprio. Numa instituição.
OU...
As crianças crescem. Crescem com família, e com a família dos dois papás (ou mamãs), com tios, primos, avós. Com natal e festa de anos próprios. E miminhos da família. Com um espaço seu. Em casa dos papás, que dão amor, conforto, e condições para uma vida equilibrada.
Com dezoito anos, na instituição, espera-lhes um mundo que caso não lhe seja favorável, não pressupõe a possibilidade de voltar para o lar onde cresceu.
Com dezoito anos, em casa dos pais (homossexuais) a vida está a começar. Não há contas para pagar, e pelo menos até aos trinta, não devem querer sair de lá. E os seus filhos terão o privilégio de ter avós, e tios-avós, e primos...
Dar a estas crianças / jovens o direito de ter uma família, uma infância, e uma idade adulta com condições justas, fraternas e equilibradas, implica dar / ter um modelo e uma base familiar, alguém que, aconteça o que acontecer, esteja sempre “lá” quando for preciso. Nos abra os braços e porta. E isto consegue-se com uma família. Seja ela tradicional. Ou não.
Vem depois a conversa do anti-natural. Mas também é anti-natural modificar geneticamente, sementes e poluir. E dedicarmo-nos à cultura.
Mas sobre isso ninguém se alonga, o parlamento fala, mas nos noticiários não se conquista audiência. E fazem-se conferencias que dão em nada. No entanto, isto diz respeito a todos, ao nosso planeta. Afecta saúde, ambiente, sociedade e futuro.
A homossexualidade não se pega. Não há previsões que a apontem como o factor de extinção da raça humana, nem como causa maior de infelicidade, depressões, cancros ou alergias.
Mas o homem insiste em meter o nariz na vida dos outros, e esquecer a sua própria vida.
Daqui a uns anos, tal como agora o fazemos em relação a outros assuntos, vamos sentir vontade de rir quando falarmos “do tempo em que ser homossexual era tema de jornal, ou motivo de escândalo”.
E ás tantas, em conversa com os filhos ou netos, falaremos no que os nossos avós ou pais achavam, enunciando os ridículos pensamentos que eles tinham. E esquecemo-nos que esses pensamentos também já foram nossos. E riremos desses tempos. E desses pensamentos.
E em segredo, só para nós mesmos, confessaremos o quanto fomos retrógrados, antiquados, e mesquinhos, “nesse tempo”.
 escrito para Filosofia, algures por entre o 2ºpeíodo

terça-feira, 23 de março de 2010

Sempre mais que tudo

Era um diálogo Surdo-mudo comigo mesma. Só de pensar ou ouvir referencias a ti, ficava com cócegas na barriga, e um estupido sorriso brotava da minha cara. Em divagações posteriores, entendi que era mais do que um sorriso, era a maior e melhor cara de felicidade alguma vez vista ou feita ou sentida.
Surrateiramente a tudo o que queria ou ambicionava, as coisas aconteceram. Com ou sem lógica racional, passível de ser entendida pelos Homens comuns, foi-me envolvendo uma trama, um enredo de coisas, que não passavam de coisas, comparado com tudo o transcendente os olhares e os gestos, e os beijos, mesmo aqueles trocados mentalmente.
Os murmúrios do vento, que o tempo  faz passar, são como que aneis de fogo, que não queimam nada do que transcente, nem torna mais insuportável a trama. Mas aumenta a mútua necessidade de contacto, de querer bem, perto, mais, muito, de querer parilhar, compartilhar, e descobrir,
E as cócegas aumentam. Fazem acreditar. Põe a lua na Terra, e a cabeça no teu lado. Com o resto de mim. E os silêncios fazem não saber mais...perceber tudo e nada, encarar.
Encarar a vontade de te querer. De te querer, mais e mais.

domingo, 21 de março de 2010

Definição

difícil:
adj. 2 gén.adj. 2 gén.
1. Não fácil.
2. Custoso; complicado; espinhoso.
3. Arriscado.
4. Exigente.
5. Mau.
6. Pouco provável
 
complicado:

adj.adj.
1. Difícil de resolver ou fazer.
2. Enredado.
3. Entrelaçado.
4. Envolvido (como cúmplice ou participante) num delírio
 
depois:

adv.1. Mais tarde; no sucessivo; em tempo posterior.
2. Em seguida.
3. Mais além; mais longe.
4. Logo a seguir.
5. Mais abaixo; em lugar secundário ou inferior.
6. Além disso.


(e nem assim, consultando o dicionário, percebi o que quer que fosse!)

quarta-feira, 17 de março de 2010

Matematicando..

Pela primeira vez vou falar mesmo de mim. Não devia. O teste de matemática está muito perto. Os exercícios chamam silênciosos, invocando argumentos mudos, por mim. No entanto, apetece-me escrever. E comecei numa das muitas folhas meio usadas dos meus cadernos de aulas, e entrecruzei-me com outras coisas já escritas. E pensei "não vou gastar papel! Vou escrever noutro sitio!" e vi parar aqui. Escrever num sitio que não é um diário, mas que pode ser um "indicador de estado de espirito". E hoje é este o meu estado de espirito. De sitio, devo dizer. Apetece-me dizer o que o não devo, fazer o que não devo, escrever o que não devo (o pelo menos que não apresenta muita coerência).
E estou a libertar, então estes "não dever" todos. Normalmente não é assim. Comigo não costuma haver "não devo". Sempre faço muito tudo ao meu jeito, sem por muito em causa os preconceitos pré-feitos por este Mundo, e regindo-me muito pelo que eu sou. Mas nunca esqueço a dimensão dos outros. Alguém disse "a minha liberdade começa onde a do outro acaba". Isto é bom, mas também é mau. Sou um bocadinho (grande) respondona, chegam-me a chamar de "mal educada". Mas isso também faz com que toda a gente saiba o que penso, e o que acho. E que não me preocupe com certas superficialidades, ou que me preocupe em demais com elas. Mas também sei ter uma boa discussão, e fundamentar ideias e opiniões. Mesmo que as palavras "saiam" sem dar por elas, são verdadeiras, e sentidas. Bem fundamentadas dentro do meu "eu".
é por isto que fico em "estado de sitio" quando sei bem o que falta, ou quando não sei bem com o que conto, mesmo tendo tudo muito arrumado em mim.
E é por isso também, que vou estudar. Maldita matemática !  

quinta-feira, 11 de março de 2010

"O Sonho"

"Pelo sonho é que vamos,
Comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não frutos,
Pelo Sonho é que vamos.

Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
Que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
Com a mesma alegria, ao que é do dia-a-dia.

Chegamos? Não chegamos?

-Partimos. Vamos. Somos. "

Sebastião da Gama Pelo sonho é que vamos

sábado, 6 de março de 2010

"Sou uma mulher madura que às vezes anda de baloiço.
Sou uma criança insegura que às vezes usa salto alto.
Sou uma mulher que balança, sou uma criança segura".


(adaptado de) Martha Medeiros

sábado, 27 de fevereiro de 2010

De Alma e Coração

"Entre os melhores estão os que continuam correndo quando as pernas tremem; os que continuam jogando quando o ar acaba; os que continuam lutando quando tudo parece perdido... Como se cada vez fosse a última! Convencidos de que a vida em si é um desafio. Sofrem, mas não se queixam, porque sabem que a dor passa, o suor seca, o cansaço termina. Mas há algo que nunca vai desaparecer: a satisfação de ter conseguido."
Allen Inverson

Obrigado a todos

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Agora os sonhos divagam por sitios nunca antes visto, nunca antes sonhados.
Divagam pelo país dos projectos.
Rios de sorrisos e coisas felizes alimentam todos os campos cultivados e por cultivar.
Com raízes sólidas e alicerces bem feitos.
Com pedacinhos de muita luta, de muito acreditar, damos a mão à palmatória, e realizamos os sonhos.
Com querer.
Basta sonhar, e acreditar.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Silêncio dos bons.

O frio apodera-se do dia a terminar. Sem me dar conta, caio de "pára quedas" nesse local. De repente, o poder duma presença até agora indiferente, trnsforma-se no calor aconchegante de um gélido início de madrugada. Consegue até aquecer o infimo da alma, o recondido do meu ser.
A noite termina. Mas nunca acaba. Dá lugar aos mais sinceros motivos de esperança num sentimento verdadeiro, faz-me gastar milhares de pedidos a estrelas cadentes, a pulseiras de  desejos, a situações surgidas do nada. Era (e é) instintivamte que o meu pensameto voa para ti, quando...sempre! Voou para ti nos dias de trânsito, nos dias de frio em que o olhar a luz me fazia estar mais perto de ti. Voou para ti quando não sabia de nada, quando imaginava tudo, quando alguém falava (e se não falasse voava também).
Aquele aconchegante calor na alma, acompanhou os meses de frio desse ano, e nem com o calor se foi embora. Queimava quando se entrelaçavam olhares, e crescia comigo. Certezas e duvidas nasciam, e morriam. Mas o calor continuava, e teimava em não me abandonar nunca. E veio o frio, e veio conversas, e veio algo mais, muito mais que calor. Veio uma pessoa, um ser, que justificava tudo aquilo, que falava coisas que achava que já sabia, mas que ouvia com toda a atenção do mundo.
Veio tanta coisa, mas acima de tudo veio certeza. Certeza que uma coisa assim não termina, por mais que se fuja. E veio fugas. E veio encontros, porque de algo mais forte que as mesquinhas leis dos Homens se trata, e preconceito, ou conceito nenhum tem poder contra isso.
Existe nós quando entre o "eu" e o "tú" há uma ligação, uma conecção. Não percebo (não só, mas também) como foi possível resistir tanto tempo a coisas que o destino foi dando provas de estarem escritas ao longo deste periodo. Não entendo como consegues pensar que será possivel viver sem este calor, sem este ser. Aprendi que os Homens usam poderes que não têm, e que detêm poderes alheios que não deviam ter. O poder da liberdade, por exemplo, que tantas vezes é manipulado.
Não é justo. Mas se fosse só de justiça, e não fosse também de carácter, que fosse feita a vida, não valeria a pena existirem Pessoas. Tú es uma Pessoa, e é por isso que o coração ainda bate, porque sabe que as pessoas nada podem fazer contra as Pessoas (estas, com carácter). E também porque sei (porque já assim aconteceu) que a manipulação não tem alicercers sólidos, que é apenas uma solução ilusória e monumentânea, que depois, a verdade, irrefutável, vem ao de cima.
Puxa-a para cima! Agara-a! Luta para que ela apareça!
Só assim se expulsa tristezas. Só assim se tem certezas. Só assim não se magoa ninguém.

Pinguim

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

"Escuta a minha voz"

"Porque é que ninguém nos sugere os locais onde temos de ter mais cuidado: aqui, o gelo é mais fino, além, é mais espesso, será de continuar, fazer um desvio, recuar, parar, evitar? Porque temos sempre de levar connosco o peso dos gestos não feitos, das frases não ditas, daquele beijo que não dei, daquela solidão que não abracei? Porque será que vivemos imersos nesta extraodinária estupidez, desde que nascemos? Tudo nos parece eterno e a nossa vontade reina obstinada sobre o minúsculo e confuso Estado que se chama eu, prestamos-lhe homenagem como se fosse um grande soberano. Bastaria abrir os olhos por um segundo para perceber que não passa de um príncipe de opereta, volúvel, afectado, incapaz de bominar e de se dominar, incapaz de ver o mundo para além das suas próprias fronteiras, que mais não são do que os bastidores - variáveis e acanhados - de um palco."

Susana Tamaro, "Escuta a minha voz"

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Terror de te Amar

"Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo

Mal de te amar neste lugar de imperfeição
Onde tudo nos quebra e emudece
Onde tudo nos mente e nos separa."




Sophia de Mello Breyner

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Sentidos do Silêncio

Desço a serra sozinha, sem ninguém – sem barulho, em silêncio – e olho a aldeia não com os olhos (que vêm tudo mas não associam) mas com a visão. E a primeira coisa em que reparamos é na semelhança, entre a nossa aldeia e as ilhas da Grécia. As casas (quase) todas brancas, “empilhadas” umas sobre as outras parecem saídas dessas paisagens mediterrânicas.
E a brisa bate-nos na cara.
Quente, gelada, ou húmida, dependendo da estação do ano, ela traz com ela aromas da aldeia. O cheirinho do jantar quase pronto, que nos abre o apetite, o fumo do lume, que nos faz lembrar o natal, os dias de inverno...
Nos meses em que os dias são maiores, ainda sentimos o sol a queimar-nos a pele, como que a dizer “adeus, até amanhã”, e despede-se de nós.
E a brisa...como é Verão, é o cheiro a calor...o cheiro quente, que nos conforta a alma. Cheira a flores, e a frutos.
E de novo a brisa...desta vez mais fresquinha...e o aroma das acácias enche-nos de felicidade. Faz-nos rir sozinhos. Falar para nós mesmos. Olhar à nossa volta e dar valor ao que temos, à nossa aldeia. Ao quanto bem ela nos recebe depois de um dia fora, ao quanto ela nos reconforta de todos os problemas e preocupações.
E mais uma vez, a brisa...vem fria, gélida...está escuro. O céu tem estrelas, umas mais brilhantes que outras. Há vezes que, ao olharmos a imensidão azul escura, somos presenteadas com estrelas-cadentes. São as árvores que dançam ao som do vento as únicas que ouve os murmúrios de tantos desejos já pedidos.
E o silêncio deixa-nos ouvir o som da aldeia. Uma ou outra conversa salta, imperceptível, para o caminho. O carro que passa faz sinal de luzes, apita, ou levanta a mão, (é pessoa conhecida, da aldeia). Alguém passa, solto um sussurrado “Boa noite”.
Também chove. A chuva molha a cara e limpa-nos os vestígios da cidade, suja e poluída.
Respiro fundo.
Mesmo se não visse, o silêncio, os cheiros, o aconchego, o simples gesto de pisar a estrada indica-nos “estamos em casa”!
Sentieiras.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

A culpa é nossa!

"Um cão não tem necessidade nenhuma de carros sofisticados ou de casas sumptuosas ou de roupas da moda. Os símbolos de status não lhe dizem nada. Um pau lambido pelo mar serve perfeitamente. Um cão não julga os outros pela cor da pele, credo religioso ou classe social, mas sim por o que elas têm dentro de si mesmas. Um cão não se interessa em saber se somos ricos ou pobres, educados ou iletrados, burros ou inteligentes. Dêem-lhe o vosso coração que ele dar-vos-á o seu. As coisas são na realidade bastante simples, e no entanto somos nós, os humanos, muito mais sábios e sofisticados, quem sempre teve dificuldade em discernir o que é realmente importante ou não."


Marley & Eu, Jonh Gorgan

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Sempre

Com a certeza de que tudo vai mudar, mas há coisas que permanecem.
Sentimentos como estes são imutáveis, e sò progridem para mais e melhor.
Olhares destes são esculpidos na nossa mente, reflectidos no nosso pensamento, e tornam-se eternos.
Ressuscitados a cada momento.
Para sempre.

Coisas inesplicáveis que se tornam lógicas na tua presença. Justificações passíveis de serem dadas.
Coração fora de mim, só teu.
Para sempre.

Respiração ofegante e incontrolada, que se torna inaudível na tua presença.
O cérebro deixa de distinguir acaso de destino, e o que importa é que tudo acontece.
Para sempre!
SEMPRE

sábado, 23 de janeiro de 2010

"Liberdade"

"Aqui nesta praia onde                                        Não há nenhum vestígio de impureza,
Aqui onde há somente
Ondas tombando ininterruptamente,
Puro espaço e lúcida unidade,
Aqui o tempo apaixonadamente
Encontra a própria liberdade"

Sophia de Mello Breyner Andresen

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Zé Diogo Quintela e a sua crónica: "Deixai adoptar as criancinhas"

"O casamento entre pessoas do mesmo sexo foi aprovado, mas sem possibilidade de adopção. Acho que é injusto. Nomeadamente, é injusto para os casais heterossexuais. Se os homossexuais têm o casamento, então deviam levar com o casamento todo. O casamento não é só coisas boas. Também há os filhos. E é injusto beneficiar um casal homossexual, que assim evita chegar um dia a casa e ter as paredes da sala todas pintadas com marcadores fluorescentes. Evita ir às urgências, tirar um berlinde de um nariz. Não são mais do que nós, para terem um casamento de primeira, em que são poupados à experiência de aturar um adolescente durante a idade do armário. Que é a altura do desenvolvimento humano em que percebemos porque é que não é boa ideia ter-se armas em casa. Ao alcance dos pais.
Há quem diga que temos de pensar no que as crianças podem vir a passar na escola, por terem dois pais ou duas mães. "E se eu tivesse dois pais, como é que teria sido a minha vida na escola?" Não posso responder por ninguém, mas a minha teria sido igualzinha ao que foi. Os meus colegas nunca conheceram os meus pais. Nem o meu pai, nem a minha mãe iam à escola. Nunca foram assistir aos meus teatrinhos. Nunca iam às reuniões de pais. Em toda a sua vida parental só foram a uma: a primeira do meu irmão mais velho. Depois disso decidiram que era uma inútil perda de tempo. Não me parece que, se por acaso fossem homossexuais, tivessem aparecido mais. Os meus colegas nunca souberam se fui criado pelo meu pai e pela minha mãe, pelos meus avós, por um casal de decoradores ou por uma loba.
Teme-se que os filhos de casais de homossexuais sejam alvo de gozo e que isso os possa traumatizar. Um argumento que também não me comove. É que eu sou adepto do Sporting desde miúdo. Os 18 anos de seca coincidiram com a minha idade escolar. Sei bem o que é ser gozado nas aulas todas as segundas-feiras, depois de uma derrota com o Covilhã ou com o Penafiel, era achincalhado pelos mini-lampiões, que nesse tempo até ganhavam com alguma regularidade (parece incrível, eu sei). Podem crer que trocaria vitórias do Sporting por pais homossexuais. Principalmente à segunda-feira. Não podendo, então não me importava de acumular: má época do Sporting com duas mães camionistas. Talvez desviasse a atenção do infortúnio sportinguista. "Ó Quintela, gostas mais da mamã ou da mamã?", diriam os gozões no início da semana, esquecendo o ridículo empate frente a O Elvas. Quem me dera...
Outra advertência é feita por quem acha que uma criança adoptada por dois homossexuais pode sentir-se chocada com as manifestações de carinho entre o casal. Não tenho dúvidas de que isso aconteça. É naturalíssimo. Quem já teve o azar de ver o pai e a mãe no meio da marmelada sabe que é chocante. A sexualidade dos pais, hetero ou homo, é sempre desconfortável. Uma vez apanhei o meu pai a beijar a minha mãe e deixei de conseguir ver filmes com cenas de sexo durante seis meses. Quem acha que a sexualidade dos pais pode influenciar a sexualidade dos filhos não conhece esta mecânica. É óbvio que influencia: quando pensamos nos nossos pais juntos na cama, o embaraço é tanto que só nos apetece a castidade.
Claro que vai haver sempre casos de crianças que vão dizer: "Não quero ir viver com este dois maricas. Prefiro voltar para o meu papá, que pode beber um bocadinho e queimar-me com cigarros nas costas, mas é um homem à séria. Fez 12 filhos, a maior parte à minha mãe. Mas, como o meu papá ainda está em Vale de Judeus por ter matado a minha mãe, vou antes ficar por aqui, à guarda do Estado. Comem-se as melhores papas de aveia!" Nestes casos, faça-se a vontade à criança.
Espero que em breve os casais de pessoas do mesmo sexo sejam autorizados a adoptar. Talvez daqui a dois, três anos, seja uma boa altura. Agora, não. É deixá-los desfrutar. Toda a gente sabe que não se devem estragar os primeiros anos de casamento indo logo ter filhos."


José Diogo Quintela, in Publico (numa das ultimas edições)

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Arrepiante

"O arrepio aquece a mente, percorre o infimo do corpo. E depois desliga o pensamento. E sem se preocupar com mais nada, e sem corragem para fuguir, tal como a brisa da noite fria de mais um ano a terminar, alucinaste os meus sentidos"

Um mês depois.
É.B.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

"Facidades"

Em tudo há das duas faces:
O Alfa...e o Omega, princípio e fim. Yng e Yang. Preto e branco, bom e mau. Muito e pouco. Simpático e antipático.
E o reverso da gargalhada?
Será o silêncio, a tristeza, a melancolia e a ingenuidade?
Talvez sim. Se gargalhada for sinceridade, for genuina e sinónimo de alegria.
Mas...e quando a gargalhada não for nada disso? Se a gargalhada for  maléfica e insensata, desumana. Mesquina.
Aí talvez a outra face seja o sorriso. A expressão sincera do espirito. Espelho de almas e de corações. Fonte de intrepretações de humores, amores.
Faces que se completam. Que se opoem. Misturam.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010




"Se nos lembrarmos melhor dos bons momentos, para que servem os maus?" Vian, B.